sábado, 30 de novembro de 2024

AQUI E AGORA

 


Sou o momento, 

o instante,

afago e o beijo, 

do sempre presente 

desejo,

desapego e distância.


Sou pé firme no chão 

e olhos nos confins,

da palavra 

que vai fundo ao coração,  

e do silêncio da espera 

de oportunidade.


Sou do grito por justiça, 

e das lágrimas que correm,

viagem delumbrante 

dos trajetos ultrajantes


Nada espero e pouco almejo.


Tudo deposito no aqui e agora.


Sonho enquanto faço,  

luto na realidade da vida,

presenca viva 

no meio de mortos.


Sou palavras de ordem 

aos desalentados,

e gritos de guerra 

aos surdos.


Marco os passos 

por onde ando 

e abro frentes novas 

diante das dificuldades.


Sou peregrino de mim mesmo, 

retirando velhos escombros 

reconstruindo novo ser.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

ATÉ BREVE

 

(em memória aos que, 

de fato, não foram)


Certas ausências 

nunca morrem, 

ficam nos interpelando 

os dias que se vão,  

como se continuassem. 


Certas ausências 

são mais que presenças,  

dão opiniões,  

sorriem de nossos erros, 

compreendem.


Nos dias quentes 

de verão, 

às vezes, 

nos despedem 

em suas ausências, 

e retornam 

vagarosamente,

até a primavera, 

quando parecem 

estar ao nosso lado


Quando vemos, 

o tempo 

esgotou-se, 

a lembrança 

é quase um reencontro. 


Nunca digo adeus 

a quem foi, 

mas um até breve.

sábado, 23 de novembro de 2024

MENSAGEIROS

 

Tenho um mensageiro do vento
na entrada de casa.
Traz notícias de longe,
altos mares,
montanhas escarpadas,
no bater de notas
metálicas agudas
das mudanças.
Anuncia leves brisas,
fortes tempestades.
Traz o que está
do lado de fora
da proteção
que me encontro,
faz pensar...
Tenho outro mensageiro,
escondido no fundo da casa.
Prefere discrição,
quer dizer algo,
aguarda raros silêncios.
Não o escuto direito,
exige total atenção.
Espera eu descer
alguns degraus
de pensamentos,
então, bem baixinho,
sussurra pequenas sugestões.
Não se apresenta ostensivamente,
não gosta de interferir
em minhas opiniões
e decisões pessoais.
Tem mansidão,
voz suave
quando fala.
Outro mensageiro ainda,
aproveita a dobra
da noite e do dia,
vem rápido,
diz logo o que quer,
cheio de tarefas.
Nunca completa uma frase,
é enigmático,
espera que eu decifre.
Muito concreto,
traz ordens
a serem cumpridas.
Mais um,
despe-se de sua suntuosidade,
fala a todos,
alto,
em plena tarde,
quando os sonhos
estão desfeitos.
Chama-me sempre pelo nome;
se o procuro,
a ninguém encontro.
De vez em quando
alguém quer se fazer
mensageiro.
A este,
quando identifico,
desprezo.
Tenho muitos
mensageiros comigo,
estão sempre aqui e ali.
Foram colocados
para que eu acerte
o caminho,
não erre tanto.

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

HERANÇA

Nós que ficamos
temos dura lição,
continuarmos aqueles
que admirávamos.
Não temos
a universalidade
de visão,
apreendemos
tão pouco,
tampouco
nos sentimos
fiéis continuadores.
Enquanto o tempo
nos engana,
nos fazemos distraídos
traídos de nós mesmos
que seguimos a esmo.
Vai chegando o dia
em que sobressai
a osmose
que se sedimentou
de tudo
que vimos
e fizemos
Nesta hora
aflora o verso,
inverso reconhecimento,
unguento das feridas
vida a fora
Todas as reações:
Newton Nunes

DORES AUSENTES


Ninguém conhece
minha dor.
Meus olhos
treinaram alegria,
consegui esconder
meus sofrimentos.
Todos
me veem alegre,
divertem-se comigo,
não sabem
o que guardo.
Cada um
com sua dores
mudas...
Vem um dia,
vai outro,
assim vão seguindo
dias sem fim,
enquanto celebro,
silenciosamente,
alegres ausências.
Todas as reações:
Eliana Ada Gasparini, Vanderli Tiberio e outras 10 pessoas

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

VESTÍGIO

 

Não passa...
o tempo segue seu curso.
Para muitos passa,
porque o passado
apaga tudo.
Se sorrio
enquanto choro,
o quê importa
para as pessoas
que desconhecem,
não veem,
não sentem.
Quando entardece,
sou jogado
contra mim,
afloram
grandes distâncias.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

NUVENS BRANCAS



Nuvens brancas 

passeiam lentas, 

quase descansam 

no manto azul, 

parecem fotos.


Convidam 

à paciência, 

à paz. 


Não se evaporam 

rapidamente 

diante do Sol, 

disfarçam suas fragilidades.


São esperança de durabilidade. 


Cientes de si, 

desdenham 

as avenidas congestionadas, 

as mentiras 

nas redes sociais.


Passam isentas, 

seguem 

não sei para onde, 

não é necessário acompanhar. 


De alguma forma 

desaparecem 

sem que se sinta falta.


Sou uma pequena 

nuvenzinha a observar 

tudo embaixo. 


Hoje aqui, 

amanhã,  

sabe-se lá...

sábado, 9 de novembro de 2024

COMPOR

 Cl


Onde você entra 

nessa história?


Entra quando 

nos encontramos.


Assim você 

faz parte de mim, 

encontro sem fim.


Onde entro nessa história?


Quando você me muda,

e silencio 

mudo.


Não fazemos parte,

somos um todo!

TRADUÇÃO

 

Meus sentimentos
não tem palavras,
não se traduzem,
por mais que tente explicá-los.
Invadem minha lógica
com desdém,
fina ironia
à superficialidade da grafia.
Observo esta constante
falta de entendimento,
submersa e,
fazer o quê,
sigo em percurso
arqueológico,
decifrando o significado
das coisas.
Estou perdendo a lucidez?
Já a perdi há tempos...
não sei
se vivo
mais dentro,
na ideia,
do que fora,
no real.
Me confundo todo,
puro engodo
de mim mesmo.

SOTURNO

 


Meus pensamentos despertam 

muito antes de mim, 

observam a linguagem da noite.


Meus sentimentos sequer dormem, 

passeiam livres...

repensam o passado, 

ora adentrando campos proibidos 

controlados pelo tempo,

ora recordando 

arestas petrificadas, 

sempre vêm à tona, 

em repetidas correções,

martelam...


Olho-os criticamente 

enquanto observam 

e passeiam 

no repouso.


Não durmo mais...

noite de mim.


O tempo não perdoa os passos...


Meus sonhos são raros, 

trazem enigmas longínquos.


Desperto, 

vivo a decifrá-los

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

ENTREABERTO



Entreaberto, 

um livro aguarda 

demorada reflexão.


Entreaberta, 

uma reflexão 

não se materializa, 

sob o risco 

de não conseguir 

prosseguir a leitura.


Caminhos de mim 

deixam portas abertas

que aguardam.


De repente 

o mundo espera 

apenas uma compreensão 

para seguir em frente.


Mas, 

quem sou eu 

diante do mundo 

para fazê-lo esperar?


Mas, 

qual o caminho, 

se ainda 

não está claro, 

são tantos!


Ando refletindo muito, 

deixando o livro 

aberto 

aguardando

ÀS VEZES

 


Às vezes 

não vem palavras, 

mas lágrimas...


Olhos perpassam 

vulneráveis fisionomias, 

penetram...

descobrem a verdade 

além da postura,

vão dentro...


Às vezes 

fico confuso 

sobre a quem respondo, 

a quem falo.


Melhor deixar 

oculto o oculto,

submeter-me 

às trivialidades. 


Melhor remexer escombros

escavar vidas soterradas, 

não estão ali por acaso, 

esperam socorro.


Às vezes 

palavras 

são melhores 

que lágrimas,

curam ...

sábado, 2 de novembro de 2024

FINADOS

 Se olho,

tenho mais parentes

do lado de lá,

que de cá.

Não apertam

mais a campainha,

vêm me visitar.

Não telefonam,

nem festejam mais

meu aniversário.
Esconderam-se.
Fui obrigado a acostumar-me

com estas ausências.

Que não dizer

dos de minha própria casa,
sangue do meu sangue?

Vejo-os ainda

na cozinha,

nos cômodos.

Falam comigo

desde a partida.

Se penso,

ainda vejo em mim,

cada um...

posso contá-los.

Estou aprendendo

a dura lição

das ausências,

lição de vida

para com os mortos.

Estou aprendendo

a ser só

até partir também

para fazer parte

da lembrança de alguém...

FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...