segunda-feira, 30 de setembro de 2024

PERDIDO NO INFINITO

 Estou a caminho... 

Descubro novidades 

a todo instante. 

A paisagem mistura-se 

aos meus olhos; 

sigo com a segurança 

da idade,  

a sobriedade 

dos que sofrem. 


As vezes 

aperto o passo, 

outras vezes 

sou lento.  


Escalo montanhas, 

enfrento desfiladeiros. 


Paro em estações, 

reservas de vida 

para ser abastecido. 


Retomo a estrada 

sem saber 

onde vai dar, 

nunca chega.


Convenço-me 

do perigo 

dos quartos, 

mesas fartas, 

revejo-me.


Descubro

o trajeto correto 

ao final, 

repleto das experiências 

impressas 

nas curvas abruptas 

retas sem fim.


Tudo o que carrego 

são palavras 

amadurecidas  

nos encontros, 

para serem trocadas, 

enquanto sigo, 

até onde?

sábado, 28 de setembro de 2024

RAÍZES OCULTAS

Tenho perguntas por fazer, 

mexem com posições, 

convicções,

princípios. 


Perguntas tardias, 

feitas

após muitas 

caminhadas.


Estão 

para serem 

colocadas na mesa, 

durante a refeição. 


Não estão postas 

para serem 

respondidas 

de pronto, 

exigem tempo, 

maturação.


Caso tentem, 

as rejeitarão, 

porque incomodam,  

resvalam na verdade.


Perguntas que demorei 

em descobrir, 

faço a vida 

sem perguntas, 

o porquê 

das situações, 

acontecimentos.


por isso faço-as 

antes que as esqueça, 

tudo volte 

ao normal 

de sempre. 


Tenho raízes profundas 

desconhecidas, 

sustentam o tronco, 

moldam os ramos.


Estão ocultas 

sob a terra, 

nelas e delas 

formam-me 

convicções, 

fraquezas.


Passo o tempo 

distraído de conhecê-las, 

absorto nos ventos 

que envolvem a copa.


Muitas são as perguntas 

que não se fazem, 

muitos os sinais 

que estão à frente, 

despercebidos.


Caminho pelo tempo 

com insônia de origem, 

ancestral, 

mal percebo o porquê.


Quem sabe, 

envolto em mim, 

possa sair, 

passear pelas verdades 

guardadas nas raízes ocultas 

que me sustentam.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

A OLHO NU

 


Minhas prisões 

estão sempre 

por serem arrombadas...


A liberdade não tem limites, 

está sempre por ser conquistada..

fácil prender-me, 

difícil libertar-me.


Faço do dia 

um combate 

permanente, 

ora consciente, 

ora ausente.


Construo um edifício 

sem formato definido, 

vai seguindo as novidades, 

até desconstruindo...


Vou descobrindo 

belas portas 

semi abertas, 

tem um segredo no ferrolho...

abrem Sóis 

de diferentes grandezas.


Estão à espera 

de novos olhares, 

invisíveis a olho nu. 


Ah minhas prisões 

abraçam minha covardia, 

desafiam a alegria, 

braços abertos 

para o mundo

ACONTECEU...


 

domingo, 15 de setembro de 2024

LUTA E NADA MAIS

Um misto de perda e alegria...

assim é a vida, 

entremeada a ilusões.


Beijos sugam dores

abraços afagam sofrimentos, 

sorrisos confundem-se com lágrimas. 


O sofrimento e a realização 

tecem a mesma roupa.

O caminho torto ou reto

não leva a lugar nenhum!

É o percurso que importa!


Por isso, desperte 

desta sonolência inútil 

e revolte-se.

Compreenda 

que o mundo oprime 

diariamente a todos.

Compreenda 

que aqui se tem luta, 

e nada mais!!!



sexta-feira, 13 de setembro de 2024

SIRENE DAS SEIS

 


A BORBOLETA AZUL

  A BORBOLETA AZUL

Lá se vão mais de quatro anos que meu filho Rafael Fernandes fez sua Páscoa, surpreendido por uma forte leucemia em 2019, agravada pela primeira onda de Covid no mundo, no início de 2020.
A irresponsabilidade de um presidente em não comprar vacinas no tempo apropriado, contribuiu ainda mais para este fatídico desfecho.
O luto sempre existirá para quem perdeu um ente querido, mas não para as pessoas.
Estas se condoem junto, por algum tempo, mas depois sentem-se incomodadas com a presença da dor.
Uma vez que se percebemos estar incomodando, enlutados, conscientes, decidimos guardar silêncio desta dor apenas para nós.
Bem, hoje, sexta 13, é data do dia e semana de nosso casamento, meu com Margarida.
Não é comum esta coincidência, mas nos traz alegria quando ocorre.
Pela manhã recebemos fotos por whatsApp, de minha norinha viúva, de seu casamento com meu filho.
Estas fotos trouxeram em nossas mentes o quanto ambos aproveitaram da vida que tiveram nos 15 anos de casamento.
Meg e eu fomos para o jardim da casa comentando que minha norinha, a Gabriela, identifica sempre nosso filho, numa borboleta azul que a visita frequentemente.
Mal acabávamos de falar, eis que uma imensa borboleta azul passou bem ao lado de Meg.
Nossa melancolia transformou-se imediatamente em alegria.
Vimos, com os olhos da fé, como Deus encontra formas de nos consolar de nossas dores, preocupado que está com os detalhes do no nosso dia a dia.
Não poderia deixar passar este dia sem fazer este pequeno comentário.
Aos que tem fé, que este testemunho os fortaleça na esperança da vida eterna; e aos que não tem, que esta coincidência, seja vista como uma oportunidade de alento para nós.
O Alto se utiliza de todos os meios para nos fazer chegar que tudo está bem, e não nos preocupemos.
Sim uma simples borboleta azul.
Uma bela borboleta azul.

RECOLHENDO


 

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

ESQUECIDO...

 

Vou me esquecendo
do que vou vivendo.
Basta um dia
e já não lembro...
passou.
O que fica,
não tem mais
a significância
dos momentos
vividos.
O que segue
é um amálgama
distraído,
rostos
que se desfazem
no tempo,
despedem
amores
dores...
a novidade de hoje
é o esquecimento de ontem.
Onde está guardado
o manancial da vida,
presença contínua
sem recorte?
lembrar-me-ei de mim
neste turbilhão
dissolvido?
Seguirei sendo
presença distraída,
mente demente
de um passado esquecido?
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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

PRECISO DE VOCE

Me deixe um pouco de você...

estivemos juntos,

 estou só; 

de você 

naquelas poucas 

palavras 

que acalmam 

minhas tempestades.


Preciso de você 

simples, 

sem discursos, 

vaidades. 


Até de você muda 

sinto falta...

me perco 

em tantas vozes

desconexas, 

neste mundo 

a Deus dará...


A tua compreensão 

me é preciosa, 

por favor 

não se ausente 

que assim morro.


Preciso tanto 

de tuas revoltas...

mexem com minha 

ancestral submissão. 


Não consigo ser eu 

sem você, 

que preciso tanto...


Venha enquanto é tempo, 

caminhemos juntos 

por campos, 

terras devastadas, 

porque é o que resta, 

só assim consigo caminhar...


FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...