quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

EXÍLIO



Os que desaparecem 
obrigam voos longínquos 
terras por desbravar.

Despedem-se 
da memória, 
sonhos repetidos, 
levantam velas 
adernam.

Deixam atônita saudade 
repetem tristes mantras.

Tenho também 
algo desaparecido
esperando 
por ser descoberto.

intervalo das dores
silêncios desatentos...

Despercebido.
vasculho sombras outonais,
nada encontro.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

AINDA CAEM LÁGRIMAS


Ainda caem
lágrimas em mim,
nunca param.
Não me dou conta
de sua razão de ser
somatória rejeitada,
Vem de longos tempos,
voos extemporâneos,
quando o Sol
deitava-se junto a Lua,
produziam sombra e luz.
Vem de caminhos
labirínticos,
permanecem latejando
na mente,
perdem-se...
Vem da descoberta
da Verdade,
põem a nu
espectro
do passado.
Derramo lágrimas profundas,
com o tempo vão esmaecendo
auto perdão...
Descubro-as, hoje,
nas pequenas gotas
de lágrimas,
que ainda caem
por dentro,
lembrando-me
dos erros...

PERDIDO NO TEMPO

 

As amizades
são diversificadas,
ficam no tempo,
formadas no convívio,
distantes...
São tecidas
inconscientemente
em pontos de sorrisos,
palavras,
ações conjuntas.
Vão sendo descobertas
tardiamente
de seus significados,
riqueza dos momentos .
Vão deixando rastros
por onde passam,
onde possam
ser reencontradas,
o tempo apaga.
Possuem misteriosa
presença
ainda que longínqua;
nunca se ausentam.
Continuam
divertindo
a memória,
geram saudade.
Lembro
os inocentes
os experientes,
os próximos,
distantes,
também os ausentes,
ali presentes.
Quando os encontro
além daquele tempo
de alegria antiga,
há uma solenidade
da idade,
que sobrepõe-se,
sorrateira,
na beira
da tristeza,
por trás
das formalidades...
São de todo tipo,
a elas me amoldo,
submeto,
concordo,
principio primal
da convivência.
Lembro, por fim
um amigo maior,
amado,
sempre presente.

Desvenda
minha totalidade
sem questionar,
espera atitudes.
Seu nome é um verbo.
Ama-me,
eu que pouco
o amo.
Ele sou eu.
Eu sou Ele.

domingo, 28 de janeiro de 2024

CAMINHO

 


O lápis sulca 

um cânion,

rio de tinta 

percorre leito 

de letras...


Serpenteia trevas,

deixa esquecidos

regaços 

de esperanças, 

corredeiras abruptas,

silêncios, 

desaba em cachoeiras,

descobertas,

realiza-se.


Observa cada passagem

investiga as origens,

continua...


Atinge a foz 

do pensamento.


Nasce a consciência. 

Nasce permanentemente.


Oceano de horizontes e poentes 

tempestades e calmarias, 

novidades e tradições, 

encontros e solidão,

busca indefinida,

errante.


Atinge a fé, 

perde-se

no nós.


Permanente

confronto

alinha

desfaz 

consciência 

transcendência.


Vive...

sábado, 27 de janeiro de 2024

BALANÇO

 



O dia em que 

o fim chegar, 

olharei para trás, 

e fazer 

um grande 

balanço geral.


Certamente será desproporcional, 

pendendo mais 

para erros 

muitos

irrecuperáveis, 

que acertos, 

pesam ainda hoje .


Depositarei 

diante do altar 

da Vida,  

o que lembrar, 

mais o principal: 

onde cheguei, 

o que sou agora.


Trarei no bojo

agradecimentos 

a todos e todas 

por esta 

bela caminhada. 

 

Compreenderei 

finalmente: 

não está 

em riquezas 

posições, 

vaidades 

prazeres,

a alegria da vida

mas em pequenos gestos,  

dos encontros, 

amizades

passeios,

o silêncio noturno, 

prévia da eternidade.


Uma grandiosa 

gratidão ao Criador 

estará em meu coração, 

ao meu querido Jesus, 

por me acompanhar 

nas tempestades,

no lodo.


Direi ao meu amor 

meu muito muito 

muito obrigado 

por companhia 

tão longa

tantas descobertas

diárias .


Olho com alegria 

este derradeiro dia,  

com despedidas, 

mas muito mais 

encontros.


Deixo 

antecipada... 

não sei 

quando virá, 

quiçá  

um até breve,

não sei 

quem irá antes

não se sabe 

o dia de amanhã...

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

TEM SENTIDO?

 


Tudo tem 

sentido

mesmo 

sem sentido.


Tudo conspira 

para algo maior

tece teias

desconhecidas

descobertas tardias

nunca o agora.


Nada não existe.


A existência 

não contém 

inexistência.


Há sim,

superfícies rasas,

arrastam-se

pela vida, 

distraídas. 


Quem sabe

o sentido seja 

busca por tesouros, 

aguardam despertares.


Eu mesmo 

escavo agora

não sei 

onde chegar.


Também...

tudo segue 

assim assim

lento

nem me importo 

mais onde vai dar

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

INSONIA ESTRUTURAL

 


As noites 

são inúteis, 

dormir 

é desperdício .


Reluto 

em entregar 

os olhos 

ao cansaço,

resisto.


Todos dormem

menos eu,

sonâmbulo 

de um mundo 

novo 

que não vem.


Faço os cálculos, 

equações da vida,

não fecham...


Um domínio

poderoso varre 

os quatro cantos


Não há 

em sã 

consciência 

como dormir...


Tudo grita

reverbera

na cabeça 

lamentos 

clamores 

de toda 

ordem

seculares

milenares.


Quando não, 

são beijos

espremidos

no afã de 

superar-se

no outro

na outra,

o desamor 

do dia.


Velo 

vigília 

eterna,

terna

insônia 

estrutural.

VIGÍLIA DE MIM

 


Um galo canta ao longe...

a vela do oratório 

chama que vela

segue sonhos 

além da capacidade 

humana. 


Um sonoro silêncio 

expõe limites 

represa soluções, 

clama por atitudes.


Não ouvem 

a voz do vento...


Não sentem 

mais aromas, 

perdem-se 

nos desertos

tornam-se áridos...


Amar sobrevive 

em servir,

labirinto 

de saídas 

ocultas.


Não conhecem,

recitam 

mantras 

mortos

fingidos,

enganam...


Aguardo 

o nascer 

do dia...

o porvir,

tempo 

propício. 


Quem sabe 

os montes 

se aplainem, 

descubram o Sol 

entre os escombros

das classes.


Quem sabe os lírios 

vençam fanatismos 

fundamentalismos...

espreitam muitos

convencem multidões.


A noite já vai alta.


Alcança a dobra 

do sono, 

despertar

Lusco fusco 

de anjos 

em sua miríade 

de missões

rápidas vozes.


Vigia de mim.

observo 

quem vem,

mal vejo,

grita distante,

mal ouço.


Aguardo 

o nascer 

do dia

o porvir, 

tempo 

propício.


Quem sabe

reúna esperanças

afague do dia,

e sorrisos 

interpretem

a surpresa

constante

da realidade

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

MORNO

 


Quando o dia cai

caio junto.


O que ajunto

se ajunto

O que agrego

faço,

se desfaz

desagrega.


Sina que ensina

escuro que 

se aproxima, 

escurece a esperança 

de ser claro

refina.





E o mundo desaba 

no silêncio do 

agora,

saber ser útil 

entender hiatos

sequências 

consequências.


Vivo porque vivo

Canto porque canto

Verso / letra morta...

me inspiro / expiro  


Convivo 

com estruturas

Respeitosamente

aprisionado.


Encontro canais 

esquecidos 

onde esconder 

a verdade 

estações  perdidas

longínquas.


Perco-me 

na noite 

do nada

nem lágrimas 

nem sorrisos

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

OBSERVACOES ÍNTIMAS



As expressões...
dizem diretamente 
ao coração.

O Sol não sorri
mas desperta.

A Lua não se enamora
mas inspira.

tudo modula 
as sensações 
de quem vê.

A queda está antes, 
na face, 
que no chão.

Miserável a ausência 
de esperança
sorriso...
doe 
em quem observa,
quanto mais
naquele que sofre
se vê só.

Os gritos calados
dizem muito
dos que sofrem.

Para estes
nunca haverão
manchetes.

São os esquecidos
dos esquecidos
dos esquecidos.

É preciso animar
os mortos!
Ressuscitá-los!

Ajudá-los 
a se redescobrirem
primeiro como gente,
depois, caminhar seguro.

Busco razões
para justificar
meu hoje.
desafios pessoais
rompimentos de paradigmas
solidariedade fraterna
amorosa,
busca da verdade
coerência
posicionamento...
oração
diante da incapacidade,
porquê não?
a lista é grande
interminável.

Não se joga 
a vida fora
gratuitamente.

Não estamos aqui
para lermos 
os noticiários
permanentemente,
assistirmos novelas
intermináveis
comermos
bebermos
divertir-nos.

É muito mais!

Afundamos 
sempre que caímos.

Olhe para si;
depois 
para o outros
e busque...
ao final do dia
se fez
ou se desfez

BOMBA EM GAZA?

 


Bombas caem em Gaza...


Impotente 

diante da morte

de inocentes,

mal ando três quarteirões(?),

mal respondo 

pelos que sofrem 

nesta pequena rota...


O poder está distante

esconde-se 

das opiniões 

age por conta própria 

dos poderosos.


Emprestam o nome 

de democracia 

aos que observam, 

como eu,

para que pensem 

fazer parte 

de um todo 

um nada 

uma farsa.


Fecho-me na liberdade

dos meus aposentos,

busco saídas...


Muitos falam por mim

eu, que não falo.


Assisto TV

divirto-me

entristeço

revolto-me,

solidão social 

política 

partidária...


O refúgio 

está além 

da razão,

aloja-se

na subjetividade,

interface da loucura 

da espiritualidade 

e a realidade cruel, 

terreno de solidões, 

cismas não declarados, 

linguagem cardíaca.

sábado, 20 de janeiro de 2024

DEVIR

 

Quando chegar
o tempo da colheita
desperte sonhos
nos olhos vazios.
Lembre do mar
lambendo a areia
afã de avançar e recuar,
esforço permanente
sob os limites dos pés,
ou quando as folhas
despencarem frágeis
dos fortes galhos
saudosas das raízes,
frutos amadurecem
o fim dos tempos.
Galhos sustentam,
folhas caem
permanentes
adubam raízes,
acontecimentos
espraiam ondas
sabores novosc
frutos desconhecidos.

INCOMPREENDIDO

 

Não quero ser compreendido!
Nem mesmo eu me entendo?
Há mais sabor
em ser incompreendido...
inodoro é compreender.
Impossível compreender;
uma incompreensão,
envolve limites
da racionalidade,
aporias....
Preocupa-me
os que facilmente
aceitam os fatos
como estão.

Tudo tão claro!
Falta percepção,
espírito crítico. .
Assim vou,
de incompreensão
em incompreensão.
Também, não precisam
compreender
o que quero explicar...

Deixemos como está.

domingo, 14 de janeiro de 2024

TRANSITORIEDADE

 Que a morte

não seja surpresa

a pegar distraída

a presa.

Caminha escondida
à vida,
sombra permanente
de poente.

Alegra-se com as flores
perfumadas,
pisa a terra onde vive
passo a passo,
cadafalso
de caminhadas inúteis.

Uma névoa permanente
sussurra na gente,
que não quer ver.

Mantém prontidão
diante da distração,
em que repousa a rotina.

Faz chacota dos projetos,
amiga das consciências profundas.
Morte sorrateira!
Brada companheira!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

NOITE & DIA

 

Quando a manhã
despedir-se da noite
voltaremos
a nos desconhecer
esquecendo-nos
dos beijos
entremeados,
palavras extintas.
Quando o Sol
assenhorear-se
sobre todos e tudo,
e a realidade
da sobrevivência
impuser-se
como mandamento,
talvez o sonho
seja a memória
da noite,
campo
dos prazeres
esquecidos
lagos
que aprisionam
a paz.
O calor endurece
a tez endurecida,
juras sussurradas
confissões....
O dia arrefece,
caminha sério
com a razão.
Não se entendem,
não se confraternizam...
Dia e noite...
Noite e dia...
Todas as re

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

UM INSTANTE

Só mais um instante...

te ligo em seguida.


Preciso resolver 

uma situação

complicada

mas retorno 

logo.


É urgente?


Me desculpe

estou meio corrido.


Não faço ideia

do tempo

que levarei.


Podemos marcar

uma conversa

para outra hora?


Vou ver meu tempo.


Te ligo depois

deixando um recado.


Ando tão cheio 

de tudo

pra fazer...




 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O QUE FAZER COM 2024.

 Não consigo pensar isolado mais. O planeta ficou pequeno e muitas as responsabilidades que se colocam, a ponto de, a priori, sentirmos uma impotência. 

Cresce o fascismo no mundo, aumentam os lugares onde as guerras de espalham,  aumentam as possibilidades de novas epidemias,  vemos mudanças ambientais, não mais como possibilidade, mas realidade. 

É neste quadro que estamos inseridos.

Qual a saída?

Ignorar...

Fingir que não temos nada com isso?

Ou buscar enfrentar tudo, apesar das imensas dificuldades?

Fazer sua parte, em algum projeto específico?

Qual a saída?

Além disso, devemos considerar as distâncias entre nossas intenções e a realidade concreta, que muitas vezes nos faz reproduzir aquilo contra a qual lutamos, que em psicologia chamamos de dissonância cognitiva.

Lutamos contra nós mesmos e contra tudo.

Mas há luz no fim do túnel. 

Há um novo homem e uma nova mulher lá no final do túnel. 

Somos a solução para nós mesmos.

Você crê assim também?

DESABAFO POÉTICO

 


Queria tempo 

para escrever, 

mas os afazeres diários?


Tenho um poema 

recitando na mente, 

mas os jornais 

jorram sangue e fome.


Dissertar 

o amor, 

em meio 

a tantos crimes 

perde a radiância.


Há tempo para tudo 

e tempo para nada.


Como desejaria 

caminhar

sentar 

num banco de praça 

observar  e escrever, 

mas estamos sempre

sendo solicitados.


Desejaria

passar tempos 

incontáveis 

juntando palavras 

a pensamentos 

e voar. 


Como me faz sofrer 

ter o que escrever 

e não fazer.


Quantos poemas 

perderam o Time

dissolveram-se

no Sol.


Resta a noite  

ao poeta

dormir geral...


Resta levantar-me 

em silêncio 

acostumar-me à escuridão 

e pescar poemas.

FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...