quarta-feira, 5 de novembro de 2025

LIXEIRA VIRTUAL

 


Aprendi a apagar o passado, 

jogando tudo no lixo, 

com um simples toque 

no celular. 


Observei como é fácil, 

eu que gosto de guardar...


De fato, 

guardar um passado 

morto, 

dá imenso trabalho, 

posterior,

em se livrar.


Ameaçou-me 

a caixa de recados,

repleta, 

deixar tudo 

o que faço suspenso, 

parado. 


Como sobreviver desantenado, 

eu maior que a tecnologia?


A contragosto, 

adaptei meus juízos 

às regras 

da sobrevivência 

mídiática,

vez por outra 

eliminando tempos, 

pessoas, 

elementos...


Estranha ética 

midiâtica, 

voraz e prática, 

indiferente, 

sem sentimento.


Algum dia 

estarei também 

lotando a caixa 

de recados de alguém, 

que me excluirá 

pela lixeira,  

e voltarei, 

desta vez eu,

a ser ninguém.

INERENTE

 


Antes de qualquer profissão, 

fui poeta...


Veio até no amor,  

acomodou-se

de alguma forma, 

seja como for...


Antes de me ver 

como gente

ja escrevia, 

extraia os versos 

da mente, 

a compreensão 

de quem seria.


Antes de mim, 

fui poesia...

aventurei palavras, 

vivia...

RECOLHENDO NO TEMPO



Sempre recolho 

algumas lágrimas 

do passado, 

pingam religiosamente...


Ultrapassam meus limites, 

a forma límpida 

com que busco 

regular as situações...

escorrem prisioneiras.


Outras ressecam, 

endurecem a cerviz 

como se fosse estátua, 

tornam a razão um deus.


Também recolho 

sorrisos fraternos, 

antídotos eficazes 

para toda sorte 

de problemas.


Deixam uma prevenção no agora, 

diante das contínuas surpresas.


Ai, se não houvessem 

as lágrimas 

os sorrisos, 

do que viveria?

VIRTUAL



O mundo digital  

me aproxima distante.


Distante aproximação, 

próxima e distante...


Digito só, 

a um digitado só, 

meço palavras gráficas 

coração na tela


Nunca me aproximarei 

verdadeiramente, 

nunca me distanciarei 

totalmente.


Viverei sempre por tocar 

apenas um teclado 

perdido em fotografias...

PARCIAL

 


Espere um pouco...

vamos ver se tudo 

se esclarece melhor.


Ninguém sabe antes... 

depois soma-se, 

tiram-se lições.


Só o amor é imprevisto, 

não escolhe hora, 

lugar...

imediato.


Então, a construção  

da vida 

combina 

observação contínua, 

com ímpetos, 

monções e vazantes .


A voz adapta-se, 

o coração navega, 

o pensamento abre velas...


Enquanto vivo 

carrego explicações 

incompletas, 

revelam uma 

humilde parcialidade.


Aceito resignado 

este caminho 

onde fui colocado.


Reconheço 

uma permanente 

surpresa 

a remodelar 

a personalidade.


Sou como muitos...

pé aqui, 

pé acolá

terça-feira, 4 de novembro de 2025

DESCOMPASSO

 


Às vezes vejo o dia ir, 

outras vezes não, 

ele teima em ficar


Muitas vezes produzo 

antes do dia acabar...

fico patinando 

o restante do tempo; 

em outras ocasiões 

não rendo nada, 

e o dia parece 

nunca terminar, 

lamento


Meu relógio 

não se acerta, 

acelera, 

atrasa,

aperta, 

vai e não vai.


Tenho um acordo 

com o tempo, 

ele passa 

desatento, 

ele fica, 

mulambento. 


Tenho o desejo de ir, 

e a preguiça de ficar, 

esforçar-me, 

sorrir, 

ou largar tudo, 

relaxar


Sei que nunca 

me acerto, 

aceito o defeito, 

ponho a cabeça 

no leito, 

e desperto tarde, 

insatisfeito.

sábado, 1 de novembro de 2025

ACONTECIMENTOS FORTUITOS.



Sou um acontecimento 

perdido na multidão. 


Tudo posso, 

mas acabo disperso  

em meio ao povo.


Descubro as verdades 

escondidas entre notícias, 

mas ficam restritas 

em comentários 

junto aos amigos. 


Passeio pelas praças, 

e quem sabe 

o quanto usufruo 

do aroma das flores, 

tão simples e perfeitas...

sabem do olfato 

em minhas narinas?


Sento diante do oratório, 

em viajem desconhecida,  

atrapalhada por ruídos 

de toda ordem...

quem sabe das graças 

que alcanço?


Abro livros,  

mergulho 

no desconhecido...

ignoram.


O café pela manhã 

na padaria, 

ocorreria 

acontecimento maior?


Aconteço 

em cada canto 

por onde passo, 

em particular encanto, 

e tudo me parece 

sempre um começo.

BOM DIA

  Que alegria acordar com o Sol,  ver que o dia chegou,  seu cachorrinho vir lamber-lhe o rosto. Que alegria o beijo matinal  da mulher amad...