Algumas perguntas
deixei de formular
por visualizar
portas espessas.
Assim,
os lagos,
a natureza invertida
de seus espelhos
o vento,
ao esconder seu balanço desencontrado,
a chuva,
ao expor o resguardo civilizatório,
o canto dos pássaros
surpreendendo silêncios,
os aromas
inebriando o desmaio dos olfatos
tudo por onde passo
foi adquirindo
naturalidade.
Em consequência,
a beleza de não saber
remeteu-me a uma vida
sem misterios,
como ela é.
Então cantei
fora de hora,
calado
passeei
extra oficialmente,
divirti-me
como um perseguido,
o seu contido sorriso.
Sem desejar,
apresentou-se a chave
do grande portal,
das novas realidades,
presentes,
paralelas,
longe das puras vigílias,
entranhadas na carne.
O que sou
sempre esteve ali,
encoberto
nas grandes dúvidas
coladas pelo tempo.
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