quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estou sangrando

ssssssssssssssssssssssssssss
sSaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
aaaaaaaaaaaaaaaaaa
sssssssssssssssssss
ssssssssssssssss
ssssssssssss
ssssssss
ssss
ss
Estou perdendo sangue
por todos os lados.

Dentro e fora de mim.

Uma grande hemorragia
denuncia o volume
de formas
de dominação
putrefata.

O sangue espalha-se
entre os órgãos
entre os caminhos
pré definidos.

Rejeita
o silêncio,
e setencia a revolta.

Coágulo de vida.

Entre manchetes distantes
e sonoras mentiras
sangram ouvidos e olhos.

Mataram Matteotti
 Guevara
 Osvaldão
Mataram sonhos despertos.

Suo sangue
em todos
os pequenos poros
de subserviência diária

do juíz injusto,
do justo perseguido,
de um mendigo desesperançado
e um Protógenes condenado,
mais tantos e tantos
desconhecidos,
esquecidos,
desonrados.

Perco sangue à toda hora.

O volume de iniquidades
ultrapassa 
qualquer capacidade
de resposta.

Alguns não sangram mais.
Secaram-se com o tempo.
Automatizaram
mumificaram
morreram.

Outros estão na hemodiálise
em meio a máquinas,
para ver se revivem
de alguma forma.

Mas eu...

Eu.. com este 
coração forte
 empurrando meu sangue
contra as veias,
por todo o corpo,
revoltado,
a correr
contra o tempo
contra a morte,
.

acabo sangrando...

continuo sangrando...

sangrando até o fim de minha vida.

regando os jardins

de um futuro

livre





Por

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