terça-feira, 5 de outubro de 2010

SOU CATÓLICO, VOTO EM DILMA

Passo material que recebi de amigo católico que quer se distinguir desta grande influência anti povo, elitista que tomou conta  de parte de bispos e clérigos de São Paulo, ao arrepio das declarações de nosso Cardeal Dom Odilo, que já havia exposto neste blog. É um testemunho pessoal de declaração de voto. Leiam.

Sou católico, voto em Dilma


Nasci e fui criado numa família de fortes raízes católicas. Meu pai foi Congregado Mariano e minha mãe era do Apostolado da Oração. Participei de grupo de jovens e por muitos anos fui catequista de primeira comunhão. Da mesma forma que recebi a herança da fé, a transmito para minhas filhas.

Aprendi, no seio da Igreja, que a política é a forma suprema da caridade. Um espaço de disputa de idéias de como promover o bem comum, ou seja, como distribuir o dinheiro que pertence ao povo.

Por muitos e muitos anos a hierarquia da Igreja esteve ao lado de determinadas idéias de como organizar a sociedade fortemente influenciada pela divisão de mundo entre capitalistas e comunistas dos anos cinqüenta a oitenta do século passado. Porém isso contrastava com a condição de penúria que o povo vivia, com a forte concentração de renda e o privilégio de alguns poucos.

O Espírito Santo soprou os ventos da renovação e a Igreja assumiu sua condição de profeta da esperança. E a Igreja fez a opção preferencial pelos pobres. Figuras como Dom Hélder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Pedro Casaldáliga, Padre Josimo, Irmã Doroti Stang, e tantos outros arriscaram suas vidas e em alguns casos tombaram em defesa de um novo país, onde a justa e a fraternidade estivessem presentes.

Um país em que as pessoas não fossem presas ou torturadas por poder expressar suas idéias e tivessem condições de tomar café da manhã, almoçar e jantar. Que pudessem estudar, ter acesso a atendimento básico em saúde. Enfim, ter um mínimo para ter dignidade.

Essa introdução explica meu posicionamento político. Como disse, aprendi na Igreja que a política é a forma suprema da caridade, e o governante deve primar-se pela defesa intransigente da vida.

E o que é defender a vida no Brasil de hoje?

É continuar o processo de transformação social que o governo que se encerra iniciou, que introduziu milhões de pessoas nos estratos superiores da sociedade. É direcionar bilhões de reais para grandes obras que garantam o acesso a água tratada, coleta e tratamento de esgoto. É estimular os setores dinâmicos da economia para gerar milhões de empregos e distribuir renda para quem estava sem esperança e sem dignidade.

Porque ninguém aprende a pescar se não pode comer. Portanto é preciso dar o peixe da bolsa família e depois ensinar a usar a vara da pescaria, da educação e qualificação profissional. Quase toda nação desenvolvida teve em algum momento de sua história de fazer essa experiência.

Por isso voto em Dilma. Ela é a garantia que esse processo não será interrompido e que a construção do Brasil moderno e desenvolvido vai ter continuidade. No entanto sei que alguns temas tornam alguns cristãos, católicos e evangélicos, inseguros quanto aquilo que o governo da Dilma faria. É o caso do aborto e da liberdade religiosa.

Nos últimos dias muitos mitos e inverdades assolaram os ambientes religiosos afirmando que “Dilma é abortista” e que “fecharia igrejas” ou que “nem Jesus Cristo tiraria sua vitória nas eleições”. Alguns padres, pastores e até bispos chegaram a determinaram a seus fiéis que não votassem em Dilma.

Para isso retomo a máxima do Evangelho: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

A quem tem dúvida sobre o carater e o comprometimento de Dilma com a vida e com a continuidade da obra que o presidente Lula iniciou, proponho que ouça o que ela tem a dizer e decida por si mesmo, pois a democracia pressupõe a liberdade de decidir por si o que se deseja para a sociedade.

Dilma tem o mesmo comprometimento do presidente Lula no respeito a vida e a liberdade religiosa. O presidente Lula nunca propôs ao Congresso a legalização do aborto e retirou a menção a isso do Plano Nacional de Direitos Humanos (a última legislação do tema são protocolos assinados por José Serra quando era Ministro da Saúde e não acuso Serra de ser abortista, porque esse não é a discussão essencial da sociedade brasileira, pois é sabido por todas as forças políticas da ampla maioria contra o aborto e eutanásia e os movimentos que o defendem situam-se em segmentos específicos e minoritários).

A grande questão nesse segundo turno é como nós queremos o Estado brasileiro. Fazendo a opção preferencial pelos pobres mais pobres e destinando cada vez mais recursos para os “de baixo” , com obras, programas sociais, geração de emprego ou destinando os recursos para a defesa do sistema bancário, eliminação do risco dos grandes empresários e favorecimento dos grupos multinacionais. Essa é a verdadeira discussão que se esconde sob temas que forças conservadoras jogam para nos assustar e que de fato fazem diferença na vida das pessoas de bem.

Se concordar, subscreva e passe adiante.

Luiz Carlos de Lima

muriqui@ibest.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...