segunda-feira, 3 de agosto de 2026

(Sem nome) de Betty Vidigal

 Em calabar teu nome tantas vezes, 

denunciei aos portos teu ofício. 

Que não permitam mais o contrabando 

da muamba invisível, 

o difícil

descaminho dos sons. 


Esse ritmo cravado na memória.


Da muamba invisível, esse ritmo 


cravado na memória

(dez sílabas, seis sílabas,

não sei 

quem plantou as provas na bagagem). 


Não compreendo que exponham nas vítrines

as sedas, porcelanas, os temperos, 

especiarias exóticas, as quebras

de ritmo e contratos

contrabandeados. 


Calabar

é verbo e metonímia.

Adelante!

Denuncio à autoridade aduaneira

os planos e as mudanças

de quem mudou de lado tantas vezes. 


No pasarán! 

No pasarán pelo fio da navalha

da alfândega. 


Fiscais aduaneiros, 

revistai também os bolsos de quem chega

carregando perfis e avatares. 


Carregando perfumes e lembranças.


Transportando perfumes e lembranças,

especiarias exóticas, essência


de sábados.

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