Ouvidos fazem falta...
guarde um pouco
deles para mim,
mas acrescido da atenção,
não gosto de ralos.
O mundo é feito
de muitas bocas,
e milhares de braços,
mas os ouvidos...
ah os ouvidos,
vivem em degredo permanente,
surdez decidida
de si mesmos,
excesso de ruídos...
Desacreditados ouvidos,
ignorantes ouvidos,
distraídos ouvidos.
Nada reverbera
nestes pavilhões acústicos...
ecoam solitários,
não convertidos
infinito interno do nada.
Gritarei,
gesticularei,
porque ainda existem olhos.
Encontrarei
o timbre adequado
que vibra,
o tímpano...
baterei
o martelo,
a bigorna,
montando palavras
nos estribos,
até atingirem
impulsos nervosos,
e finalmente a consciência.
Quem sabe nos entenderemos...
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