sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

INCOMUM

 


Horrível aceitar "amigos em comum".


Sou incomum!


Amizades virtuais revêem 

o sentido da convivência... 

de certa forma desvirtua.


Logaritmo de encontros pré-definidos 


Talvez faça o desserviço 

de romper com tudo isto 

e mudar-me 

para uma região desértica, 

onde possa encontrar-me livre 

para os naturais confrontos amigos.


Pedir amizade 

é muito incomum 

para algo tão natural.

IMANENTE

 


Não se enquadram 

as flores 

com as estruturas.

Como entender 

seus segredos ?


A rua excita,

A janela excita,

A TV excita, 


Absorvem as horas 

em suas demoras.

Como parar o tempo

um tempo?


Detenho-me nas flores 

seus dissonantes aromas, 

escalam escarpas, 

suspendem perguntas.


Divisória inaudita 

retém 

o que contém 

até desabrochar-se.


Silenciosa jornada das flores

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

ENCONTRANDO E PERDENDO



Perdi-me nas certezas

Encontrei-me nas dúvidas. 


Amei sem me perguntar 

de algo,

como estava (?)...

brotou de uma mansidão.


Fui polindo a justiça 

no decorrer da vida, 

certo de que 

a via incompleta.


Não consigo aceitar 

a verdade plenamente, 

por respeito a ela...

sempre traz novidades.


Me pergunto sobre a perfeição, 

como se sustenta?

porque nada existiria.


Posso sonhar...

devo sonhar, 

como viver sem sonhos? 


Tento ajustar 

meus pensamentos 

às árvores, 

aos rios, 

ao céu, 

o mar.


Pensar conforme vejo, 

e tambem inverter, 

para guardar-me 

um pouco de pensar, 

mas ser um no meio.


Caminho um mesclado social, 

meio perdido de mim, 

meio me encontrando nos outros.


Em suma, sigo aberto 

este final de tempo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

SONHOS VÃOS

 


A solidão me tem 

como companhia, 

espremida

contra o vazio.


Seus sonhos vãos 

seguem defasados 

do tempo, 

talvez perdidos.


Sequer cogitam voos, 

apenas esvoaçam 

passados distantes. 


Seus pássaros pensam 

mundos refeitos, 

a despeito 

de suas altitudes 

intangíveis, 

cessam...


Desfaço-me a pensar 

se ainda volto à realidade, 

ou disfarço uma presenca muda.


Observo....

DOCE ADORMECER

 


Dorme pequena, 

assim também 

dormem suas dores 

tão despertas.


Surpreendem-te 

as marcas do tempo 

em teu corpo...


Fostes gazela solta 

em campos de girassois,  

voltados a ti, 

tua luminosidade.


O vento enamorava-se 

de teus cabelos, 

desejoso de encarnar-se, 

despedida etérea.


Teus passos 

paralisavam ambientes 

ritmos inconscientes.


Fostes meu princípio, 

gerado em ti, 

desconhecido de mim, 

até então. 


Fostes meu tudo, 

quando percorria ermo 

as pegadas do destino, 

circulares.


Hoje somos fusão, 

próximos de nós, 

esperanças realizadas.


A verdade 

encravada na vida 

a faz dormir, pequena, 

junto às dores. 


Desperta!

Enciumam-me teus sonhos, 

banido noturno de ti.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ANÔNIMO

  


Levo recordações 

entremeadas de amor, 

deixadas ao longo 

da estrada.


Fingem-se de presença, 

deitadas no tempo.


São beijos em suspensão, 

fugas sorrateiras, 

descobertas de verdades 

enterradas nas perseguições.


Tanta vida 

tornou tudo 

morte 

depois


Alimento o presente

com a força construída 

das orquídeas brancas 

não murcham, 

resistem


Resguardo o espaço 

da herança erigida 

na história anônima, 

sem exaltação, 

sem poder...


Conserva uma consumação,

sangue  branco da paz

(Sem nome) de Betty Vidigal

 Em calabar teu nome tantas vezes,  denunciei aos portos teu ofício.  Que não permitam mais o contrabando  da muamba invisível,  o difícil d...