A Save the Children e a Ação contra a Fome apresentaram nesta quarta-feira, em Madri, o Informe Mundial de Nutrição 2015, divulgado por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, a ser celebrado neste domingo, 18 de outubro.
Entre os dados positivos, 96 milhões de crianças a menos com desnutrição crônica do que há 25 anos; dentro de um ano, mais 15 países poderão cumprir os objetivos de redução da desnutrição traçados para 2025 pela Assembleia Mundial da Saúde.
Entretanto, em 2013, 6 milhões de crianças morrem por causas evitáveis relacionadas com a saúde, das quais 3,1 milhões faleceram por causas associadas com a desnutrição. Cerca de 8.500 crianças morrem por dia, no mundo, devido a este problema, observou o responsável pela área Saúde e Nutrição da Ação contra a Fome, Antonio Vargas.
O Informe Mundial de Nutrição 2015 destaca a necessidade de que os governos dos países em desenvolvimento dupliquem os investimentos específicos em nutrição e pede aos países da OCDE que o quadripliquem, financiando concretamente o pacote nutricional básico e suas dez intervenções-chave, como a promoção do aleitamento materno exclusivo até os seis meses, a suplementação com vitaminas e o tratamento comunitário da desnutrição aguda severa.
“Os governos do mundo parecem começar a compreender que uma boa saúde nutricional é a premissa para a realização de qualquer outro direito básico das pessoas e o ponto de partida para o desenvolvimento sustentável de qualquer país”, afirmou Antonio Vargas.
O diretor de Cooperação Internacional da Save the Children, David del Campo, destacou a existência de outra ameaça: “a obesidade e as enfermidades relacionadas a ela, que estão custando até 20% dos orçamentos de saúde no mundo”.
A Ação contra a Fome e a Save the Children apresentaram uma bateria de medidas para melhorar o estado nutricional do mundo, desde o tratamento (simples e acessível, mas hoje disponível só para 10% das crianças que o necessitam) até o financiamento de projetos específicos em nutrição, além do enfoque integrado (que combina medidas relacionadas com água, saneamento, higiene e meios de vida) e da melhora no acompanhamento e prestação de contas dos investimentos em nutrição.
A melhor nutrição possível requer 9 bilhões de euros por ano, disseram os porta-vozes das duas organizações