sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

AVESSO



Desconfie...
desconfie da sala, 
dos móveis...
imóveis, 
conformam,  
confortam

Não se iluda 
com os quadros, 
prisioneiros das molduras, 
escapes do real subnutrido, 
descanso dos sonhos. 

Evite poltronas, 
busque sofás, 
permitem companhias...

Desconfie dos versos...
são perversos, 
mentem muito

Saia do quarto...
rejeite  dormir
não ter onde ir. 

Quebre o prato,
zele pela mesa, 
o perigo das cadeiras...
matam a muitos. 

Lembre-se,
você é recorte 
sem costura,
impostura...

O banheiro é a sobra 
da liberdade, 
sua verdade, 
nua, 
à vontade

Lá exalte 
o insulto
deste sexo 
oculto, 
livre da prisão, 
condenação.

Vá aos quintais, 
distraem 
a quarentena eterna. 

Cuidado com a cozinha , 
a vida no estômago, 
enche de vazios

Esqueça tudo!

Até este poema!

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