segunda-feira, 31 de julho de 2023

RECOLHENDO

 .


Pegue
os pedaços.

Foram jogados
ao chão.

Pegue!

São teus!

Ainda
te pertencem,
fazem parte
de ti.

Se estão
destruídos
não importa,
somos assim
também
meio destruídos.

Caem
amores,
poderes,
prazeres...

Tudo
pode ser
reconstruído.

Somos assim...

teses,.
antíteses,.
soberbas
sonhos.
fazem parte 
de ti

O que
está
de pé
não
significa
estar
certo.

O que cai,
pode ser
verdadeiro.

Não tenha
certezas,
ponha
dúvida
tudo
o que faz,
e definir
fazer.

A vida é assim

A certeza
é resultado
da eliminação
das dúvidas.

Enfim,
pegue tudo
o que é teu
viva atento.

Supere
a mediocridade.

Seja
um pensador,
amante
da vida.

A vida é assim.

SENTIDOS



Já tive
muitos olhos...

Vendo,
olhos
de hoje,
dor horrível,
venho parindo
verdades
sempre
novas,
percebendo
cegueiras.

Vários ouvidos...
desatentos
desinteressados,
soberbos
voltados
aos apitos
dos trens
casa
trabalho,
trabalho
casa.

Nada mais.

Inúmeras
consciências,
construindo
desconstruindo
teorias.

Lutando
percebendo
o desperdicio
no viver
buscando
o sentido
em tudo
sua relevância,
o sofrimento
humano.

Como busco!

Passos...
Muitos passos.

Caminhadas
inóspitas,
improdutivas
no arrastar
os pés
nas multidões,
várias
direções,
procurando
perdendo
reencontrando

Pés
cansados
medem
onde vão,
se vale
a pena,
se vão.

O corpo é
um desafio
permanente.

Velho
vejo
serenamente
o possível

Ouço pouco.

Ainda
percorro
trajetos
irregulares
rumo...

Meu carrilhão

 

Tenho um antigo relógio em casa, um carrilhão.
Precisa de dar cordas, de tempo em tempo.
O ajuste do tempo é uma arte, regulada no pêndulo, fazendo subir ou descer o peso na base.
Adianto-o, e vagarosamente vou suspendendo o peso para reduzir, ao poucos o atraso.
Ele é sonoro, suas badaladas tocam, de forma crescente, o canto do Avê Avê (sic) Ave Maria.
Ele vem de família, lembra mamãe, que o colocou ao final da escada, para quem subisse.
Assim, aproveitavam e se inteiravam das horas. Eu era pequeno e pouco conhecimento tinha.
Hoje, este relógio bate saudades, bate lembranças, bate uma vida que não retorna mais.
Era feliz, sem teorias. Hoje faço memória de tantos, por este relógio antigo que teima em continuar.
Descubro que me tornei este carrilhão, e teimo igualmente em viver alegre, sem ponteiros, cordas, pêndulo, minhas badaladas da vida.
Torno-me este carrilhão aos meus netos, marcando com amor a infância de suas vidas

sexta-feira, 28 de julho de 2023

PLENITUDE

 Um dia 

me livrarei 

do tempo

e do espaço.

 

O sopro desta vida

Já não terá  importância.


Não estarei 

mais prisioneiro 

de projetos, 

riqueza,

poder.


Não terei 

amor 

carnal.


Uma dimensão 

da vida,

etérea,

romperá  

dívidas 

fracassos

sucessos.


Abrirá 

portais 

desconhecidos 

familiares 

esquecidos,

desvendará 

segredos, 

suprimirá  

opressões. 


Fará 

um grande 

ajustes 

de contas 

incontável.


Este dia

não terá

tempo

 e espaço,

despedidas, 

mas encontros,  

sorrisos

festa. 


Significará 

uma forma 

de vitória 

para uma 

guerra 

nunca declarada 

encarnada.


Que venha este dia!


Estarei a espera...




quinta-feira, 27 de julho de 2023

ENTRE O SOL E A LETRA

Minhas letras

tornam-se palavras

com o Sol.

Voam alegres!

Pássaros

gorjeiam

recitais

matinais.



Meditam

galhos

sinônimos,

sobrevoam

grandes

árvores

de realidades.


Sonham!


Depois

pousam

à sombra

da leitura,

deleite

de versos,

criação.



Habitam

em palavras...

cantam

alto,

sentido,

o intervir

por vir.



Reconhecem

o movimento

dos ventos

expirados

nas folhas,

balançam

o coração

natureza

do verso.



Querem ser tudo!

Não podem.

Entregar-se

plenamente!

Incapazes.

Por isso

escrevem

voam

sonham

terça-feira, 18 de julho de 2023

A nossa estrada de Damasco



Cuidado com a estrada de Damasco. você pode estar indo muito tranquilo, convicto de suas ideias e ser atingido em cheio em sua autossuficiência.

De repente seus objetivos passam a ser outros, uma cegueira te toma inteiro.

Precisarás de terceiros para arrancar tuas escamas dos olhos, tão antigas e fortes te impregnavam.

De perseguidor tornar-te-ás perseguido, de descrente em crente, de todo poderoso, em vulnerável

Bela estrada de Damasco localizada em algum momento da vida de todos.

MUNDO ESCONDE-ESCONDE



Ainda não disse
tudo
o que gostaria
dizer

Não suporto
este mundo
todo certo
escondendo
uma multidão
de tudo
muito errado.

Mundo
esconde-esconde

Escondemo-nos
em casa
escondemo-nos
das esmolas
dos diálogos
endurecemos olhares
mudamos de calçadas
evitamos ruas
bairros.

Ainda há muito a dizer

Os tiranos estão aí
se fazendo
salvadores
de espectros
extintos
querem destruir
acabar com tudo
em nome
de uma bandeira
inodora
e um Jesus.
desfigurado

Mundo disputado
nos empurra
à mesma violência
na defesa
dos direitos Humanos

Mundo de ódio ao ódio
vergonha do amor
como motor de tudo

Vida de disputas
em todos os níveis
e escassa fraternidade
companheirismo
em pequenas
cidadelas.

Fanatismos generalizados
no lugar de aberturas
rostos abertos
descobertas
novidades.

Pior,
de falta de prazer
do que fazer
de desistência
preguiça

Ah
como ainda tenho
o que falar
gritar alto!!!!

Alguém ouvirá?

Terei solidariedade
neste apelo?

Como Pessoa concluo:

"Arre! Será que há gente, neste mundo?"

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Legado



Que bom
quem atravessa
esta vida
deixa boas obras,
lembranças,
alegra
multidões sofridas
com seu arsenal
de esperanças.

Que bom saber
viver para outros.

Que bom descobrir
os segredos do mar
navegar.

Quando o dia
se apaga
dorme
em paz
sem dívidas,
não se questiona.

Ele é luz!
farol!
justiça!

Não desperdiça
tempo,
vai em frente
apesar
das dificuldades
perseguições

Tem obsessão
pelo justo
naturalmente
inerente
ao ser.

Ele está por aí
buscando por você
para formar
um grande grupo,
um povo,
mundo de sonho
 por realizar

Conversa
com todos
sem exceção
olha tudo
com olhos
bem abertos
de justiça
verdade,
questiona
constrói.

Está nos esperando
sigamos juntos.

João Donato | Nasci para bailar (João Donato e Paulo André Barata) | Ins...

Marcos Valle & João Donato - Entardecendo

A Rã - João Donato. Morre João Donato, mestre da bossa nova

Claudia - Com Mais de 30. Morreu João Donato

domingo, 16 de julho de 2023

O Brasil pós fascismo

 Nunca é demais  lembrar da neurose coletiva que vivíamos  sob um governo de extrema direita no Brasil. Negação das vacinas, corrupção no governo, sempre procurando envolver os militares, e finalmente a tentativa de golpe, que  está no âmago deste tipo de gente.

Não sou idólatra de quem quer que seja, mas tenho de admitir que o atual governo de Lula restabeleceu a paz no país. Ele já não é mais visto com aquelas cores de seu primeiro e segundo mandatos, o que é bom. 

Retomou a defesa do meio ambiente, e dos povos indígenas. Apoia com ações as chamadas minorias, que, na verdade são maiorias, busca retomar o desenvolvimento.

Então, conta com meu apoio

sábado, 15 de julho de 2023

O REVERSO DO AVESSO (Em memória de frei Giorgio Callegari|)

 

Faço
uma pausa.

Um turbilhão
de amarras
impedem
caminhos,
reverberam
sem saída.

Ocupam tudo!

Não pedem licença
Não se importam
Com a dor
coração

Aceleram
em volúpia
destruidora.

Estruturas
Inanimadas
rondam
perspectivas
de saídas,
vigiam.

Por isso
a fuga
torna-se
enfrentamento,
a perda
encontro.

O reverso
do avesso.

PERCURSO

 


Meu caminho
tem pés
calejados.

Conto
os passos;
saboreiam
glórias
sofrem
derrotas
contam
historias
fantasias
duras realidades.

Incansáveis,
sustentam
olhares
além
horizonte,
meditam
a fé.

Não
deixam
de sonhar
as menores
trivialidades
base
das grandes
conquistas.

Brincam
dançam
cantam
olham
como
olham
até que
o disfarce
assente
à margem
até que
o amor
prevaleça

PALAVRAS

 


Pensamentos
passam
perdem-se...

Esvoaçam
inseguras,
pousam
em bocas,
escondem-se
em ouvidos,
giram
giram.

Dormem
depois
sonham,
ao final
desaparecem.

Palavras
apalpam
o ar
seguem
voláteis
de raízes,
esquecidas
de atitudes.

Vou dizer
que...

Ah..
já se foi.

RADIOGRAFIA

 


Observo
meus olhos:
medem
rastreiam
focam
desviam
lacrimejam.

Professo
minha boca:
abre
grita
escolhe
palavras
esconde
dentes,
morde
lábios.

Ouço
meus ouvidos:
surdos
atentos
cheios
de zumbidos.

Balanço
os braços
em afagos,
tateiam
descobrem
cruzam.

excito
meu sexo
ousado
dos caminhos
impossíveis,
marginal .

Caminha
meus pés
em terrenos
repetidos
pisando
saltando
marcando
compassos.

Conheço
este corpo
no seu todo,
como se engendra
pré consciente
em confronto
com a realidade!

Aí a mente decide,
em parte,
junto aos neurônios,
como harmonizar
o todo.

DESPERTO

 


Um chão
interminável,
olhar
o caminho.

O Céu combina
nuvens
sonhos,
a montanha
constrói
desafios
nobres,
as densas
águas
afogam
a História ...

A ancestralidade
das pedras,
memórias
desejadas
da liberdade
fugidia

As notícias
aguardam
o por do Sol
escaldante,
nunca vem.

Velo a alegria
a ingenuidade
a entrega gratuita
despossuída
inconsciente.

Alcanço o tempo
com a colher
no tempero
da vida.

Degusto livros
com a caneta,
beijo a amada
na trivialidade
das pequenas
atividades,
escavo sobras,
adormeço.

INCESSANTE



Procuro
o belo
no sereno
sem flores,
a esperança,
na pressa
da multidão,
a paz
nos espasmos
da ordem.

Busco
a verdade
nas cheias
e vazantes,
a alegria
ao sair
de campos
minados,
a serenidade
nas grandes
derrotas.

Vasculho
por mim,
um nós
me abate.

MELANCÓLICO

 


Da saudade
jorram
tempos
longínquos
regam
desertos
interrompem
trajetos
perdem
sentido.

Algumas
fotos,
se tanto,
perduram,
acendem
cenas...

A porta
entreaberta
aguarda
visita...

Não vens...

Não me
convenço
da partida.

Quanto
amor
por dar,
aos que
se foram,
no entardecer
da vida.

Porta
sempre
entreaberta...

Paródia das virgens nas bodas do noivo

 


Celebro
um casamento
soturno.

Tenho
candeeiro
aceso
nem sempre
o noivo vem...

Mando-lhe
um recado
distante:
- A dama
da noite
soltou
fragrâncias,
o perfume
está
por todo
o jardim.

Vê!
Os pequenos
te aguardam
em cobertores,
nas calçadas
cobertas
por estrelas,
Piscam.

Vê!
a Lua
ilumina
os caminhos
para não
te perderes

Tudo está
preparado:

Os manjares
músicos
convidados.

Venha!

Nem que
a manhã
anuncie
a aurora,
o Sol
te arrefeça
tudo esteja
já disperso.

Desponte logo.

Minha
ânsia
desfalece
em solidão.

PÓ DAS ESTRADAS

 

Estou antes
das folhas secas
frutos maduros.
antes da carne
do parto.

Estou
nas beiradas
das estradas
aguardando
alguém
que passe
e deixe
uma brisa
que me
erga.

Pairo alto
tudo observo
assento-me
junto
a uma
pequena
semente
aguardo
a chuva
paciente.

Estou presente
nas tempestades
secas
nelas extraio
paciência
revolta.

Estou antes
dos acontecimentos
profeta da ciência
denunciando
os velhos
aproveitadores
de sempre
orientando
caminhos difíceis.

De pó
sou barro.
de barro,
respiro
vivo

De alguma
forma
continuo
sendo pó
neste mundo
de opressão
assentado
à beira
das estradas
e observo tudo

O PEDAÇO DE MIM

 


O pedaço
nunca desgruda,
ciúme do inteiro.

Não
se sente
parte.

Não aceita
sua condição,
quer banir-se.
Não consegue.

Não aceita
a ordem
que oferecem,
rebela-se.

Os dias passam...

O pedaço
grita
só!

Envelhece
gritando
sem luta
sem mortes.

Um dia
olhando
a copa
as árvores,
decidiu
calar-se,
deixar
de ser
pedaço.

Passou
a ler
línguas
mortas
extintas,
passou
a excluir
o sonho
das refeições.
Não despertava
mais.

Não viu
mais
razões
em tudo.

Não fez
nada
mais
porque
tudo
perdera
completamente
o sentido,
era
previsivelmente
velho

Decidiu
então
dar um
grande
adeus.

Hoje
berra
muito,
contra
a imensa
prisão
do mundo.

O que será
do pedaço

SURREAL

 


Não como,
devoro.

Não bebo,
afogo.

Não ando,
fujo.

Não olho,
desvio.

Não penso,
esqueço.

Não amo,
traio.

Não falo,
repito.

Não julgo,
condeno.

Não ensino
vulgarizo.

Não danço,
marcho.

Não encontro,
perco.

Não vigio,
adormeço.

Não trabalho
programo.

Não escrevo
disfarço.

CICLONE INTRAPESSOAL



Pelas frestas
da janela
percebo
a ventania
fora da casa.

Frestas 
entreabrem-se,
considerando
brisas
tempestades.

Difícil
atravessar 
a noite
entreaberto,
um pé
no chão
outro
mergulhado
em mistérios.

O mundo
ocupa,
não deixa 
espaços,
precisa
da noite.

Os materialistas
não erram
estão
sempre
certos

Os espirituais
erram muito;
a fé
não produz
prova material.

Este dissenso
abre
um estranho
diálogo,
caminham
muito
por si
mesmos.

Conversam,
surdos,
mudos.
aos trancos 
e barrancos.

Cheios
de verdades,
escondem
dúvidas.

Destilar
quantidades
intoleráveis,
longas
distâncias.

Assim vão
na curta
vida

A experiência
interior,
egoísta,
não substitui
as lutas
por justiça,
paga
o preço
da descoberta
encontro
pessoal.

Lutar
com fé
uma mesma
luta
tem muita
diferença.

A amorosidade
é a principal
delas.

Pode-se
lutar
por justiça
sendo mau,
sem amor.

Porque
o amor
não tem
lado.

Está
em todo
lugar 
hora.

O jardim e a palavra

 


Dividido
entre o jardim
e a palavra,
não sei
o que é melhor,
se a fragrância
das flores,
da seiva
das plantas
roçadas,
ou a profundidade múltipla
dos versos.

Uma e outra
se atraem,
esposa,
amante,
expressa,
oculta,
confidentes
letras.

O jardim
torna-se belo
quando rastela
palavras.

Versos
adquirem
beleza
quando
contemplados .

As manhãs
de inverno
não distinguem,
fazem
da vida
um poema
real

Basta saber
que o jardim
cria poemas.
que os versos
tem algo
de flores.

Agonia da idade


Conheço estes trajetos
por onde
pretendes passar...
Conheço
suas curvas
fechadas,
retas
discretas,
tenho
conhecimento
de seus vários
terminais,
a depender
de onde vás.
Conheço
tua autossuficiência
que te torna
surdo,
tua ansiedade
soberba.
Sei dos atalhos,
labirintos
sem saída
ladeiras
perigosas
subidas
extenuantes.
Deste caminho todo
tenho conhecimento,
mas não
te interessas...
Gostaria
de poupar-te
tempo,
abrir
alternativas,
mas...
Quem sabe
aquele buraco
logo à frente
as longas
distâncias
possam
trazer
um pouco
de humildade
e ouça-me.
Quem sabe
em algum
momento
consigas ler
o significado
dos acontecimentos,
o que decifram
para ti.
Conheço
estes trajetos
todos.
Sei onde
vão dar...
mas não
consigo
fazer-me
ouvir.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Montanhas noturnas

 


 

Minhas noites

São tuas,

bordadas

no tecido

da vida.

 

Perguntas

ecoam

Incompreendidas,

do trajeto,

depois

de um sonho

desfeito.

 

Questionam

a independência

da morte,

a fragilidade

da vida.

 

Noites intermináveis

 

Onde estás

horizonte

Para que

possa

Ver-te

Amanhecer......

 

Onde te encontras,

se a fragrância

ainda

sinto?

 

Onde te escondes

nesta escarpa

onde

nos separamos

eu

cá embaixo

Interrogando

Sentinelas?

 

Escalaste

umbrais

transsubstanciosos!

 

A montanha

é granito puro

em cada reentrância

sentinelas vasculham, 

graníticos,

a subida 

à Jerusalém Celeste

antes que desça

da eterna Aurora.

 

Eu que não

me preparei

para esta

despedida?

 

João Paulo Naves Fernandes

18/06/2020

04H21

VIGÍLIA

  


Um chão 

interminável,

olhar

o caminho.


O Céu combina 

nuvens 

sonhos, 

a montanha 

constrói 

desafios

nobres,

as densas 

águas

afogam 

a História ...

 

A ancestralidade 

das pedras,

memórias  

desejadas

da liberdade

fugidia


As notícias 

aguardam

o por do Sol

escaldante,

nunca vem.


Velo a alegria

a ingenuidade

a entrega gratuita

despossuída 

inconsciente.


Alcanço o tempo

com a colher

no tempero

da vida.


Degusto livros 

com a caneta,

beijo a amada

na trivialidade

das pequenas

atividades,

escavo sobras,

adormeço.

domingo, 2 de julho de 2023

PALAVRAS



Pensamentos
passam
perdem-se...

Esvoaçam
inseguros,
pousam
em bocas,
escondem-se
em ouvidos,
giram
giram.

Dormem
depois
sonham,
ao final
desaparecem.

Palavras
apalpam
o ar
seguem
voláteis
de raízes
esquecidas,
de altitudes 

Vou dizer
que...

Ah..
já se foi.

RADIOGRAFIA



Observo
meus olhos:
medem
rastreiam
focam
desviam
lacrimejam.

Professo
minha boca:
abre
grita
escolhe
palavras
esconde
dentes,
morde
lábios.

Ouço
meus ouvidos:
surdos
atentos
cheios
de zumbidos.

Balanço
os braços
em afagos,
tateiam
descobrem
cruzam.

excito
meu sexo
ousado
dos caminhos
impossíveis,
marginal .

Caminha
meus pés
em terrenos
repetidos
pisando
saltando
marcando
compassos.

Conheço
este corpo
no seu todo,
como se engendra
pré consciente
em confronto
com a realidade!

Aí a mente decide,
em parte,
junto aos neurônios,
como harmonizar
o todo.

FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...