sexta-feira, 27 de outubro de 2023

PARTES DE MIM

 Partes de mim 

vão ficando 

no caminho. 


Não é proposital, 

nem casual. 


São espaços 

abertos 

de convívio, 

compreensões 

furtivas 

nada tomando 

nada perdendo, 

completando. 


Não há acordos, 

simplesmente 

socializa-se, 

deixa de ser seu. 


O caminho 

é um ir 

deixando 

as partes, 

assumindo 

outras 

em nós. 


Somos 

uma complexa 

humanidade 

                                                                em construção.

DENSAS NUVENS

 


O Sol 

escondeu-se 

nas densas 

nuvens.


Amanhã,

quem sabe?


O frescor 

das manhãs 

dissolve tormentas. 


A verdade 

escondeu-se 

das duras 

realidades.


Irá aflorar?


Observar 

desvela 

labirintos 


O amor 

ocultou-se 

da Vida.


Sairá da penumbra?


Porque chora 

em silêncio, 

não se realiza? 


O tempo ocultou-se

Das transformações.


Teima em acalmar-se?


Permanece estático?


Muito se esconde, 

não se mostra.


Densas nuvens...

FINAL DE DOMINGO

 


Odeio 

o final 

de domingo...


Vem à mente 

papai, 

mamãe, 

meus irmãos, 

meu querido filho 

que partiu 

tão cedo.


Não tive 

tempo 

de despedir-me 

direito 

deles.


Foram-se

e fiquei...


Tenho 

uma despedida 

entalada 

na garganta 

ainda hoje.


Se existe

um momento 

em que o passado 

assalta 

completamente 

o presente, 

é no domingo 

à noite.


Derramo 

lágrimas 

silenciosas, 

porque 

ninguém 

percebe 

minha dor.


Porquê 

externá-la?


Termino 

caído 

nas horas 

finais 

quando 

também 

termina

a semana,

ou começa?


Está 

no intervalo 

do tempo.


Parece 

a hora 

da morte!


Se existe 

um momento 

de experiência 

de dor 

interior, 

este 

é o momento.


Onde estão vocês, 

que me deixaram 

aqui só, 

sem poder 

falar, 

ouvi-los...

apenas 

uma infinita 

solidão 

inconsolável.


Quisera 

dar exemplo 

de alegria 

esperança...


Perdoem 

a fraqueza, 

é mais forte 

a saudade 

 que invade 

este peito.


Papai!


Mamãe!


Filho!


Onde estão vocês?


Só lágrimas

dor

saudade.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

OLHANDO A VIDA



A consciência
é um brinquedo
da idade,
amadurece
com o tempo.

Mama sem escrúpulos,
a todos encanta
por novas descobertas.

Descobre-se livre.

Alcança maturidade precoce,
sofre de autonomia.

Percorre labirintos
de conhecimento,
embebeda-se
em suas insuficiências.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

MEDITAÇÃO NOTURNA

 


Fecho os olhos. 


Pensamentos 

povoam 

a mente.


Percorro 

os confins 

das experiências 

reunindo 

as distâncias 

do tempo 

no bojo.


Saboreio 

passagens 

míticas, 

guardadas 

a sete chaves, 

para não ser 

considerado louco.


Escavo 

lembranças 

sólidas, 

rastros 

de retidão.


Outras,

são  caminhos 

errantes, 

resvalam 

em erros,

lições  

secretas .


Aguardo marés...


Lembro e esqueço 

nomes, 

conforme 

o laboratório 

da idade, 

dando conta 

de histórias 

particulares, 

a serem 

partilhadas,

descartadas,

às  vezes 

fluem 

outras vezes

esvaem...


Assim vou 

apalpando 

o caminho  

até migrar 

em sonhos, 

terreno fértil 

sob a censura 

da memória. 


Adormeço...

AS BOMBAS DE GAZA

 


As bombas 

de Gaza 

visitam 

inesperadas.


Desconhecem...


Crianças brincam,  

mães amamentam, 

velhos recolhem 

sabedorias 

guardadas 

nas camas.


Sonhos 

explodem  

pesadelos.


Bombas milenares

sem direção

coração

perdidas.


Onde está 

a alegria 

da mãe,

o hospital 

que cura

a praça 

que descansa 

a escola 

que ensina?


Javé plantou 

estes lírios?  


Pesam e caem

sorteio

da morte.


Vidas e escombros 

se confundem

fundem 

cimento e sangue


A mãe 

já não 

acalenta 

o filho.


A criança 

já não 

brinca.


O velho 

não tem 

quem o ouça. 


As bombas de Gaza 

não escolhem, 

caem como chuva.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

NOTÍVAGO



Dias atravessam 

noites. 

Noites perduram 

dias.


Questiono 

os travesseiros 

dos jornais, 

sonâmbulo 

de notícias. 


Bombas 

explodem 

lágrimas, 

viagens 

vasculares,

cardíacas. 


Há dias 

não anoitece, 

tecem 

teias 

de relações, 

aguardam 

desavisadas 

presas.


Não amanhece, 

imploram

escuridão,  

implodem 

amálgamas 

diversos, 

redes 

sonolentas, 

avessas 

ao despertar, 

preguiçosas.


Perdi 

a noção 

do tempo 

que sempre

continua,

independe. 


Estrelas 

são sois 

distantes, 

apenas isso.


Não durmo,

despenco

do dia.

CONTRADIÇÃO DAS CONTRADIÇÕES

 


Há o rico e

Há o pobre.


Mas,

Há um rico

que é pobre,

e um pobre

que é rico


Mas

Também,

Há um rico

Que é rico

E um pobre

Que é pobre


Os que

Não são

Nem ricos

Nem pobres

Oscilam

Fingindo

serem ricos

Sendo pobres,

E de serem pobres

sendo ricos.


Muitos são

Os pobres

Poucos são

Os ricos


Há Poucos Ricos

Que são ricos,

E muitos Pobres

Que são pobres


De maneira geral

Muitos ricos

São pobres

E vice-versa

Poucos pobres

São ricos


Deu para entender?

VAZIO

 


Conheço o vazio

 que carrego.


O peso 

deste vazio.


Um dia 

após o outro 

não são 

suficientes 

para preenchê-lo.


Vaza...


Não está 

na vida 

em si, 

mas na 

ausência 

de vida. 


Não está 

na consciência 

das pessoas, 

sentem,  

não percebem.


Não tem volume,  

crescimento, 

paradoxalmente, 

esvaziamento.


Está localizado 

no espaço 

da consciência 

que não se põe 

em ação. 


No espaço 

da fé 

sem obras.


No amor 

que não 

se expressa.


Na desistência 

da verdade...


Não toma tudo 

de uma vez...

vem ao poucos, 

disfarçado 

de verdade, 

por dentro , 

até assumir 

cativeiro 

que não ocupa, 

não percebemos.


Realidade 

inconteste, 

assola 

todo aquele 

que busca 

um mundo 

melhor.


Está aí, 

no silêncio  

diante 

das injustiças, 

nas bocas  

famintas , 

na falta 

de um lar, 

doentes 

esquecidos, 

drogados 

sem apoio,

em toda sorte 

de explorados, 

abandonados, 

desprezados.


Um vazio 

que purga 

nada 

permanente.


Vazio de morte.

EM REFORMA

 


Descobri 

as palavras 

que escrevi, 

quando li.


Mas então, 

escrevi 

e não sabia? 


Vou-me 

escavando 

sem saber, 

tesouro 

perdido

encontro

de mim,  

nascente 

que flui 

desconhecida.


Surpreendo-me

com que 

descubro.

 

Pergunto, 

como pude?


Disfarces  

divertem -se 

em passear 

comigo.


Calo-me 

impedindo-lhes 

a saída, 

descubro 

um silêncio 

nobre 

de vigília 

interior, 

descartando 

uns e outros 

personagens. 


Palavras 

com poder 

de criar , 

fonte 

oculta, 

vida 

que atravessa 

a vida.

DESCOBERTA AMBÍGUA



Não espero 

unanimidade, 

mas contraponto, 

véspera da verdade.


Não espero 

compreensão, 

mas cizânia, 

anteporta 

de amizades.


Não espero 

grandes conquistas, 

mas derrotas pungentes, 

chegam à consciência.

 

Não espero 

sonhos, 

mas pesadelos; 

deixam os sentidos 

despertos.


Não espero 

alegria, 

mas tristeza, 

mais realista.


Não espero 

ser útil 

nisto ou naquilo,  

mas ser 

imprestável; 

terei a verdadeira ideia 

do que pensam 

de mim.


Não espero 

a esperança; 

ela espera 

de mim.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

ORDEM & DESORDEM

 ORDEM & DESORDEM


Caminho 

no estreito 

leito  

definido 

pela ordem.


Faço 

declarações 

confinadas 

pela ordem.


Sigo 

meus trajetos, 

como todos, 

em ordem


Encontro 

ocupações 

pela ordem.


Luto 

em ordem.


Sou ordem!


O beijo 

rompe 

a ordem.


O abraço 

fragiliza 

a ordem.


As palavras 

questionam 

a ordem.


A criação 

reconstrói 

a ordem.


A política 

repensa 

a ordem.


O amor 

desdenha   

a ordem


Sou desordem!

PERGUNTAS INSÓLITAS

 


É  preciso deixar o campo sem flores para defender a paz?


Se constrói alegria sem regar desertos?


É possivel suportar  pesadas estruturas, e  construir leveza?


O impossível está enamorado do  limite? 


Os alma se deixa conhecer pela razão ?


O amor é amigo das estruturas?


As praças queixam-se das ausências ?


As despedidas medem o tamanho do encontro?


As flores tem consciência  da beleza? 

FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...