Não pedi para ser pai, foi algo que veio como uma consequência do amor. Apaixonei-me por uma mulher e ela deu-me filhos, dois, uma menina e um menino. Nunca mais fui o mesmo, tive de aprender a cuidar deles, meio sem jeito, isto é, completamente sem jeito. Por isto acertei e errei um bocado de vezes. Tudo fazia, com ímpeto de acertar, mas misturando ainda juventude à paternidade, aspirações de jovem, com responsabilidade de adulto. Assisti minha mulher dividir-me com as crianças, e nunca mais sermos apenas um para o outro. Ficamos nós por eles, difícil aprendizado... Cresceram eles envelhecemos nós. Vi como era importante calar-me para que meus filhos pudessem ser eles mesmos. Calei-me muito. Não falo mais, por amor. Hoje, quando não consigo olhar mais a violência de frente, por ser tão dolorosa a um coração domesticado pelo bem, quando qualquer acontecimento mais forte me retira a paz, tenho na presença dos filhos, mesmo que totalmente isolado, o conforto para e...