segunda-feira, 30 de junho de 2025

DESVENDAR

 


Vou descartando 

espectros inúteis 

na desvendável estrada.


Seus caminhos 

desconhecidos 

surpreendem 

posturas temporãs.


Redescubro-me 

ruborizado 

dos infartos 

ensaiados 

diariamente.


Assim sou, 

assim vou.


Não há tempo 

para ser o mesmo, 

confundo-me 

encontrando 

novas matrizes.


Esquecido das fases

contraio e expando...

sobram líquens 

dos grandes confrontos 

de estruturas.


A morte está em jogo...

e jogo não fecha...


Ai de mim 

desatenta criança 

sempre surpresa

com o mundo...

domingo, 29 de junho de 2025

CONFIDÊNCIA SOLITÁRIA

 


Permaneço tanto em mim, 

que tenho ciúme dos outros...


Nada apetece...


Sou o perseguidor 

da essência, 

o licor da vida, 

escondida 

em algum lugar ermo, 

perdido no tempo.


Vastos são os chamados 

por onde caminho só.


Convidam sempre, 

e não encontro...


Trazem convites formais 

que não resolvem.


Talvez me perca 

para sempre, 

e ao voltar, 

não consiga 

mostrar.


Por isso, 

revisto-me 

como múmia, 

tão longo,  

íntimo 

e solitário, 

o caminho...

sexta-feira, 27 de junho de 2025

RETIDO

RETIDO

Estou parado 
em uma página, 
condensa séculos...

Voo a reconstrução 
do tempo, 
na leitura.

Decifro personagens, 
a produção de ideias, 
acontecimentos.

Quem sabe traga 
lições para hoje, 
conheça melhor 
esta época.

Quem sabe encontre 
saídas da leitura 
para a vida,  
decifre os sonhos 
que fazem ler.

Há policiais 
na esquina, 
observando 
se desvendei 
os enigmas 
do poder;
segredo 
de conversar, 
um a um, 
uma a uma, 
até atingir 
o todo. 

Observam tudo, 
se saí da página, 
compreendi o conteúdo, 
decifrei o mistério 
de fazer conhecer. 

O passado muda 
com o presente, 
confunde, 
esclarece. 

O passado torna-se 
um imenso presente, 
página que me retém...

quinta-feira, 26 de junho de 2025

SOL E LUA

 


Desperto no mar alto, 

adormeço por trás 

das montanhas.


Desperto alegre, 

adormeço triste.


Amanheço em sonhos, 

anoiteço realista e só.


Sou Sol, 

Verão e Inverno, 

dou a cara 

aos ventos 

de Outono, 

delicio-me 

nas Primaveras.


Sou Lua,

Cheia de vaidades,

Minguante em depressões, 

Nova ao fugir de tudo, 

Crescente de esperanças. 


Sou o Solstício sonolento  

e um Equinócio desperto, 

perdidos em balanças 

espaciais...


Sou Céu e Inferno,

um subdeus na imensa 

Via Láctea, 

Transitando 

em universo profundo.


Sou tudo e nada, 

amor e ódio, 

amigo e inimigo, 

uma barreira prisioneira, 

chamada identidade...

personalIdade...  


Sou e não me escondo, 

ou escondo...

terça-feira, 24 de junho de 2025

DEFASADO

 


Não há mais tempo 

e estamos atrasados.


Mal pensamos 

e somos ultrapassados,  

mal calculamos 

e já estamos devendo.


A vida correndo 

atrás da vida, 

a defasagem não existe 

para os que desistem, 

para os que vêem 

a corrida é desigual.


De um lado 

mal sobrevivem; 

de outro, 

tudo aproveitam.


Mundo violento e desumano, 

explorador e voraz.


É preciso praticar os sonhos, 

escrever pequenos contos, 

recitar novos versos.


Porque 

é de pouco 

e de baixo 

a resposta. 


A esperança está embaixo.

SENTIDOS & IMAGINAÇÃO

 


Os passos pensam, 

as mãos passeiam, 

a boca descobre o vulgar.


Os olhos surpreendem, 

os ouvidos silenciam, 

a mente se cala.


O vento anuncia, 

o mar domina, 

o céu escurece.


A paz nutre-se 

das grandes guerras, 

a esperança crê 

nela mesma.


Uma vela 

acaricia a escuridão 

com sua luz, 

caminha contra o mundo.


Uma estação 

reflete a presenca 

e a ausência, 

fortalece-se.


Não há caminhos claros, 

há um despertar constante.


O mais, 

é inusitado, 

é deixar-se levar.

PEQUENA REFLEXÃO

 


A alegria é um gozo supremo,

invasão do céu sobre a carne...


A tristeza é ausência completa


Não domino uma e outra, 

aprecio-as.


Sou próximo 

do que penso, 

curtido em anos 

sem fim

segunda-feira, 23 de junho de 2025

DEFASADO

 


Não há mais tempo 

e estamos atrasados.


Mal pensamos 

e somos ultrapassados,  

mal calculamos 

e já estamos devendo.


A vida correndo 

atrás da vida, 

a defasagem não existe 

para os que desistem, 

para os que vêem 

a corrida é desigual.


De um lado 

mal sobrevivem; 

de outro, 

tudo aproveitam.


Mundo violento e desumano, 

explorador e voraz.


É preciso praticar os sonhos, 

escreverpequenos contos, 

recitar novos versos.


Porque 

é de pouco 

e de baixo 

a resposta. 


A esperança está embaixo.

RESISTÊNCIA

 


O tempo pisa macio 

para não chamar a atenção. 


Faz da caminhada 

uma distração de si mesma...


De quando em quando 

visita a infinita estrada 

questionando a validade da noite, 

suas imensas interrogações, 

logo esquecidas...


Vivo como um sonâmbulo, 

de descobertas tardias, 

nunca formuladas, 

e marco presença consentida, 

diante dos poderes constituídos. 


Ao justificar,  

apego-me à solidao

como refúgio 

de um mundo novo, e sigo em frente, 

resistindo...


Ah...se apertassem os punhos, das palmas abertas que semore aguardam...

Ah...se os roncos fossem cânticos celestiais, de um mundo sem disfarces...

sábado, 14 de junho de 2025

DEIXA PRA LÁ

 


Eu queria falar 

sobre o Envelhecimento 

para você, 

mas esqueci 

o que dizer...

deixa pra lá. 


Falar com aquele meu amigo o...

bem José alguma coisa...

brincamos muito em..

é...muitos lugares.


Dizer que esqueci 

meus óculos...

no...rosto.


Por isso, 

sou motivo de riso, 

e acabo rindo 

de mim também, 

de minhas palhaçadas senis.


Afinal, 

ser motivo de riso 

sempre é bom.


O esquecimento ensina a humildade.


O tempo passa 

e vai apagando 

hábitos, 

amigos, 

lugares, 

vou me acostumando 

com este apagar 

lento e distraído.


Convivo com o presente 

em alta voltagem 

de reflexão, 

mais instintos soltos, 

afinal ainda sou gente.


Mantenho meus interesses 

neste mundo, 

mas quem quer saber 

o que penso?


Nas letras me aprofundo, 

mas quem ouve?


Cada um, 

no fim, 

pensa mais 

em si mesmo, 

e guarda 

uma nesga fraterna...


Vou seguindo como posso, 

andando assim assim, 

dormindo e acordando, 

fazendo xixi a toda hora.


Só não dou adeus, 

deixo que vá 

me apagando 

também 

em você, 

não adianta lembrar...


Sou apenas 

um pó das estradas, 

transformado em carne, 

mas que logo 

voltará a ser pó.



www.podasestradas.blogspot.com.br

quarta-feira, 11 de junho de 2025

ÂNSIA SOLITARIA

 


Tu...passando por cima 

de mim com esta exuberância toda...


Nem um batalhão de choque 

seria capaz de impedir-me 

rasgá-la com minha língua de anzóis. 


Em quantas trincheiras 

já não me ocultei, 

aguardando a chance 

de fisgá-la, 

antes dos girassois 

a roubarem 

o encantamento... 


Quantos vinhos...

quantas vinícolas 

seriam necessárias 

para que 

a árvore da vida 

desse frutos, 

e pousasses 

em meus galhos?


Percorro 

sinuosos campos  

atento às palavras 

que escapam 

da multidão...


Quem sabe voltes 

de teus afazeres 

ancestrais, 

tuas noites 

interminaveis,

prisioneira das torres 

de comunicação...


Quem sabe tremas 

ao me encontrar...


Dos largos 

espaços inexplorados 

escapam 

peixinhos vermelhos 

balbuciando, 

secreta linguagem 

marítima...


Teus segregos, 

recônditos, 

lançam,

decididos,

tua carruagem 

de odores 

contra os frontões 

da fortaleza

onde adormecem 

tropeis de desejos.


Roubo-os dos sonhos?


Não sabes 

que dormes 

perigosamente?


Não ouves 

a flauta do fauno 

ecoando 

em meio 

a mata escura?


Viras teus costados 

para o perigo...

não sabes 

quantos deuses 

vorazes 

preparam armadilhas 

para estas 

tuas montanhas...


Tua ingênua presença 

enche de perfume 

a noite solitária...


Desconheces 

os riscos 

que corres?

terça-feira, 10 de junho de 2025

UM DIA APÓS O OUTRO

 


Um descobrir encoberto,

um desencaminhado caminho,

um encontro desencontrado...


Uma fuga fugaz 

um comer comedido, 

um fazer desfeito.


Um provar desprovido, 

um amar reamado, 

um mamar desmamado.


Um mover removido,

um parar amparado, 

um valor desvalido. 


Um subir súbito,  

um desservir servido, 

um partir repartido.


Um desalentado lamento, 

um contemporâneo extemporâneo, 

uma insegura segurança. 


Um amanhã de manhã,  

uma sonolenta insônia, 

um disparar reparado.


Um corretivo corrigido 

um correr escorrido, 

um voltar envolvido


Um conhecer desconhecido.

um contraditório contrito,

Um dia adiado...

QUANDO EM MIM

 


O tempo 

a ruga no rosto. 


O tempo 

a consciência na mente.


O tempo 

que não mente.


Olho no espelho 

o passar do tempo 

e contemplo 

o relógio da vida.


Sou as velhas badaladas, 

de um relógio, 

que ecoam 

nos vales interiores 

interrogando porquês, 

sedimentando sabedoria. 


Um filtro 

apura os sentimentos, 

pernoita na realidade.


Imensos portais 

cuidam feridas 

sempre abertas:

Porque fiz assim?

Porque não fiz assado?


Meus pés 

são reflexões tardias, 

lições para hoje


Aceito-me como sou, 

com as marcas do tempo 

servindo como ungüento, 

nesta caminhada sem fim. 


Sigo como quem 

não vê a morte, 

mas ciclos 

melhor observados, 

e aguardo partilhas de saídas...


Nada termina... 

não há fim...

há o descobrir o novo 

esperando realizar-se; 

há viver e isto basta

quinta-feira, 5 de junho de 2025

LUTA PELO MEIO AMBIENTE










 Estive em um ato político em Ubatuba em repúdio a um projeto de lei aprovado no Senado brasileiro, que praticamente retira toda a proteção ambiental e libera geral as obras no país. 

Levei a posição da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, contrária a este Projeto de Lei

CORRENDO CONTRA O TEMPO

 Estou correndo 

contra o tempo.


O que mais temo 

se aproxima.


Seja uma flor, 

uma toxina, 

em tudo fico atento.


Não se afaste, 

evite desgastes... 

O mundo  é aberto,  

a realidade é o olhar...


Não é mais tempo de conversas ...


O vento bate às avessas 

das conquistas  

que aguardam 

em céu cinzento.


Rompa o lacre 

das impossibilidades

Viver é fazer

OCULTO INSEPULTO



Tenho incontáveis segredos.

Guardo-os até de mim, 

disfarçando não tê-los.


Guardo 

o velho rabugento 

que mal se controla,  

o conquistador 

que não olhou o tempo, 

o doente 

que esconde a enfermidade, 

o intelectual 

solitário sem interlocutor. 


Guardo 

rosas não colhidas, 

nuvens disformes, 

amizades perdidas.


Segredos em degredo.


Expulsos, 

internalizados em mim.


A cada instante 

um se forma, 

se aloja num canto, 

esquecido,  

e ali pernoita 

tempos sem fim.


O ciúme compreendido, 

os amores comedidos, 

mortos insensatos.


De tempos em tempos 

provocam uma rebelião, 

afrontam minha ordem 

com altivez.


"Nosso é o tempo" 

"Somos o contratempo"

A verdade completa!

DERRADEIRO (em memória de Jorge Barroso)

 



Ao final 

tudo é derradeiro, 

desemboca 

na mesma foz.


Ser feito assim, 

ou assado, 

tem sua verdade 

até a consumação, 

quando percebemos 

o mesmo destino 

dos opostos..


O rio corre para o mar...

as nuvens passageiras 

se vão...

capturo logo 

o sentido dos ventos

no afã invisível 

dos movimentos,

peixes em corredeiras, 

aves longínquas 

apreciam campos 

íngremes escarpas.


Vou como quem vê o fim 

e não se importa, 

marco a presença 

dos pés na terra, 

e percorro...


Depois vejo

o que ficou, 

se fincou âncoras,  

adernou-se 

no caminho.


Depois vejo

se cresceu, 

emudeceu, 

ou transformou.


Arranco do fundo 

das entranhas 

a enzima da vida, 

corrida, 

escorrida,  

e a prendo 

entre os dentes, 

cerrados.


Onde vou dar 

neste mar, 

é um dilema 

pouco meditado 

da busca 

de um diadema oculto, 

em algum lugar


Observo o balanço 

dos acontecimentos, 

como uma gangorra, 

ora vento em frente, 

ora  atrás... 

e sigo essa aventura 

chamada vida, 

que nunca tem tempo, 

lugar, 

até encontrar 

o oceano imenso

à espera, 

e cumprimento, onde vai dar

QUEM SE IMPORTA?



Hoje quero chorar, 

baixinho, 

a ninguém incomodar.


Despir a dureza 

da educação, 

os grandes objetivos, 

e confessar-me pequeno 

e frágil.


Hoje abro mão de tudo 

dou ao coração 

a vazão 

da prisão 

que o segura 

tempos sem fim...


Dizer que ainda 

sou eu 

e estou aqui...


Sim, choro por mim 

e pelo mundo...


Quantas dores 

me esbofeteiam 

diariamente 

o rosto 

permaneço impassível...


Hoje quero declarar-me 

sempre pequeno 

e necessitado, 

descobrindo Deus 

nas entranhas 

dos sofrimentos.


Quem se importa?

SONHO E REALIDADE.



O sonho é construção da realidade, e a realidade é como se vê a vida.

Tudo está em nós e se desembaraça em nós. 

Somos sonhos despertos.

Quando não os temos, o terror se sobrepõe, ao tê-los, a esperança aflora, e realizamos maravilhas.

A flor só é bela porque vivo o belo, singela,  por ser singelo.

Por onde vem o que sou, deságua no entremeado da mente e do chão percorrido.

A essência está no coração, dele deriva como será a construção 

Mergulho no sentido de tudo isso, as vezes como expectador, contemplando a riqueza do ser humano, as vezes como construtor de vida e realidade.

...e uma linha perpassa o caminho.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

OCULTO INSEPULTO

 


Tenho incontáveis segredos.

Guardo-os até de mim, 

disfarçando não tê-los.


Guardo 

o velho rabugento 

que mal se controla,  

o conquistador 

que não olhou o tempo, 

o doente 

que esconde a enfermidade, 

o intelectual 

solitário sem interlocutor. 


Guardo 

rosas não colhidas, 

nuvens informes, 

amizades perdidas.


Segredos em degredo.


Expulsos, 

internalizados em mim.


A cada instante 

um se forma, 

se aloja num canto, 

esquecido,  

e ali pernoita 

tempos sem fim.


O ciúme compreendido, 

os amores comedidos, 

mortos insensatos.


De tempos em tempos 

provocam uma rebelião, 

afrontam minha ordem 

com altivez.


"Nosso é o tempo" 

"Somos o contratempo"

A verdade completa!

PERCORRER

  Rotinas persistem na demora... é preciso saber  a hora de ir embora...  dar importância ao viver Servir ou viver? servir ou viver? Pêndulo...