quinta-feira, 27 de outubro de 2016

João Bobo


Às vezes precisamos ser amáveis
às vezes rejeitamos.

Há ocasiões de grande número de orações;
outras, de muita secura, 
verdadeiros desertos.

Impõe-se a necessidade de justiça
e lutamos revoltando-nos
junto aos fracos;
igualmente carecemos de ardor,
e desistimos.

Transbordamos alegria incontida,
e somos inodoros e chatos.

Tudo somado pelos acontecimentos,
pelos ares
em lógica desconhecida
a invadir nossa privacidade
estruturada.

Exportamos uma explicação
de costura frágil
prestes a romper-se.
Fazemos um esforço
por apresentar
um individualidade
complexa.

Mas não!
São ondas ao vento
ao sabor das circunstâncias.
São meros reflexos
proto-homínidas
se jactando
racionais.

João Paulo Naves Fernandes
27/10/2016