terça-feira, 29 de agosto de 2023

VIGÍLIA DE TI

 


Peça tudo 

o que quiseres!


Eu te darei...


Não sou rei, 

aventureiro, 

mas serei 

capaz de subir 

 os montes 

para  trazer 

tesouros 

descobrir

o que ainda

não tens.


Já tens tudo, 

mas tudo 

também precisa 

ser alimentado.


Teu adormecer 

acalma 

grandes 

fantasmas

posso olhar 

em volta 

sem medo.


Não digas nada!

Não precisa.


Basta 

tua presença 

sem filosofia.


Há mais 

verdades aí

que reflexões 

de escolas

inteiras


Amo-te 

em tua 

ausência, 

em cada 

lição mansa , 

na alegria 

com que 

abraças 

a todos

a ninguém.


Durma 

meu amor 

o sono 

que não 

posso 

te dar, 

a paz 

profunda 

dos sonhos 

esquecidos, 

onde campos 

se abrem 

a seus pés. 


Beijo 

teus pés , 

beijo felino, 

tuas pegadas 

leves 

nada alteram.


És um pouco 

deusa, 

sem desejar, 

um pouco 

paz 

neste mundo  

violento.


Dorme...

estou  

ao lado, 

vá  lá  

onde 

o Criador 

te desejou,

espreguiça-te

no útero divino

e volte

porque 

acostumei-me

a ti.


Abençoados 

sejam 

teus pais, 

abençoada 

seja tu, 

companheira 

de viagem.

domingo, 27 de agosto de 2023

GRATIDÃO

   


Sou-lhe grato, 

meu Senhor, 

por permitir 

eu seja pecador, 

assistir 

tantas quedas, 

fracassar 

tantas vezes.


Muito grato 

por entender 

o meu amor 

complexo,  

extravasado 

pelos cantos, 

até doentio.


Sou-lhe agradecido 

por suportar 

arroubos 

frequentes, 

explosões 

instantâneas,  

a qualquer 

gesto, 

qualquer 

notícia. 


Obrigado 

por substituir 

a igreja 

pelas ruas, 

caminhar 

a meu modo, 

sua palavra 

desaparecida.


Obrigado 

por lutar 

a meu lado, 

sem nada 

receber , 

apenas 

acompanhando, 

confiante 

em mim.


Muito obrigado 

pelo abandono 

que me deste, 

deserto 

de paixões, 

para, 

sofrendo, 

compreender 

o mundo 

e a profunda 

solidão 

do ser humano,  

nas grandes 

multidões.


Acariciar-me 

como um amigo, 

retirando 

de si mesmo 

a pecha de rei,

de seu reino.


É inumerável 

a gratidão  

que tenho por ti, 

parido 

e entregue 

ao mundo, 

com pai e mãe, 

companheira,

filhos,

órfão de ti, 

sem vê-lo 

tocá- lo, 

tu que brincas 

de esconde-esconde, 

invisível.


Obrigado 

por deixa-me 

assim 

como sou, 

repetindo 

O Tu que és,

aprendendo 

e variando, 

nunca 

em linha reta.


Permita apenas, 

as noites frias, 

possam entoar 

teu silvo manso, 

levantar-me, 

saborear 

teu silêncio,

saber 

que me escutas

nesta neurose 

freudiana.


Assim 

caminharemos 

neste pacto 

de vida, 

deixando apenas 

uma tênue linha 

de guia, 

pesquisa 

extra sensorial.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

OLHOS DO MUNDO

 


Fecho 

os olhos. 


Gostaria 

de despedir-me 

assim 

da realidade, 

um passe 

de mágica. 


Estendo 

esta ilusão 

ao dia 

todo, 

como se 

houvesse 

uma ordem 

aceitável. 


Engano 

a consciência 

por um tempo, 

até que 

as dificuldades 

se somem 

destruam

esta falsa 

imagem, 

que sempre 

tenta 

enganar-me.


Ligo a TV, 

vou às  redes,  

vejo 

situações 

que também 

mantém 

a ilusão 

o maior 

tempo 

possível.


Despertar 

olhar 

sem temer, 

descobrir 

a verdade 

sempre 

escondida  

por trás 

do noticiário 

e dos milhões 

de comentários.


Decidir agir 

junto 

a muitos 

despertos, 

que também 

abrem 

os olhos. 


Transformar!

POMAR DE LETRAS

 


Vivo 

de colher 

palavras.


Estão 

por aí 

em todos 

os lugares.

plantas, 

terra, 

água, 

fogo, 

ar.


Aguardam 

serem 

desvendadas 

das frias 

hibernações,

parecem 

mortas.


Voam 

pelos céus, 

claras nuvens, 

pesadas chuvas,

perdem-se 

em mares 

sem fim.


Acasalam-se, 

formam versos,

voam.


Saltam seus 

estritos 

significados, 

explodem 

transcendentes.


Passeiam 

pelas bocas 

decoradas 

dos loucos,

libertam-se 

nas crianças,

pervertem 

corações.


Enfiam-se 

nas pedras, 

misturam-se 

aos elementos, 

incrustadas,

provam 

manjares 

dormem 

esfomeadas.


Estão aí 

perdidas

pesquisando 

corações.


Aguardam 

serem

desalojadas

de seus

papéis.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

ADERNANDO

 


Peço perdão 

pelos poemas 

que não fiz. 


Tinha

impressões,  

tornaram-se

pressões,  

por fim 

expressões 

não impressas.


O cansaço 

sobrepôs-se 

ao aflorar 

dos versos.


Não saberiam

sua beleza!


As lâmpadas  

apagavam

acendiam

e eu ia 

adernando

fazendo 

água.


Agora vou 

Sonhar.


 Boa noite.

ESCREVER?

 ESCREVER?


Não 

me deixem 

escrever.


Não 

me tirem 

do torpor, 

vivência.


Não 

me permitam 

relatar 

algo 

que suplante 

O acontecimento. 


Que eu viva 

o beijo 

o afago, 

a ausência 

o silêncio,

costure 

grandes 

encontros ,

penetre 

campos 

virgens, 

altas 

montanhas, 

onde 

versos 

esvoaçam 

livres.


Que o belo 

reflita  amor,  

ressuscite 

mortos, 

as abelhas 

ensinem 

o segredo 

das flores, 

e aromas 

inspirem 

virgens 

pagãs .


Escrever, 

envergonhar-me 

das limitações, 

atraso 

das sensações?


Deixem 

o sabiá 

cantar 

na noite 

escura, 

morcegos 

guiarem-se 

no Sol negro.

 

Mas 

há queda 

maior 

de sentido.


Multidões 

andam 

esquecidas 

pelas calçadas.


Escondem 

dores 

profundas 

sofrimentos 

imensos.


Então 

vergo-me 

à  realidade 

da vida, 

pego 

a caneta 

e escrevo,

porque 

não há 

beleza

sem 

vida.

SEM TEMPO

 


Estou 

procurando 

um tempo. 


Prisioneiro, 

não 

sobra 

nada

para mim.


Tudo 

acontece 

ao mesmo 

tempo.


Nem bem 

termino 

de fazer 

algo 

e já sou 

cobrado 

de outra 

atividade.


Não há 

segunda, 

terça, 

quarta, 

quinta 

sexta. 


Principalmente 

não há mais 

sábados 

domingos.


Esqueci 

o que é 

ser dono 

de mim,

quem sou.


Esqueci 

o que é 

decidir 

meu destino.


Esqueci 

o que é 

usufruir 

um amor, 

seja qual for.


Estou 

procurando 

um tempo.


Quem achar, 

por favor, 

avise.


Estou 

comprimido, 

no meio 

de tudo 

para nada.


O essencial 

passa 

por fora, 

não está 

na agenda.


Procuro

e procuro

tanto

um tempo,

não consigo

encontrá-lo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Contemplação

 Silêncio. 

Não diga nada.

Deixe que os pensamentos repousem.

Muitos ficam martelando,

outros passeiam,

a maior parte ajuda a nos dispersar de um encontro elevado.

Vá se observando em sua incapacidade de varrer o entulho diário nas noites silenciosas.

Abra a sua percepção interior.

Muitos não conseguem. Estão  por demais presos ao mundo.

Não se preocupe.

A graça, se tiver de vir, virá. 

Procure entender a linguagem de Deus, muito superiora à nossa.

Ele afaga...

Ele se mostra presente...

Ele responde suas indagações...

Está em todos os momentos contigo, sem impedir tua livre decisão de pensar e agir ou omitir.

De preferência  guarde às  noites para Ele e principalmente para você.

Com o tempo irá descobrindo que tudo o que você é e  faz passa por este tênue fio  de oração. 

Reserve um tempo para Deus, e guarde silêncio. 

Não é mais um terreno da filosofia, mas o da fé.  Toda tua racionalidade vai por terra nesta experiência. 

Por isso, poucos põem a cabeça à prêmio ao contar este mistério. O mundo nega sempre a Deus. 

Estão  acostumados com  a superfície e com provas.

Os místicos não são assim, mas também não são ausentes do mundo, em reconhecerem o mau, e combatê-lo.

Não se preocupe, nem se apresse. Apenas busque,  que Ele virá...

Você não está só. 

Vá  fundo!

Mergulhe!

MOTO CONTÍNUO

 


Estou 

me gerando.


Não deixei 

o parto,

reparto

épocas 

inteiras 

com cada 

um de mim.


Sussurram, 

ascendem, 

perdem-se.


Mesmo 

a idade 

esconde 

o tempo 

no presente, 

presenteia 

o novo, 

lança 

anzóis

futuros. 


Quando cansa, 

como a lua,

dorme 

solene, 

esconde 

camada 

por camada, 

o poente,

anoitece. 


Chora 

pelo mundo, 

as guerras, 

as mortes 

precoces 

tardias.


Olha montanhas 

como deuses, 

como elo.


Permeia 

o ódio místico

dos ateus,

desperta

deuses

extintos


Descobre 

os pedaços 

soltos 

que se colam 

nas pessoas, 

se diverte 

dos encontros 

impossíveis.

 

Quando 

o sorriso 

vier, 

quem sabe 

possamos 

passear 

nas esquinas 

inocentes, 

onde tudo 

será  

uma grande 

surpresa.


Ali 

Apearemos

os alforges

amaremos

entre nebulosas 

desconhecidas 

esquecidos

de nós

que continuamos 

nos gerando.

sábado, 19 de agosto de 2023

O QUÊ OU QUEM?

 


Mudo os canais da TV em busca de um novo programa...mas, o que eu procuro?

Pesquiso livros, aprofundo conhecimento de povos, suas línguas, historias...e o que procuro?

Novas amizades que se cruzam em experiência em variedades de atrações...e continuo procurando. 

Amo, deleito-me nos prazeres do amor...e procuro.

Experimento dos pratos mais excêntricos e bebidas de toda sorte, embriago-me...e procuro.

Viajo, conheço lugares novos, culturas que confrontam procurando...

Combato a fome e a pobreza, ergo a voz e grito, e quê procuro?

Fecho-me no quarto, apago  a luz  e faço  silêncio...procurando o quê?

Derramo lágrimas, sorrio, amo e sou indiferente...porque procuro. 

Nunca haverei de me satisfazer por não encontrar o que  procuro.

Está no escuro, na ausência, nas pessoas, nas plantas e animais mas não vejo o que procuro. 

Passarei a vida de insatisfação em insatisfação por algo ou alguém maior, impossivel de se encontrar e que procuro?

Ah...basta de tanta busca incessante e ineficiente, pois, ao menos sei quem sou eu...ou não sei, e que procuro...

terça-feira, 8 de agosto de 2023

PERGUNTAS INSÓLITAS

Onde adormecem as palavras antes que as frases as despertem?

Aguardam na caixa de Pandora?


O diálogo acena para a paz entre as trincheiras?


O tempo não se cansa nunca?


Os pavões admiram a simplicidade das pombas?


As ondas se revoltam com o fim do mar?


O amor fala?


O que pensam os urubus no alto? Apenas buscam mortos?


E os ditadores violentos, conseguem reclinar a cabeça e dormir? 


Os pequenos pensarão grande? Serão sempre pequenos?


Quando as crianças pescam estrelas, acendem os vagalumes?


As rotinas sepultam em vida no trajeto de sempre?














FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...