segunda-feira, 5 de outubro de 2020

MINHA ALMA CHORA

 Minha alma chora...

Chora e chora.
Chora muito.
Olha para a tv
mas nao há tv.
Olha para os moveis...vazios.
Os quadros...
cegos e mudos.
As lampadas
iluminam
a solidão.
Ainda me vejo
à mesa
e minha mãe
na lateral
pacificando
um café
de uma noite
viúva.
Quantas ansiedades
não viajavam
em sua cama.
Chora muito
a minha alma...
Viver é superar
despedidas.
Minha alma
antecipa
despedidas
medita
a consequência
das partidas,
e chora muito.
Como chora
a minha alma.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Noite escura

 Minha alma

tem uma angústia

permanente.
Deixa o mundo
submergi-la
e perde o local
do encontro.
Não sabe
nem sente-se
capaz de procurar
o que não sabe
como encontrar.
Assim sofre
muda e silenciosa
no mais íntimo
de sua essência.
Alma sem destino
enraizada na terra
e com suas copas
largas.
O final do trajeto
sempre a traz
secretamente
afoita
ignorada e sedenta
do criador.
Alma ingênua e pura
perdida em um. mundo
que a corrompe.
já quase não se expressa.
Como sofre a alma...

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Visão Da Vida de Hildegarda de Bingen Filme Completo Legendado

O PÓ DAS ESTRADAS

  A estrada é a vida. 

Nela há um sem fim de destinos, 

um sem fim de níveis de esperanças. 

Sinuosa estrada separa pais, 

irmãos 

filhos 

nas suas várias estações. 

 Alguém possuído de vestes sóbrias , 

 recolhe os que ainda seguiriam

não fossem 

as grandes teias 

que cobrem o céu 

 explicando os motivos 

disto e daquilo. 


 Há vales e montanhas 

flores serpenteando 

e um Sol ao poente 

despedindo-se

no ocaso. 


A estrada nunca sai do lugar 

termina sem percurso 


sem viajantes 

porque permanece olhando e falando 

como se estivesse longe. 


Estrada a escalar

 portais superiores 

e profundezas desconhecidas. 


 Há margens permanentes e incapazes 

 a suplicar um pouco do nosso encanto 

 que fecha-se 

perde o brilho. 


 Há caronas sempre livres 

e orações intermináveis 

distraidas da paisagem. 


 Há vilas lindas 

distantes de tudo e de todos 

 e gigantescas cidades 

devoradoras da paz. 


 Há andarilhos perdidos e achados, 

 na experiência próxima da fragrância. 


 E os que se ocultam 

porque sonham com o grande útero 

perdido em alguma mulher. 


 Há os que não partem 

e os que precocemente partem. 


Há de tudo e de nada 

 o torpor e a frieza 


 Estrada sinuosa... 


 Um olhar atento 

notará o pó 

que se levantou 

após passar. 


 Este pó sou eu 

mantido pela vaga 

deixada pela sua presenca. 


 Esta dá vida a este pó 

 que reluz férreo 

nas entranhas luminosas 

que separam. 


 Pó que repousa ao lado 

e só adquire vida 

quando alguém passa. 


 João Paulo Naves Fernandes 12/07/2020 05H01

terça-feira, 28 de julho de 2020

LIGHT IN BABYLON - Hinech Yafa - Istanbul

SEREIAS SUBMERSAS



Tenho o descompasso
de amar
desenfreadamente
em embutir
desajeitado
a lei no amor.

Os cabelos brancos
celebram
esta permanência,
porque o belo chama,
chama eterna
a confundir
estruturas.

Canto as sereias
submersas
as despedidas
sempre presentes,

persistente.

Traço caminhos
alternativos
a terras
não descobertas
povos adormecidos
ônibus sem destino
lotados.

Segue junto
um descaso
sério e mudo
que não muda
nem fala,
apenas fita
o poente

João Paulo Naves Fernandes.
28/07/2020
09H54

segunda-feira, 27 de julho de 2020

The Sound of Silence by Simon & Garfunkel, performed by Stephanie Jones

E AÍ AMIGO?

E aí amigo,
como vão os anos?
quantos planos?
desencontros?
Poderosos no poder
explorando.
É amigo
e a vida continua
Sua coragem
precisa
voltar
a arriscar-se
porque
a vida exige
posição.
Não é só de
abstrações
e paz distraída
que vivemos
Nossa amizade
é forte
tem preço
Hoje
estão
roubando
na cara dura
os teus direitos
Hoje não estão
nem aí
por ti
por nós
hoje
fazem
e desfazem
João Paulo Naves Fernandes.
27/07/2020
21H56

“Canja” de Leci Brandão e Tião Carvalho destaca ritmo maranhense

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Quanto ensinamento


Ah se não fossem as crianças
como poderíamos
lembrar-nos
da pureza
d´alma.
Se não tivessem as mães
como perceberíamos
o amor
incondicional?
E os amantes
nos trazem
paradoxalmente
a compreensão
de um
Deus
infinito.
Ah...os idealistas
nos lembrando
que o caminho
é outro,
de rompimento
e entrega.
E este amor
que dorme
ao lado
como pode
ser tão forte.
Sou alguém
que passa
olhando
e se acha
tão pequeno
e só tem
o coração
para mostrar.
João Paulo Naves Fernandes.
20/07/2020
23H55

Olhando por cima


Sou
a geração
que se despede
vendo
o legado
perder-se.
Lutou
conquistou
e viu
tudo
ruir.
Geração
de luta,
enfrentou
acreditando
num mundo
justo
melhor.
Sou da geração
que abriu mão
de si mesmo
e foi à luta
foi torturada
e morta.
Geração
dos sonhos
dos gritos
nas praças
Hoje
assiste
a fera
rugir
em torno.
Esta geração
morrerá
em pé
fitando
o horizonte
sabedora
do Sol.
Vida é tudo
o que há.

João Paulo Naves Fernandes

20/07/2020
23H47


Marcos Valle e Milton Nascimento Viola Enluarada

Merrilee Rush Angel of the morning 1968

domingo, 19 de julho de 2020

QUER SABER ?


Não faço
questão
de nada...
Não falo
mais nada
muito
menos
ouço
alguma
coisa.
Tenho
perguntas
mas não
serão
fundamentais.
Dúvidas?
Diversas...
Deixe-as
ai onde
estão
e como
estão.
Manterão
ocupados
os meus
dias.
Minha
curiosidade
descansa
na Lua Nova.
A raiva
serpenteia
mas nao excita.
A paciência
espicha-se
na espreguiçadeira
do tempo
dA maturidade.
Estou refém
das escolhas
colhidas
dos vizinhos.
Um pranto
irrompe
solene,
da impotência
nos destinos.
São lágrimas
que afloram
dos atalhos,
e inúmeros
caminhos
não trilhados,
das muitas
flores
que ficaram
por colher,
se esvaem..
O olhar
se sustenta
numa sobriedade
vencida,
e busca
razões
que justifiquem
estar aqui
agora.
A paz
transcende;
de fato
nunca
existiu.
Prostro-me
diante
da realidade
como
quem recebe
esporões
pelo dorso,
e sigo
atento
e fugidio.
João Paulo Naves Fernandes
19/07/2020
13H50

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Amor de espera



Tenho um amor de espera,
um amor que aguarda.
Não tem poder
para sair ao encontro.
Não tem forças
para trazer
a quem ama.
Vive,
como quem
pode alegrar-se
a qualquer momento,
como uma folhinha
que passeia
pelo vento
e logo cai.
Amor
incapaz
de amar
por si só.
Ama desconhecendo.
Em declarações
noturnas,
esforça
por abrir-se,
sem saber
como,
examinando-se
Amor
de silêncio
em permanente
novidade.
incognoscível
Aprendizado
de encontro
interior.
João Paulo Naves Fernandes.

PERCORRER

  Rotinas persistem na demora... é preciso saber  a hora de ir embora...  dar importância ao viver Servir ou viver? servir ou viver? Pêndulo...