O que faço de mim,
neste fim de tarde
em que tudo
perde o sentido
e recolho-me solitário?
Melhor guardar-me
em silêncio
sem que voce
veja o que vi:
a fome de sempre,
a guerra de sempre,
as pessoas
e os pensamentos
de sempre,
suas imensas formalidades...
esta horrivel sensação
de que tudo permanece igual.
Melhor recolher-me
a um canto,
sem encanto,
por enquanto,
até que possa
ver novamente
o Sol
desvendando a escuridão,
a Lua
despertando a amor,
o mar,
abrindo o horizonte,
criancas brincando
na praia,
casais namorando...
Quem sabe assim
possa passar
esta sensação
tão real,
de que vivo
um mundo falso
de representações,
e não haja ninguém
por trás disso,
só falsidades.
Então, combinemos,
procurem-me amanhã,
e possa já ter retirado
esta sensação
tão estranha
de vazio,
que me assombra
neste final de tarde...
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