terça-feira, 9 de dezembro de 2025
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
INCOMUM
Horrível aceitar "amigos em comum".
Sou incomum!
Amizades virtuais revêem
o sentido da convivência...
de certa forma desvirtua.
Logaritmo de encontros pré-definidos
Talvez faça o desserviço
de romper com tudo isto
e mudar-me
para uma região desértica,
onde possa encontrar-me livre
para os naturais confrontos amigos.
Pedir amizade
é muito incomum
para algo tão natural.
IMANENTE
Não se enquadram
as flores
com as estruturas.
Como entender
seus segredos ?
A rua excita,
A janela excita,
A TV excita,
Absorvem as horas
em suas demoras.
Como parar o tempo
um tempo?
Detenho-me nas flores
seus dissonantes aromas,
escalam escarpas,
suspendem perguntas.
Divisória inaudita
retém
o que contém
até desabrochar-se.
Silenciosa jornada das flores
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
ENCONTRANDO E PERDENDO
Perdi-me nas certezas
Encontrei-me nas dúvidas.
Amei sem me perguntar
de algo,
como estava (?)...
brotou de uma mansidão.
Fui polindo a justiça
no decorrer da vida,
certo de que
a via incompleta.
Não consigo aceitar
a verdade plenamente,
por respeito a ela...
sempre traz novidades.
Me pergunto sobre a perfeição,
como se sustenta?
porque nada existiria.
Posso sonhar...
devo sonhar,
como viver sem sonhos?
Tento ajustar
meus pensamentos
às árvores,
aos rios,
ao céu,
o mar.
Pensar conforme vejo,
e tambem inverter,
para guardar-me
um pouco de pensar,
mas ser um no meio.
Caminho um mesclado social,
meio perdido de mim,
meio me encontrando nos outros.
Em suma, sigo aberto
este final de tempo.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
SONHOS VÃOS
A solidão me tem
como companhia,
espremida
contra o vazio.
Seus sonhos vãos
seguem defasados
do tempo,
talvez perdidos.
Sequer cogitam voos,
apenas esvoaçam
passados distantes.
Seus pássaros pensam
mundos refeitos,
a despeito
de suas altitudes
intangíveis,
cessam...
Desfaço-me a pensar
se ainda volto à realidade,
ou disfarço uma presenca muda.
Observo....
DOCE ADORMECER
Dorme pequena,
assim também
dormem suas dores
tão despertas.
Surpreendem-te
as marcas do tempo
em teu corpo...
Fostes gazela solta
em campos de girassois,
voltados a ti,
tua luminosidade.
O vento enamorava-se
de teus cabelos,
desejoso de encarnar-se,
despedida etérea.
Teus passos
paralisavam ambientes
ritmos inconscientes.
Fostes meu princípio,
gerado em ti,
desconhecido de mim,
até então.
Fostes meu tudo,
quando percorria ermo
as pegadas do destino,
circulares.
Hoje somos fusão,
próximos de nós,
esperanças realizadas.
A verdade
encravada na vida
a faz dormir, pequena,
junto às dores.
Desperta!
Enciumam-me teus sonhos,
banido noturno de ti.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
ANÔNIMO
Levo recordações
entremeadas de amor,
deixadas ao longo
da estrada.
Fingem-se de presença,
deitadas no tempo.
São beijos em suspensão,
fugas sorrateiras,
descobertas de verdades
enterradas nas perseguições.
Tanta vida
tornou tudo
morte
depois
Alimento o presente
com a força construída
das orquídeas brancas
não murcham,
resistem
Resguardo o espaço
da herança erigida
na história anônima,
sem exaltação,
sem poder...
Conserva uma consumação,
sangue branco da paz
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