Ai, que meus olhos se dividem,
entre olhar e desviar.
Ai que meus pensamentos
debatem caminhos,
entre o furor da imaginação,
e a apreciação fria
da realidade
Ai que minhas mãos
mal tocam,
sabem o grau
da leveza,
da aridez.
Ai que meus pés
sofrem com os passos,
sejam absortos desregrados,
sejam retilineos compassos...
Ai que tudo termina
em timbre único de voz
por onde esconde-se o corpo.
Ai este despertar noturno,
adormecer diário,
contrário dos contrários,
num mesmo eu
em desatado exílio...
Ai esta desventura organizada,
mal decifra os mortos,
mal sente prazer nos vivos...
Lagrimas guardadas,
escondidos sorrisos,
síntese anômala
de percurso dividido.
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