domingo, 27 de setembro de 2015

SEGURANDO O TEMPO


Hoje não faço
minhas despedidas,
mas os ombros
já partiram,
desdenhando
os ultrajes
as traições
os fracassos.

Não digo adeus
mas as pernas
não acompanham
o passo
dos jovens
que passarão
pelas mesmas
experiências
insólitas.

Não há 
cortejo 
fúnebre,
mas os ossos
já rangem
estalam,
desafiando
o equilíbrio
alcançado
com tanto 
esforço,
pondo ordem
na casa.

Há uma beleza
transfigurada
na alma,
calva
e desdentada,
serena
e irriquieta
beleza
não admirada
desdenhada.

Há um silêncio
de quem
descobriu
a inutilidade
das afirmações,
assiste
o caminho
e chora.

Quando as aves
revoarem
em volta
e o sol nascer,
outra vez
quem sabe
a noite
e trará
o até
breve,
o até que
enfim.

Hoje, segurando o tempo.
João Paulo