segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SUBITAMENTE...

 


Subitamente desperto,

afloram-me 

conjunturas insolúveis, 

fraquezas repetidas, 

arrependimentos impenitentes.


Tudo bem desenhado, 

diante de mim, 

como um filme...


Como se o Altíssimo 

fizesse uma desforra 

de minhas idiossincrasias, 

despejando a um só tempo 

um represamento de décadas, 

sem alarde, 

sem que ninguém ouça,

na alta madrugada.


Quem sabe agora um padre... 

e esta fosse 

a ocasião propícia 

de um confessionário. 


Quem sabe, 

um momento de oracão 

disfarce de lucidez, 

onde as grandes nudezes 

ficam à vontade 

em se expor.


Não sei...


O mundo segue 

seu caminho inexorável, 

destino de incautos, 

enquanto perfilo-me 

diante de possibilidades, 

sem resolver, 

assistindo


De repente, 

um desejo 

de renovação, 

e a noite recebe 

pequenas claridades 

no horizonte...


Este o pequeno eu, 

que desperta à  noite, 

precisando ser um gigante, 

quixotesco e desvalido

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