segunda-feira, 29 de junho de 2020

ENTRE O SER E O NÃO SER


Talvez eu não seja mais o mesmo.
Talvez os olhos
não amanheçam tanto,
e o novo tenha envelhecido .

Não sei...

Algo aconteceu e não entendo...

Não foi proposital.

Quem sabe?

Algo sem gosto
se impondo
sem que desejasse.

Vá lá!

Assim a ácida crítica
se esmera dos doces regatos
que serpenteiam
a multidão silenciosa.

Nesta, o lamento e o discurso
andam em desacordo,
sem encontro
e expressão.

Nada palpável
tudo em desacordo.

...e essa impressão de não ser
mais o mesmo incomoda até as palavras.

Não sei se estou sendo claro...

29/06/2020
12H15

quinta-feira, 25 de junho de 2020

DISTRAIDO



A carruagem
atravessada
na fenda
do tempo 
transporta
parto
convívio
escola
trabalho
amigos...

O vento 
do outono,
invade
as fretas
da janela.

Sussurram

Beijaria
teus pés 
gastos
nas calçadas 
inúteis. 

Acariciaria
teu semblante
ereto
moldura
do corpo.

Recobriria
tuas vestes
com bordados 
de valores 
sentidos
cores.

Sustaria
o clamor
das multidões 
só para afagar
tua alma
distraída
fugidia.

Se soubesse...

..

João Paulo Naves Fernandes
25/06/2020
18H04

quinta-feira, 18 de junho de 2020

MONTANHAS NOTURNAS


Noites intermináveis... 

bordadas 
no tecido 
da vida. 

Perguntas 
ecoam 
no trajeto, 
dos sonhos 
desfeitos. 

Questionam 
independência 
da morte.

Em que parte 
desta escarpa 
nos separamos, 
eu cá embaixo 
Interrogando ? 

Para que  
possa 
saborear
o horizonte
em teu
cume
no abrasar
dos primeiros
raios.

Onde te encontras, 
se a fragrância 
ainda  permanece?


Escalastes umbrais 
transsubstanciosos! 

 Em cada  
reentrância
sentinelas  
protegem,   
estáticos, 

Eu 
morador
dos vales 
das sombras
da morte

João Paulo Naves Fernandes 
18/06/2020 
04H21 

domingo, 14 de junho de 2020

Não esperem de mim..

.
Porque
me deste
coração

se
era
para
quebrá-lo?

Ele
que
batia
tão
cheio
de vida!
O passado
invade
o frio
presente
sorrindo
da queda
abrupta.
Melhor
seguir
sem
batimentos
cantos
sonhos.
Vivam
olhos
pétreos
transitórios.
e só.
14/06/2020

Querem ser felizes?

Querem
ser
felizes?

Sejam!

mas
deixem-me
com
minha
tristeza.

Perdi
razões
de sorrir...

Não consigo.

Não há Sol
que clareie
este coração.

Ele
olha
tudo
e não
porque
alegrar-se...

Não
sou
agourento,
observo,
boca
que se
fecha
olhos
que
perguntam
sobre
o mundo
e o que
fizemos
dele.

14/06/2020
domingo de garoa

Ronda

BUSCA IMPOSSÍVEL




Minhas
lágrimas
nunca
terminam
de correr
até caírem
no lago
da tristeza
de Neruda.

Jogam
cal
sobre
a falência
das razões.

O que
segue
perdeu
sentido.

Tua
ausência
absoluta
abre
um abismo
no meio
do caminho.

Não gostaria
de divulgar
o fim
porque
continuamos.

Como
explicar
a alegria
da vida
nesta
ausência?

Como
Pudeste
fazer
um tecido
tão
entremeado
um
ao outro?

Vou
seguindo
arrítmico
pés aqui
pés ali,


Não há mais futuro.

Você
Em algum
Lugar,
Inatingível,
e eu
Só.
Sem
encontrar
Consolo.

Mas

como

justificar

a vida

sem

sofrimento?

Como

amar

sem

sofrer?


Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

quarta-feira, 10 de junho de 2020

DECANTANDO



Estou retornando
lentamente
para ti, Senhor,
em revolta
de quem
me tiraste...
Teu silvo
desperta-me
às noites.
És tu?
Às vezes
não resisto
durmo.
Mas tu
nunca descansas!
Penso
no mistério
que puseste
à frente,
de construir
e desconstruir...
Mistério nenhum!
Tempo perdido.
Reflito sobre
o principal...
Está no armário
do corredor,
guardado.
Às vezes o uso.
Sei que está lá!
Gostaria
de escala-lo,
e sinto estar
sempre
à base
da montanha.
Fizeste-me
produzir vida,
e a tiraste.
Aprecias o sofrimento?
Mas percorro
meus pecados
todos...
Intermináveis !
Não sou
merecedor
de nada.
As madrugadas
contigo
começam
nas lutas
diárias,
terminam
sempre
em descobertas.
Não as conto
a ninguém.
Não se interessam!
Os livros estão
postos à mesa.
Leio-os
leio-os.
A incompreensão
permanece...
Minhas orações
mudam de lugar
linguajar
tratar.

Sofrem
uma desconhecida
forma de buscar
sem saber como.
Mas levanto
Acaricias
leve
e brevemente
o semblante
insensível.
um conforto
à minha
pequenez.
Não serei mais o mesmo.
Nunca fui!
Quem sabe
quiseste
deixar-me
assim
para que
a humildade
e a consciência
da brevidade
nunca me abandonem.
Então seguirei como queres...
Meio sorriso
meio pranto
meio afago
meio distância
equilibrando
sentimentos e palavras.
Ainda explodirei!
Ainda explodo!
Trago um germe
revolucionário
que teima
em não dormir.
É teu?

João Paulo Naves Fernandes
10/06/2020
05H15

FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...