terça-feira, 30 de abril de 2024

DEVER A CUMPRIR

 Sempre há o que cumprir.

Entretanto, olhando a vida de cima, contemplando os feitos passados e os acontecimentos, há um sabor de dever cumprido.

A idade é  o grande divisor de águas, estar limitado fisicamente, projeta esta sensação de "dever cumprido".

Não! Não é o fim, apenas um anúncio. 

Quando observamos nosso país rodeado por roedores, sempre haverá um dever a cumprir.

Custou caro ao povo brasileiro viver sob o tacão da ditadura.

É o Brasil que nos faz continuar.

Olhamos nossos filhos e netos no Brasil do futuro, um Brasil honesto e solidário. 

O Brasil não tem vocação para guerras. Que se matem os que a tem.

Por aqui prezamos a amabilidade e o diálogo. 

Esta febre neofascistas de fake news, invertendo verdades e as envernizando de belas, é demoníaco. 

Ver os irmãos evangélicos e os católicos carismáticos embarcarem nesta farsa e até adorarem o tal "mito", desnuda a facilidade da manipulação religiosa bem representativa, atualmente no país. 

Estamos contaminados pelo mau, " em o nome de Jesus", não é um absurdo?

Não percamos a esperança.  

Importante é dialogarmos para esclarecer, sempre.

Estou convencido de que, excetuando-se os fanáticos, podemos corrigir as distorções nazi fascistas crescentes no Brasil. 

Como diz um antigo ditado popular:

 - A luta continua!


Tenho dito.


segunda-feira, 29 de abril de 2024

PATRIARCA DA SOLIDÃO

 A casa 

já não está 

lá mais. 


Meus pais 

se foram.

Meus irmãos 

também se foram.


Fiquei eu só 

Patriarca das solidões. 


As decisões atuais

reviso pelo passado.


Encontro o presente 

na história ausente.


Ninguém abraça a solidão.


Ninguém diz:

-Ah... como é bom estar só. 


Somos sociais

apesar das grandes

ausências.


Não se foge da solidão,

ela vem 

sem consentimento

sem rejeição 

com a bolsa cheia

de verdades

escondidas.


Chega o tempo 

em que vamos 

sendo esquecidos 

por todos, 

ciclo natural 

do envelhecimento

e somos jogados

na solidão.


Neste instante, 

ela se faz 

parente, 

mãe, 

pai, 

irmãos,  

ente ausente.


E projetamos 

internamente, 

profundas revisões 

dos caminhos 

trilhados 

e não realizados.


Projetamos 

uma solidão 

de fim 

como 

se todos 

estivéssemos 

presentes

unidos 

novamente.

CAMINHO E VIDA

 CAMINHAR


Não se preocupe, 

mesmo as dores 

e dificuldades 

trazem belas 

novidades.


Caminhar 

é o segredo, 

descobrir saídas 

o mistério. 


Não  há 

o que impeça 

a vida 

de sempre 

avançar. 


Não há 

como não 

se encantar(!?)


Há alegria 

sempre,

mesmo 

com dores 

e dificuldades.


As circunstâncias 

são todas 

possíveis, 

desafios 

que projetam 

crescimento. 


Cada dia 

reserva 

grandes 

e silenciosas 

descobertas.


Inquirem 

o interior,

distraído 

no caminhar. 


Enquanto isso 

uma curiosidade 

por ser, 

existir, 

que transcende 

a compreensão. 


Porque chorar?


Porque sorrir?


Tudo segue 

um roteiro 

tragicômico(!?)


Importante é caminhar...


Então sorrir e chorar 

preencha nosso tempo, 

e não nos afaste 

do entendimento.



domingo, 28 de abril de 2024

BEM VINDAS AS DORES

 Se tenho dores,

que tem lá alguém

a ver com isso,

se são minhas?


Ninguém carrega

dores de ninguém.

No máximo,

se é solidário.


Solidariedade

sem dor.


Quanta dor

é necessária

até perder-se

a última gota

de orgulho

e vaidade?


Muita dor é preciso...


Necessitam ocupar

o corpo inteiro,

imobilizar.


Quem sabe

aí surja

algo novo,

despido

de falsidade

e soberba?


Por isso,

sejam sempre

bem vindas

as dores

que se espalham,

seus gemidos

são fraquezas

de quem sofre,

não as entendem.


Dores servem

para serem

guardadas,

porquê não

cultivadas?


Redimem a vida

de seus vícios,

forçam conversão.


Porque não, então,

desejar dores,

dores sobre dores.


Quem sabe assim

a alegria

se redescubra,

possa usufruir

os pequenos

momentos?


Quem sabe

nos encontremos

em meio

a dores?

sábado, 27 de abril de 2024

O Leão de cada dia

Matar um Leão.

Todo santo dia

matar um Leão.


Vem uma doença,

vai um emprego,

uma morte querida

desaba  vida...


A cada momento

uma resposta 

uma saída,


Junto aos amores, 

desafios,

também dissabores.


Junto a sonhos,

pesadelos,

depois insônia.


E os que pisam 

e pisam,

tornam o mundo pior. 


E as estruturas de poder,

como oprimem

até inconscientemente.


Pensar as grandes 

soluções coletivas,

também as particulares.

Ambas dependem

de ações diretas.


As dores 

que se carregam, 

ninguém vê, 

nem sente...


O mundo não é

para  fracos, 

mas fortes.


Sempre 

um erguer

do cair,

encarar

vencer.


A fé não resolve,

reconhece

o rugido,

preserva

a esperança

esconde-se 

nos templos,

noites solitárias...


Matar um Leão 

a cada dia, 

lutar pela vida

é o destino,

a sorte.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

TRAÇO SOLTO

TRAÇO SOLTO
abril 26, 2024


Traço aqui,
apago ali,
leio depois.

O conhecimento
é um reservatório
desconhecido,
sempre
flui
novidades.

Ora esconde-se,
ora revela-se,
diverte-se como
uma criança,
brincando.

Navega suave
percepção,
anzóis interiores
no mar da experiência.

Não possui
tema definido,
vive livre.

Aceita delineamento ético
como complemento,
não princípio.

Quando jorra,
foram silêncios
de escuta
atenta.

Necessita
ser desperto.

Quando termina
surpreende
pelo inusitado,
ignorância
de quem cria.

já estava lá!

corredores
aposentos
móveis,
desocupados
transformados
em letras,
palavras...

Eu que nada sei...






CANSAÇO DE MÃE

 


O cansaço 

de minha mãe 

continua comigo 

até hoje.


Ela morreu 

há mais 

de duas décadas, 

mas este cansaço 

ainda está presente. 


Como se tivesse 

continuado, 

após grande 

exercício. 


Nascer, 

desmamar,  

crescer, 

estudar, 

trabalhar,

casar, 

parir filhos, 

cuidar da criação 

todos os dias.


Ai, o cansaço 

de minha mãe...

ecoa até hoje.


Eu 

na beirada da cama,  

ela falando:

- João,  estou tão cansada..


Eu, sem palavras.


Apenas acariciando 

sua face...


Não sai de mim 

este cansaço, 

tão grande cansaço.


Cansaço da vida.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

poema para lembrar que a morte existe I celso de alencar e rodrigo braga...

PARTES

Algumas pessoas 

são pedras, 

inatingíveis.


Como conseguem 

fechar-se 

tão concretamente?


Sequer um fio de sentimento...


Outros são maria mole,

exageradamente permissíveis..


Alguns muito envolvidos,

muitos ausentes...


Existem aqueles práticos 

e os teóricos. 


Uma parte empolga-se 

com uma dimensão 

da vida, 

e a absolutiza


Outra parte 

não se empolga 

com nada

nem cheira, 

nem fede.


A luta pela vida 

atinge a todos.


Obriga romper 

suas especificidades, 

colocando-os 

no turbilhão 

da consciência , 

despertar das partes  

adquirir visão.


Uma parte 

permanece 

como está...






ATITUDE DE AMOR


ATITUDE DE AMOR


abril 24, 2024


Está em falta 

uma atitude 

de amor.


Certos 

todos estão, 

faltosos, 

nenhum.


Preservamos

visões, 

lemos bem

a realidade, 

mas, 

e a expressão 

do amor,

a atitude?


Corrigimos tantos 

somos perfeitos...

depois da queda, 

a quem erguemos?


Os dias 

não acabam  nunca...

nossas análises 

sempre coerentes,

podíamos encerrar 

questões 

apaziguando 

corações. 


Assim a lembrança

não cobrará 

nossa grande 

ausência 

de humanidade. 


Atitudes 

de amor

clamam

da profundeza

do passado.


Quem age certo, 

é presente, 

é chamado estadista.


Amor 

não é abstrato, 

é polimento, 

usinagem, 

requer ação 

permanente, 

atitude de amor.








domingo, 21 de abril de 2024

NÃO PECARÁS CONTRA TEUS SENTIMENTOS

 O coração 

é um vulcão 

parcialmente 

extinto.


Contém 

mil formas 

de amor,

irreverente  

libertino.


Sucumbe 

seu amargor 

tempo a fora.


Domesticado, 

força permanentes

barreiras institucionais 

tentativas de erupção. 


O amor é belo 

como a flor,

 exuberante, 

depois fenece.


Está aquém e além 

dos juramentos,

indiscreto.


Tardiamente 

revolta o magma 

dos múltiplos tempos,  

decifrando a

 tristeza.


Permanece  amando 

e convivendo.

neste caminho,

manancial contido 

que ainda aflora, 

perdido.



VIVO DE APAZIGUAR

Vivo de apaziguar...


Encontro a paz 

nos limites 

das guerras, 

em meio às bombas.


Nas disputas 

ideológicas,

a paz 

marca presença, 

junto ao ódio.


Nos menores 

desentendimentos, 

ela aí  está.


Na fome, 

a paz vem 

junto ao alimento. 


Mais dia, 

menos dia, 

ela será 

escolhida, 

pelo desgaste do mal, 

vergonha humana.


Ela está sempre presente,

aguarda o seu momento. 

ALTA NOITE

Os olhos 

estão voltados 

para o horizonte.


É noite alta.


Os seres todos 

refugiam-se, 

descansam. 


Aguardo 

os primeiros sinais 

da manhã, 

que não vem...


Quisera amanhecesse 

outro mundo, 

novas pessoas.


Quisera um concerto 

de natureza e Humanidade 

que coubesse 

todas as soluções. 


Neste dia 

haveria grande festa, 

de toda gente, 

alegria infinda.


Um mundo 

que se superasse, 

alcançasse 

outro patamar.


Aguardo 

os primeiros sinais 

de luz, 

que não vem...


Noite alta.


Melhor que repousem,

a noite mergulhe tudo 

em seu silêncio,

permaneçam dormindo...


O mal dormirá também. 


Não despertem!


A dor também despertará.


Os olhos continuam 

postos no horizonte.


Aguardam 

os primeiros sinais 

de luz.




sexta-feira, 19 de abril de 2024

Dengue e covid

 A dengue e a civis alastram-se Brasil afora.

Tão diferentes, acontecem ao mesmo tempo.

Ando com dores por todo o corpo. Parece que recebi pauladas em todas as partes, mas não posso ficar sobre uma cama. 

Como qualquer paulistano, fazemos e desfazemos atividades, sem deixar as dores impedirem. 

Nas, confesso, a dor é muito grande.

Paciência, vamos em frente

COBRANÇA DE DÍVIDA 

 

Impossível  furtar 

o  passado, 

desaparecer 

pessoas 

acontecimentos,

fingir que não existem, 

sempre voltam, 

cobram.


Não se cria 

à partir do agora, 

não se apagam 

experiências.


Somos 

uma somatória 

acumulada 

complexa, 

que extrai 

minérios 

profundos, 

utiliza-os.


São  brincadeiras 

que ficam para trás, 

referência de inocência.

 

Aguardam aflorar 

em algum instante, 

atravessar tempos, 

corrigir caminhos.


Tenho uma dívida 

com  este passado, 

segue cobrando 

em cada dobra, 

julgamento 

não julgado.


Tenho um acordo 

que menos se acerta, 

quanto mais se distancia. 


Hoje será mais 

uma cobrança 

à distância, 

dívida oculta.


Está junto 

a porta, 

entreaberta...

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Little Richard (1932✟2020) - Long Tall Sally - 1957 (Tradução Legenda)

GRITO PRIMAL

 O dia 

em que fui

parido

berrei ao deixar 

minha mãe,

ela, 

do lado dela

gritando

um parto

de despedida

eu, 

do meu lado

saindo do conforto

estranhando

a separação, 

a dor 

da vida.


Seria sempre

um berro 

não fosse 

o amor, 

este refrigério.


Viver é sair,

Gestar é voltar.


Vou 

aos gritos 

e berros 

neste mundo cão, 

este inferno, 

em que o homem pisa 

o próprio homem.


Aqui estou 

para arrombar portas 

pôr abaixo domínios 

desdenhar reis

invadir castelos.


Quem quiser venha, 

se não,  

encolha o rabo 

subserviente,

porque tudo está 

para ser mudado.


Se, ao final

da luta,

não conquistou, 

sirva o esforço 

a irreverência, 

disposição. 


Berre!

Grite!

Viver é sair

gestar é voltar .





PERGUNTAS

PERGUNTAS


abril 18, 2024


 

Vivo de fazer

perguntas,

Não busco

respostas, 

não ensinam

não explicam.


Permaneço

em interrogações

em todas

as dimensões.


Tenho a consciência

de não conseguir

explicar;

e se for a fundo,

posso complicar.


Se respondo

deixo reticências 

por todo canto...


Melhor

observar tudo

com  riqueza

presteza,

ultrapassa

compreensões.


Respostas

são prepotentes,

vaidosas

encerram logo

verdades

como fim.


Prefiro ser

alguém

sempre

à porta

do saber,

juntando

pedaços soltos

de realidade.


Consciente

da incapacidade,

mediocridade

pessoal,

pergunto

sempre,

porque não sei.


Alguém pode

explicar isto?


Cuidado!


Permaneça na interrogação.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

NO CAMINHO

 Eu sei, 

continua pegando,

nunca para.


Existem mistérios 

que permanecerão 

até fazermos parte

deles.


Caminhamos 

com dores,

amargores,

não damos

conta 

de onde

para onde?


Simplesmente

pegam carona

seguem juntos...


Quem sabe 

destilar,

vai amansando 

tormentas,

outros sofrem

porque sofrem,

nem sempre

precisam.


Bom é 

ir desvendando

o caminho

para não criar

labirintos,

onde lobos 

famintos 

aguardam

nas esquinas

invisíveis...


Não é deleite,

é  consciência

a vida. 


Não é passeio,

mas caminho

desconhecido,

cheio de novidades.




LEITO SEGURO

Muita corredeira 

há de passar 

até que as águas 

atinjam o leito manso, 

largas margens.



O caminho desemboca 

em leito seguro, 

quando a verdade 

Torna-se a expressão 

cristalina 

do cotidiano.


Descobrir 

grandes tesouros 

exige constante 

adestramento, 

abre fendas, 

conflitos. 


Estão além  

das distantes terras, 

novidades 

de nós mesmos.


Lá, a vida 

emerge

Livrando-se 

dos excessos, 

que sempre 

repetem mantras 

repetem...


É preciso aventurar 

no desconhecido, 

que rejeitamos, 

quem sabe daremos passos...


A vida não deixa 

tanto tempo assim, 

para vagarosamente 

avançarmos, 

muitos são 

os convites 

para inutilidades.


Esteja de prontidão 

a expressão 

expõe o coração 

Todos vêem.


Deleite-se

em leito seguro


Não há tempo, 

é agora.


O Sol brilha sobre você. 


terça-feira, 16 de abril de 2024

São Paulo apertado.

 Não adianta querer pensar que vai tudo bem.

Não!

São Paulo não cabe em si mesmo.

Se for sair de carro, deve-se antecipar a saída bem antes, calculando se o trajeto coincide ou não com o fluxo de trânsito. 

Corre -se o risco de pararmos no trajeto naqueles congestionamentos infinitos.

Assim andam as situações daqueles que diariamente se deslocam pela cidade. 

Estou em Sampa há  20 dias confesso estar neurótico.

Espero salvar-me disto tudo , logo e voltar rápido,  como uma fuga, para o litoral norte de São Paulo

domingo, 14 de abril de 2024

A NOSSA PAZ

Sua paz

é minha paz

é nossa paz.


Individual

e coletiva,

conjunta,

em construção.


Minha paz

acontece

na tua paz,

não enfraquece

a outra parte 

para realizar-se.


Sempre é tempo para a paz.


Antes da paz

há desarme

da violência,

como solução.


Antes da paz

há um desarmamento

interior.

um obrigatório

aprendizado 

da paz.


É preciso

aprender

ser pacífico

em um mundo

violento.


Ela nasce 

nos corações

vocação superior

da Humanidade

inimiga da barbárie


Quando nações

entram em guerra

multidões

fomentam

violência e guerra

em seus corações

e irmãos

matam irmãos.


Sociedades 

endêmicas.

violentas

beligerantes,

que vivem

de ódio.


A paz precisa ser

amplamente

pregada

difundida

para apagar

os focos

de morte

que sobrevivem

sob as cinzas.


A paz é irmã

do amor,

univitelinas

desde o início






sábado, 13 de abril de 2024

ERRO CRASSO.

Do conhecimento

apropriei-me

incompleto, 

e altivo.


Escalei montanhas 

despenquei  

em chão duro.


Cedo recitei

olhar longínquo, 

navegante

de além mar.


Observando

do topo

das vaidades,

tropecei 

em vírgulas,

reticências,

crases,

interrompi sequências

encerramento de frases.


Os pensamentos não tem fim...

palavras continuam

na imaginação

além versos.


Chão duro 

que ri de si,

ridículo completo

voos vazios.


Bom é errar

bom é ser 

comum,

ninguém. 


Quem sabe

aprenda: 

o caminho

não cria lenda,

desfia vaidade.


Então que eu

erre muito, 

defeitos de toda ordem.


Ponto final;

ou melhor,

reticências...



sexta-feira, 12 de abril de 2024

DOR E FRESCOR

O  frescor das manhãs

acaba com as dores;

acabo-me nas dores

em meio aos frescores


Como dão

frescores,

se amanhecem

dores?


Quem as tira

de suas chagas,

alivia passos,

manhãs?


Dores não dormem

não acordam...

disfarçam


Nunca terminam...


Vou deixar  

uma dor

para você,

de presente,

noturna,

antes do despertar.


A dor do parto eterno

parto da morte

dor das despedidas

sentidas partidas...

dor do desamor,

clamor

dos que sofrem,

encobrem, 

guardadas em estantes,

gestantes do tempo.

.

Dor da Terra

em guerra

interminável

sem remédio,

dor crônica,

atônita,

permanente.


Dor humana

Dor da humanidade


quinta-feira, 11 de abril de 2024

SOU ASSIM

Vou a lugar nenhum

e se for a algum lugar

melhor seria não ter ido.


Não sou amigo da ordem,

não me enquadrem.

Vou morrer deste jeito.


Não me tornem comportado

não me imponham normas

regras morais.


Sou incômodo!

desajustado

inconsequente


Literalmente perdido


Tem muita gente 

torta por aí

limitada

chama-las de retrógradas 

é elogiar.

Quero distância destes


Não esperem 

nada de mim

não sou nada

não quero nada 

com nada


Esqueçam de mim.


Minha liberdade é irreverente

escolho sem me importar

o que pensam,

de propósito.


Cuidado  comigo

não sou boa companhia.


Fiquem longe!

bem longe


Deixem-me em paz

Sou o que sou!








A novidade passa por cima





quarta-feira, 10 de abril de 2024

SOLIDÃO ENDÊMICA

Confesso 

uma solidão

endêmica.

não conecta,

pontos soltos

sem sustentação.


Confesso

a dificuldade

de  encontrá-la,

subjacente,

oculta.


Não interfere

no cotidiano

fere 

a pausa.


Não se anuncia

nem questiona,

apenas está ali,

desperte

em algum momento,

se houver,

da superficialidade

das rotinas.


Ao definhar 

na entropia

a vida,

aflora

esta solidão

endêmica

de gente

amores,

declarações 

por dar...

Aonde?

Onde darão as estradas,

nunca terminam

convidam

continuar...


Onde estarão os objetivos,

sempre distantes

insatisfeitos

dos limites.


Viver é despojar-se

dos apetrechos,

todos desnecessários.


Quando nos acostumamos

meditamos...

há sempre

mais profundidade

novas descobertas.


Velho que se faz novo,

caminho ermo

com a idade.

desdenhando

estradas

objetivos 

apetrechos,

apenas

observando

o Sol e as crianças,

um por ser 

de incansável calor;

as outras 

alegria, 

pureza, 

verdade...

que vamos despedindo

de suas naturalidades.


domingo, 7 de abril de 2024

HERANÇA

 Deixar palavras...

é  o que temos a oferecer,

os que apreciam 

são poucos.

os que desdenham,

 a maioria.


Palavras 

chegam às partes 

vulneráveis 

dos templos,

onde doutrinas

anestesiam

mortos.


Palavras 

provocam 

silêncio público, 

púlpitos vazios 

que digerem

digerem.


Palavras 

rompem auroras

desnudam estruturas

envergonhadas

de velhas rotinas.


Palavras 

amansam guerras 

armam o espírito 

para um período 

de paz.


Palavras 

são enclaves críticos 

onde as soluções

são consumidas 

no afã de ter.


Palavras

corrigem distâncias 

afagam portos 

aproximam lábios,

hálito e mel. 


Elas sao tudo 

o que podemos

oferecer.


Elas são tudo!

E podemos

oferecer.





sábado, 6 de abril de 2024

POEMA FORAGIDO (Homenagem a coragem da fuga de Mossoró)

Sou um poeta 

foragido 

da segurança

máxima.


Escapei da prisão

das universidades

academias.


Busco os pobres

"desletrados"

crianças

sem colos

homens

embrutecidos

mulheres

estupradas.


Fujo das celas individuais

quarentena 

dos versos

da escura 

realidade.

cegos.


Recito versos 

proscritos,

beijam 

amam

lambuzam

como animais, 

pecam

em esconderijos.


Assalto o mundo

com palavras

condenadas,

viciadas em versos.


Escondo-me

nas ruas

da repressão

das Arcadas

junto a massa 

que passa

"desletrada"


Versos perseguidos...




/


UM DIA

 Um dia será derradeiro

enquanto isso

uma espera

desconhecendo.


Não se sabe 

hora

local

condições


Enquanto isso

segue um tempo

de distração

uma paródia

engraçada

ou triste


Enquanto isso

o Sol

a rua

as pessoas


Tudo concorrendo

para continuar

de uma forma

ou de outra.


Estamos num caminho

com algum controle

e muitos descontroles

algum prazer

e dores.


Surgem oportunidades

aproveitadas

ou descartadas.


Há o amor

descobertas profundas

onde escapam

sinais

dos porquês.


Espera do acontecimento final

que questiona

questiona.



sexta-feira, 5 de abril de 2024

VIRANDO FOLHAS

Viro uma folha

Eu!

Viro outra folha

Eu!

Mais outra folha

Eu!

Em todas elas

um eu que se descobre...

Em todas elas

um eu que se perde!


Quem sou

está acontecendo

Quem sou

está  se ausentando

Quem sou

nunca se sabe

se encontra.


Continuo virando 

sempre as folhas.


Não paro de virar

e continuar sendo

eu

eu 

eu 

eu


Viro sempre

as folhas

nunca terminam.


Sou como as folhas

virando

virando

quinta-feira, 4 de abril de 2024

TUDO MUITO ESTRANHO (de João Scortecci editor)

 

O mundo anda mesmo estranho. Ontem de manhã, sol ainda acordando, lentamente, saindo por detrás de um prédio mais estranho ainda – torto e de dar medo – construído no terreno da antiga Cooperativa Agrícola de Cotia, em Pinheiros, ao lado da estação do Metrô Faria Lima, já estacionando na garagem da editora, quando passei com o carro por cima de alguma coisa estranha, na calçada. Parei. Olhei e não vi nada. Abri o portão automático e entrei com o carro. Ao entrar, observei, à esquerda, a poucos metros de distância, um rapaz, jovem, estranho, com um bebê no “canguru”. Provavelmente estava aguardando um Uber, uma perua escolar, ou um carona. Estou há 11 anos nesse endereço e confesso: foi a primeira vez que os vi, no pedaço. Desci do carro para ver o que havia atropelado. Sacos de lixo, que se rasgaram e sujaram a calçada. Lixo do vizinho – casal de idosos estranhos – que adoram o meu poste. Chamo de “meu”, porque o danado está grudado estranhamente na entrada da minha garagem. O lixo da editora – na sua totalidade composto de papel – é recolhido diariamente por uma empresa de reciclagem terceirizada, que atende, também, a livraria e a gráfica. Examinei o lixo esparramado: restos de comida, cascas de frutas, embalagens de leite, macarrão e pão velho. Que desastre! A ideia era entrar no prédio, pegar vassoura, pazinha, saco de lixo e recolher tudo. Mais tarde, depois das 8 da manhã, quando a faxineira chegasse, pediria que lavasse a calçada, operação feita, pontualmente, toda semanal. Quando estava abrindo a porta do escritório, o jovem estranho, com o bebê no “canguru”, apareceu no portão: “O Senhor atropelou o lixo!”. Gritou e foi embora. Abri o portão e o encarei. Ele me ignorou. Dar uns “tabefes”, às 6 horas da manhã, num jovem com um bebê no canguru, confesso, não é nada prático e muito menos recomendado. Mesmo que, vez por outra – estranhamente – tenha saudade do tempo de menino onde resolvíamos tudo no braço. Respondi: “Não vi.” Recolhi o lixo, com a ajuda de uma colaboradora que entrou às 6h30 da manhã e – na primeira hora do expediente – pedi para que lavassem a calçada. Hoje de manhã, estranhamente, no mesmo horário, 6 horas, reencontrei o jovem com o bebê no “canguru”. Nos encaramos, estranhamente. Já disse: o mundo anda estranho, e eu – mais atento que tudo – ando, com todo cuidado, de olho no lixo do poste. Atropelar sacos de lixo é algo estranho. Muito estranho.
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