sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A bondade distraída

Estudei Ciências Sociais e Teologia.

Muito do que estudei busca modelar o homem a um padrão de justiça e equilíbrio que acaba por nos acompanhar durante nossa vida nos questionando se somos este ou nos desviamos aqui ou ali.

O problema é quando encontramos pessoas que fazem o bem, natural e discretamente, sem se tornarem exemplo para quem quer que seja.

Simplesmente fazem.

É o caso de uma mulher que conheci hoje, chamada Marluci.

Estávamos em campanha nas ruas, buscando colocar uns cartazes na frente de algumas residências quando conhecemos a Marluci.

Ela tem quatro filhos.

O maior deve ter por volta de uns 12 anos. Os demais são pequeninos.

A questão foi a extrema naturalidade com que nos recebeu, digo, a equipe toda, de uns 6 integrantes.

Deixou-nos entrar em sua casa, deu-nos água, café, e o uso do banheiro.

Pergunto a mim mesmo, se me lembro de alguma ocasião em que fiz isto. Não lembro.

Ela tem uma cadela que deu 4 filhotinhos.

A mãe com quatro filhinhos e uma cadela com 4 filhotinhos.

Em tudo elas são parecidas.

Na conversa Marluci deu um dos filhotes para um casal de amigas que tenho.

Alegraram-se muito.

De repente, entra o pai e pega uma das crianças e a põe no colo e levanta, jogando-a para o alto e pegando novamente. A criança divertia-se muito.

Havia também um filhotinho de marreco que andava, pequenino, no meio de tantas crianças descalças. De vez em quando escondia-se debaixo do fogão e depois saía para buscar algum farelo para comer.

Perguntei a Marluci se ela punha o marrequinho de vez em quando na água, e ela respondeu-me que põe água numa bacia e coloca o marrequinho para nadar.

Foi um momento de extrema e gratuita alegria.

Percebia o quanto a falta de uma filosofia ou Teologia faz bem às pessoas quando elas já encarnam a bondade sem limites.

Não preciso dizer que era uma mulher pobre.

 Os ricos dificilmente fariam algo assim tão nobre, para Deus, lógico.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Movimentos agrários se unem para a luta após 50 anos


Encontro Unitario lança declaração histórica em defesa da Reforma Agrária

22 de agosto de 2012

Leia a declaraçao final do Encontro Nacional Unitario dos Trabalhadores e 
Trabalhadoras e  Povos do Campo, das Aguas e das Florestas.

Por Terra, Território e Dignidade!


Após séculos de opressão e resistência, “as massas camponesas oprimidas e exploradas”, 
numa demonstração de capacidade de articulação, unidade política e construção de uma 
proposta nacional, se reuniram no “I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores 
Agrícolas sobre o caráter da reforma agrária”, no ano de 1961, em Belo Horizonte. 
Já nesse I Congresso os povos do campo, assumindo um papel de sujeitos políticos, 
apontavam a centralidade da terra como espaço de vida, de produção e identidade 
sociocultural.
Essa unidade e força política levaram o governo de João Goulart a incorporar a reforma 
agrária como parte de suas reformas de base, contrariando os interesses das elites e 
transformando-se num dos elementos que levou ao golpe de 1964. Os governos golpistas 
perseguiram, torturaram, aprisionaram e assassinaram lideranças, mas não destruíram 
o sonho, nem as lutas camponesas por um pedaço de chão.
Após décadas de resistência e denuncias da opressão, as mobilizações e lutas sociais
 criaram condições para a retomada e ampliação da organização camponesa, fazendo 
emergir uma diversidade de sujeitos e pautas. Junto com a luta pela reforma agrária, a 
luta pela terra e por território vem afirmando sujeitos como sem terra, quilombolas, indígenas, 
extrativistas, pescadores artesanais, quebradeiras, comunidades tradicionais,
 agricultores familiares, camponeses, trabalhadores e trabalhadoras rurais e demais
 povos do campo, das águas e das florestas. Neste processo de constituição de sujeitos 
políticos, afirmam-se as mulheres e a juventude na luta contra a cultura patriarcal, pela 
visibilidade e igualdade de direitos e dignidade no campo.
Em nova demonstração de capacidade de articulação e unidade política, nós homens
 e mulheres de todas as idades, nos reunimos 51 anos depois, em Brasília, no Encontro 
Nacional Unitário de Trabalhadores e Trabalhadoras, Povos do Campo, das Águas e das
 Florestas, tendo como centralidade a luta de classes em torno da terra, atualmente 
expressa na luta por Reforma Agrária, Terra, Território e Dignidade.
Nós estamos construindo  a unidade em resposta aos desafios da desigualdade 
na distribuição da terra. Como nos anos 60, esta desigualdade se mantém inalterada, 
havendo um aprofundamento dos riscos econômicos, sociais, culturais e ambientais, 
em conseqüência da especialização primária da economia.
A primeira década do Século XXI revela um projeto de remontagem da modernização 
conservadora da agricultura, iniciada pelos militares, interrompida nos anos noventa e 
retomada como projeto de expansão primária para o setor externo nos últimos doze 
anos, sob a denominação de agronegócio, que se configura como nosso inimigo comum.
Este projeto, na sua essência, produz desigualdades nas relações fundiárias e sociais 
no meio rural, aprofunda a dependência externa e realiza uma exploração ultrapredatória 
da natureza. Seus protagonistas são o capital financeiro, as grandes cadeias de produção
 e comercialização decommodities de escala mundial, o latifúndio e o Estado brasileiro 
nas suas funções financiadora – inclusive destinando recursos públicos para grandes 
projetos e obras de infraestrutura – e (des)reguladora da terra.
O projeto capitalista em curso no Brasil persegue a acumulação de capital especializado
 no setor primário, promovendo super-exploração agropecuária, hidroelétrica, mineral e 
petroleira. Esta super-exploração, em nome da necessidade de equilibrar as transações
 externas, serve aos interesses e domínio do capital estrangeiro no campo através das
 transnacionais do agro e hidronegócio.
Este projeto provoca o esmagamento e a desterritorialização dos trabalhadores e trabalhadoras
 dos povos do campo, das águas e das florestas. Suas conseqüências sociais e ambientais 
são a não realização da reforma agrária, a não demarcação e reconhecimento de territórios 
indígenas e quilombolas, o aumento da violência, a violação dos territórios dos pescadores
 e povos da floresta, a fragilização da agricultura familiar e camponesa, a sujeição dos
 trabalhadores e consumidores a alimentos contaminados e ao convívio com a degradação 
ambiental. Há ainda conseqüências socioculturais como a masculinização e o envelhecimento 
do campo pela ausência de oportunidades para a juventude e as mulheres, resultando na 
não reprodução social do campesinato.
Estas conseqüências foram agravadas pela ausência, falta de adequação ou caráter 
assistencialista e emergencial das políticas públicas. Estas políticas contribuíram 
para o processo de desigualdade social entre o campo e a cidade, o esvaziamento do meio
 rural e o aumento da vulnerabilidade dos sujeitos do campo, das águas e das florestas.
 Em vez de promover a igualdade e a dignidade, as políticas e ações do Estado, muitas 
vezes, retiram direitos e promovem a violência no campo.
Mesmo gerando conflitos e sendo inimigo dos povos, o Estado brasileiro nas
 suas esferas do Executivo, Judiciário e Legislativo, historicamente vem investindo
 no fortalecimento do modelo de desenvolvimento concentrador, excludente e 
degradador. Apesar de todos os problemas gerados, os sucessivos governos – 
inclusive o atual – mantêm a opção pelo agro e hidronegócio.
O Brasil, como um país rico em terra, água, bens naturais e biodiversidade, atrai o 
capital especulativo e agroexportador, acirrando os impactos negativos sobre os territórios
 e populações indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas. 
Externamente, o Brasil vem se tornando alavanca do projeto neocolonizador, expandindo
 este modelo para outros países, especialmente na América Latina e África.
Torna-se indispensável um projeto de vida e trabalho para a produção de alimentos 
saudáveis em escala suficiente para atender as necessidades da sociedade, que respeite 
a natureza e gere dignidade no campo. Ao mesmo tempo, o resgate e fortalecimento dos
 campesinatos, a defesa e recuperação das suas culturas e saberes se faz necessário 
para projetos alternativos de desenvolvimento e sociedade.
Diante disto, afirmamos:
1)       a reforma agrária como política essencial de desenvolvimento justo, popular, 
solidário e sustentável, pressupondo mudança na estrutura fundiária, democratização 
do acesso à terra, respeito aos territórios e garantia da reprodução social dos povos do
 campo, das águas e das florestas.
2)      a soberania territorial, que compreende o poder e a autonomia dos povos em proteger
 e defender livremente os bens comuns e o espaço social e de luta que ocupam e estabelecem
 suas relações e modos de vida, desenvolvendo diferentes culturas e  formas de produção e
 reprodução,  que marcam e dão identidade ao território.
3)      a soberania alimentar como o direito dos povos a definir suas próprias políticas e
 estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos que garantam 
o direito à alimentação adequada a toda a população, respeitando suas culturas e a diversidade
dos jeitos de produzir, comercializar e gerir estes processos.
4)      a agroecologia como base para a sustentabilidade e organização social e produtiva da 
agricultura familiar e camponesa, em oposição ao modelo do agronegócio. A agroecologia é 
um modo de produzir e se relacionar na agricultura, que preserva a biodiversidade, os
 ecossistemas  e o patrimônio genético, que produz alimentos saudáveis, livre de transgênicos
 e agrotóxicos, que valoriza saberes e culturas dos povos do campo, das águas e das
 florestas e defende a vida.
5)      a centralidade da agricultura familiar e camponesa e de formas tradicionais de produção 
e o seu fortalecimento por meio de políticas públicas estruturantes, como fomento e crédito 
subsidiado e adequado as realidades; assistência técnica baseada nos princípios 
agroecológicos; pesquisa que reconheça e incorpore os saberes tradicionais; formação,
 especialmente da juventude; incentivo à  cooperação, agroindustrialização e comercialização.
6)      a necessidade de relações igualitárias, de reconhecimento e respeito mútuo, 
especialmente em relação às mulheres, superando a divisão sexual do trabalho e o
 poder patriarcal e combatendo todos os tipos de violência.
7)      a soberania energética como um direito dos povos, o que demanda o controle 
social sobre as fontes, produção e distribuição de energia, alterando o atual modelo 
energético brasileiro.
8)      a educação do campo, indígena e quilombola como ferramentas estratégicas para 
a emancipação dos sujeitos, que surgem das experiências de luta pelo direito à educação
 e por um projeto político-pedagógico vinculado aos interesses da classe trabalhadora. 
 Elas se contrapõem à educação rural, que tem como objetivo auxiliar um projeto de 
agricultura e sociedade subordinada aos interesses do capital, que submete a educação
 escolar à preparação de mão-de-obra minimamente qualificada e barata e que escraviza
 trabalhadores e trabalhadoras no sistema de produção de monocultura.
9)      a necessidade de democratização dos meios de comunicação, hoje concentrados
 em poucas famílias e a serviço do projeto capitalista concentrador,  que criminalizam os
 movimentos e organizações sociais do campo, das águas e das florestas.
10)   a necessidade do reconhecimento pelo Estado dos direitos das populações 
atingidas por grandes projetos, assegurando a consulta livre, prévia e informada e a 
reparação nos casos de violação de direitos.
Nos comprometemos:

1 a fortalecer as organizações sociais e  a intensificar o processo de unidade entre
 os trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas, 
colocando como centro a luta de classes e o enfrentamento ao  inimigo comum, o 
capital e sua expressão atual no campo, o agro e hidronegócio.
2    a ampliar a unidade nos próximos períodos, construindo pautas comuns e processos
 unitários de luta pela realização da reforma agrária, pela reconhecimento, titulação, 
demarcação e desintrusão das terras indígena, dos territórios quilombolas e de 
comunidades tradicionais, garantindo direitos territoriais, dignidade e autonomia.
3    a fortalecer a luta pela reforma agrária  como bandeira unitária dos trabalhadores 
e trabalhadoras e povos do campo, das águas e das florestas.
4    a construir e fortalecer alianças entre sujeitos do campo e da cidade, em nível 
nacional e internacional, em estratégias de classe contra o capital e em defesa de uma
 sociedade justa, igualitária, solidária e sustentável.
5    a lutar pela transição agroecológica massiva, contra os agrotóxicos, pela produção
 de alimentos saudáveis, pela soberania alimentar, em defesa da biodiversidade e
 das sementes.
6    a construir uma agenda comum para rediscutir os critérios de construção, acesso, 
abrangência, caráter e controle social sobre as políticas públicas, a exemplo do 
PRONAF, PNAE, PAA, PRONERA, PRONACAMPO, pesquisa e extensão, dentre outras,
 voltadas para os povos do campo, das águas e das florestas.
7    a fortalecer a luta das mulheres por direitos, pela igualdade e pelo fim da violência.
8    a ampliar o reconhecimento da importância estratégica da juventude na dinâmica do
 desenvolvimento e na reprodução social dos povos do campo, das águas e das florestas.
9    a lutar por mudanças no atual modelo de produção pautado nos petro-dependentes,
 de alto consumo energético.
10    a combater e denunciar a violência e a impunidade no campo e a criminalização 
das lideranças e movimentos sociais, promovidas pelos agentes públicos e privados.
11    a lutar pelo reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre a morte e 
desaparecimento forçado de camponeses, bem como os direitos de reparação aos 
seus familiares, com a criação de uma comissão camponesa pela anistia, memória,
 verdade e justiça para incidir nos trabalhos da Comissão Especial sobre mortos e 
desaparecidos políticos, visando a inclusão de todos afetados pela repressão.
Nós, trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas
 exigimos o redirecionamento das políticas e ações do Estado brasileiro, pois o 
campo não suporta mais.  Seguiremos em marcha, mobilizados em unidade e 
luta e, no combate ao nosso inimigo comum, construiremos um País e uma
 sociedade justa, solidária e sustentável.
Brasília, 22 de agosto de 2012.

Associação das Casas Familiares Rurais (ARCAFAR)Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento Camponês Popular (MCP)
Movimento das Mulheres Camponesas (MMC)
Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE)
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Oxfam Brasil
Pastoral da Juventude Rural (PJR)
Plataforma Dhesca
Rede Cefas
Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF)
SINPRO DF
Terra de Direitos
Unicafes
VIA CAMPESINA BRASIL
Associação das Mulheres do Brasil (AMB)
Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA)
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)
Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
CARITAS Brasileira
Coordenação Nacional dos Quilombolas (CONAQ)
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)
Comissão Pastoral da Pesca (CPP)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)
Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (FETRAF)
FASE
Greenpeace
INESC





segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Não chove!

O tempo está seco.

O país está seco.

Esperávamos que a chuva viesse e refrescasse todos.

Mas não, o calor sufocante permanece estacionado em pleno inverno.

As plantações sofrem, os animais sofrem, o homem, principalmente o pobre, sofre.

Em quem por a culpa, se há culpa?

Em nossa incapacidade de proteger o planeta e o estarmos destruindo consciente ou inconscientemente?

Não é mais hora de se procurar culpados, porque todos estão sendo atingidos.

É hora de mudança naquilo em que nunca nos acostumamos fazer.

Tratarmos o planeta como fazemos em nossa casa.

Quem sabe este seja um canto perdido pelo fato do homem ser, de fato, ingovernável.

Por isto o calor, a sequidão, as queimadas, a mortandade.

Nunca vi um inverno com mais cara de verão que este de 2012 em São Paulo, Brasil.

Estou impressionado com a rapidez da transformação da natureza.

Como estarão nossos filhos e netos nos próximos 30 anos, se tanto?

Tenho medo do homem, de sua capacidade destrutiva, e espero a redenção em Deus.

sábado, 18 de agosto de 2012

Eu permaneço em Aleppo!


Apelo dramático do bispo ortodoxo na cidade síria
Por José Antonio Varela Vidal
Sexta-feira 17 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - Grato por todas as mensagens de conforto e solidariedade recebidas, o metropolita ortodoxo de Aleppo na Síria, Mar Gregorios Yohanna Abraham, ratificou sua vontade de permanecer ao lado da população, atualmente bombardeada por ambas as frentes, pois "esse é um dos deveres de um pastor", declara.
Através de uma recente declaração, o bispo narra os horrores do conflito interno no país árabe, que até hoje atinge a cifra dolorosa de 30.000 mortes e cerca de 200.000 feridos, em mais de 15 meses de ataques e contra ofensivas. Assim, a falta de vontade de ambas as partes em deter as ações desanimou nestas últimas horas as organizações internacionais em seus esforços pela paz.
Nisto é preciso acrescentar o número de desabrigados internos, que segundo a ONU seria de aproximadamente 2,5 milhões, alguns dos quais já entrados em países vizinhos como o Líbano, não menos de 40.000 pessoas. Destes, muitos são cristãos que se abrigam diante de uma prevista guerra religiosa, onde seriam apenas vítimas do ódio para com sua fé.
Panorama devastador
Em sua comunicação, Mar Gregorios explica o momento que cabe viver em uma cidade dividida entre aqueles que apóiam as operações militares do governo, e os que se identificam com as ações do grupo de rebeldes autodenominado "Exército Livre da Síria".
O prelado questiona se "a falta de combustível, eletricidade, água, pão e transporte, além da paralisia dos mercados e o desemprego, eram os privilégios e os produtos da primavera árabe na Síria". E também lamenta a insegurança e o caos, que, juntamente com a intrusão na vida e na propriedade privada tornaram-se "a ordem do dia", segundo sua dramática narrativa.
Adverte também que aumenta um fenômeno sem precedentes na Síria, o sequestro em plena luz do dia, cujo destino depende do que for negociado com os sequestradores e seus resgates, vivos ou mortos.
Acreditar contra toda a esperança
"Já não podemos desfrutar de nossa coexistência pacífica, que podíamos nos orgulhar", é a opinião do bispo, que é grato pela proximidade e conforto recebido de todo o mundo. São evidentes a tristeza e o temor em suas palavras, mesmo mantendo um grau de otimismo baseado na esperança de que a paz é um dom, fruto do diálogo e da justiça.
Portanto, como líder da Igreja Ortodoxa local, pede orações por uma solução pacífica da crise que possa trazer segurança e estabilidade ao país, para que a Síria seja "um lugar para todos os sírios, independentemente de sua formação religiosa, cultural, linguística ou étnica”, afirmou.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mundo continua em guerra, sem novidade

A novidade seria a PAZ!

Paz de fato, completa, para todos, principalmente para as crianças.

Paz para se poder viver.

Paz para alimentar o estômago e a mente com bons pensamentos.

Paz para se aprender as diferenças sem grandes desavenças.

Paz de amor, sem as angústias das paixões escondidas, nem as fragilidades dos sentimentos formais.

Quero a experiência de um mundo de paz antes de celebrar a paz eterna.

Porque paz depois é fácil. Quero vê-la aqui, neste quintal ocupado por toda sorte de interesses.

Guerra apenas contra as guerras, de forma pacífica!

PAZ! PAZ! PAZ!

Anseio a paz, durmo a paz, rezo a paz.

Dá-me a Tua Paz Senhor!

Não como o mundo a dá.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Palavra e o Gesto

Às vezes eu fico abismado com a distância entre o que as pessoas dizem e o que fazem. É realmente abismal!

Como falam palavras boas!

Como são bons, ao falarem!

À distância, parecem anjos de luz, mas bastam alguns momentos juntos, alguns poucos dias de convivência, para mostrarem as garras, a sua ferocidade, sua arrogância, sua besta fera.

Não é atoa que São Paulo ao se referir ao demônio diz este apresentar-se muitas vezes revestido como um Anjo de Luz. Afinal, o demônio deve lembra-se do tempo em que era um Anjo de Deus, e para obter o seu intento busca utilizar-se do expediente de ser bom para fazer sua malignidade, provocações, desavenças, intrigas, discórdias de todo tipo.

Para estas pessoas devemos orar constantemente, para que se libertem do domínio que o diabo lhes impõem e que gratuitamente aceitam, já meio divididos entre suas ambições desregradas e o auxílio do inimigo.

A pior destas situações é a de encontrar-se pessoas que professam a fé cristã, sejam católicos sejam protestantes ou os chamados "evangélicos", da boca para fora, mas renegarem a mesma fé na vida prática.

Não sabem ser bons. Não sabem ser solidários. Não amam as pessoas.

Cristãs, vejam só, mas cheias de diabinhos.




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Hoje este Pó ultrapassou 60.000 visitas

Não é pelo número, mas pelo princípio de vida que apresenta, em defesa da justiça e da paz, do amor e da luta, do perdão e da cobrança.

Porque não pode haver verdade particular, mas uma amplidão na busca de encontrar a verdade.

Para quê viver, se estivermos na mentira, na divisão, no ódio?

Viver só importa se abrir portas para os que estão diante das muralhas, se alimentar os esfomeados de justiça, se resgatar os perdidos nos emaranhados das teorias escravizantes e impessoais.

Que o sol se levante cedo despertando a humanidade de seu sono milenar.

Que a lua reúna novamente os casais perdidos e apresente a alternativa do amor.

É o meu desejo ais profundo.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos Pais, breve reflexão sobre um estado de ser

Não pedi para ser pai, foi algo que veio como uma consequência do amor.

Apaixonei-me por uma mulher e ela deu-me filhos, dois, uma menina e um menino.

Nunca mais fui o mesmo, tive de aprender a cuidar deles, meio sem jeito, isto é, completamente sem jeito.

Por isto acertei e errei um bocado de vezes.

Tudo fazia, com ímpeto de acertar, mas misturando ainda juventude à paternidade, aspirações de jovem, com responsabilidade de adulto.

Assisti minha mulher dividir-me com as crianças, e nunca mais sermos apenas um para o outro.

Ficamos nós por eles, difícil aprendizado...

Cresceram eles envelhecemos nós.

Vi como era importante calar-me para que meus filhos pudessem ser eles mesmos.

Calei-me muito.

Não falo mais, por amor.

Hoje, quando não consigo olhar mais a violência de frente, por ser tão dolorosa a um coração domesticado pelo bem, quando qualquer acontecimento mais forte me retira a paz, tenho na presença dos filhos, mesmo que totalmente isolado, o conforto para este mundo cruel.

Sim, este segmento tão antigo chamado família mantém em mim uma esperança de que um dia poderemos acertar o caminho e encontrarmos uma solução para a vida, por maior que sejam as diferenças.

Desejo um Feliz dia dos Pais ao judeu e ao palestino, ao americano e ao russo, aos xiitass e aos sunitas, aos católicos, budistas, induístas, evangélicos, espiritas, umbandistas, democratas, comunistas, liberais, capitalistas.

Uma civilização nova precisa ser atingida, onde a regra balisadora seja o amor fraterno, e nada melhor que o dia dos Pais para expressar este desejo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Líderes cristãos dizem não à guerra confessional na Síria


Retirado do Zenit, mostra a neutralidade cristã, o sentimento de rejeição à violência, e admitem a existência de mercenários no país.
Fontes locais relatam dramáticos acontecimentos da guerra civil
DAMASCO, quarta-feira, 8 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - "Não aceitem armas e não se engajem no conflito civil". É a recomendação dos líderes religiosos aos fiéis cristãos sírios, de acordo com fontes locais da cidade de Aleppo, entrevistadas pela agência Fides. Aleppo, a maior cidade do país, é o atual campo de batalha em que se enfrentam as tropas do governo e do Exército Sírio Livre.
"Não queremos ser mais um grupo antagônico", disseram as fontes à agência, expressando profunda preocupação com a dimensão comunitária que a guerra civil está assumindo na Síria, alimentada também a partir do estrangeiro. Grupos curdos, que já controlam algumas áreas de fronteira com a Turquia e com o Iraque, se contrapõem a pelo menos duas formações turcomanas.
"Somos sírios e queremos viver em paz com todos os outros sírios. Queremos paz e harmonia", enfatizam as fontes da Fides, que falam da "luta pesada" em alguns distritos de Aleppo e de "muitíssimos mortos, talvez mais do que a mídia relata". "Não temos estatísticas, mas recolhemos testemunhos de hospitais cheios de cadáveres", afirmam.
As fontes de Aleppo se declaram preocupadas com a possibilidade de repetição "do que aconteceu em Homs, quando as pessoas se refugiaram nos bairros cristãos, que acabaram virando campos de batalha entre as duas partes". Embora no momento "os bairros cristãos estejam calmos, vemos que em todos os lugares existem preparativos para continuar a batalha pelo controle de Aleppo. Ninguém sabe o que pode acontecer nas próximas 48 horas".
As várias comunidades cristãs (católica, ortodoxa e protestante) estabeleceram um escritório de coordenação para se ajudar mutuamente. O apelo feito aos países europeus é "de ajuda para o povo sírio, de pressão sobre aqueles que incitam à guerra e de apoio para que as duas partes dialoguem".
Prosseguem as fontes da Fides: "Nós acreditamos que o diálogo ainda é possível, mas precisamos chegar a uma solução rapidamente, para que as consequências para a população sejam o menos nocivas possível".
Na frente diplomática, o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, renunciou ao cargo de mediador na crise síria por parte das Nações Unidas e da Liga Árabe, após cinco meses de tentativas infrutíferas para encontrar uma solução política.
"Esperávamos muito da missão de Annan, e continuamos esperando uma saída honrosa para ambas as partes. Se realmente queremos ajudar o povo sírio, a única solução é política. A guerra não leva a lugar algum", concluem as fontes.
Relatos de combates pesados ​​em Aleppo vieram à tona há poucos dias, após a deserção do primeiro-ministro sírio Riad Hijab e do saque do mosteiro cristão de Mar Musa, cujo superior era o padre jesuíta Paolo Dall'Oglio.
Ainda de acordo com as declarações da Fides, houve confrontos também no resto do país, com a morte de onze pessoas durante bombardeios. Elas se juntam às 265 mortes da semana passada, um dos balanços mais trágicos desde o início da revolta.
Em Damasco, Said Jalili, braço direito do aiatolá Khamenei, reuniu-se com o presidente sírio Bashar Al-Assad para discutir o destino dos 48 iranianos sequestrados pelos rebeldes no sábado, na capital síria.
Para os insurgentes, os sequestrados traziam ajuda militar para Assad, mas, segundo as autoridades iranianas, são peregrinos religiosos. O Irã acusa os EUA de serem os responsáveis pelo sequestro.
Trad.ZENIT

10 de agosto: 38 anos sem Frei Tito

10 DE AGOSTO DE 2012 - 19H40 

Frei Tito foi meu colega de faculdade. Fazíamos então Ciências Sociais na USP. Minha turma era de 1970, e penso que o frei Tito também, ou talvez um ano antes. Ele sempre me dizia:

- Cuidado João Paulo! Um dia, quando passar o ódio, contarei um segredo meu com o Frei Tito.


Jamais se vira um dominicano deixar o coro para ir matar-se, e não um dominicano qualquer, mas um que trazia dentro de si a história de uma pátria , e que vivera experiências universais em nosso século, tais como resistência, torturas, o exilio.

Por Stella Maris, no blog do Nassif


Frei Tito
Aniversário da morte de Frei Tito
Tito foi exposto a nu ( sua alma ficou totalmente nua perante seus algozes) estes tiveram uma espécie de intuição extremamente perversa, maléfica, e que os levaram imediatamente a conhecer as debilidades de sua vitima... Como sobreviver a uma degradação tão grave da imaginação de si mesmo? Através dos olhos de seu algoz Fleury . Existem olhares que são absolutamente mortais e monstruosos.

E o capitão Albenaz diz: “Você ficará conosco por dias, se não falar, será quebrado por dentro, porque nós sabemos fazer as coisas sem deixar traços visíveis ... se sobreviver.. jamais esquecerá o preço de sua audácia...”

Esta tortura ultrapassa o ato de intimidação, passa para o ato da posse da vitima, por isso o carrasco não quer que a vítima morra, quer sua posse, sua alma, romper a unidade do homem consigo mesmo.

E Tito, até tentou sobreviver... mas descobriu a imagem, monstruosa de seus algozes em seu caminho... o torturador que o perseguia feito a sua imagem e semelhança, teria que destruir esta imagem, destruindo a si mesmo.

No dia 10 de agosto de 1974, um estranho silêncio paira sob o céu azul do verão francês, envolvendo folhas, ventos, flores e pássaros. Nada se move. Entre o céu e a terra, sob a copa de um álamo, balança o corpo de Frei Tito, dependurado numa corda.

Alguns já disseram que foi loucura...

Não foi loucura, foi a mais plena lucidez, era a realidade que vivia, o que vivia não era louco, era sofrimento, sofrimento este que não podia cancelar, ele só podia viver de modo extraordinário, de forma profunda. Sua morte é um sinal da consciência muito profunda da complexidade da situação em que se encontrava , em que se encontrava os brasileiros, ele viveu até o âmago o drama de uma geração.

Como era norma da Igreja, não deveria haver sepultura religiosa para suicidas. Mas seus irmãos do convento quebram estas normas aliás nem cogitam e celebram o funeral com ritos e o sepultam na terra consagrada de seu cemitério no bosque.

Após sua morte, descobriram seus escritos em forma de poesias que manifestavam a grande lucidez diante da vida, do sentido da vida, das contradições da vida .

E Tito mostrou com sua morte que buscou ser homem, profundamente homem, pois viveu a condição humana de modo acentuadamente trágico.



A imprensa e o mensalão



Uma vez descoberta a farsa do mensalão o PSOL deverá pedir para voltar para o PT. Afinal, não foi por isto que saíram do PT?

A morte do militante esquecido

Muitos militantes, refiro-me aos antigos militantes, aos que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, quando veio a democracia, de alguma forma se desencantaram com o novo formato.

Foi como se houvessem recebido uma ducha de água fria.

Depois de tantas lutas, uma abertura significava uma grande virada de página, uma retomada do caminho particular, de sobreviver, uma vez que o grande obstáculo havia "desaparecido", vamos dizer assim, não é verdade, mas vamos acreditar que sim.

Fazer uma carreira quando ainda jovem é um fato, mas fazer uma carreira já com alguma idade, porque perdeu o seu tempo nas lutas, é outro fato muito mais complicado.

Com muitos dos militantes que sobreviveram aconteceu exatamente assim, saíram tardiamente à busca de algum emprego.

Não me refiro aos crustáceos, aos que se apegam às pedras do poder. Estes sobreviveram e sobrevivem fartamente. Vai fazer oquê? Ossos da democracia.

Hoje quero reverenciar a morte de Roldan. Para ser sincero nem me lembro ou sequer sabia de seu sobrenome.

Isto era algo que evitávamos saber ou dizer. Teve um enfarto fulminante e pimba, foi para o nada, ou não foi se era ateu, ou vai descobrir que suas concepções estavam erradas. Quando morrermos saberemos com quem estava a razão.
Roldan liderava o PCdoB na PUC, nos idos da queda da liderança na Lapa.

Era um jovem magro, de rosto fino, e voz arranhada.

Tinha uma alegria de quem descobrira seu caminho.

Por isso, tinha muita convicção sobre o que queria.

Era muito diretivo. dissera-me para candidatar-me à Deputado Federal. Respondi-lhe que perderia as eleições, e ele retrucou-me que deveriam sair dois candidatos, uma pelo proletariado e outro pelas classes médias.

A realidade mostrou que todo o setor médio existente no partido foi para a candidatura de Aurélio Peres, num chado obreirismo e o bacana aqui ficou praticamente sozinho comendo milho na rua por uns parcos 5.000 e alguns votos.

Era o Roldan. Via na posição partidária uma sobrevisão, o que, a meu ver hoje, não correspondia à verdade.

Mais centralismo e menos democracia. Como era pessoa de partido, aceitei a incumbência mesmo discordando.

Os fatos mostraram o erro.

Entretanto ninguém veio a mim dizer que fora um erro.

Havia uma unanimidade de que fôra bom para o partido.

Sim, alguns eletricitários haviam sido recrutados, estudantes, mas o saldo pessoal foi dramático.

Nas empresas onde eu entrava para fazer teste de admissão apareciam sempre aqueles que me conheciam e me cumprimentavam alegres com minha presença, o que fazia eu ser descartado em seguida do emprego.

Passei por algumas perseguições internas do Roldan, mas não guardo mágoas dele.

Eram tempos difíceis.

Hoje quero apenas reverenciar sua morte e dizer que ele foi uma boa pessoa.

Um líder reconhecido na PUC.

À propósito, participei de uma Assembléia clandestina da PUC e células da Zona Oeste, onde as deliberações eram aprovadas por aclamação, e a aclamação era feita com os estralar de dedos.

Detalhes da época.

sábado, 4 de agosto de 2012

Mundo corre o risco de conflito mundial!

Os acontecimentos no Oriente Médio mostram que um grande conflito está se configurando no horizonte da humanidade. As potências ocidentais apoiam o terror contra países que eles se opõem repetindo as destruições que sofreram nas torres gêmeas. E o terror se locupletam de gozo por ver que conseguiu seu intento de incendiar o mundo. Rússoia, China e Irã se posicionam mais firmemente, anunciando que não aceitarão mais as "transformações" arrumadas pelas potências.
É preciso anunciar ao mundo que desejamos a paz! Que fazemos uma opção pela paz.
Chega de matança de gente, sejam soldados, sejam civis, sejam inocentes ou culpados.
Chega de tanto primitivismo!
Que no mundo desperte a chama do amor incondicional, da Civilização do Amor.

O bem da pessoa humana, acima da diversidade de religião

UM DIA A HUMANIDADE SERÁ UMA SÓ ORAÇÃO E TODOS SE CONFRATERNIZARÃO.

A mensagem de Bento XVI por ocasião do vigésimo quinto aniversário do Encontro Inter-Religioso de Oração Hieizan no Japão
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 3 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos o texto da Mensagem que o Santo Padre Bento XVI enviou ao Sacerdote supremo do templo budista de Monte Hiei, por ocasião do 25 º aniversário do Encontro Inter-Religioso de Oração pela Paz Mundial que se realiza em Hieizan, no Monte Hiei, perto de Kyoto.
A mensagem do Papa foi lida hoje por Sua Excelência Mons. Pier Luigi Celata,já Secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, que nestes dias visita o Japão:
***
Venerável Kojun HANDA
256th Tendai Zasu,
Sacerdote Supremo do Budismo Tendai.
Tenho o prazer de cumprimentá-lo e cumprimentar os líderes religiosos reunidos para o vigésimo quinto aniversário do Encontro Religioso no Monte Hiei, no espírito do histórico encontro de Assis de 1986, promovido pelo meu predecessor, o Beato João Paulo II.
O compromisso com a causa da paz por líderes religiosos é de extrema importância e estou feliz em saber que, graças aos vossos esforços, o cume do Monte Hiei tornou-se um importante acontecimento anual que contribui eficazmente para o diálogo entre as pessoas de diferentes crenças.
Estou confiante de que os trabalhos do Encontro e do Simpósio, que estão estudando a resposta dos líderes religiosos em caso de catástrofes naturais, levarão a uma maior solidariedade e ajuda mútua.
De acordo com a perspectiva cristã, o amor dado para aqueles que sofrem é um reflexo da divina caridade de Deus que tanto amou o mundo que enviou o seu único Filho Jesus Cristo.
Neste sentido, a minha mente se volta para o terremoto e para o tsunami do ano passado no nordeste do Japão e às conseqüências terríveis para toda a nação. Foi encorajador notar o papel ativo dos líderes religiosos em oferecer esperança e apoio, bem como conselhos e conforto a todos aqueles que sofrem. Este trágico acontecimento mostra como também as pessoas de diferentes credos podem cooperar entre si pelo bem da pessoa humana.
Com estes sentimentos, e como símbolo de boa vontade e amizade, invoco sobre todos aqui reunidos a abundância das bênçãos divinas.
[Trad. Thácio Siqueira]

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"Mensalão": a direita quer condenar a era Lula

2 de Agosto de 2012 - 13h10
APRESENTO O EDITORIAL DO VERMELHO SOBRE O JULGAMENTO DO MENSALÃO. A JUSTIÇA IMPERIAL PRÉ REPUBLICANA ESTÁ EXCITADA EM DESGASTAR O PT, LULA E INFLUIR NAS ELEIÇÕES EM FAVOR DA DIREITA.
O espetáculo midiático que tem início hoje em Brasilia tem um objetivo político claro: condenar a era Lula e os avanços democráticos e sociais que ela representa. E, também, desmoralizar o Partido dos Trabalhadores e a esquerda de forma geral.

O cenário é o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) onde tem início, na tarde desta quinta feira (2) o julgamento do chamado “mensalão”. O processo, apelidado pela mídia conservadora de “maior escândalo da história republicana” não passa de uma peça publicitária de natureza política cujo objetivo, na época, foi atingir o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva e os principais quadros dirigentes do Partido dos Trabalhadores.

Uma demonstração desse caráter político foi dada pelo grão-cardeal tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quando, no transcorrer dos ataques promovidos pela mídia conservadora e pela articulação direitista e neoliberal, ele passou a defender a tese de que se Lula desistisse de disputar a reeleição, em 2006, os ataques poderiam ser atenuados. O dirigente tucano revelava assim o objetivo imediato dos ataques: afastar Lula e a coalizão de esquerda da Presidência da República. A direita não teve força suficiente para alcançar seu outro objetivo, o impeachment de Lula; afastou-se dele temerosa da reação dos brasileiros que, nas ruas, lutariam contra o golpe de Estado sonhado pela articulação demo-tucana e da mídia conservadora. Passou a usar, então, a “tática do jagunço”: fazer a vítima sangrar até a morte. Também não deu certo e a resposta dos brasileiros veio nas urnas de 2006 e 2010, derrotando fragorosamente os candidatos da direita e fortalecendo o projeto de mudanças iniciado por Lula em 2003.

A transformação do julgamento do chamado “mensalão” em espetáculo midiático mantém, sete anos depois, este mesmo caráter político de tentativa de desmoralização da esquerda. E também de instrumento da “tática do jagunço”. Só que, agora, diante da grave crise que estiola a direita e os conservadores, com o caráter defensivo de ferir politicamente a esquerda para reduzir seu prestígio popular.

O próprio debate que envolve o julgamento mal encobre seu caráter político. Enquanto o procurador geral da República, que será o acusador, defende a condenação dos réus para atender à “opinião pública” – a mesma tese defendida recentemente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - a imprensa e os setores conservadores agitam a suspeição do ministro José Dias Toffoli, por alegadas ligações – quando advogado – com o Partido dos Trabalhadores, com o presidente Lula e com o ex-ministro José Dirceu, promovido nas páginas da imprensa conservadora a “chefe da quadrilha” do chamado “mensalão”.

Estes mesmos críticos conservadores se calam, entretanto, ante graves acusações contra outro ministro do STF – Gilmar Mendes – e contra o próprio procurador geral Roberto Gurgel, suspeitos de ligações com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, cujas ramificações pelos ambientes de poder e pela mídia conservadora são objeto de uma CPI no Congresso Nacional. São acusações graves que colocam em questão não apenas a necessária isenção, que se pressupõe nos membros do judiciário mas indicam – mais grave que isso, no caso deste julgamento – relações políticas com os acusadores do chamado “mensalão”.

O apelo da direita à sensibilidade dos ministros do STF àquilo que chamam de “opinião pública” esbarra, contudo, na verdadeira expectativa dos brasileiros: a de que o STF julgue com base nos fatos e nas provas registradas nos autos do processo. E registrados nos autos do processo e não a partir de clamores midiáticos (o que seria um linchamento). Este é o julgamento técnico, como dizem os juristas. E, aqui, a direita sabe que pode perder. E este é o desafio ante ela pode fracassar: precisa apresentar as provas irrefutáveis das acusações histriônicas feitas pela mídia conservadora, e este é seu problema: estas provas não existem, como assegura um dos ministros mais antigos do STF.

Isto é, o julgamento é de natureza política e não criminal, como alega a direita. Não se refere a questões morais ou éticas mas busca, mais uma vez, alcançar nos tribunais a vitória que os brasileiros negam, nas urnas, à direita e aos conservadores.

Semelhante a julgamento político ocorrido na França no final do século 19, o famoso Caso Dreyfus, o “maior escândalo de corrupção” da república poderá ficar na história como um momento de derrota do golpismo da direita e como um passo importante na consolidação da democracia brasileira.