quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O QUE ESPERAM DE MIM...

 


Querem que eu morra antes... 

agora mesmo, 

se pudessem.


Querem que eu permaneça calado 

enquanto assisto o teatro de horrores 

que fazem com o povo diariamente.


Querem que eu finja 

que tudo está bem, 

que tudo está em paz.


Querem que eu siga o dia 

sem que aconteça nada, 

observando feras 

alimentando-se enraivecidamente 

das presas dilaceradas.


Querem-me com uma 

ignorante santidade, 

olhar longe da realidade, 

pairando ermo pelas ruas, 

distraído de tudo.


Querem-me assim 

todos os dias, 

sempre, 

até não aguentar mais,

e enlouquecer...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

UM FIO DE SUBjETIVIDADE

 


Vejo meus tropeços repetirem-se 

nas gerações mais novas. 


Invade-me a melancolia do desavisar, 

tão vulgar, 

e tão necessário alertar, 

incapaz que sou.


As virtudes, 

que são poucas,  

não as vejo reconhecidas...

há um orgulho humano oculto, 

em esconder 

o que admiramos, 

pouco admitido, 

confronto de egos,

bem real.


O que se dá 

de ser sempre bem aceito, 

está em apresentar-nos medianos, 

nem altares, 

nem sarjetas.


Assim, 

não se sobressai, 

nem se contrai, 

permanece na média...


Fico na média persistência...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PERCORRER

 


Rotinas persistem na demora...

é preciso saber 

a hora de ir embora... 

dar importância ao viver


Servir ou viver?

servir ou viver?


Pêndulo estatico,

enigmático...


Quando tudo é igual, 

quando tudo perde o sal, 

é  preciso romper, 

ser desigual


Não bastam mais sonhos,

não são suficientes

leitos mansos, 

sem recuos, 

avanços...


Romper dói, 

romper é inseguro, 

caminho que se constrói, 

contra a vontade dos muros.


Urge

desaparecer para ser, 

urge 

fazer valer o viver.


Opiniões não faltam, 

todos acabam por dar, 

os dias passam rápido, 

não há mais como aguardar...


Vem tempo, e já chegou, 

o mal não mais se cura 

com unguento, 

o tempo já passou.


Levanta, abra porta e saia! 


A vida 

deve ter 

valor que valha 

corte de navalha, 

estrada percorrida!

CONFLUÊNCIA

  


Travo a batalha  

da letra e o coração, 

descompasso de linguagens, 

de difícil tradução 


A palavra viaja 

através da razão.


O coração 

alaga e seca, 

vê e sente;

dimensões que se filtram, 

convivem separadamente


A letra pergunta, 

se o traduz bem.


O coração sorri...

quem sabe 

um canto, 

um pranto, 

ou mesmo um silêncio 

soe melhor...


Enquanto a frase 

argumenta 

ter tudo

seu devido lugar, 

o coração adormece, 

nada diz...

manancial 

represado.


Vou em equilibrio consciente 

limites abrangentes, 

em sentenças indigentes, 

ao sair da boca, 

tentar

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O QUE ESTÁ FALTANDO...

 


O que está faltando 

são aquelas palavras 

que tem sido guardadas 

há um bom tempo, 

enquanto as dificuldades aumentam


O que está faltando 

são aqueles passos 

dados da porta p'ra fora, 

sem esconder-se em casa, 

ao encontro dos amigos, 

compartilhando sofrimentos.8


O que está faltando 

é aquele olhar agudo, 

transparente, 

onde a realidade desnuda-se

sem a dissimulação 

que não engana mais.


O que está faltando 

são aquelas mãos dadas 

diante das dificuldades, 

em bloco, 

nas ruas

em vez de lamentos solitários.


O que está faltando 

é aquela coragem 

de se por em prontidão, 

e organizar-se

em vez de esconder-se

na covardia do silêncio. 


O que está faltando 

é você inteiro despertar-se 

desta alienação de si

e por-se a campo 

na luta por seus direitos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O JARDIM...

 


Todas as manhãs 

saio ao jardim, 

para ver se encontro 

a flor de meus sonhos.


A natureza reserva surpresas...


Nao importa tanto o tempo, 

faça chuva ou faça Sol, 

abro a porta e saio... 

quem sabe ela esteja 

hoje  ali,   

em meu jardim...


Passo meus dias 

saindo de casa 

em uma busca constante 

de uma flor

desabrochada em sonho. 


Rego as plantas, 

arranco as ervas, 

rastelo as folhas secas caídas,  

quem sabe em uma manhã alegre 

ela surja diante de mim, 

me surpreenda...


Conheço o talo que a sustenta, 

as cores que escaparam 

do pincel de Deus 

em suas pétalas 

o perfume inebriante 

que me aprisiona, 

vegetal medusa invertida, 

onde minhas pedras 

adquirem vida.


Não sei onde dormes, 

bela flor, 

se ainda és botão 

nesta noite escura, 

ou te transformaste em mulher, 

e deitas à noite ao meu lado, 

satisfeita e em paz...


Apenas essa forte sensação, 

que estás aí no jardim, 

quando saio...

domingo, 18 de janeiro de 2026

INDIVISÍVEL

  


Ai, que meus olhos se dividem, 

entre olhar e desviar.


Ai que meus pensamentos 

debatem caminhos, 

entre o furor da imaginação, 

e a apreciação fria 

da realidade 


Ai que minhas mãos 

mal tocam, 

sabem o grau 

da leveza, 

da aridez.


Ai que meus pés 

sofrem com os passos, 

sejam absortos desregrados, 

sejam retilineos compassos...


Ai que tudo termina 

em timbre único de voz  

por onde esconde-se o corpo.


Ai este despertar noturno, 

adormecer diário, 

contrário dos contrários, 

num mesmo eu 

em desatado exílio...


Ai esta desventura organizada, 

mal decifra os mortos, 

mal sente prazer nos vivos...


Lagrimas guardadas, 

escondidos sorrisos, 

síntese anômala 

de percurso dividido.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

VAZIO SISTÊMICO

 


O vazio é um scio 

de permanente ignorância.


Nunca faz perguntas...


Satisfaz-se com o que há.


Não sabe onde está... 

não sabe porque está...


Tem na existência 

uma distração de si,

crescimento vegetativo...


Morte antecipada de quem não viveu.


Um vazio permeia a sociedade 

pelos tempos afora, 

como se ela fosse 

sempre embora 

de si mesma.


Eu mesmo sofro 

surtos do vazio, 

invadem meus senões 

nas contínuas ausências 

de respostas, 

ocultas nos sistemas


Eu mesmo sofro 

a placidez 

da ignorancia...

domingo, 11 de janeiro de 2026

PONDERACOES NOTURNAS

 


A humildade esconde-se

sabendo de tudo. 


A sala vazia aguarda 

importantes visitas, 

nunca vem...


Na porta 

um silêncio de esperanca...

não se abre.


Tão difíceis passos 

que não se dão. 


Tempestades ao fundo

clamam por revoluções, 

muitas...


A paz distrai 

a consciência, 

que não dorme, 

os jardins 

a mantém desperta, 

com fortes argumentos.


Os dias passam...

a vida passa...

as dores nunca passam

servem de ervas, 

não fluem

desafiam, 

impregnadas 

ao coração 


Do silêncio 

afloram intervalos, 

abrem compreensões. 


Quem chama, 

de tão longe, 

mal escuto, 

tão profundo 

escuro de mim?


Aceito-me

JUVENTUDE PERENE

 


Não perca a juventude,

tão furtiva, 

deixe-a percorrer as ruas, 

enamorar-se pelo caminho.


Ela explode 

em cada canto 

seu encanto 

incontido.


Deixe-a sorrir 

gratuita, 

inconsciente, 

é bela!


Deixe-a perdurar

o quanto possa, 

livremente.


Faça dela 

um corolário 

para a vida, 

a ser seguida 

por todo 

o percurso 


O segredo 

dos perfumes 

é a permanência 

da fragrância.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

NADA

 


Eu desci de um nada, 

quando a noite ia alta.


Foi como se 

me descobrisse 

em mim, 

postumamente, 

sentisse um corte 

afiado de uma faca...


Depois de tudo assentar-se, 

foi possivel perceber 

o vazio dos discursos, 

as decorações distraídas,  

e  os lamentos 

que se seguiam às dores.


Foi como se a Lua 

prendesse a esperança 

ereta e profunda 

dos casais, 

passeasse opaca.


Traguei a fumaça da paz, 

baforando nos córregos 

do prazer, 

rindo da ordem 

estabelecida.


Na noite em que a mata 

gemia nos lagos 

a saudade do coito, 

o nada fez reverência 

e partiu

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O QUE DER E VIER

 O QUE DER E VIER


Vou onde der, 

para o que der e vier.


Descobrindo espaços 

compartilhando tempos 

com os amigos.


A realidade é cruel, 

só os amigos confortam 

de esperança 

em meio a lágrimas. 


As ideologias 

circunscrevem 

ilhas de solidão.


Sigo medindo palavras, 

esculpindo ouvidos rochosos, 

para ver se atinjo 

o discernimento, 

nos encontremos.


Vivemos em ilhas restritas, 

fáceis de circundar, 

as oportunidades são contingentes


O perigo dorme ao lado, 

não tem hora de despertar,

está à espreita 

de uma oportunidade 

distraída. 


É preciso seguir adiante, 

radiante, 

fortalecido 

de compreensão e luta.


Porque o mar 

não está para peixe, 

e o vento sopra onde quer...

VELAS SOLTAS

 


Deixei o porto 

ainda muito jovem, 

com a morte de meu pai.


Mal sabia navegar...


Aprendi cedo 

enfrentar tempestades, 

sacodem muito.


Soube ver o tempo, 

olhar o céu, 

entender o calor forte...

a chuva que o acompanha,

o tempo vira...


Vi o mar calmo...


Fui moldando a vida 

conforme olhava, 

aprendia.


Numa das paragens, 

conheci uma companheira 

ensinou-me a ponderar decisões, 

e a sorrir...


Entreguei-me 

e amei.


Percebi que o barco 

em alto mar 

é  só um barco, 

em alto mar, 

quando se está só


Deixei filhos 

por onde passei, 

seguiram seus caminhos, 

mais alguns conselhos...

não se diz tudo, 

nem se aprende tudo, 

rica natureza


Enterrei um, 

experimentei o sabor 

do naufrágio.


Em meio a noite, 

boiando entre vagas, 

vi um pequeno barco, 

e seu pescador,

segurando uma lamparina, 

dizendo:


- Lança-te! 


Experimentei Deus no mar...


Sobrevivi em ilhas, 

não completam...


Hoje, 

porto seguro, 

passo o tempo 

carregando e descarregando 

mercadorias. 


Nada é maior ou menor 

no que se faz


É preciso provimento, 

para alcançar 

um novo mundo, 

uma vela aberta 

e sonhos. 


Que um dia 

possa também 

velejar nas nuvens, 

atingir o céu profundo, 

visitar estrelas, 

mais que um ponto a nortear 

este velho pescador

domingo, 4 de janeiro de 2026

EM ALGUM CANTO...

 


Tenho um coração  

escondido 

em um vilarejo,

no mais profundo 

interior do meu país.


Este coração 

se esconde 

das cidades...

não tem mais idade 

para ocupações inúteis.


Canta uma modinha 

escondidinha, 

um versinho, 

guardado, 

sem recitar, 

de vergonha,

observando 

alguma moça, 

passeando solta,

.


Meu coração 

chora muito 

quando na estrada, 

vê um vilarejo, 

perto da roça, 

se vê aí escondido


Comporta  

uma vida simples, 

escondidinha, 

longe...

das grandes cidades, 

quer amor, 

cana 

e farinha.

Caso Epstein

 A elite mundial mostrou sua cara pedófila.  Só Trump escapou, nao por ser um bom mocinho. Tudo parece ter havido uma ocultação das fotos co...