segunda-feira, 30 de abril de 2012

Serra começa a aparecer na mídia

Apareceu na fórmula Indy, em propagandas dos tucanos.

Detalhe, sorridente, algo tão raro ao ex-candidato presidencial, sempre tão casmurro com todos.

Serra só aceita participar com agenda pré-estabelecida.

Alterações provocam a suspensão das entrevistas.
Porquê? Simples.

Ele não pode ficar respondendo porque renunciou ao cargo de Prefeito para ser candidato a Presidência, porque provoca uma sangria grande de eleitores abandonando sua campanha.

Ninguém quer votar em alguém que vai renunciar daqui a pouco.

Mas está sorrindo bastante o mocinho.

Pode-se dizer que é o seu canto de cisne.

Agora ou nunca.

Está uma droga o combate às drogas

A mídia muitas vezes dramatiza ao máximo uma notícia para forçar vendas.

Isto, entretanto deforma a visão da realidade, condenando e absolvendo arbitrariamente os que estão na linha de frente das lutas citadas nas reportagens.

Agora a Folha mostra que o tráfico de crack persiste na cracolândia.

Pergunto ao leitor se, de sã consciência acreditava  na ação do Governo estadual na cracolândia, na solução do problema?

O que se pode discutir é porquê houve precipitação nesta intervenção, sem uma ação conjugada entre governos (situação e oposição), e porquê isto ocorreu?

De outro lado, devemos também questionar, porquê o Governo Federal não se envolveu, e está assistindo à distância este drama?

Fora esta questão conjuntural, o pano de fundo do crack é um sistema de desagregação familiar, de valores familiares, problemas sócio-econômicos que se abatem sobre os mais fracos, onde as oportunidades de trabalho e vida digna desaparecem.

Penso que deva haver liberdade para o tratamento do drogado, que ainda tenha discernimento, e ações diretivas para os que perderam toda a sua autodeterminação.

Ações conjugadas, de tratamento com recuperação moral e dignidade pessoal.

Respeito ao drogado, valorização do drogado.

O tratamento de choque leva à redefinição dos canais de distribuição e de consumo das drogas.

Não é o que está acontecendo no Rio de Janeiro, onde "áreas pacificadas" estão voltando a ter comércio de drogas novamente?

E nas barbas dos políciais?

O bem triunfará se for empreendido por pessoas realmente iluminadas, cheias de fé e de amor ao trabalho e ao drogado.

Trazer burocratas para resolver esta questão é fazer uma droga de gestão do problema

FHC perdeu a oportunidade de ficar calado

A nova jóia de FHC é irrepreensível, de que a corrupção aumentou em relação ao seu governo, e de que talvez Dilma não avalie o risco político que corre em sua faxina.
É que na época de FHC no governo não havia faxina, se acobertavam todos os desvios, e a MÍDIA ERA MUDA. Não interessava ao sistema denunciar nada, e dourar a pílula do tucanato imperial.
O Príncipe dos sociólogos é tão bom...

domingo, 29 de abril de 2012

O Antônio, Sanfoneiro

Era período da ditadura militar, 1976 mais precisamente.

Eu era recém formado, casado de novo, já com uma filha, e um bom emprego, que acabara de perder, por militar no Sindicato, Senalba.

Trabalhava como Orientador Social do SESC.

Curiosamente o Sindicato provocara o aceleramento de minha demissão, ao sugerir, e o fiz prontamente, que escrevesse artigos em defesa dos funcionários desta entidade patronal dissimulada.

Queriam me provar se eu não era algum representante patronal infiltrado por lá.

Com minha demissão, também não fizeram nenhum esforço por manter-me.

Nunca os condenei, ao contrário, compreendo-os e os tenho em meu coração com muito carinho até hoje, como grandes amigos, o  Everaldo, Pedreira, o Paladino.


Isto não importa, o que interessa é que tinha saído em campanha eleitoral para vereador em São Paulo, sem dinheiro e contra a vontade do cacique do PMDB do bairro, Roberto Cardoso Alves.

Hoje falecido, Roberto me oferecera um cargo de assessor e juntar-me a ele.

Não aceitei pois  considerava seus pensamentos muito diferentes dos meus, libertários, como até hoje me considero.

Conseguira a vaga, por intermédio de Orestes Quércia, que disputava com Montoro a hegemonia no partido (e Roberto Cardoso Alves era ligado a Montoro), e tinha interesse objetivo em dividir o diretório das Perdizes onde eu pertencia.

Bem história à parte, gosto de lembrar das raladas que fazia, isto é sair às ruas pedindo votos, desde cedo da manhã, nos pontos de ônibus do Parque D.Pedro até a noitinha.

Chegava cansado e não dormia, despencava na cama.

Por vezes acordava no meio da noite, com o telefone tocando.

Eram ameaças de morte a mim e a minha família.

Um cabo eleitoral que me ajudava, e o guardo com carinho na memória, o Marcos, rapaz do interior do Estado, chegou a ser sequestrado, e durante o tempo que ficara no carro com os fascistas, esmurraram-lhe o braço direito até ficar com "sangue parado", aquelas manchas escuras por dentro da pele.

Diziam-lhe que ele iria ver como a direita era forte, e esmurravam-lhe o braço direito.

Marcos acabou se decepcionando com meu radicalismo. e foi embora para outro político.

Ele queria um lugar de trabalho e viu que comigo não conseguiria, porque eu ficava cada vez mais longe de acordos e queria mudanças profundas.

Acompanhava-me nas caminhadas diárias um sanfoneiro, chamado Antônio.

Não ganhava nada, e dividíamos o que tínhamos para comer.

Eu ia na frente, e ele tocando a sanfona atrás, chamando a atenção do povo, que ouvia e vinha, ocasião em que eu abordava as pessoas e fazia propaganda política da campanha.

Antônio acompanhou-me até a votação.

Fui muito bem votado, 14.500 votos aproximadamente, na capital de São Paulo.

Infelizmente o último colocado elegeu-se, em 1976, com uns 32.000 votos.

Era o bipartidarismo, e era necessário muito voto para eleger-se.

Minha frustração fôra tão grande com a derrota, que decidira largar da política parlamentar e seguir outro caminho.

De fato, nunca consegui largar este caminho.

Mas Antônio, o sanfoneiro, sentiu o baque, e desapareceu.

Grande pessoa.

Arrependo-me de nunca ter pedido o seu endereço ou telefone.

Ficou no passado.

Período heróico: eu com um punhado de papéis nas mãos contra a ditadura, e um sanfoneiro atrás, tocando, chamando o povo.

ODEIO OS INDIFERENTES

hOJE, 29/04 FAZEM 75 ANOS DA MORTE DE GRAMSCI. rECENTEMENTE REPRESENTANTES DA IGREJA CATÓLICA INFORMARAM TER GRAMSCI SE CONVERTIDO NO LEITO DE MORTE, MAS ISTO NÃO É DECLARAÇÃO OFICIAL DA IGREJA. DOENTE E DEBILITADO, APÓS ANOS DE PRISÃO, ESTA POLÊMICA LEVANTADA NÃO MODIFICA SEUS PENSAMENTOS QUE ABRIRAM NOVOS HORIZONTES DENTRO DO mARXISMO,   COMO A IDÉIA DO BLOCO, DE GRANDES ALIANÇAS. qUEM VIVEU SOB O FASCISMO SABIA DESTA PREMENTE NECESSIDADE, E ROMPEU COM INFLUÊNCIAS MANIQUEÍSTAS E DETERMINISTAS. DEIXO O TEXTO  "OS INDIFERENTES", RETIRADO DO VERMELHO. 
Antonio Gramsci: Os Indiferentes

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel, acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; é aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso.
 
Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.
 
Publicado originalmente em La Città Futura; 
Tradução de Pedro Celso Uchôa Cavalcanti, em “Convite à Leitura de Gramsci”, 
Transcrição de Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive
HTML de Fernando A. S. Araújo

sábado, 28 de abril de 2012

Contag: Novo Código Florestal penaliza a agricultura familiar

Contag: Novo Código Florestal penaliza a agricultura familiar

Estado Laico, e sociedade religiosa

Artigo de Dom Odilo Sherer é muito esclarecedor. Quando Fidel Castro se reúne com o Papa Bento XVI, notamo uma abertura e um diálogo muito importante. Retirei o artigo do Zenit


O Estado é laico, mas a sociedade é religiosa
Coletiva de imprensa com o Card. Dom Odilo Pedro Sherer
APARECIDA, terça-feira, 24 de abril de 2012 (ZENIT.org) – Ontem, 23 de Abril, durante a coletiva de imprensa da 50ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, o Cardeal Dom Odilo Pedro Sherer, arcebispo de São Paulo, disse aos jornalistas presentes, que o “Estado é laico”, mas “a nossa sociedade é muito religiosa”.
Falando “pelo lado da Igreja Católica” o purpurado afirmou a importância da laicidade do estado, porém, de uma laicidade bem entendida, “isto é, que o Estado respeite a liberdade religiosa, que respeite as livres escolhas religiosas dos cidadãos, a livre expressão religiosa”, ou seja, “que o Estado não tenha religião oficial, mas que também não interfira na religião”.
“A igreja Católica não tem problemas de conviver com o Estado laico”, afirmou Dom Odilo. Há porém o perigo de uma laicidade interpretada como uma espécie de “pensamento único, imposto a todos os cidadãos, que exclui a presença religiosa, o pensamento religioso” fazendo que os cidadãos religiosos sejam considerados como de segunda categoria, “Isto sim cheira e beira a discriminação religiosa”, disse o Cardeal.
Que haja um respeito pela liberdade religiosa de cada um, é o que deseja o purpurado.
“Por outro lado, que não se pretenda em nome da laicidade do Estado, impor como pensamento mais válido, o pensamento ateu”, pois vai contra a mesma cultura do nosso povo, afirmou Dom Odilo.
O Cardeal concluiu afirmando que o“Estado é laico. Isto é bom, e que assim seja! No entanto, a sociedade não é laica. A sociedade é religiosa e muito religiosa! Com inúmeras expressões de religiosidade que, portanto, o Estado deve levar em consideração e, de acordo com a constituição, respeitar”.

Carlinhos Cachoeira gostava de deixar pegadas

Fico pensando: será que o Governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) aceitou um esquema de receber dinheiro diretamente no Palácio do Governo?

Seria de uma burrice extraordinária. Razão pela qual me despertou a questão de que Cachoeira procurava ir compromentendo a todos, para se blindar de futuros problemas.

Não acredito, sinceramente, que o Governador Goiano fosse tão burro a este ponto? Fica a questão.

De sobra, Garotinho está fazendo o papel da Polícia Federal e acusa Cabral, Governador do Rio, de ligações com Diretores da Delta. Vamos defender :

Garotinho para a PF!

Uma questão paira no ar: Quem foram os maiores interessados em que este caso Cachoeira/Delta tomasse as proporções que tomou?

Há um silêncio denunciador das construtoras que disputam com a Delta os negócios do Governo.

Este caso é... no ventilador: vai sobrar para todo mundo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Decisões passionais do Corinthians

Para um time que não consegue ser equilibrado e decide tudo passionalmente, não é de se surpreender a retirada do goleiro Júlio Cesar do elenco corintiano.

Jorge Henrique fugiu da frente da batida da falta que levou ao primeiro gol da Ponte, e o tiro de meta de Júlio Cesar que bateu nas costas do zagueiro corintiano, que deveria estar olhando a batida do tiro de meta, e voltou para o atacante ponte-pretano,

Foram corresponsabilidades.

Responsabilizar unicamente o Júlio Cesar é uma verdadeira injustiça.

Veja o caso do Rogério Ceni. Acaso o Rogério nunca frangou? Claro que sim. Nem por isso ele foi afastado.

O Corinthians queima os seus goleiros mais do que eles erram.

Decisão puramente passional

Cachoeira...

Depois de ler a reportagem da Folha, posso dizer, sem sombra de dúvida, que a maior dor do Cachoeira neste momento de prisão, é estar longe de sua segunda mulher. Ao ler a entrevista com Andressa Mendonça, sua mulher, quase achei o Cachoeira um grande cara. Rapaz...

Deram as costas às cotas dos índios.



Porquê somente os negros têm o direito a cotas?

Os índios também devem ter o mesmo direito, pois são os mais brasileiros dos brasileiros.

Aliás nós é que somos estrangeiros e extrapolamos o direito de cotas e demos as costas aos "silvícolas".

Índio tem o direito de ser transportado para fora do STF em condução coletiva?

A rua é o seu lugar?

Índio deve fazer suas danças longe da civilização?

Índio não deve estudar?

A discriminação contra os índios é a maior de todas, porque sequer é citada.

Existe algum Ministro do Supremo índio?

E parlamentar índio?

E ministra índia, heim Dilma?

Exigimos cotas de índios no STF!

É preciso fazer uma grande pajelança diante do STF, em desagravo por ato de tamanho vandalismo perpetrado por Ministros brancos invasores contra um simples índio.

E, ao final, em coro uníssono, mídia, grupos organizados, "democratas" em geral louvavam o altruísmo dos nossos eméritos latrínicos resfolegantes higiênicos  do Supremo de frango.

Depois dessa, vão plantar "mandiocas"!!!!

Índios em primeiro lugar, e não apenas no carnaval, para palhaçadas.


Oração Por Todos os Tipos de Fim

Após quase morrer esta noite, deixo esta oração que, iluminado, compus esta manhã para todos os que precisarem:



Os que morrem por afogamento, sem conseguir obter o ar da vida, e encontram outras substâncias e agonizam em desespero, livrai-nos Deus!


Os que se queimam e ardem sem que consigam sair livrar-se, e sem que possam ser ajudados, protegei-nos Senhor!


Os que se acidentam e quebram ossos em desastres, mutilam membros do corpo em cruel sofrimento, caindo de construções,  quedas de materiais, e em colisões, alertai-nos, Pai da vida!


Os que padecem de longas doenças, incuráveis, com dores indescritíveis, curai-nos Senhor!.


Àqueles que tê um enfarto e conscientes, agonizam sem o socorro devido, protegei-nos Jesus!


Os que recebem tiros, e passam por torturas, nas mãos de pessoas más, livrai-nos Deus!


Os que recebem descargas elétricas e não conseguem se desvencilhar enquanto fritam o corpo, alertai-nos  Jesus!


Dos sofrimentos por perseguições, onde nos humilham até padecermos, livrai-nos Deus da liberdade!


De toda sorte de infortúnios que nos acometem, protegei-nos Deus!


Pelos fracos e pelos oprimidos!


Pelos abandonados e esquecidos!


Pelos famintos e sem moradia!


Pelos sem esperança e vacilantes!


Pelos que envelhecem e perdem a energia vital!


Pelos pobres sem nada!


Pelos desempregados!


Ajudai-nos Senhor!


Queremos construir vida,
constituir família.


Desejamos estudar
ter um lar,
possibilitai-nos 
Senhor.


Queremos ter a paz para todos 
trabalho decente, e renda suficiente,
ajudai-nos Mestre!


Afastai de nós 
os corruptos
os ladrões
os aproveitadores
os exploradores
os imorais
os tirânicos
os ricos


Aproximai
os simples
os solidáros
os bons
os que choram
os alegres
os pobres.


Dai-nos um coração simples e pleno de vida, de Tua Vida.


Que Nossa Mãe do Céu possa ser reconhecida por todos como uma dádiva Tua, e esteja junto a nós, na hora de nossa morte.


E que a ela se dê a devoção de amar-te Deus!


Convertei a todos!


Passai a todos pelo crivo de Vosso Espírito Santo.


O mundo aguarda a sua Redenção Final
de todos os fins 
e clama por nova vida
eterna, 
junto de ti, Senhor


Se não vens
e a morte nos colha
antes de tua vinda,
acompanhai-nos
Senhor!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

STF proclama a segunda abolição da escravatura

Com um Ministro negro para justificar sua independência, o STF defendeu o direito de cotas raciais nas universidades. Porque não defendem o sistema de cotas para o Poder Judiciário? Bem sabemos o quanto é discriminado o Ministro negro Joaquim Barbosa, sempre engalfinhado em discussões com os brancos dominadores.
Agora surge um novo discriminado: o jovem pobre branco, que não participa das cotas.
Olho para a dicriminada Cuba, cercada de todos os lados, e sofrendo um bloqueio econômico terrível. Lá as várias raças gozam de plena igualdade, porque? Simples. Lá em cuba houve uma verdadeira revolução que abriu oportunidades para todos.
O Brasil assiste reforma sobre reforma. Vamos que vamos, porque é preciso conquistar, mas temos a certeza que são paliativos que não resolverão o principal, que aguarda por grandes transformações.
Precisamos expulsar estes Ministros brancos e tornar o STF multirracial.
Resta a pergunta: e os índios? estes que tentaram falar lá no STF e foram jogados para fora com seus cocares e tudo? Deles nada se fala. Índio no Brasil nem no primeiro grau, ainda. Estes são párias, abandonados.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A preciosidade da vida

Se o ser humano tivesse a consciência da importância da vida, de seu pleno aproveitamento, e progresso constante, não haveria tanto desperdício no mundo.

Porque não fomos feitos para parar, estacionar, mas para tornar tudo melhor, tanto em termos materiais, quanto espirituais.

É preciso, principalmente crescer em virtudes, na paciência, na paz, na alegria.

É preciso sobretudo aprender a suportar as outras pessoas, sem se nivelar com elas onde houver pequenez, mas tentar uma elevação comum,superando relacionamentos primitivos.

Somente uma percepção espiritual pode abrir esta nova ordem de relações, pois há uma pauta de amor subjacente a tudo, nesta consolidação.

Aproveitar bem os momentos, as intervenções, e marcar com a justiça esta presença, com o sentimento de solidariedade e a idéia de igualdade, superando diferenças sócio-econômicas, raciais, de gênero, educacionais, e assim por diante.

Como construir um mundo novo e um homem novo?

Como alcançar uma sociedade igualitária e socialista?

Embora em tudo vejamos a necessidade de luta social, é no plano individual que temos de marcar, desde já esta diferença.

domingo, 22 de abril de 2012

Darci é homem ou mulher? / Valéria e Janete com o Bond Boca - Zorra Total 21/04/2012 - M...



Depois da dúvida se é homem ou mulher, a Veléria e a Janete tem um encontro interessantíssimo com o Bond Boca. Detalhe: o Bond Boca  filho deste Pó das Estradas blogueiro.

sábado, 21 de abril de 2012

Jô Soares entrevista Silvionê, amigo da Pastoral da Saúde



Silvionê é uma pessoa incrível, que conheci na Pastoral da Saúde.

Ele trabalha com apresentação de peças de teatro para professores e para alunos.

Pesquisa a história e garimpando, encontra textos e os adapta para peças de curta duração, para complementação da formação dos alunos e professores.

As bolas quando se tocam Azuis

Bradesco e Itaú abaixaram os juros? Como são humanos...

Depois de Dilma tomar a iniciativa, mandar o Mânteiga se esparramar pelos miolos dos pães, e abaixar, por conta própria, os juros do BB, seguido logo pela Caixa Federal, os grandes banqueiros nacionais e internacionais foram tomados de...de..."revolta".

A primeira reação foi de exigir redução de impostos para abaixarem também os seus juros, esquecendo-se que são a classe mais privilegiada na isenção de impostos. Agora, caída a ficha, vem o Itaú e o Bradesco dando este exemplo de brasilidade, e abaixando também suas taxas de juros.

Fico pensando com meus botões: como os banqueiros são humanos, nos emprestam dinheiro, abaixam os juros.  Mas, cá para nós, a questão é vão-se os anéis e ficam os dedos.

É melhor não contrariar a mulher.

E a mulher anda dizendo para todo lado que o Brasil precisa se igualar ao mundo em termos de taxas de juros.

Dilma tem muito mais coragem que Lula, para decidir.

Lula tinha aquele jeito de ser "bom negociador", e entregava tudo. Passou dois governos entregando o povo brasileiro para a voracidade dos grandes banqueiros.

Pensavam que com Dilma seria a mesma coisa. Tá bom.

Racismo no STF

Os Ministros brancos do STF, tratam as opiniões o Ministro negro Joaquim Barbosa, como se fossem excessivas e um tanto destemperadas, "próprio de uma raça que se excede intempestivamente, para poder se afirmar"(deve ser como a subjetividade das pessoas pensa), enquanto os brancos estão assentados nos lauréis de seus antepassados colonizadores. Qualquer opinião que Joaquim Barbosa expresse, traz discussão e rejeição, e isto vai dando márgem a se supor que, sim, existe uma forma intelectual de racismo no STF, muito bem camuflada, travestida de longos discursos "independentes", mas sempre batendo no negão. Aliás, lá, pior do que racismo é o pedantismo, o elitismo, o extremo protecionismo corporativo, onde nenhuma notícia sai. Já a ministra branca...bem se fosse negra...

Patrícia Poeta melhorou suas feições

Depois de termos anunciado que Patrícia Poeta estava bicuda e sem saber o que fazer com seus cabelos, este pequeno blog, se surpreende com a mudança repentina da apresentadora, que está dando um show de naturalidade.
As críticas deste reles Pó jamais atingiriam aos pés da super mega maxi rede de televisão, mas como acredito que eles fazem toda sorte de pesquisas, o que este Pó percebeu, outros também notaram, de sorte que, a apresentadora melhorou seu perfil. Bem, ela não é ela. Ela é a produção quem faz. A produção é que deve responder. Mas mudou. Mas ainda está longe daquela naturalidade que tinha, quando estava no Fantástico. Deve ser a Síndrome do Jornal Nacional. Coitada da Fátima Bernardes, que perdeu 90% do seu sorriso. Por isso que as empresas de creme dental, não fazem propaganda no horário do Jornal Nacional. Como mostrar os dentes diante das tragédias que dão IBOPE?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Foto provocativa da Folha contra Dilma

<b>NÓ MILITAR:</b> Dilma Rousseff amarra condecoração em estandarte durante a comemoração do Dia do Exército

A Folha mostra em sua primeira página uma foto de Dilma colocando uma condecoração na ponta de um estandarte da bandeira nacional, na comemoração do dia do Exército.  Só que a foto mostra a ponta do estandarte próxima de espetar a garganta de Dilma, como se ele estivesse sendo furada pela ponta do estandarte. Será que a Folha não está ultrapassando o seu ímpeto ditatorial, de provocação à democracia com participação popular do Brasil? A continuar deste jeito este jornaleco vai entrar em Frias. Estão convidando o exército brasileiro a intervir com golpe militar. Alguém precisa prender os donos deste jornal.

A Folha de São Paulo é purinha e nunca maculou sua empresa com propinas

Ao ver a manchete da Folha, hoje, 20/04/2012, de que a "CPI DO CACHOEIRA É CRIADA COM COLLOR, JUCÁ E FICHA-SUJA", veio-me à mente como este jornal é ungido, pois fala com a cara mais deslavada, como se nunca tivesse feito "malfeitos". Curiosamente o Senador Demóstenes Torres, vai sendo substituído disfarçadamente por uma "legião de corruptos", para tentar passar para a opinião pública de que o congresso Nacional é uma palhaçada. Instigam os militares a voltarem ao autoritarismo. Jornalzinho sem-vergonha. Vão ver se eu estou na esquina, e procurem o Frederico.  

Esta semana o outono chegou em Sampa

Menos pelo calendário, e mais pela natureza mesma.

As manhãs de São Paulo são lindas.

Há nuvens cinzas  escondendo o céu azul , que hora ou outra procura mostrar-se.

Enquanto isto um vento frio corta as avenidas.

O povo sai protegido por blusas, e anda ligeiramente, para chegar logo ao seu destino e fugir da situação desconfortável do tempo.

O sol aparece escondido entre as nuvens, filtrado, de forma que é possível vê-lo absolutamente redondo e sem a sua forte claridade.

Tempo de se esconder-se debaixo da cama, de fazer amor com mais frequência, de beber vinho e divertir-se.

O Outono, despe-se dos acessórios, e deixa-se mostrar no que é, no que fica, o essencial, o caule.

As folhas, ora as folhas

O verão, entretanto não se foi, e lá pelo meio-dia, ainda nos lembra de sua presença, mas estamos mudando por força da natureza que muda sempre.

Tudo muda, só o homem acha que tudo é igual.

Temos uma essência absolutamente conservadora, contra a qual lutamos diariamente.

Ao sair antes das 6 da manhã, e respirar o ar despido dos pulmões humanos, sou colocado contra o infinito e passeiam em mim muitos mistérios inconfessáveis: a criação, o Absoluto, a vida, seu sentido, e alguns fantasmas de pecados que ficam grudados, mais inconfessáveis ainda.

Logo aparecem pessoas, e caio novamente no cotidiano.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Estou correndo 40 km por semana

Uma pessoa de 62 anos correndo 40 km por semana?

Sim, eu mesmo! Faço 4 vezes por semana o mesmo trajeto de 10 km do Largo de Pinheiros até a Barra Funda onde moro.

Deu para notar, que eu chego em casa 15 minutos depois do tempo de vir de metrô. É mole?

Saio de Pinheiros e chego na Barra Funda entre 55  a 60 minutos. O metrô é 50' no máximo,  andando.

Conclusão: O povo esqueceu-se de andar e de correr, por causa desta merda de tecnologia, que nos prende sob o argumento de conforto. E acreditou na falsa mensagem, e depende destes veículos.

E qual conforto o metrô traz ?

Melhor chamar de aperto, de encochada, de fungada, de enlatada.

Estou cansado de ver pessoas cara a cara, uma com a outra, ilustres desconhecidos, obrigados a se olharem por minutos, ou então, como acontece muito, FECHAREM OS OLHOS como se estivessem dormindo em Pé, só para não se olharem, e não terem o que dizer ou fazer, porque todos são estranhos. Sinistro. Buuuuu...

A ironia é tomar o banho cedinho, cheiroso, e sair para ser fritado, chegando amarrotado e sujo, no serviço, logo pela manhã..

Imagino os motoristas de carros, na avenida Sumaré, parados no congestionamento, vendo-me passar naquela corridinha leve e constante:

É mais um louco!

Enquanto isto eu vou e eles ficam naquele pinga-pinga.

Os ciclistas, como nós que corremos, fazem parte também destes cavaleiros medievais, sem herança com a pós-contemporaneidade.

Abaixo a gasolina! Viva o pé!

Abaixo o asfalto! Viva a goiabeira!

Abaixo os faróis! Viva o tênis! Último produto aceito pelos medievos.


Proibição de sacolas plásticas nos supermercados está reduzindo o consumo

Posso estar ficando louco, mas a impressão que tenho é que o consumidor, está reduzindo o material a ser comprado, para poder levar para casa, sem carregar nos sacolões, pagos, e muitas vezes esquecido de se trazer.

Tenho quase certeza que este fenômeno está acontecendo.

Isto levanta uma velha questão: o de se viver com o suficiente, em vez de se viver de consumismo, que é o que acontece atualmente.

Por trás disto está o modelo de desenvolvimento capitalista que vivemos.

Temos que consumir muito, até a comida sair pela latrina, porque o desenvolvimento brasileiro exige que se consuma muito, muito.

Não deu outra, o número de gordos no mundo capitalista cresceu gordurosamente.

É preciso viver do suficiente, e pronto.

Agora a gente propõe isto, e logo alguém vai nos chamar de feudais, de medievais.

Ora pois.

Qual é o papel ideológico das novelas no controle do povo brasileiro

Creio que o primeiro aspecto a se ressaltar é a absoluta redução da dimensão da vida, às relações domésticas, e das situações pessoais de crise emocional, desvinculando intencionalmente as razões que geram tais situações de crise social  vivenciadas individualmente.

A vida política e a vida do trabalho, como elas se colocam efetivamente, são furtivamente retirados das novelas, e quando existem, lá estão para que se realizem apenas as esferas das futricas.

Há a idéia de que o bem vence apenas no fim, enquanto o mal domina a tudo durante a maior parte do tempo.

O bem, isto é, o ser honesto e justo, não traz benefícios, enquanto o mal se enriquece se alastra com facilidade.

O pobre está totalmente identificado aos valores dos ricos, e o sinônimo de sucesso para o pobre é um dia ser rico.

O significado de rico nas novelas, é profundamente material, isto é quem tem mansões, carrões e uma vida faustuosa.

Não há sindicato de trabalhadores nas novelas, e quando há são apresentados como irracionais.

Não há notíciários, jornais, ou debates.

Não há a reflexão sobre a vida.

Curiosamente Deus é um dos excluídos das novelas: bem e mal não mantém nenhuma relação com Deus.

Resultado: Povo gado, povo domesticado, sem visão crítica, povo alienado.

Novelinhas sem-vergonhas dominando mentes e corações dos brasileiros.

Vamos boicotar a este lixo televisivo que assombra as casas no final dos dias, nas escuridões, provocando escuridão e trevas nas pessoas, robotizando carne e sangue, pensamentos e palavras, mediocrizando o país..

terça-feira, 17 de abril de 2012

Juros estratosféricos e o Jubileu que o povo brasileiro precisa

Não adiantou Dilma reduzir os juros dos empréstimos do Banco do Brasil, logo seguido pela Caixa Econômica Federal. O objetivo da Presidente é simples: Transformar o sistema financeiro nacional IGUAL ao sistema financeiro do restante do mundo.
Sabem qual foi a resposta dos grandes bancos privados? Nada, não fizeram absolutamente nada, e ainda por cima vieram com uma conversa de redução de impostos, eles que são a categoria que goza com a mior carga de isenção de impostos. Mais que a deles somente as igrejas, que não pagam nada.
E agora Dilma, o que você irá fazer?
Na Argentina, a sua amiga Cristina, desceu a pua numa empresa petrolífera espanhola que não investia, não crescia, apenas sugava.
Não é o caso do Brasil tomar também 51 % dos bancos, e ficar na direção destes?
O povo brasileiro precisa de um jubileu, isto é de um grande perdão de dívidas. Os juros escorchantes dos banqueiros quebraram muitos empresários e trabalhadores, e ainda os põe de joelhos exigindo quantias impagáveis.
Pois é chagada a hora de tomar estes bancos para o povo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Hoje quero chorar

Hoje quero chorar,
não em perguntem por quê(?),
abundantemente.

Soluçar incontido
em meu quarto,
sem as vistas do mundo.

Não há um motivo maior,
mas inúmeros,
somatizados
neste aguaceiro.

As pessoas secas,
os aproveitadores,
os sujos,
egoístas,
os amigos pouco amigos,
os interesseiros,
os doentes abandonados,
as guerras,
mortes.

Não é possível dizer:
É aqui!
É ali!

Não!

Vem tudo junto,
sem pedir licença,
invadindo
os olhos
ouvidos
mente

Nem o beijo salva.

Alivia,
mas não salva.

Talvez um amigo...
mas onde estão(?)
que não enxugam
estas lágrimas.

domingo, 15 de abril de 2012

Fim de semana de serviço aos necessitados

Sábado à tarde estive junto com os enfermos na Ortopedia do Hospital de Clínicas. Passei em alguns quartos visitando os doentes.
Havia um senhor, de idade avançada, cheio de vida. Havia escorregado e caído no chão. a queda deixou-lhe com um hematoma grande na perna, com "sangue pisado". Seu joelho também estava inchado.
Tinha por nome Jesus.
Brinquei com ele, dizendo que comentaria com meus amigos de pastoral que vira Jesus num quarto.
Refletimos sobre a questão da fé, que ela expressa o grau da relação que temos com Deus; se esta relação é íntima, a fé cresce. Se é distante, a fé diminui. Como a fé é um dom de Deus, e Ele conhece o coração do homem, pode fazer a fé ser grande ou fazê-la desaparecer.
Depois fui a um quarto com um senhorzinho de idade que amputara a perna, na altura do joelho. Permanecemos em silêncio, porque não se tem como explicar certas situações, somente com a fé se pode superar.
Visitei também duas senhoras que estavam num quarto. Todas muitos alegres e esperançosas. Já no domingo fui tocar na missa de primeira comunhão das crianças da comunidade de Santa Suzana, região do Portal do Morumbi, com o padre Manoel. Já fizemos parte desta comunidade, e nos sentimos ainda pertencendo a ela. Preciso dizer que a vida sem Deus  parece vazia, que lá bem no nosso interior indizível, há uma alma que clama uma convivência, e se está só, sofre. O homem não foi chamado à ignorância, mas à busca do conhecimento dos mistérios. Desta forma o sábado e o domingo não são enfadonhos, e a semana que se inicia, não se torna um fardo pesado.
Tudo isto lança luz num desejo incontido de ver o povo brasileiro cheio de vida, saúde, oportunidades de trabalho, para os pais, os jovens, as mulheres. Ver a superação dos preconceitos raciais, sexuais, de condição social, de gênero. Tornar o Brasil um país solidário e cristão, e livre do domínio dos poderosos e dos países imperiais.
Não há separação no particular e no geral. Tudo está incluído numa única realidade. O erro está em se fazer apenas uma destas dimensões e excluir a outra, como se tivesse um valor menor.

Porque não existem pesquisas eleitorais em São Paulo?


A imprensa golpista, interessada em forjar uma dualidade nas eleições (PSDB X PT), mais a elite paulistana, que deseja perpetuar a tucanagem na região, estão empenhados em não publicar nenhuma notícia sobre pesquisas eleitorais em Sampa, porque sabem que seus objetivos de polarizar a campanha está escorrendo por entre os dedos.

Assim, vão divulgando "naturalmente" Haddad e Serra, enquanto fecham as portas para qualquer informação dos demais candidatos.

Tudo muito sorrateirmente, para não provocar questionamentos, marolas.

Mas a pergunta que fica no ar é:

Até quando irão nesta política de fazer silêncio?

Até conseguirem a subida do Haddad, porque o Serra já está  lá. Se divulgarem Serra muito cedo, cedo também começará a cair.

É uma ambiguidade forjada, de difícil equilíbrio.

Um precisa subir , e não conseguem; e outro, não pode descer, e não conseguem.

Enquanto isto, o PIG, caso não atinja seu intento a curto prazo, iniciará a "Operação limpeza",  fazendo campanha de desgaste dos atuais líderes de pesquisas, que estão ocultos do público.

Nada pode ir com muito escândalo, pois pode prejudicar futuras alianças aqui e ali, principalmente dos que forem prejudicados.

Ma que há um silêncio intencional, para não se divulgar os novos candidatos, isto há.

É a Síndrome do Bipartidarismo americano, inglês, rondando a multipartidária política brasileira.

sábado, 14 de abril de 2012

São Paulo e os torós desta semana

Esta semana que se finda, de 9 a 14 de abril, teve muitos dias semelhantes. Embora estejamos no outono, está ocorrendo um calor de matar, característico do verão. Pior, a cada dia, depois da meio-dia, o calor aumenta e o céu vai se fechando, até dar uma chuvarada daquelas.
Gosto de praticar corrida, e três vezes por semana percorro uma média de 30 km . Estas corridas ocorrem quando saio do trabalho. Na quarta corri com uma garoa forte, que caía incessante. Na Avenida Sumaré estava um congestionamento de lascar. Imagino os carros parados e os motoristas me olhando correndo na chuva:
- É um louco, mas está andando. E eu que estou parado!
De maneira geral, a chuvarada acontecia no meio da tarde,  mas na sexta feira, na sexta-feira...a chuva caiu exatamente no final do expediente.
Como eu estava em Pinheiros, assisti a um dilúvio. Acabei comprando uma torta de nozes, para levar para casa, aguardando o fim da chuva, mas a chuva não passava. Ao contrário, parecia aumentar mais e mais, como se uma torneira estivesse ligada no céu despejando todo o reservatório d'água em cima da gente.
Era o meu aniversário de 39 anos de casado, e lá estava eu, ali na calçada, esperando a chuva dar um refresco.
Vi que o povo tem mais pressa de chegar em casa, do que medo de se molhar. Melhor, assim tudo se resolve. Surpreendentemente, quando cheguei ao Metrô, linha amarela, estava vazio, embora a estação estivesse cheia de gente protegendo-se contra a chuva.
Assim foi a relação do paulistano com as inundações da semana

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Patrícia Poeta está perdendo a rima

Coitada da Patrícia Poeta, ao substituir a Fátima Bernardes, está perdendo a rima.

A Fátima, já era uma Sem Sorriso.

Também pudera, tantos anos falando desgraças e defendendo obrigatoriamente os interesses da Rede Globo, que foi ficando sisuda.

E olhe que ela é bonita.

Mas não há beleza que aguente tanta desgraça falada diariamente.

Não aguentou.

Pior; ainda tendo de olhar o marido durante a desgraça, todo engomadinho e totalmente identificado com o padrão Globo.

Não foi bonner para ela, que desistiu.

Briga, só em casa.

Cara feia também.

Melhor se se amassem, mas parece que...deixa pr'a lá.

Mas a Patrícia Poeta, que vinha tão alegrinha dos Fantásticos dominicais, acabou ficando bicuda.

Até não existe mais jeito de como pentear o cabelo, se prende, se solta.

O fato é que as notícias a estão deixando de cabelos em pé.  

E o sorrisinho maroto, de quem descobriu a alegria, este está desaparecendo também.

Só o William Bonner continua naquele frenesi necrófilo, com a habitual naturalidade.

E o boa noite final, que graça....

Linha amarela do metrô apresenta grande risco de vida

Hoje, pela manhã, ao chegar, às 07:30 h na estação Faria Lima, proveniente da República, o meu vagão estava tão cheio que demorou para saírem todas as pessoas. 

Enquanto isto, um outro grande número de passageiros aguardava, na estação, nervosamente, a saída de destes, para poderem entrar. Não deu outra, o trem, sem maquinista, fechou a porta no meio do povo. 

Foi aí que percebi o grande perigo que passamos na Linha amarela, privada.

Um dos passageiros quase ficou entre a porta da estação, que fechara, e a porta do trem que também estava quase fechada. 

Se ele ficasse entre as duas portas fechadas, o trem fatalmente partiria, e o passageiro seria arrastado lateralmente, num acidente de graves consequências, sem ninguém para parar o veículo, sem maquinista.

O pior é que não vi um só vigilante ou inspetor da linha amarela, privada, na plataforma da estação, para garantir proteção. Será porque é uma privada?

Mais tarde, tive de ir para a Paulista, e eis que lá, as esteiras rolantes estavam paradas, obrigando aos passageiros fazer o percurso à pé. Pensei comigo: Eles estão desestimulando as  baldeações na Paulista. Afinal ali, a linha amarela, privada, não ganha nada, com aquele movimento vindo do Metrô estatal.

Está uma verdadeira privada, e sem maquinista. 

Tecnologia é bom, mas não deve vir em oposição a empregos, nem facilitar acidentes.

Está amarelando.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O que se passa na cabeça do povo

O operário não tem tempo para pensar e fazer política. Padece da correria de casa para o trabalho, apertado e apertando, comendo depressa, sem tempo para nada.

No trabalho, conversa só no restaurante e olhe lá, porque também come depressa.
No metrô lotado de São Paulo, as pessoas nem se olham, proximidade incômoda, retira a liberdade.

Uns oram em silêncio, outros dormem os poucos minutos que possuem. Pasmem: até em pé se dorme. Aprenderam com as aves, com a vacas e os cavalos, afinal muitos dormem em pé.

De repente os detentores do poder se ligam nisto e inventam a casa vertical com camas verticais, quartos verticais, restaurantes verticais, banheiros verticais. Quantas atividades públicas e privadas podem ser feitas na vertical.

Mas não, o povo apertado nas conduções só quer saber de fazer logo o seu serviço e voltar para casa e se esconder do mundo opressor.

Depois comem algo com a mulher ao lado, e descansam.

Alguns escrevem artigos em blogues

domingo, 8 de abril de 2012

Silêncio Financeiro

O silêncio da chamada "grande imprensa" à concentração das Centrais Sindicais contra a desindustrialização só se explica pelo seu comprometimento com os banqueiros que não desejam uma indústria sólida e crescendo, mas uma indústria quebrada e pedindo empréstimos para sobreviver.
O silêncio da "Grande Imprensa" está ligado ao interesse em se manter alta as taxas de juros no país. Imprensa vendilhã. Está explicado.

sábado, 7 de abril de 2012

Porque não divulgam pesquisas para a prefeitura de Sampa?

Arrisco-me a dizer que existem surpresas que estão fazendo as elites esconderem informações sobre a posição dos candidatos a Prefeito de São Paulo.

Vou ser mais direto:  penso que o Netinho de Paula cresceu nas pesquisas e isto escandaliza o Partido da Imprensa Golpista.

Lógico que farão rapidamente uma campanha de desconstrução lembrando uma agressão contra a ex esposa, mil vezes retratada e mil vezes escandalizada.

Um senador covarde que representa São Paulo no Senado Federal utilizou este expediente e não citou, de forma covarde, a quem acusava.

Até grupos trotsquistas caíram na denúncia do negão.

Posso estar enganado, mas Netinho cresceu nas pesquisas.

Quando saírem os números veremos se estou certo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Cruz, símbolo de morte, transformada em símbolo de coerência





A cada dia torna-se mais difícil falar em Jesus Cristo, devido a imensidão de agnósticos de ocasião e secularistas, que substituíram o Deus Vivo pelo deus dinheiro. Os ateus não se inserem neste diagnóstico, porque, em seu íntimo, indagam sobre sua incredulidade, e como quem procura encontra, um dia...

Falar em Deus todos falam, falar em Jesus Cristo já é mais difícil, entender a sua paixão, porque afinal, teve que subir naquela cruz e morrer...

Todos querem um deus poderoso, e não um Deus Fraco, um deus que intervém em tudo e todos, como um rolo compressor, e não um Deus Que Espera a pessoa decidir, que torce "de fora", como se não existisse.

Este Deus verdadeiro está fora do Ibope e das pregações televisivas.

O deus que aí está, não subiu na cruz, cura a tudo, resolve todos os problemas econômicos das pessoas, desata os processos perdidos no judiciário dando ganho de causa, enriquece com mansões e automóveis caríssimos, é o deus que nos substitui em nossos erros e incompetências. Arrependido de nos dar a liberdade, intervém a todo instante.

É um deus simplesmente arrasador. Uma imensa população está correndo atrás dele.

Não que Deus não faça todos estes prodígios, Ele  faz, mas certamente deseja mais que isto, e mostra que estes efeitos cinematográficos são café pequeno, flashs da eternidade, diante de sua companhia por toda a vida, que é o que de fato importa.

Ora se Ele morreu na Cruz, como podem querer que Ele continue curando sem parar as pessoas? Uma hora ou outra elas também terão de morrer, e aí, este deus também morre, e haverá um vazio, uma falsa adoração.

Como dizem os evangélicos: "É um deus de pau e pedra, que não fala nem mexe". Porque o deus deles fala, mexe, cura, faz todas as estrepolias e mágicas.

Comemorar um Deus que foi para a cruz! Cruz credo!

Mas é exatamente a cruz o exemplo maior da coerência, de sua fidelidade absoluta à verdade, ao amor sem limites. Jesus sabia que seu fim seria aquele, pois no mundo não há quem defenda a verdade, a justiça e o amor, que não tenha fim semelhante.

Sabia que o mal que está no mundo, para ser erradicado, somente um amor puro e uma verdade cristalina teria condições de retirar. E o Deus que abriu mão de ser Deus, que decidiu ser um homem como nós, fazendo deste gesto uma pedagogia de humildade, não poderia deixar a cruz de lado, e ir até ela numa incompreensível loucura de amor, acreditando ser possível erradicar o nosso mal, por esta sua atitude extrema e radical.

Os loucos de hoje, que vivem sob ação do Espírito Santo, e não tem como explicar os fenômenos, sabem que isto é possível. O mundo não, o mundo acha isto uma fantasia. Mas o mundo não consegue enxergar a dimensão do todo dentro de uma perspectiva redentora, e continua marchando e acumulando ódio e remoendo frustrações.

É preciso descobrir, com urgência, o Deus que redime, que nos torna alvos como bebezinhos, nos santifica, e torna tudo novamente  belo.

Este Deus aguarda nossa iniciativa. Como sempre, não intervém, espera. Quer o nosso coração, sem mágica, sem nos enganar, deseja uma adesão voluntária.

Deus simples e humilde. Deus compreensivo e cheio de amor incompreensível.

Ele nos olha ressurreto, de cima de uma cruz eterna, retirando pecado após pecado, pelos séculos, num trabalho incansável de amor.

Hoje a sexta feira, façamos um pouco de silêncio, em respeito a Ele, o nosso amor verdadeiro, o nosso Senhor

Depois do vexame das medidas para impedir a desindustrialização, Dilma toma nas mãos a política econômica




Visivelmente contrariada, Dilma assistiu à encenação de Guido Mânteiga com "medidas" para impedir a desindustrialização do país.

No mesmo dia, e no seguinte, tanto empresários como sindicalistas, e mesmo, surpreendentemente, a imprensa golpista, foram unânimes em afirmar que aquilo tudo eram medidas protelatórias, que não obteriam o efeito de injetar novo ânimo na produção industrial brasileira.

Não deu outra, como um tanque de guerra, Dilma passa por cima do Copom, de Guido Mânteiga, e de todos os puxa-sacos de banqueiros incrustados nas esferas governamentais e decidiu reduzir os juros por conta própria, no Banco do Brasil, logo seguido pela Caixa Econômica Federal. A queda é de 8%, para 1,35% ao mês.

Agora os grandes bancos privadas que vivem chupando o sangue dos clientes produtivos, que vivem do suor de seu trabalho, vão ser obrigados a baixarem também os seus juros, para poderem sobreviver.

Sim porque estes banco não são produtivos, não plantam uma alface, não retiram o leite das tetas das vacas, não extraem minérios, nem fabricam tratores. Vivem às custas destes setores.

Qualquer compra que o brasileiro fizer com o cartão de crédito, o banco irá receber uma taxa, tanto de quem pagou, quanto de quem vendeu. E no entanto, não produziu nada daquele negócio, apenas intermediou e ganhou.

Foi só ela tomar esta medida, e o coro dos puxa-sacos já aparece dizendo que isto não levará a nada.

É o caso de Roberto Luis Troster, Doutor em Economia, que Economista -chefe da FEBABAN, em artigo "CRÉDITO A 2% AO MÊS? NÃO VAI DAR CERTO", publicado na Folha deste 6 de abril de 2012.

Os cristãos primitivos, do início do cristianismo, sempre que eram perseguidos, tinham, concomitantemente, a percepção de que andavam no caminho correto. Exatamente porque  as perseguições eram uma confirmação de seus grandes atos.

O mesmo acontece agora com Dilma. Ela será muito criticada, e buscarão maneiras sórdidas para acabar com ela

Vamos apoiá-la neste momento, porque agora começará a chover facas e canivetes.

E o Guido Mânteiga, como diria o Chico Anísio, que se exploda!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cynara Menezes: não existem ateus na Bahia


Transcrevo matéria de Cinara Meneses que relata bem o sincretismo religioso no país, publicado em Carta Capital


Um ateu baiano é que nem uma pessoa que crê em Deus: ambos têm diante de si a dura missão de convencer o mundo. O crente é desafiado a provar a vida inteira, inclusive a si, que há um Deus. Já o ateu baiano, nascido numa terra cuja capital, reza (ôps) a lenda, possui uma igreja para cada dia do ano – sem contar os inúmeros templos evangélicos e terreiros de candomblé –, carrega a sina de provar que ele próprio existe. Que de fato não crê em nada, mas nada mesmo. 

Por Cynara Menezes, Carta Capital


Está lançado o desafio. Como um São Tomé do ceticismo, só acredito vendo.

Até o mais célebre ateu baiano, o comunista Jorge Amado, cujo centenário se comemora este ano, tinha sua queda pelos orixás. Todo mundo lá sabe disso: era o ateu que “simpatizava” com o candomblé. Estive no velório do escritor, em 2001. Havia uma cruz atrás do caixão. E uma senhora da Irmandade da Boa Morte, confraria afro-católica do recôncavo, que entoava cânticos, me disse: “Sabemos que ele era ateu, mas também que era do culto afro”. Não é por acaso que o título do famoso romance de sua mulher, Zélia, é “Anarquistas, Graças a Deus”. O casal Amado pertencia a um tipo bastante comum na Bahia: o “ateu-de-todos-os-santos”.

Jorge Amado chegou a exercer o posto de Obá de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, o respeitadíssimo terreiro de mãe Stella de Oxóssi, no bairro do Cabula. Ser Obá, um cargo honorífico, significa ser amigo e protetor do terreiro. Ainda moço, o escritor tinha recebido do pai-de-santo Procópio seu primeiro título no candomblé, Ogã, o “guardião das chaves da casa”. Bem a propósito, uma das frases mais belas sobre a fé que conheço, de Caetano Veloso, dizem que foi inspirada em Jorge Amado: “Quem é ateu e viu milagres como eu/ Sabe que os deuses sem Deus/ Não cessam de brotar,/ Nem cansam de esperar”. Ateus baianos enxergam milagres…

Quando era adolescente, em Salvador, cismei de ser atéia, embora só tenha parado de rezar o “Santo Anjo” antes de dormir já perto dos 30. Vocês não imaginam o tanto de gozação que sofri da família: “Ih, ela agora inventou de não acreditar em Deus”, e dá-lhe risadaria. Logo eu, que era a primeira a entrar na fila dos netos que iam tomar banho de folha no sofá da sala de estar dos avós… Meu pai ainda hoje fala assim: “Sei que você não acredita em nada, mas… Aliás, como uma pessoa consegue viver sem fé nenhuma?”

Na faculdade, um professor contou a história de um amigo superateu baiano que na hora da morte se agarrou num crucifixo e começou a gritar: “Meu Deus, não me deixa morrer, eu acredito! Eu acredito!” Nestes momentos, meu ateísmo sofria sérios abalos, assim como minha fé na existência de ateus baianos. Com o tempo, fui me tornando cada vez menos atéia e a simpatizar cada vez mais com os santos, católicos e do candomblé. Como Jorge Amado, sou sincrética pacas. Não dou a mínima para Deus, mas adoro São Francisco. E Iemanjá é praticamente uma pessoa da família. Vovó costuma dizer: “Gosto muito dela!”

Me arrisco a dizer que existe uma fé ou talvez uma dúvida nata no baiano. No máximo, há baianos agnósticos. Na Bahia, mesmo o ateu que se diz ferrenho tem seu quarto dos santos no fundo da casa, carrega consigo uma medalhinha ou um patuá, toma banho de pipoca no dia de São Lázaro, “só de farra”, ou diz para a avó “a bença, vó” – “só por costume”. Como diria outro baiano, Gilberto Gil, “mesmo a quem não tem fé/ a fé costuma acompanhar/ pelo sim, pelo não…”. De onde virá isso, de nossa África ancestral? Não saberia dizer. Mistério.

Um livro que me impressionou e influenciou profundamente na vida foi uma pequena grande obra de Miguel de Unamuno, São Manuel Bueno, Mártir. É a história de um padre que esconde um segredo: não possui fé. E o martírio que se coloca é fingir aos fiéis, transmitir a eles a existência de Deus sem acreditar nela. O ateu baiano é uma espécie de São Manuel Bueno, Mártir da não-religiosidade. Todos os dias, o ateu nascido na Bahia professa sua não-fé em coisa alguma, mas dentro dele uma fagulha de crença no imaterial, no sobrenatural, no que não está ao alcance dos olhos – chame a isso sorte, acaso ou destino –, insiste em permanecer acesa.

P.S.: Como boa baiana, Semana Santa para mim é sinônimo de caruru, vatapá, moqueca, fritada de bacalhau. Tudo comida de santo! Boa Páscoa a todos.

Fonte: Carta Capital

terça-feira, 3 de abril de 2012

De passagem pelo México e Cuba, Bento XVI faz certas críticas ao "Clericalismo" na Igreja da América Latina

Retirei esta matéria de uma cristã católica extremamente zelosa dos preceitos da Igreja, e que, pela idade já um pouco avançada, milita pela internet, denunciando e apoiando o que considera certo e errado. Leiam como é interessante o artigo, que embora um pouco longo traz informações e reflexões boas.


Bento XVI critica, ainda que suavemente, o clericalismo na América Latina
O ato diplomático de alta tensão do Papa Bento XVI em Havana, pressionando pela liberdade religiosa, mas evitando o confronto direto com o regime de Castro, foi o principal flash noticioso da sua viagem ao México  Cuba  entre os dias 23 a 28 de março. No entanto, havia outro leitmotiv para a viagem, mais sutil, mas sem dúvida mais decisivo para a Igreja na América Latina.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 30-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não me levem a mal, mas o papa ofereceu uma ridicularização gentil, embora inconfundível, do clericalismo . Seu foco pareceu ser a gradual reformulação da cultura eclesial, não as manchetes sensuais de curto prazo, o que a coloca diretamente na sala de controle deBento XVI.

O catolicismo na América Latina é extremamente diversificado, desde o catolicismo popular emocional das diversas devoções marianas, até as "comunidades de base" que foram a espinha dorsal da teologia da libertação. Uma corrente importante, no entanto, tem sido uma forma extraordinariamente forte de clericalismo, talvez o inevitável resultado do fato de a fé ser efetivamente um monopólio até muito recentemente.

Expressões típicas desse clericalismo incluem:

  • O clero se vê como lobbista político, desempenhando um papel direto nos assuntos de Estado;
  • A Igreja projeta uma imagem de poder e de privilégio com seu imaginário espiritual preferido enfatizando Deus como um monarca cósmico;
  • O papel dos leigos é concebido em termos largamente passivos – "pague, reze e obedeça";
  • Pouco valor é dado à evangelização ou à formação na fé, com o cuidado pastoral sendo entendido principalmente em termos de administração de sacramentos.
As consequências pastorais negativas desse tipo de clericalismo são agora incrivelmente claras. Enfrentando o duplo ataque violento do secularismo em alguns círculos e do pentecostalismo praticamente em todos os demais lugares, a Igreja Católica na América Latinamanteve perdas enormes em porcentagem durante o fim do século XX. (Os números católicos brutos aumentaram como resultado do crescimento da população em geral, mas a parcela católica do continente diminuiu, em parte devido ao astron ómico crescimento do cristianismo pentecostal e evangélico).

Pode parecer ir
ónico que uma viagem papal, com todo o seu imaginário clerical resultante, tenha sido o veículo para uma crítica do clericalismo. Também pode parecer irónico, ao menos para alguns, que Bento XVI tenha sido o papa a fazer isso, dado que os críticos ao longo dos anos o acusaram de defender uma espécie de eclesiologia da "alta Igreja" contra um catoli cismo popular "de baixo".
O tecido da história, no entanto, muitas vezes é costurado com ironia, e essa viagem parece ser um caso exemplar a respeito.

A Igreja e a política

Em primeiro lugar, Bento XVI reafirmou que a Igreja Católica não é um partido político, e que a sua contribuição mais importante para a vida política é a formação das consciências individuais – valorizando o papel do clero como pastores, não como especialistas ou ativistas.

Bento XVI fez isso antes mesmo de chegar à América Latina, no avião papal, pouco depois de decolar de Roma. Em resposta a uma pergunta sobre o papel político da Igreja, ele ressaltou que é preciso ter clareza sobre "o que a Igreja pode e deve fazer, e o que não pode e não deve fazer" – uma referência ao perigo das plataformas diretamente partidárias.

No Parque Bicentenário de Le ónBento XVI ofereceu uma meditação sobre "Cristo Rey", que era o grito de guerra dos cristeros durante a Revolução Mexicana e ainda é invocado hoje por membros da Igreja mexicana como uma espécie de cartaz político.

"O seu reino não consiste no poder dos seus exércitos submeterem os outros pela força ou pela violência", disse o papa. "Funda-se em um poder maior, que conquista os corações: o amor de Deus".

Nesse espírito, Bento XVI exortou os católicos a serem "corajosos na humildade".

Bento XVI continuou seu discurso evitando qualquer coisa que pudesse ser interpretada como um comentário político direto na corrida às eleições do México em julho. As lideranças católicas do México são frequentemente percebidas como alinhadas em favor do partido conservador Ação Nacional, e alguns temiam que a viagem papal equivaleria a um comício de campanha.

No entanto, Bento XVI nunca disse nada sobre as eleições vindouras, nem mesmo algo anódino como um chamado genérico à responsabilidade eleitoral. Surpreendentemente, ele evitou amplamente as questões polêmicas do aborto e do casamento gay, que estão em jogo no México e em outras partes da América Latina (durante a sua intervenção no Ângelus de domingo, Bento XVI se referiu à importância da "defesa e do respeito pela vida humana").

Com relação às lealdades políticas da Igreja Católica, Bento XVI enfatizou que a Igreja deve "estar do lado de quem é marginalizado pela violência, pelo poder ou por uma riqueza que ignora quem carece de quase tudo".

O papa disse que a fé deve ter consequências para a vida pública, rejeitando uma "esquizofrenia" que tenta separar a ética privada e a moralidade pública. No entanto, mesmo aqui, o papa sublinhou que o papel da Igreja é a "educação das consciências", ao invés de oferecer soluções legislativas diretas.

Em geral, Bento XVI parecia determinado a oferecer à América Latina um exemplo de como um clérigo católico sênior poderia passar vários dias sob um intenso foco midiático sem resultar em um político de batina.

Um Deus "pequeno e próximo"

Durante suas considerações a bordo do avião papal, Bento XVI fez uma meditação sobre o que ele chamou em italiano de um "cristianismo essencializado", ou seja, um cristianismo focado no "núcleo fundamental para se viver hoje com todos os problemas do nosso tempo".

No centro desse cristianismo essencial, defendeu o papa, está a ideia de um Deus que é pequeno e próximo de cada pessoa humana – para além do Deus "grande e majestoso", o tipo de imaginário espiritual h[a muito tempo associado com uma Igreja clericalista.

"Nós vemos a racionalidade do cosmos, vemos que há algo por trás disso, mas não vemos como esse Deus está próximo, como ele concerne a mim", disse o papa.

"Essa síntese do Deus grande e majestoso e do Deus pequeno que está perto de mim, que me orienta, que me mostra os valores da minha vida é o núcleo de evangelização", afirmou Bento XVI.

Em seu discurso para os bispos latino-americanos, Bento XVI afirmou que essa noção de um Deus pequeno e próximo flui naturalmente em um espírito de serviço.

"A Igreja não pode separar o louvor de Deus do serviço aos seres humanos", disse ele.

"O único Deus Pai e Criador é que nos constituiu irmãos: ser homem é ser irmão e guardião do próximo", disse o papa. "Nesse caminho, com toda a humanidade, a Igreja deve reviver e atualizar o que Jesus f oi: o Bom Samaritano que, vindo de longe, se integrou na história dos homens, nos levantou e se prodigalizou pela nossa cura".

Os leigos não são pessoas que contam pouco

O golpe mais direto de Bento XVI contra o clericalismo surgiu em uma discussão sobre o papel dos leigos na Igreja.

Não por coincidência, o papa escolheu um discurso para os bispos da América Latina e do Caribe na catedral de León para apresentar esse ponto, enfatizando que ele estava falando não apenas para o México, mas para todo o continente.

"Uma atenção cada vez mais especial é devida aos leigos mais comprometidos na catequese, na animação litúrgica, na ação caritativa e no compromisso social", disse o papa. "A sua formação na fé é crucial para tornar presente e fecundo o Evangelho na sociedade atual".

Só isso já seria suficiente para puxar o tapete de uma psicologia 
?berclericalista, em que a aplicação da fé à sociedade contemporânea é tratada como território exclusivo da casta clerical.

Para ter certeza de que ninguém perdeu o ponto, porém, Bento XVI acrescentou uma injunção ainda mais direta sobre os leigos.

"E não é justo que se sintam tratados como quem pouco conta na Igreja", disse ele, "apesar do entusiasmo que sentem em trabalhar nela segundo a sua vocação própria, e o grande sacrifício que às vezes lhes requer esta dedicação".

O papa também pediu que "um espírito de comunhão" prevaleça entre sacerdotes, religiosos e os fiéis leigos, afirmando que "divisões estéreis, críticas e suspeitas nocivas" devem ser evitadas.

"Missão Continental"

Finalmente, Bento XVI endossou repetidamente o pedido feito por uma grande "Missão Co ntinental", que resultou da última assembleia geral dos bispos latino-americanos em AparecidaBrasil, em 2007, da qual o papa participou.

Os pilares dessa "Missão Continental", tal como foi concebida há cinco anos, são:

  • Um forte papel para os leigos como evangelizadores de vanguarda;
  • Uma sólida formação na fé para toda a população católica da América Latina, não apenas para as elites clericais (ou mesmo leigas).
Uma e outra vez, Bento XVI voltou a essa ideia, salientando que a evangelização e a formação na fé são uma preocupação de todos.

"A Missão Continental, que agora está sendo realizada de diocese em diocese neste continente, tem precisamente como objetivo fazer chegar essa convicção a todos os cristãos e às comunidades eclesiais", disse o papa, "para que resistam à tentação de uma fé superficial e rotineira, por vezes fragmentária e incoerente".

Esse trecho sobre uma fé "superficial" é, indiretamente ao menos, um golpe contra uma das mais notórias patologias do clericalismo, em que a maioria dos leigos são batizados, confirmados e casados na Igreja, mas, por outro lado, são deixados se virando sozinhos.

A consequencia evidente dessa a abordagem pastoral laissez-faire foi capturada em um ditado espanhol: "Católico ignorante, seguro Protestante": ou seja, um católico ignorante certamente irá se tornar um protestante, A ideia é que alguém que não sabe por que é católico, em primeiro lugar, é um bom candidato para resolver seu negócio religioso em outro lugar quando uma oferta atraente surgir.

Bento XVI pediu que essa Missão Continental esteja no centro do "Ano da Fé"  que ele proclamou recentemente.

Uma nota de rodapé sobre os cartéis e Maciel

Em declarações no sábado durante uma celebração das Vésperas, antes de um encontro de bispos latino-americanos ao qual um jornalista italiano se referiu como um "conclave latino", Bento XVI se referiu às "nossas fraquezas e faltas" e à realidade da "maldade e a ignorância dos homens", mesmo dentro da Igreja.

Os comentários foram interpretados como uma referência indireta a dois capítulos da história mexicana recente que mancharam a imagem do clero católico: a íntima relação que alguns membros do clero parecem ter com os cartéis de drogas e seus senhores – que às vezes vão à missa e até mesmo dão dinheiro à Igreja para demonstrar suas bona fides católica – e o caso do falecido Pe. Marcial Maciel Degollado , fundador dos Legionários de Cristo, que cometeu várias formas de abuso sexual e de más condutas.

Bento XVI nunca mencionou diretamente o caso Maciel e recusou um pedido de se encontrar com as vítimas de Maciel. Em uma sessão com os jovens, no entanto, o papa convidou "todos a protegerem e cuidarem das crianças, para que nunca se apague o seu sorriso, podendo viver em paz e olh ar o futuro com confiança".

Será que vai funcionar?

Mudar a cultura eclesial de todo um continente não é fácil, e a maioria dos observadores irá lhe dizer que a desconstrução do clericalismo na América Latina é ainda um trabalho em progresso. Além disso, não está claro se o novo abraço por parte dos bispos de um robusto espírito missionário com liderança leiga é verdadeiramente uma questão de “metanoia”, de uma mudança duradoura de coração e de mente, ou simplesmente uma resposta pragmática para não serem derrotados pelos pentecostais.

Mas há sinais de que o catolicismo na América Latina, aos trancos e barrancos, está fazendo a transição do clericalismo para um espírito mais dinâmico (e, é claro, portanto, mais fissíparo e frenético) de energia empreendedora.

Em seu livro de 2008, Conversion of a Continent, o padre dom inicano Edward Cleary argumenta que a América Latina está nas garras de uma turbulência religiosa, com o pentecostalismo como sua ponta de lança. No entanto, Cleary argumenta que o catolicismo também está se tornando mais dinâmico, gerando altos níveis de compromisso entre aqueles que ficam. Cleary acredita que esse despertar católico teve suas raízes nos movimentos leigos que remontam aos anos 1930 e 1940, mas teve seu início com a saudável concorrência dos pentecostais.

Se a transição para longe do clericalismo insalubre for levado a uma conclusão bem-sucedida, a viagem de março de 2012 de Bento XVIpode ser lembrada como um ponto de virada – não tanto em termos de provocar a mudança, talvez, mas ao menos por dar a ela o apoio papal.