quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Caso Epstein

 A elite mundial mostrou sua cara pedófila.  Só Trump escapou, nao por ser um bom mocinho. Tudo parece ter havido uma ocultação das fotos comprometedoras do presidente norte-americano.

Nada como estar no poder...

...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

AFAGO

 


Teu sofrimento, 

amiga, 

ocultas a todos.


Atingiste 

a humildade suprema 

ao silenciar-se na dor.


Quisera afagar-te de consolos, 

curar tuas feridas tão grandes...

não consigo.


Teu tempo encerra-se 

sem que alguém perceba.


Teu tempo atinge 

uma plenitude contraditória, 

supera-se neste pequeno 

enlace esquecido.


Possa eu aprender 

este ensino derradeiro, 

de paz na dor, 

encontro transcendente, 

verdadeiro

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SÓ POR VOCÊ

 


Há um espaço te esperando 

e há um tempo propÍcio. 


Há um descobrir deste espaço, 

e um aproveitar deste tempo. 


É um leito para um rio a existir,

um desaguar no mar que é você.


Permita-se!


Há um chamado 

clamando, 

dentro de ti, 

para realizar-se, 

ser alguém.


Ninguém é ninguém 


Há um você 

a ser descoberto 

em meio a multidão, 

genuino, 

só seu.


Há algo para todos 

que só você 

pode trazer, 

segredo civilizatório.


Há uma porção 

sua 

necessária a todos, 

que só você 

pode produzir

SUBITAMENTE...

 


Subitamente desperto,

afloram-me 

conjunturas insolúveis, 

fraquezas repetidas, 

arrependimentos impenitentes.


Tudo bem desenhado, 

diante de mim, 

como um filme...


Como se o Altíssimo 

fizesse uma desforra 

de minhas idiossincrasias, 

despejando a um só tempo 

um represamento de décadas, 

sem alarde, 

sem que ninguém ouça,

na alta madrugada.


Quem sabe agora um padre... 

e esta fosse 

a ocasião propícia 

de um confessionário. 


Quem sabe, 

um momento de oracão 

disfarce de lucidez, 

onde as grandes nudezes 

ficam à vontade 

em se expor.


Não sei...


O mundo segue 

seu caminho inexorável, 

destino de incautos, 

enquanto perfilo-me 

diante de possibilidades, 

sem resolver, 

assistindo


De repente, 

um desejo 

de renovação, 

e a noite recebe 

pequenas claridades 

no horizonte...


Este o pequeno eu, 

que desperta à  noite, 

precisando ser um gigante, 

quixotesco e desvalido

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

INCONTIDO

 

(em memória a Álvares de azevedo)


Sou um perdido...

meu caso 

não tem solução.


Amo todas as mulheres, 

só arranjo confusão.


Desvio o olhar, 

como se pudesse 

me acalmar...


Qual nada, 

mais me desvio, 

mais cresce , desconfio

este desvario interesse

febril que me acaba.


A flor do meu jardim, 

chama-me sempre 

a atencão,

a ela apego-me 

como âncora, 

desta habitual desatenção...


Assim sigo, 

contrariando-me, 

pedindo perdão, 

tão grandes desejos controlo

deste incontrolável coração

FADIGA SISTÊMICA

 

A mansidão dos mar perdoa meus grandes hiatos, quando desapareço de tudo, escondo-me em casa.


De tempos em tempos tenho uma fadiga sistêmica,  de excessos de palavras, os compromissos intermináveis, lutas eternas.


A paz torna-se uma obrigatória e autônoma reclusão. Reservo-me o direito de desistir, vez por outra, para manter presente meu eixo.


Minhas convicções também tiram férias. 


Não são desistências, é a observação conclusiva no decorrer do tempo, de que certas mudanças ultrapassam meu tempo.


Reclusão estafante, onde meus sonhos, de alguma forma também adormecem.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Fraternidade e moradia

 Vai começar a Campanha da Fraternidade de 2026 - FRATERNIDADE E MORADIA. Cada ano que passa, a Campanha da Fraternidade vai sendo melhor inserida na Igreja no Brasil. Com este tema abre-se a oportunidade de analisarmos todas as vezes em que o tema da moradia aparece nos evangelhos.

Podemos também pensarmos nas políticas públicas de habitação existentes, se são suficientes, se aproveitam o legado já existente de formas de vida atual, enfim muitas alternativas são colocadas.

Nosso país tem um imenso déficit habitacional, que força a população de baixa renda ver nas ocupações a maneira mais rápida de resolver esta situação, ainda que corra riscos de ser expulsa.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

RECOLHO EXPERIÊNCIAS

 

Recolho experiências 

como quem sempre nasce.


Tudo que é novo 

vai sendo guardado 

no alforje do coração. 


Gera domínio do tempo, 

novidades enfraquecidas 

no longo convívio.


Trazem lágrimas e dores, 

esperanças, sorrisos, 

e acasos.


Nunca tem a palavra final, 

continua ensinando.


Recolho experiências 

como quem morre aos poucos, 

quem quer saber(? )

permanecem guardadas...


O mundo corre 

sem memórias. 

esbarra-se 

na mesma 

e repetida maré, 

lua nova, 

oculta.

REFLEXÕES SOBRE O CASO EPSTEIN

 

O caso Epstein, com uma multidão de envolvidos, não é mais um caso entre muitos, mas desvenda até onde vai o chamado sonho americano e o seu "purismo" evangélico, importado por nós no Brasil

A rígida sociedade norte-americana, rígida em todos os aspectos, principalmente o religioso puritano, teve seu ápice de dominação nos anos 50. 

(O movimento hippie pode ser considerado um marco na busca da juventude americana, de romper esta falsa moralidade, gerou uma certa liberdade sexual, mas não rompeu os marcos de dominação moral.)

Acrescente-se ao elevado poder patriarcal da classe dominante, um machismo que não enxergou fronteiras legais, utilizou seu poderio para realizar uma verdadeira invasão na ética familiar, com a aquiescência destas, sob um manto de naturalidade. O mundo ocidental fede.

Assim foi que um sem número de meninas foram envolvidas numa trama sexual de poder, abusadas por pedófilos.

A sociedade norte-americana assistiu este fenômeno dando ares de legalidade, por um bom tempo.

O inusitado hoje é a farta documentação que ficou, envolvendo várias celebridades do mundo, nesta transgressão etária destruindo meninas ainda nem jovens, de seus sonhos.

Epstein representa o ponto máximo do machismo,  e seu substrato evangélico puritano.

Resta, de sobra, a depravação das elites, tão moralistas. 

Hoje, quando o neo fascismo quer retornar ao velho e carcomido sonho americano, expulsando migrantes à força, em nome de algo podre, que escondem, nada como este caso vir à tona, para desmontar a falsidade moralidade americana sendo novamente exportada 

Toda rigidez moral, principalmente de cunho religioso, produz uma horda de demônios que tornam-se príncipes e presidentes de países, como estamos vendo, podres, como sempre foram.

O pior é que este exemplo religioso pegou por aqui,  enamorado do fascismo bols@#$%^*ta, aumentando em muito o feminicidio em nosso país. A ser melhor estudado.

Ah...o Casanova estava certo...que o Carnaval liberte o povo brasileiro e nos permita encontrar o eixo do amor onde possas expressar-se livremente. 

Afinal Deus criou o sexo tambem, não foi o diabo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

PORVIR

  


Não sei por quanto tempo,

sei que continuo aceitando desafios.


Não penso no fim, 

tenho um sentido de continuidade, 

e uma sensação de incompletude.


Olho as gerações 

que se sobrepõem, 

com um misto 

de tristeza e esperança. 


Tristeza, 

por não ter passado experiências 

que poderiam ser evitadas... 

esperanças, 

estampadas nas faces, 

nos olhares.


Tudo convida a desistir.


Tudo nos faz pensar 

que está piorando, 

mas ser humano é inesperado, 

semore se renovando.


O tempo, 

não sei quanto resta ainda, 

sei que continuo, 

ainda aceito desafios

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

OUVIDOS FAZEM FALTA

 


Ouvidos fazem falta...

guarde um pouco 

deles para mim, 

mas acrescido da atenção, 

não gosto de ralos.


O mundo é feito 

de muitas bocas, 

e milhares de braços, 

mas os ouvidos...

ah os ouvidos, 

vivem em degredo permanente, 

surdez decidida 

de si mesmos, 

excesso de ruídos...


Desacreditados ouvidos, 

ignorantes ouvidos,  

distraídos ouvidos.


Nada reverbera 

nestes pavilhões acústicos...

ecoam solitários,  

não convertidos 

infinito interno do nada.


Gritarei, 

gesticularei, 

porque ainda existem olhos.


Encontrarei 

o timbre adequado 

que vibra, 

o tímpano...

baterei 

o martelo, 

a bigorna, 

montando palavras 

nos estribos, 

até atingirem 

impulsos nervosos, 

e finalmente a consciência.


Quem sabe nos entenderemos...

INTERROGAÇÕES

  


Algumas perguntas 

deixei de formular 

por visualizar 

portas espessas. 


Assim, 

os lagos, 

a natureza invertida 

de seus espelhos 

o vento, 

ao esconder seu balanço desencontrado, 

a chuva,  

ao expor o resguardo civilizatório,

o canto dos pássaros 

surpreendendo silêncios,

os aromas 

inebriando o desmaio dos olfatos 

tudo por onde passo 

foi adquirindo 

naturalidade.


Em consequência, 

a beleza de não saber 

remeteu-me a uma vida 

sem mistérios, 

como ela é. 


Então cantei 

fora de hora, 

calado

passeei 

extra oficialmente,  

divirti-me 

como um perseguido, 

o seu contido sorriso.


Sem desejar,  

apresentou-se a chave 

do grande portal, 

das novas realidades, 

presentes,

paralelas, 

longe das puras vigílias,

entranhadas na carne.


O que sou 

sempre esteve ali, 

encoberto 

nas grandes dúvidas 

coladas pelo tempo.

CINCO DA TARDE

 


5 horas da tarde...


O dia vai

despedindo-se, 

nada avisou, 

não pediu opinião, 

simplesmente 

foi esvaindo...


Convida-me 

a adormecer, 

esquecer 

tudo

com seus contudos, 

absolvendo dívidas, 

resultados sempre parciais, 

transferindo expectativas 

aos sonhos, 

ao amanhã, 

ou ao nada, 

porque amanhece, 

e novamente 

novo parece.


Cinco horas da tarde...


Quem sabe um beijo 

ainda reste 

após o por do Sol...


Quem sabe o dia 

não foi em vão 

e firmamos 

mais e melhor 

nossa união, 

este misto 

de abraços, 

viris compassos ...


Seus batimentos, 

cinco da tarde, 

suas libidos, 

meio despertas, 

meio adormecidas 

tratam-me como 

a um louco, 

em meus lamentos 


Tarde te despedes 

em meu apagar 

CONTRATEMPO

 


As pessoas passam 

pelo meu tempo, 

convivem 

e desaparecem.


Passo pelo tempo 

das pessoas, 

convivo 

e desapareço.


Estas pessoas 

permanecem no tempo, 

quando meu hoje 

desaparece.


Permaneço no tempo 

destas pessoas, 

quando seu hoje 

desaparece.


Hoje e ontem 

o nós está presente 

e ausente em mim.


Ontem e hoje 

eu estou presente 

e ausente no nós. 


Carregamos juntos 

um tempo 

e vários contratempos...

HORIZONTE INTANGIVEL

 


Adquiriam vida 

onde os olhos pousavam...

eram como mariposas errantes, 

destoantes, 

sobre as pedras


Deslisava sobre o caminho, 

ingênua 

esquecida do chão duro, 

maduro, 

ressequido.


Abraçava o horizonte intangível, 

indiferente, 

com suas begônias 

penduradas nos atalhos, 

aromas proibidos.


Alternava estradas, 

golfando ares de misericordia, 

ocultando deuses descontentes.


Assim eram 

suas instâncias subnutridas, 

desconfiadas da memória. 


Partiu e nunca mais foi vista...

domingo, 1 de fevereiro de 2026

SEGREDOS...

 


Permanecerei guardando meus segredos. 

Minhas profundidades tornam-se cada vez mais incompreensíveis a mim, quanto mais para as pessoas. 

Aperfeiçoo a arte de resguardar experiências e intimidades do julgamento do mundo, devido à crescente distância que foi se estabelecendo ao longo do tempo

Dos carismáticos a importância do Jesus da História, como contraponto da espiritualidade pura; dos que vinculam o Cristo unicamente à dimensão social e politica, o quanto perdem do encontro pessoal.  

Confrontam-se, quando poderiam estar unidos na diversidade. 

O ódio trazido pelo neo fascismo acabou por formar redes separadas...ação do diabo, certamente

É preciso deixar portas abertas, sem o temor de perder-se

Meus segredos são de toda ordem, místicos, sexuais, morais, culturais, sociais, ecológicos,  politicos, literários, pessoais, comunitario, de omissao alienação,  acomodação. 

Fácil é errar, dificil é avançar na vida mistica... 

É segredo que não acaba mais. 

De alguns busco esquecer, de outros não consigo divulgar, ainda que deseje...seria ridicularizado.

A consequência é o banimento que me impuzeram  ocultamente e depois, ja acostumado à solidão, me faço.

Vou seguindo pela vida como que tem muito a dizer e nao consegue...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O QUE ESPERAM DE MIM...

 


Querem que eu morra antes... 

agora mesmo, 

se pudessem.


Querem que eu permaneça calado 

enquanto assisto o teatro de horrores 

que fazem com o povo diariamente.


Querem que eu finja 

que tudo está bem, 

que tudo está em paz.


Querem que eu siga o dia 

sem que aconteça nada, 

observando feras 

alimentando-se enraivecidamente 

das presas dilaceradas.


Querem-me com uma 

ignorante santidade, 

olhar longe da realidade, 

pairando ermo pelas ruas, 

distraído de tudo.


Querem-me assim 

todos os dias, 

sempre, 

até não aguentar mais,

e enlouquecer...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

UM FIO DE SUBjETIVIDADE

 


Vejo meus tropeços repetirem-se 

nas gerações mais novas. 


Invade-me a melancolia do desavisar, 

tão vulgar, 

e tão necessário alertar, 

incapaz que sou.


As virtudes, 

que são poucas,  

não as vejo reconhecidas...

há um orgulho humano oculto, 

em esconder 

o que admiramos, 

pouco admitido, 

confronto de egos,

bem real.


O que se dá 

de ser sempre bem aceito, 

está em apresentar-nos medianos, 

nem altares, 

nem sarjetas.


Assim, 

não se sobressai, 

nem se contrai, 

permanece na média...


Fico na média persistência...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PERCORRER

 


Rotinas persistem na demora...

é preciso saber 

a hora de ir embora... 

dar importância ao viver


Servir ou viver?

servir ou viver?


Pêndulo estatico,

enigmático...


Quando tudo é igual, 

quando tudo perde o sal, 

é  preciso romper, 

ser desigual


Não bastam mais sonhos,

não são suficientes

leitos mansos, 

sem recuos, 

avanços...


Romper dói, 

romper é inseguro, 

caminho que se constrói, 

contra a vontade dos muros.


Urge

desaparecer para ser, 

urge 

fazer valer o viver.


Opiniões não faltam, 

todos acabam por dar, 

os dias passam rápido, 

não há mais como aguardar...


Vem tempo, e já chegou, 

o mal não mais se cura 

com unguento, 

o tempo já passou.


Levanta, abra porta e saia! 


A vida 

deve ter 

valor que valha 

corte de navalha, 

estrada percorrida!

CONFLUÊNCIA

  


Travo a batalha  

da letra e o coração, 

descompasso de linguagens, 

de difícil tradução 


A palavra viaja 

através da razão.


O coração 

alaga e seca, 

vê e sente;

dimensões que se filtram, 

convivem separadamente


A letra pergunta, 

se o traduz bem.


O coração sorri...

quem sabe 

um canto, 

um pranto, 

ou mesmo um silêncio 

soe melhor...


Enquanto a frase 

argumenta 

ter tudo

seu devido lugar, 

o coração adormece, 

nada diz...

manancial 

represado.


Vou em equilibrio consciente 

limites abrangentes, 

em sentenças indigentes, 

ao sair da boca, 

tentar

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O QUE ESTÁ FALTANDO...

 


O que está faltando 

são aquelas palavras 

que tem sido guardadas 

há um bom tempo, 

enquanto as dificuldades aumentam


O que está faltando 

são aqueles passos 

dados da porta p'ra fora, 

sem esconder-se em casa, 

ao encontro dos amigos, 

compartilhando sofrimentos.8


O que está faltando 

é aquele olhar agudo, 

transparente, 

onde a realidade desnuda-se

sem a dissimulação 

que não engana mais.


O que está faltando 

são aquelas mãos dadas 

diante das dificuldades, 

em bloco, 

nas ruas

em vez de lamentos solitários.


O que está faltando 

é aquela coragem 

de se por em prontidão, 

e organizar-se

em vez de esconder-se

na covardia do silêncio. 


O que está faltando 

é você inteiro despertar-se 

desta alienação de si

e por-se a campo 

na luta por seus direitos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O JARDIM...

 


Todas as manhãs 

saio ao jardim, 

para ver se encontro 

a flor de meus sonhos.


A natureza reserva surpresas...


Nao importa tanto o tempo, 

faça chuva ou faça Sol, 

abro a porta e saio... 

quem sabe ela esteja 

hoje  ali,   

em meu jardim...


Passo meus dias 

saindo de casa 

em uma busca constante 

de uma flor

desabrochada em sonho. 


Rego as plantas, 

arranco as ervas, 

rastelo as folhas secas caídas,  

quem sabe em uma manhã alegre 

ela surja diante de mim, 

me surpreenda...


Conheço o talo que a sustenta, 

as cores que escaparam 

do pincel de Deus 

em suas pétalas 

o perfume inebriante 

que me aprisiona, 

vegetal medusa invertida, 

onde minhas pedras 

adquirem vida.


Não sei onde dormes, 

bela flor, 

se ainda és botão 

nesta noite escura, 

ou te transformaste em mulher, 

e deitas à noite ao meu lado, 

satisfeita e em paz...


Apenas essa forte sensação, 

que estás aí no jardim, 

quando saio...

domingo, 18 de janeiro de 2026

INDIVISÍVEL

  


Ai, que meus olhos se dividem, 

entre olhar e desviar.


Ai que meus pensamentos 

debatem caminhos, 

entre o furor da imaginação, 

e a apreciação fria 

da realidade 


Ai que minhas mãos 

mal tocam, 

sabem o grau 

da leveza, 

da aridez.


Ai que meus pés 

sofrem com os passos, 

sejam absortos desregrados, 

sejam retilineos compassos...


Ai que tudo termina 

em timbre único de voz  

por onde esconde-se o corpo.


Ai este despertar noturno, 

adormecer diário, 

contrário dos contrários, 

num mesmo eu 

em desatado exílio...


Ai esta desventura organizada, 

mal decifra os mortos, 

mal sente prazer nos vivos...


Lagrimas guardadas, 

escondidos sorrisos, 

síntese anômala 

de percurso dividido.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

VAZIO SISTÊMICO

 


O vazio é um scio 

de permanente ignorância.


Nunca faz perguntas...


Satisfaz-se com o que há.


Não sabe onde está... 

não sabe porque está...


Tem na existência 

uma distração de si,

crescimento vegetativo...


Morte antecipada de quem não viveu.


Um vazio permeia a sociedade 

pelos tempos afora, 

como se ela fosse 

sempre embora 

de si mesma.


Eu mesmo sofro 

surtos do vazio, 

invadem meus senões 

nas contínuas ausências 

de respostas, 

ocultas nos sistemas


Eu mesmo sofro 

a placidez 

da ignorancia...

domingo, 11 de janeiro de 2026

PONDERACOES NOTURNAS

 


A humildade esconde-se

sabendo de tudo. 


A sala vazia aguarda 

importantes visitas, 

nunca vem...


Na porta 

um silêncio de esperanca...

não se abre.


Tão difíceis passos 

que não se dão. 


Tempestades ao fundo

clamam por revoluções, 

muitas...


A paz distrai 

a consciência, 

que não dorme, 

os jardins 

a mantém desperta, 

com fortes argumentos.


Os dias passam...

a vida passa...

as dores nunca passam

servem de ervas, 

não fluem

desafiam, 

impregnadas 

ao coração 


Do silêncio 

afloram intervalos, 

abrem compreensões. 


Quem chama, 

de tão longe, 

mal escuto, 

tão profundo 

escuro de mim?


Aceito-me

JUVENTUDE PERENE

 


Não perca a juventude,

tão furtiva, 

deixe-a percorrer as ruas, 

enamorar-se pelo caminho.


Ela explode 

em cada canto 

seu encanto 

incontido.


Deixe-a sorrir 

gratuita, 

inconsciente, 

é bela!


Deixe-a perdurar

o quanto possa, 

livremente.


Faça dela 

um corolário 

para a vida, 

a ser seguida 

por todo 

o percurso 


O segredo 

dos perfumes 

é a permanência 

da fragrância.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

NADA

 


Eu desci de um nada, 

quando a noite ia alta.


Foi como se 

me descobrisse 

em mim, 

postumamente, 

sentisse um corte 

afiado de uma faca...


Depois de tudo assentar-se, 

foi possivel perceber 

o vazio dos discursos, 

as decorações distraídas,  

e  os lamentos 

que se seguiam às dores.


Foi como se a Lua 

prendesse a esperança 

ereta e profunda 

dos casais, 

passeasse opaca.


Traguei a fumaça da paz, 

baforando nos córregos 

do prazer, 

rindo da ordem 

estabelecida.


Na noite em que a mata 

gemia nos lagos 

a saudade do coito, 

o nada fez reverência 

e partiu

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O QUE DER E VIER

 O QUE DER E VIER


Vou onde der, 

para o que der e vier.


Descobrindo espaços 

compartilhando tempos 

com os amigos.


A realidade é cruel, 

só os amigos confortam 

de esperança 

em meio a lágrimas. 


As ideologias 

circunscrevem 

ilhas de solidão.


Sigo medindo palavras, 

esculpindo ouvidos rochosos, 

para ver se atinjo 

o discernimento, 

nos encontremos.


Vivemos em ilhas restritas, 

fáceis de circundar, 

as oportunidades são contingentes


O perigo dorme ao lado, 

não tem hora de despertar,

está à espreita 

de uma oportunidade 

distraída. 


É preciso seguir adiante, 

radiante, 

fortalecido 

de compreensão e luta.


Porque o mar 

não está para peixe, 

e o vento sopra onde quer...

VELAS SOLTAS

 


Deixei o porto 

ainda muito jovem, 

com a morte de meu pai.


Mal sabia navegar...


Aprendi cedo 

enfrentar tempestades, 

sacodem muito.


Soube ver o tempo, 

olhar o céu, 

entender o calor forte...

a chuva que o acompanha,

o tempo vira...


Vi o mar calmo...


Fui moldando a vida 

conforme olhava, 

aprendia.


Numa das paragens, 

conheci uma companheira 

ensinou-me a ponderar decisões, 

e a sorrir...


Entreguei-me 

e amei.


Percebi que o barco 

em alto mar 

é  só um barco, 

em alto mar, 

quando se está só


Deixei filhos 

por onde passei, 

seguiram seus caminhos, 

mais alguns conselhos...

não se diz tudo, 

nem se aprende tudo, 

rica natureza


Enterrei um, 

experimentei o sabor 

do naufrágio.


Em meio a noite, 

boiando entre vagas, 

vi um pequeno barco, 

e seu pescador,

segurando uma lamparina, 

dizendo:


- Lança-te! 


Experimentei Deus no mar...


Sobrevivi em ilhas, 

não completam...


Hoje, 

porto seguro, 

passo o tempo 

carregando e descarregando 

mercadorias. 


Nada é maior ou menor 

no que se faz


É preciso provimento, 

para alcançar 

um novo mundo, 

uma vela aberta 

e sonhos. 


Que um dia 

possa também 

velejar nas nuvens, 

atingir o céu profundo, 

visitar estrelas, 

mais que um ponto a nortear 

este velho pescador

domingo, 4 de janeiro de 2026

EM ALGUM CANTO...

 


Tenho um coração  

escondido 

em um vilarejo,

no mais profundo 

interior do meu país.


Este coração 

se esconde 

das cidades...

não tem mais idade 

para ocupações inúteis.


Canta uma modinha 

escondidinha, 

um versinho, 

guardado, 

sem recitar, 

de vergonha,

observando 

alguma moça, 

passeando solta,

.


Meu coração 

chora muito 

quando na estrada, 

vê um vilarejo, 

perto da roça, 

se vê aí escondido


Comporta  

uma vida simples, 

escondidinha, 

longe...

das grandes cidades, 

quer amor, 

cana 

e farinha.

Caso Epstein

 A elite mundial mostrou sua cara pedófila.  Só Trump escapou, nao por ser um bom mocinho. Tudo parece ter havido uma ocultação das fotos co...