Deixei o porto
ainda muito jovem,
com a morte de meu pai.
Mal sabia navegar...
Aprendi muito cedo
a enfrentar tempestades,
sacodem muito.
Soube ver o tempo,
olhar o céu,
entender o calor forte
com a chuva
que o acompanha...
O tempo vira...
Vi o mar calmo...
Fui moldando a vida
conforme olhava,
aprendia.
Aportei numa das paragens,
conheci uma companheira
ensinou-me a ponderar decisões,
e a sorrir...
Entreguei-me
e amei
Percebi que o barco
em alto mar
é só um barco,
em alto mar,
quando se está só
Deixei filhos
por onde passei,
seguiram seus caminhos,
mais alguns conselhos...
não se diz tudo,
nem se aprende tudo,
rica natureza
Enterrei um,
experimentei o sabor
do naufrágio.
Em meio a noite,
boiando entre vagas,
vi uma pequena barca,
e um pescador
segurando uma lamparina,
dizendo:
- Te lança!
Experimentei Deus no mar...
Sobrevivi em ilhas,
não completam...
Hoje,
em porto seguro,
passo o tempo
carregando e descarregando mercadorias.
Nada é maior ou menor
no que se faz
É preciso provimento,
para alcançar um novo mundo,
uma vela aberta
e sonhos.
Que um dia
possa também
velejar nas nuvens,
atingir o céu profundo,
visitar estrelas,
mais que um ponto
a nortear este velho pescador
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