domingo, 5 de abril de 2026

QUANDO MORRE UMA POETA

 

(em memória de Thereza Rocque da Motta )


Quando um poeta morre, 

um encantamento 

nas palavras 

desaparece, 

e uma realidade dura 

vem à tona.


Quando morre uma poeta, 

morre também 

a esperança na paz, 

diante de todas as guerras, 

os corações sofrem desolados.


Ai, quando vem a notícia 

de que um poeta 

já não está mais conosco...

sem o sereno consolo 

dos versos.


Tão difícil viver 

sem sua mansidão 

diante das investidas 

do desamor, 

eterna dor.


Como viver 

sua ausência poética, 

ambientes de violência, 

tiranias, 

torturas, 

segura as agruras


Quando uma poeta 

se despede,  

é como Jesus  

entre morte 

e ressurreição, 

perde-se o norte, 

a canção,

não sabemos 

como se foi, 

não sabemos 

como ficamos.


Permanece 

a ausência 

a solidão, 

ecoam palavras 

esquecidas 

não ditas, 

angústia dos que ficam.


Quando se vai 

a paz de uma poetisa 

ficamos sempre órfãos...

sexta-feira, 3 de abril de 2026

IMPUBLICÁVEL

 


Não! Não me gabo do quarto...


Ele tem meus segredos 

mais infames, 

impublicáveis.


Nele torno-me 

o mais profano usurpador 

das minhas quimeras,

escavo meus limites 

compartilhados.


Nestes momentos despeço 

o anjo e o arcanjo, 

as ordens e as bandeiras, 

e sem eiras nem beiras, 

solto minhas enzinas 

mais primitivas.


Os limites desaparecem 

diante da liberdade do amor


Ah meu quarto impenetrável..

quinta-feira, 2 de abril de 2026

VERSOS DE ESPERA

 


Tanto amor guardado...

amor por dar..

ultrapassa você, 

o nós, 

segue agregando 

mais e mais, 

sem cessar.


Tanto amor reduz declarações...

torna-as obsoletas 

diante do mundo 

que cobra as pobres indiferenças 

deixadas no extenso caminho.


Venha sempre, amiga! 

A porta das novidades 

deixarei aberta, 

quem sabe traga 

seu olhar amplo 

para este pequeno 

esquecido seu...

sábado, 28 de março de 2026

A JANELA DO FINAL DA RUA

 


Havia uma janela na casa do final da rua onde eu vivia

Nela morava um velho...

Pela manhã ficava aberta..

Quem passava podia ver um grande espelho na lateral de um quarto, um quadro ao fundo, mais uma fotografia em moldura repleta de rococós...

Raramente aparecia alguém na janela. 

As pessoas sabiam que ali vivia um senhor de mais de 90 anos, e só. 

Quanto tempo a vida deve durar, mantendo qualidade, ou seja, ter mobilidade, estar com saúde, poder conversar...

Não tenho a resposta, mas, de certo, há de haver alegria e disposição,  ainda que a chama vá diminuindo.

Guardo na memória as poucas vezes que o velho ancião saiu à janela.

Até onde iam seus olhos?

Não sei de suas reflexões...imagino que as recordações assaltassem nestes momentos. 

Em certa ocasião, ao cair da tarde, passando por aquela casa, encontrei o velho recostado na beirada da janela...

Dei-lhe um tchau...

Ele retribui alegremente.

Já nem sei mais quem se alegrou, se ele ou eu, por ver sempre a janela sem ninguém.

Porque não vivo só. A solidão é algo que o tempo vai nos ensinando, até aprendermos a conviver com ela, principalmente na velhice

sexta-feira, 27 de março de 2026

DESPERTARES

 


Quantos  despertares 

aguardam o término 

de minhas ignorâncias. 


Quantos de mim 

sucumbem diariamente 

no ostracismo 

de suas ausências?


Ah...liberdade fugidia, 

ninguém te ensinou 

minhas fragilidades diárias, 

seguem mansas tempo afora...


Escapas nas manhãs dos acasos, 

distrai-se em afazeres?


Turvo o rio do meus dias, 

desconhece a foz 

onde esvai-se

desemboca, 

não festeja as ribanceiras, 

os frutos do caminho

nem funde os lentos contornos 

sem fim...


Despertar sonolento, 

sem noite, 

sem dia, 

mídiática, 

anestesiada, 

programada.


Quem sabe 

uma seca profunda, 

tempestades ruidosas, 

inundações, 

grandes catástrofes 

possam sacudir 

teu plácido adormecer! 


Quem sabe 

vá despertando 

ao longo do trajeto 

em tempo de correções...


Quem sabe...

AQUI E AGORA

 


Nem sempre sigo como gostaria.


Nem sempre concordo com tudo.


Vou numa ótica distópica, 

antecipando os fins 

com meu próprio incremento, 

como unguento.


Resistente ao mundo, 

rejeito naturalmente  

a boa visão antecipada; 

sigo desperto à  realidade 

que fere, 

persegue 

e mata.


Sigo como vejo,

faço conforme penso, 

pouco silêncio  

me emudece, 

acontece.


Conheço a vida, 

convida à desmedida, 

olho o horizonte como ponte, 

onde se esconde a História, 

perdida


Estou no aqui e no agora, 

nada do que assisti desfaço, 

por cansaço, 

jogo pr'a fora.


A vida é presença e ação,  

poucas vezes poesia, 

poucas vezes canção

quarta-feira, 25 de março de 2026

ESTRADA VAZIA

 

Corro por fora, 

na disputada 

estrada da vida...


Deixo entrever 

que vou embora, 

como se entrasse 

em uma saida, 

algo que demora, 

e nunca visse acontecer.


Corro como se nunca 

ultrapassasse, 

deixasse confortável 

o enlace dos preferidos 


Perco sempre 

os meus passos, 

 sem sonhos, 

um compasso 

medido e metido, 

porque, afinal, 

faço e desfaço.


Estrada sem caminho, 

cheia de deuses superiores, 

eu nestes estertores, 

conheço-me neste vazio

A MORTE ESTÁ À SOLTA

 Vivemos um tempo de alto risco de destruição do próprio mundo. 

O nazifascismo saiu do armário e está despejando ódio nos 4 cantos do planeta. 

A solução escolhida para a sobrevivência é o odio permanente,  acompanhado da mentira, e da guerra, com morte de muitos inocentes 

Tudo ficou de ponta cabeça. 

Mas não podemos perder nossas esperancas num mundo melhor, fraterno, onde o diálogo seja buscado até a exaustão. 

Levantemos a defesa da democracia como questão fundamental e busquemos os mais excluídos para ajudar

terça-feira, 24 de março de 2026

RISCOS NA ECONOMIA BRASILEIRA

 Preciso ponderar aos amigos e amigas que apenas o governo atual  trará garantias de exportações diversificadas de produtos brasileiros em todas as regiões do mundo.

Os EUA,  no afã de isolar a China e o Brics, centralizará todo o comércio exterior para posterior revenda ao mundo, prejudicando enormemente o produtor nacional. 

É preciso defender o Brasil e sua economia emergente. É como penso.

domingo, 22 de março de 2026

MAR DA IGNORÂNCIA

 

A ignorância, 

visita 

inesperada 

permanente, 

subtrai da mente, 

doce serpente,

as possibilidades 

latentes. 


Causas e razões 

Tornam-se senões  

esquecidos, 

atraídos 

por ruídos,

diversões...


E a vida vai

inconsciente, 

sem eira 

nem beira, 

a ladeira 

decadente, 


Quem sabe um dia 

desperte 

clara sabedoria, 

trazida pela dor 

que carrega a gente, 

subjacente 

inerte, 

e aflore

luz pungente 


Vou como quem sonha 

e quer acordar, 

luta diária 

de tudo assimilar.


Caminho de confins, 

sem paradeiros, 

ponteiros, 

completando-se 

em mim

A PRIVATIZAÇÃO DA RELIGIÃO

 Uma das piores criações do capitalismo contemporâneos está na separação da religião da sua realidade social, e da criação de uma salvação individual, independente das pessoas e de seu relacionamento.

Jesus Cristo curou e libertou as pessoas enquanto anunciava o reino de Deus. Assim, devemos entender que o Reino de Deus é mediado pela ação humana, nesta vida, ainda que crendo ser igualmente transcendente.

A salvação, portanto tem sua razão de ser, por ser social, e não individual, de acordo com o amor e a fraternidade, e não como o egoísmo presente na grande ordem capitalista espera fazr

sábado, 21 de março de 2026

Democracia e fascismo, dilema do mundo atual

 O Brasil corre o risco de cerco fascista que pode comprometer a continuidade ds democracia  brasileira. 

O extremismo está progressivamente jogando o planeta em guerras, que bem podem tornar-se numa guerra só,  mundial. 

Paradoxalmente o chamado mundo ocidental é quem encampa o pensamento extremista conservador. 

As consequências destas guerras ja repercutem em nossa realidade, com consequências no aumento dos precos em geral, devido ao aumento do diesel. 

Nunca ficaram tão frágeis as nações emergentes, diante de sanha por fontes de energia e minerais raros das chamadas grandes nações. 

A elite brasileira já se posicionou ao lado dos grupos autoritários de cunho neofascista.

O governo atual, sob o comando do presidente Lula, corre risco real de perder a eleição. 

Importante ressaltar o papel de manipulação e massificação das mentes pelas redes sociais e o domínio religioso pelo fascismo. 

Grande será a luta.

sexta-feira, 20 de março de 2026

AS MÃES QUE CHORAM...

 Neste momento, quantas mães não choram por seus filhos, diante da fome, da doença, e das guerras...

Choro junto a cada uma delas...

Minhas noites nunca terminam...

Lembro-me de Jesus dizendo que "o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça". 

Entendo o que Ele quis dizer.

Vêem à mente nomes e nomes que necessitam de oração. 

Mal termino uma, e surge outro nome... assim passo as noites...

Por fim, escrevo poemas...

O MAL PASSARÁ...

 Contra toda esta tendência de violência e morte, quero deixar uma mensagem de esperança num mundo melhor.

É possível alcançarmos a paz verdadeira no planeta. Sabemos quem é falso e mentiroso e quem tem coração puro. 

Então não temamos, porque os maus também acabam sendo enredados por sua própria maldade. 

Serão varridos pela justiça,  eles, com os que os bajularam e fizeram falsas orações. 

Andam muito agitados, como se tudo pudessem, mas é passageiro.

O Deus da verdade e da justiça completa não falha, e assistiremos seu fim, para que um mundo novo ressurja entre nós. 

Caminhemos confiantes, então,  sem temor algum.

quinta-feira, 19 de março de 2026

INCAPAZ

 


Amabilidades fora, 

e encontramos 

a fera que somos.


Sorrisos falsos, 

elogios esguios, 

na essencia aloja-se

a maledicência, 

e a realidade 

nua e crua 

aflora.


Cara e coroa somos, 

tapas e beijos 

pelo caminho, 

ser bom

serve de anteparo, 

para falar mal sozinho.


Passo os dias 

meditando o ser humano, 

sua contradição voraz 

pêndulo entre amores 

e excedidos rancores, 

ambiguidade incapaz

quarta-feira, 18 de março de 2026

EU DE TI

 


Ah, meu bem, 

teu despertar 

permanente, 

consequente, 

me apruma 

na tua serena luz .


Ah.. que me deito 

em tua guarita...


O mundo nos persegue,

quem nos deixou 

livres para amar?


Sou teu vigia, 

a postos, 

pela madrugada, 

examinando 

teus percursos noturnos, 

quando o etéreo 

se faz presente, 

envolve-se na realidade.


Observo teus gemidos solitários, 

terias voltado à infância 

se perdido de teus pais?.


Venha criança, 

encoste-se em mim...

que eu seja, 

neste escuro, 

o baluarte 

onde te proteges do mundo.


Tuas montanhas 

tem montarias aladas...

descem noite afora 

para a desforra.

IMPLÍCITO

  


As expressões falam 

mais que as palavras, 

impossível escondê-las 

em livros.


Pesquiso no silêncio das faces 

suas curiosidades indescritíveis, 

arqueologia dos olhares, 

respondem mais 

que grandes tratados.


Posso ver nestes 

o cansaço 

da condição humana, 

sujeita ao vulgar, 

esquecida dos mistérios, 

tão claros.


Volto com duas versões 

meus caminhos por aí,  

pondero mais, 

ao final, 

o que vejo.


Assim, 

vou refreando as vozes, 

de seus desvarios incontroláveis, 

sobrepostos, 

no contorno dos olhares, 

sua concordâncias, 

afabilidades.

DESPOJAMENTO

 .


Tenho tudo preparado,  

mas falta o essencial.


Entre o que tenho 

e o que sou, 

há  um espaço 

aguardando definições...


O caminho esconde 

um encontro consigo mesmo, 

não declarado, 

sujeito a permanentes modificações,  continuidades e rupturas


Não há como 

guardar-me de mim, 

os bens vaporizam 

nos primeiros contatos, 

o ser se revela o que é...


O que me faz humano 

despoja-me de tudo

terça-feira, 17 de março de 2026

IDAS E VINDAS

 


Estou de volta...


Às vezes viajo longe, 

por dias...

de repente 

estou distante.


Perco-me até. 


Olho em volta, 

percebo 

que estou 

em território estranho.


São leituras, 

outras vezes sonhos, 

resistências,  

ações adversas, 

partidas sutis


Estou sempre, 

de alguma forma, 

viajando em mim, 

sem saber 

se sou eu 

que saio 

ou é  o mundo 

que sai de mim.


Seja como for fui 

e estou distante, 

grande é o esforço 

por voltar, 

e encontrar 

tudo no lugar,

eu deslocado de mim.

segunda-feira, 16 de março de 2026

ENVELHECER JUNTOS

 


Que tal envelhecermos juntos...

Ideias compatíveis, 

sentimentos uniformes, 

ações complementares, 

diferenças toleradas. 


Envelhecer juntos... 

sairmos completando 

o que começa a faltar-nos, 

lembrando esquecimentos 

de palavras, remédios, planos...


Envelhecermos alegres 

da proeza 

de termos chegado 

a este ponto,...

muitos ficam 

no meio do caminho.


Vamos nos arranjando 

nos trajetos 

em que nos perdemos, 

desfrutando as novas paisagens, 

mais dos que nos afligimos. 


Ainda nos beijamos, 

abraçamos, 

divertimos 

sem limites.


Assim é  bom envelhecer 

combinados 

sobre o fim próximo 

como o corolário 

de nossa caminhada, 

sem escândalo, 

sem choro, 

faz parte.

Viver no litoral Norte de São Paulo é tudo

 










domingo, 15 de março de 2026

ENDIVIDADO NO AMOR

 


Estou me escapando,  

endividado no amor.


Dívidas do passado 

muito elevadas, 

difíceis de pagar.


Evito deixar o endereço, 

seria logo encontrado,  

não tenho 

como saldar.


Por não ter 

como refazer, 

corro rápido 

no conserto 

do presente, 

amo profundamente 

o que não fiz

antigamente.


Sou um viajante do tempo, 

com os credores 

cobrando  horrores,  

eu tão fraco e inocente. 


Por ora beije-me, 

abrace-me um pouco,

quem sabe 

neste afago apago 

este passado louco, 

eu tão descrente

sábado, 14 de março de 2026

A bronco pneumonia do ex presidente

 Prezadas  e prezados. Todos sabem dos meus pensamentos. Sou um cristão democrata, humanista, com esperanças num mundo horizontal,  socialista. 

Faço este prólogo para que não seja confundido de alguma forma.

Lutei e luto contra as tendências fascistas no meio de nós, e vejo que houve, deveras, uma tentativa de golpe de extrema direita no país,  que resultou na prisão do ex-presidente. 

De todo este processo estou de acordo, e lutei por isso.

Observo, entretanto, que por questões humanitárias, neste momento, em que o expresidente encontra-se com uma bronco pneumonia, deva ter sua prisão domiciliar concedida, caso saia com saúde deste quadro, que sabemos ser de alto risco.

Ele foi responsável por nais de 700.000 mortes por covid, e meu filho foi uma destas vítimas.

Não sou igual a eles. Não vivo do ódio ou do recanchismo, como eles. É como penso

A Guerra bate à porta.

 


Tem gente junto à porta.


Não estão para conversas.


Estão sequiosos 

pelos nossos bens.


Farão de tudo para obtê-los.


Não temos amigos a nos proteger, estão muito distantes


Nós mesmos nos encontramos divididos 


Não demorarão muito tempo mais

a bater à porta..


Quando vierem mal cumprimentarão, estarão com as decisões nas mãos  


São poderosos e arrancan à força 

o que querem até obterem.


O prazo está se esgotando, 

pois não esperarão mais .


Farão uma guerra, 

desproporcional, 

se necessário, 

até extrairem 

toda a riqueza 

que desejam


É tarde demais 

para preoararmos 

a resistencia


Fica o dilema:


Entregamos os bens, 

ou entregamos nossas vidas?

quinta-feira, 12 de março de 2026

FINAL DO DIA

 


O dia vai acabando,

eu junto. 


Tudo pertence 

a um longo terminar. 


Aprumo os ombros, 

ergo os olhos...


Fiz o que devia fazer.


Faltam o beijos, 

afagos imprevistos,

acabam de vez 

com as zonas mortas, 

revive


Troco palavras 

desinteressadas, 

confrontando 

a formalidade 

impregnada, 

perigosa


Banho o corpo e a alma, 

lavando as fadigas 

do desafio diário.


O dia desfaz-se 

lentamente,

a conta gotas 

até ser vencido, 

extravasa...

quarta-feira, 11 de março de 2026

REMOENDO

 


Remoendo as vísceras 

com este excesso de guerras, 

humanas feras...


Remoendo a mente 

com o exagero de fake news, 

atordoa...


Remoendo o sexo 

com tanto prazer 

solto nas pradarias 

esguias...


Remoendo os olhos 

hipnotizados aos celulares, 

seus cantares...


Remoendo as palavras, 

vão e voltam, 

num contínuo regurgitar, 

sem falar...


Remoendo as mãos, 

desobedecem a mente, 

autodidatas, 

dementes...


Remoendo a ação, 

paralizada na intenção, 

contração...

ENCERRADO

 


Não escrevo só,

uma época escreve em mim.


Uma história anônima, 

versos soltos,

limites do meu tempo.


Sigo prisioneiro, 

meio perdido, 

meio procurado. 


Sigo um só social, 

impossível desvencilhar- me.


Sou o belo 

previamente descrito, 

o feio, 

facilmente retratado, 

sou deserto, 

congestionamentos, 

multidões, 

solidão. 


Até que tudo passe, 

transição mútua 

de tempos e História,  

os versos descansarão 

no néctar de um período, 

seguindo desconhecidos 

o que todos sabem e vivem

domingo, 8 de março de 2026

OLHOS DOS MEUS OLHOS

 

Deixem-me 

com minha visão... 

se atravesso expressões, 

atinjo o âmago, 

permito-me distinguir 

várias linguagens. 


Ninguém é o que é!


Deixem-me 

mergulhar

este olhar 

meticuloso, 

janelas que se abrem, 

fecham, 

assim, 

sem mais.


Olhos postos em mim, 

escolho  fingir 

não saber nada, 

despertar temores 

alheios,  

receios, 

horrores.


Segunda visão, 

açoda

a compreensão

incomoda.

CALENDÁRIO

  


O calendário 

cala fundo 

o ser no mundo.


Molda sua nuance...

o que somos não importa, 

fora do alcance, 

nos exorta.


Seguimos o que não somos, adquirimos características,  

como gnomos, 

incorporamos os ramos, 

do tronco do tempo, 

específicas. 


Repouso e lazer no domingo.

Segunda, etéreo despertar, 

terça embalo corrido, 

a quarta completar, 

quinta fadiga ampla, 

a sexta amalgamar 

a firmeza do viver, 

véspera de despertar.


Ritual endêmico, 

perene, 

acadêmico, 

que nos seres encene.


Corolário ritual, 

semanal, 

sempre atual, 

igual

Milagre na Festa


Este sábado meu netinho Arthur fez 13 anos e fizemos uma festa para ele. 

Quando amanheceu havia muita chuva e todos em casa estavam preocupados porque como iríamos abrigar tanta gente dentro da casa. Eu mesmo estava entrando neste desânimo. Foi quando me dei conta de que tenho Deus comigo, e afirmei a todos que estavam temerosos, que não iria chover das 12hs até às 16hs, que era o horario da festa. Logo desci para meu quarto e me pus em oração. O serviço meteorológico dava 100% de chuva na cidade.

Pois bem, não deu outra.

Abriu o maior Sol. Meu pedido foi que não chovesse entre 12 e 16hs, horário da festa.

Não é que ao aproximar-se as 16h, o tempo foi fechando de novo?

Este foi o presente que o Senhor nos deu hoje,

Grande é o Senhor!!!

Agora a noite acordei, e com Meg meditamos os detalhes deste milagre, quem creu, e que fez troça.  

E rezamos um terço de agradecimento...

sábado, 7 de março de 2026

VIGÍLIA

 


O sono não vem...


Está na ante sala 

de minha história.


Aguarda esclarecimentos 

postumos, 

como lição.


Os personagens...

estão todos ali, 

perfilados, 

lembrando-me 

das inúmeras passagens 

as crescentes maturidades.


Nunca me senti terminado 

em alguma coisa, 

sou uma somatória,

um rebento rebelde, 

brotado nas esteiras 

das estruturas de poder. 


A estranha convivência 

com as mais diversas 

circunstâncias, 

suas misérias 

suas profundidades,  

acrescentam valor 

à pré consciência, 

tão dispersa, 

convivida 

entre o clássico e o mundano, 

mansões e periferias.


Meu coração pulsou revolta...


Porquê não durmo...


Ah que tudo isso 

ainda me assusta 

por ser tão real, 

apesar do tempo 

ter moldado.


Sono que nao vem...

sexta-feira, 6 de março de 2026

DOÍDAS PERIFERIAS



Os poderes 

despencam 

altivos

não há limites...


Que importam

as periferias...

seguem o ritual 

da sobrevivência 

entre igrejas e bares, 

dividem o mundo 

entre ricos e pobres


Apegam-se 

a sonhos 

no pesadelo.


Um ministro 

se esconde, 

um senador 

desaparece...

um banqueiro 

rouba...


Roubam!!

Todos roubam 

com seus uniformes 

polidos


As periferias 

seguem sós, 

entre igrejas e bares 


A realidade 

se revela crua

mulheres violentadas, 

estupros coletivos, 

feminicídios...


Estão nas casas, 

dentro das casas, 

estão nos trajetos 

solitários, ...


Solitárias mulheres 


Doídas periferias, 

jorram seu sangue só... 

enquanto ministros 

escondem-se no poder

O MUNDO COMO VONTADE

 


Cada um, a seu modo, faz a construção. 

Alguns erigem castelos,  outros, altares, outros ainda, relações. 

No caldo social da vida, por vezes misturam-se, tomando partes, uns dos outros. 

Agir é inerente, motor humano diante do mundo. 

Não é, entretanto, o valor maior, muitos escondem-se atrás deste, e perdem-se.

Desconhecem que tudo subordina-se ao interior do homem, sua humanidade.

Caso não olhe ao redor, e envolva-se com a vida toda construção ruirá, não importa quão elevada e bela esteja.

Trabalhar o coração, aprender-se peça de um grande mecanismo social, com sua parcela de responsabilidade, envolver-se além de si, no nós é o fim, que muitos não vêem, e perdem o principal.

Abrir-se ao mundo com alegria é a grande realização. Abraços gerais

quinta-feira, 5 de março de 2026

DEBRUÇAR NOTURNO



Vou debruçar 

minha verdade 

no silêncio noturno, 

quando todos dormem...


Esperanças aguardam,

estenuadas,  

o alvorecer longínquo.


Abro portas, 

não encontro 

o que procuro.


Fecho as portas, 

novamente

e tranco.


Deixo descansar, 

inerte, 

os aposentos 

mais um tempo.


Tenho a sensação 

de ser observado 

nos detalhes, 

em meio 

às grandes estruturas, 

pesam


Será assim 

o sentido de tudo?


Um abrir, ajeitar coisas, e fechar?


Detalhes diante das estruturas?

quarta-feira, 4 de março de 2026

O Irã é a Ira dos EUA

 Há um louco varrido no poder, eleito por zumbis.

O mundo assiste a barbárie, a morte de inocentes.

A Ucrânia tambem fede...dos dois lados da guerra.

Caminhamos a passos largos para uma destruição da humanidade.

Ora o homem e a mulher foram feitos para o amor, e sociedade deve refletir este amor. 

Mas vemos o inverso, um mundo de ódio. 

Até o fim pregarei a paz e a justiça.

Que vença o amor fraterno!

Nao podemos assistir a tudo isto sem nos manifestarmos.

Afinal temos que deixar um mundo melhor para os nossos netos

RETROSPECTO

 


De tudo, um pouco, 

fiquei por fazer...


Por desejar tanto, 

um pouco de tudo 

experimentei.


Senti o sabor, 

apalpei, 

segui trilhas novas...


Pude fazer a escolha!


Acertei e errei.


Reconheço 

certa frustração 

de não seguir 

apenas um caminho, 

como tantos quiseram, 

mas nao atentei

esqueci...


Ficou a consciência 

das possibilidades, 

eu e o mundo, 

perdões e agradecimentos,...


Fujo dos retilíneos, 

ocupam os lugares 

dos outros


A alegria somou-se 

às descobertas...


Veio o amor, 

abriu um mundo novo,

combinei convivência e paz.


Vieram também 

novos inesperados, 

balançando estruturas.


De tudo sobrevivi, 

guardando 

o que é só meu, 

segredo de Estado...


Uma visita secreta 

acompanhou-me 

permanentemente, 

imperceptível, 

entremeada


Percebo-me pequeno 

em meio a tudo, 

aprendi a humildade 


Hoje, assentado no tempo

cultivo as plantas do jardim, 

como uma fotografia póstuma, 

e me despeço vagarosamente,  

também aos poucos...

terça-feira, 3 de março de 2026

SEGREDO COTIDIANO



A vida é ação, 

depois espera, 

quem não entende 

espera, 

quando deveria agir, 

e age muito no agora,

para tudo!

Fica pendente...


Sou mestre 

nesta troca 

de ciência:

ajo fora de hora, 

falta-me sempre 

paciência.


Quem sabe o tempo 

ensine esta regra 

junto a muita oração, 

porque esta 

nem sempre termino, 

e parto rápido

para o mundo

para a confusão.


Uma a outra faz esclarecer,

esperar ensina o bem agir.

e a ação faz conhecer, 

corrigir.


Fica o dito 

pelo não dito:

a vida não volta 

a ser percorrida, 

segue sempre, 

seu tempo, 

depois do interdito.

domingo, 1 de março de 2026

CHAMADO

 


Há um chamado, 

às vezes com palavras, 

às vezes em fortes 

golfadas de ar...


Anuncia o esgotamento 

de um tempo, 

e a vinda de outro, 

apenas isto. 


Não há por que temer

menos ainda chorar...


Somos menores que os processos, 

ultrapassam-nos as mudanças.


O dia desfia 

os acontecimentos 

até a exaustão; 

depois surgem 

novos eventos, 

esquecemos tudo 

o que fizemos, então. 


Sorria, chorei, ame, viaje! 


Divirta-se enquanto pode 

e não se esqueça de ser bom

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Vem aí meu oitavo livro de poemas: DOR OCULTA

Estamos num tempo em que o diálogo se transforma em uma exigência, para vencer a solidão do ódio.

 Vivemos um vale tudo pelo poder, notadamente na divulgação de mentiras e acusações, muitas vezes  infundadas, para se atingir o poder. 

Neste terreno a poesia reflete a verdade, e mostra o interior o ser, suas angústias diante do volume das manipulações midiáticas e das redes. 

Por isso sofre permanentemente...

È preciso voltar a exaltar o amor, a esperança na vida, a paz .

DOR OCULTA é uma obra que expressa o interior do ser humano diante da ferocidade autoritária.

Chora e revolta-se, medita caminhos e escreve.

Está presente no coração do homem e da mulher. 

Clama por um mundo justo e partilhado, na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença.

DOR OCULTA é o casamento da humanidade, e precisa de você.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

MORADAS

  


Os aposentos 

onde  guardo 

meu passado, 

de nem todos 

tenho mais a chave.


Neles deixei tesouros...

permanecem intocados, 

sem acesso

deste mundo.


Representam o contrário 

do que sou, 

o livre prisioneiro 

em auto exílio 

de mim.


Aposentos 

aposentados

vívidos

embalsamados

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Viagens de Lula à Índia e Coreia

 Lula está busca de ampliar e diversificar as relações do mercado brasileiro, tendo em vista a instabilidade do vomercio mundial, mormente quando um louco fascista está no controle sa maior economia do mundo.

As elites brasileiras aceitaram as tentativas de queimar o peão, e ainda que estejam se beneficiando sob o governo Lula, vão aderindo ao coro bols%^#@*sta.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

ÉS TUDO

 


Peço que fiques 

mais um pouco 

por aqui.


Sinto-me só, 

e tua presença 

ajuda muito.


Preciso apenas 

que estejas junto...

quem sabe 

nem necessite 

fazer nada. 


Mais o apoio 

que presença, 

mais compreensão 

que críticas.


Tua presença me é cara, 

diante das incertezas 

que me invadem,

aliviam.


Serás capaz 

de esquecer-se 

um pouco de ti

para estar comigo?


Todos estão 

tão  voltados 

a si mesmos...

de repente 

sinto-me só.


Se estiver lendo, 

sentirei tua proximidade..  


Caso algo 

tenha te tocado, 

e compartilhar comigo, 

será para mim a glória.


Apenas leia; 

depois diga 

o que achou.


Não gosto 

de prateleiras, 

estar apertado 

entre livros, 

aguardando 

ser retirado 

por alguém 

num quando 

indefinido


Fique mais 

um pouco 

abra uma página, 

veja se algo 

faz sentido 

para voce, 

agrega.


Sinto-me só 

fique um pouco 

mais comigo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

OLHAR

 


Até onde vão meus olhos, 

o que procuram?


Amaram em demasia os horizontes..


Apaixonaram-se pelo mar..


Escalaram montanhas...


Um dia descobriram 

uma bela gazela 

a passear pelos campos, 

tornaram-se prisioneiros.


Não eram os horizontes...


Não era o mar...


Não eram as montanhas...


Tudo parou 

para reverenciar 

sua ingenuidade, 

a leveza de seus passos, 

o seu livre caminhar.


Meus olhos aprenderam 

a ser cegos, 

não se importar 

com mais nada


Apenas seguiram-te estrada à fora...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

QUARESMA

Tempo de 

reservar-se

encontrar-se

desafiar-se.

Tempo de 

jejum, 

oração 

esmola.

Tempo de

rever-se, 

descobrir-se, 

Tempo de 

calar-se,

ouvir...



A SÓS...

 Estou só, 

literalmente só...


Aprendi a conhecer 

o duplo eu 

que se entrelaça 

em mim


Não pensamos igual, 

muitas vezes diferente,

nem sempre 

manifestam-se

ao mesmo tempo.


Contemporâneos de convívio, 

divergem das rotas,

discutem muito 

no caminho,

ao final dos dias.


Um intervém 

tardiamente, 

corrigindo...

o outro, 

é mais apressado, 

soluções 

rápídas.


Não sei qual enzima 

coloca junto

tamanha diferença.


Completamo-nos?


Convido amigos 

para vir em casa

visitar- nos, 

e vou logo 

pedindo licença  

pela forma 

como me manifesto, 

porque, 

ora agrado um, 

ora o outro,

e ora me desagrado 

como um todo, 

porque há um terceiro, 

um quarto, 

sei lá quantos...


Sou social


Meu monólogo 

está mais para um diálogo, 

multidões que me habitam


Caso Epstein

 A elite mundial mostrou sua cara pedófila.  Só Trump escapou, nao por ser um bom mocinho. Tudo parece ter havido uma ocultação das fotos comprometedoras do presidente norte-americano.

Nada como estar no poder...

...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

AFAGO

 


Teu sofrimento, 

amiga, 

ocultas a todos.


Atingiste 

a humildade suprema 

ao silenciar-se na dor.


Quisera afagar-te de consolos, 

curar tuas feridas tão grandes...

não consigo.


Teu tempo encerra-se 

sem que alguém perceba.


Teu tempo atinge 

uma plenitude contraditória, 

supera-se neste pequeno 

enlace esquecido.


Possa eu aprender 

este ensino derradeiro, 

de paz na dor, 

encontro transcendente, 

verdadeiro

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SÓ POR VOCÊ

 


Há um espaço te esperando 

e há um tempo propÍcio. 


Há um descobrir deste espaço, 

e um aproveitar deste tempo. 


É um leito para um rio a existir,

um desaguar no mar que é você.


Permita-se!


Há um chamado 

clamando, 

dentro de ti, 

para realizar-se, 

ser alguém.


Ninguém é ninguém 


Há um você 

a ser descoberto 

em meio a multidão, 

genuino, 

só seu.


Há algo para todos 

que só você 

pode trazer, 

segredo civilizatório.


Há uma porção 

sua 

necessária a todos, 

que só você 

pode produzir

SUBITAMENTE...

 


Subitamente desperto,

afloram-me 

conjunturas insolúveis, 

fraquezas repetidas, 

arrependimentos impenitentes.


Tudo bem desenhado, 

diante de mim, 

como um filme...


Como se o Altíssimo 

fizesse uma desforra 

de minhas idiossincrasias, 

despejando a um só tempo 

um represamento de décadas, 

sem alarde, 

sem que ninguém ouça,

na alta madrugada.


Quem sabe agora um padre... 

e esta fosse 

a ocasião propícia 

de um confessionário. 


Quem sabe, 

um momento de oracão 

disfarce de lucidez, 

onde as grandes nudezes 

ficam à vontade 

em se expor.


Não sei...


O mundo segue 

seu caminho inexorável, 

destino de incautos, 

enquanto perfilo-me 

diante de possibilidades, 

sem resolver, 

assistindo


De repente, 

um desejo 

de renovação, 

e a noite recebe 

pequenas claridades 

no horizonte...


Este o pequeno eu, 

que desperta à  noite, 

precisando ser um gigante, 

quixotesco e desvalido

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

INCONTIDO

 

(em memória a Álvares de azevedo)


Sou um perdido...

meu caso 

não tem solução.


Amo todas as mulheres, 

só arranjo confusão.


Desvio o olhar, 

como se pudesse 

me acalmar...


Qual nada, 

mais me desvio, 

mais cresce , desconfio

este desvario interesse

febril que me acaba.


A flor do meu jardim, 

chama-me sempre 

a atencão,

a ela apego-me 

como âncora, 

desta habitual desatenção...


Assim sigo, 

contrariando-me, 

pedindo perdão, 

tão grandes desejos controlo

deste incontrolável coração

FADIGA SISTÊMICA

 

A mansidão dos mar perdoa meus grandes hiatos, quando desapareço de tudo, escondo-me em casa.


De tempos em tempos tenho uma fadiga sistêmica,  de excessos de palavras, os compromissos intermináveis, lutas eternas.


A paz torna-se uma obrigatória e autônoma reclusão. Reservo-me o direito de desistir, vez por outra, para manter presente meu eixo.


Minhas convicções também tiram férias. 


Não são desistências, é a observação conclusiva no decorrer do tempo, de que certas mudanças ultrapassam meu tempo.


Reclusão estafante, onde meus sonhos, de alguma forma também adormecem.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Fraternidade e moradia

 Vai começar a Campanha da Fraternidade de 2026 - FRATERNIDADE E MORADIA. Cada ano que passa, a Campanha da Fraternidade vai sendo melhor inserida na Igreja no Brasil. Com este tema abre-se a oportunidade de analisarmos todas as vezes em que o tema da moradia aparece nos evangelhos.

Podemos também pensarmos nas políticas públicas de habitação existentes, se são suficientes, se aproveitam o legado já existente de formas de vida atual, enfim muitas alternativas são colocadas.

Nosso país tem um imenso déficit habitacional, que força a população de baixa renda ver nas ocupações a maneira mais rápida de resolver esta situação, ainda que corra riscos de ser expulsa.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

RECOLHO EXPERIÊNCIAS

 

Recolho experiências 

como quem sempre nasce.


Tudo que é novo 

vai sendo guardado 

no alforje do coração. 


Gera domínio do tempo, 

novidades enfraquecidas 

no longo convívio.


Trazem lágrimas e dores, 

esperanças, sorrisos, 

e acasos.


Nunca tem a palavra final, 

continua ensinando.


Recolho experiências 

como quem morre aos poucos, 

quem quer saber(? )

permanecem guardadas...


O mundo corre 

sem memórias. 

esbarra-se 

na mesma 

e repetida maré, 

lua nova, 

oculta.

REFLEXÕES SOBRE O CASO EPSTEIN

 

O caso Epstein, com uma multidão de envolvidos, não é mais um caso entre muitos, mas desvenda até onde vai o chamado sonho americano e o seu "purismo" evangélico, importado por nós no Brasil

A rígida sociedade norte-americana, rígida em todos os aspectos, principalmente o religioso puritano, teve seu ápice de dominação nos anos 50. 

(O movimento hippie pode ser considerado um marco na busca da juventude americana, de romper esta falsa moralidade, gerou uma certa liberdade sexual, mas não rompeu os marcos de dominação moral.)

Acrescente-se ao elevado poder patriarcal da classe dominante, um machismo que não enxergou fronteiras legais, utilizou seu poderio para realizar uma verdadeira invasão na ética familiar, com a aquiescência destas, sob um manto de naturalidade. O mundo ocidental fede.

Assim foi que um sem número de meninas foram envolvidas numa trama sexual de poder, abusadas por pedófilos.

A sociedade norte-americana assistiu este fenômeno dando ares de legalidade, por um bom tempo.

O inusitado hoje é a farta documentação que ficou, envolvendo várias celebridades do mundo, nesta transgressão etária destruindo meninas ainda nem jovens, de seus sonhos.

Epstein representa o ponto máximo do machismo,  e seu substrato evangélico puritano.

Resta, de sobra, a depravação das elites, tão moralistas. 

Hoje, quando o neo fascismo quer retornar ao velho e carcomido sonho americano, expulsando migrantes à força, em nome de algo podre, que escondem, nada como este caso vir à tona, para desmontar a falsidade moralidade americana sendo novamente exportada 

Toda rigidez moral, principalmente de cunho religioso, produz uma horda de demônios que tornam-se príncipes e presidentes de países, como estamos vendo, podres, como sempre foram.

O pior é que este exemplo religioso pegou por aqui,  enamorado do fascismo bols@#$%^*ta, aumentando em muito o feminicidio em nosso país. A ser melhor estudado.

Ah...o Casanova estava certo...que o Carnaval liberte o povo brasileiro e nos permita encontrar o eixo do amor onde possas expressar-se livremente. 

Afinal Deus criou o sexo tambem, não foi o diabo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

PORVIR

  


Não sei por quanto tempo,

sei que continuo aceitando desafios.


Não penso no fim, 

tenho um sentido de continuidade, 

e uma sensação de incompletude.


Olho as gerações 

que se sobrepõem, 

com um misto 

de tristeza e esperança. 


Tristeza, 

por não ter passado experiências 

que poderiam ser evitadas... 

esperanças, 

estampadas nas faces, 

nos olhares.


Tudo convida a desistir.


Tudo nos faz pensar 

que está piorando, 

mas ser humano é inesperado, 

semore se renovando.


O tempo, 

não sei quanto resta ainda, 

sei que continuo, 

ainda aceito desafios

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

OUVIDOS FAZEM FALTA

 


Ouvidos fazem falta...

guarde um pouco 

deles para mim, 

mas acrescido da atenção, 

não gosto de ralos.


O mundo é feito 

de muitas bocas, 

e milhares de braços, 

mas os ouvidos...

ah os ouvidos, 

vivem em degredo permanente, 

surdez decidida 

de si mesmos, 

excesso de ruídos...


Desacreditados ouvidos, 

ignorantes ouvidos,  

distraídos ouvidos.


Nada reverbera 

nestes pavilhões acústicos...

ecoam solitários,  

não convertidos 

infinito interno do nada.


Gritarei, 

gesticularei, 

porque ainda existem olhos.


Encontrarei 

o timbre adequado 

que vibra, 

o tímpano...

baterei 

o martelo, 

a bigorna, 

montando palavras 

nos estribos, 

até atingirem 

impulsos nervosos, 

e finalmente a consciência.


Quem sabe nos entenderemos...

INTERROGAÇÕES

  


Algumas perguntas 

deixei de formular 

por visualizar 

portas espessas. 


Assim, 

os lagos, 

a natureza invertida 

de seus espelhos 

o vento, 

ao esconder seu balanço desencontrado, 

a chuva,  

ao expor o resguardo civilizatório,

o canto dos pássaros 

surpreendendo silêncios,

os aromas 

inebriando o desmaio dos olfatos 

tudo por onde passo 

foi adquirindo 

naturalidade.


Em consequência, 

a beleza de não saber 

remeteu-me a uma vida 

sem mistérios, 

como ela é. 


Então cantei 

fora de hora, 

calado

passeei 

extra oficialmente,  

divirti-me 

como um perseguido, 

o seu contido sorriso.


Sem desejar,  

apresentou-se a chave 

do grande portal, 

das novas realidades, 

presentes,

paralelas, 

longe das puras vigílias,

entranhadas na carne.


O que sou 

sempre esteve ali, 

encoberto 

nas grandes dúvidas 

coladas pelo tempo.

CINCO DA TARDE

 


5 horas da tarde...


O dia vai

despedindo-se, 

nada avisou, 

não pediu opinião, 

simplesmente 

foi esvaindo...


Convida-me 

a adormecer, 

esquecer 

tudo

com seus contudos, 

absolvendo dívidas, 

resultados sempre parciais, 

transferindo expectativas 

aos sonhos, 

ao amanhã, 

ou ao nada, 

porque amanhece, 

e novamente 

novo parece.


Cinco horas da tarde...


Quem sabe um beijo 

ainda reste 

após o por do Sol...


Quem sabe o dia 

não foi em vão 

e firmamos 

mais e melhor 

nossa união, 

este misto 

de abraços, 

viris compassos ...


Seus batimentos, 

cinco da tarde, 

suas libidos, 

meio despertas, 

meio adormecidas 

tratam-me como 

a um louco, 

em meus lamentos 


Tarde te despedes 

em meu apagar 

CONTRATEMPO

 


As pessoas passam 

pelo meu tempo, 

convivem 

e desaparecem.


Passo pelo tempo 

das pessoas, 

convivo 

e desapareço.


Estas pessoas 

permanecem no tempo, 

quando meu hoje 

desaparece.


Permaneço no tempo 

destas pessoas, 

quando seu hoje 

desaparece.


Hoje e ontem 

o nós está presente 

e ausente em mim.


Ontem e hoje 

eu estou presente 

e ausente no nós. 


Carregamos juntos 

um tempo 

e vários contratempos...

HORIZONTE INTANGIVEL

 


Adquiriam vida 

onde os olhos pousavam...

eram como mariposas errantes, 

destoantes, 

sobre as pedras


Deslisava sobre o caminho, 

ingênua 

esquecida do chão duro, 

maduro, 

ressequido.


Abraçava o horizonte intangível, 

indiferente, 

com suas begônias 

penduradas nos atalhos, 

aromas proibidos.


Alternava estradas, 

golfando ares de misericordia, 

ocultando deuses descontentes.


Assim eram 

suas instâncias subnutridas, 

desconfiadas da memória. 


Partiu e nunca mais foi vista...

domingo, 1 de fevereiro de 2026

SEGREDOS...

 


Permanecerei guardando meus segredos. 

Minhas profundidades tornam-se cada vez mais incompreensíveis a mim, quanto mais para as pessoas. 

Aperfeiçoo a arte de resguardar experiências e intimidades do julgamento do mundo, devido à crescente distância que foi se estabelecendo ao longo do tempo

Dos carismáticos a importância do Jesus da História, como contraponto da espiritualidade pura; dos que vinculam o Cristo unicamente à dimensão social e politica, o quanto perdem do encontro pessoal.  

Confrontam-se, quando poderiam estar unidos na diversidade. 

O ódio trazido pelo neo fascismo acabou por formar redes separadas...ação do diabo, certamente

É preciso deixar portas abertas, sem o temor de perder-se

Meus segredos são de toda ordem, místicos, sexuais, morais, culturais, sociais, ecológicos,  politicos, literários, pessoais, comunitario, de omissao alienação,  acomodação. 

Fácil é errar, dificil é avançar na vida mistica... 

É segredo que não acaba mais. 

De alguns busco esquecer, de outros não consigo divulgar, ainda que deseje...seria ridicularizado.

A consequência é o banimento que me impuzeram  ocultamente e depois, ja acostumado à solidão, me faço.

Vou seguindo pela vida como que tem muito a dizer e nao consegue...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O QUE ESPERAM DE MIM...

 


Querem que eu morra antes... 

agora mesmo, 

se pudessem.


Querem que eu permaneça calado 

enquanto assisto o teatro de horrores 

que fazem com o povo diariamente.


Querem que eu finja 

que tudo está bem, 

que tudo está em paz.


Querem que eu siga o dia 

sem que aconteça nada, 

observando feras 

alimentando-se enraivecidamente 

das presas dilaceradas.


Querem-me com uma 

ignorante santidade, 

olhar longe da realidade, 

pairando ermo pelas ruas, 

distraído de tudo.


Querem-me assim 

todos os dias, 

sempre, 

até não aguentar mais,

e enlouquecer...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

UM FIO DE SUBjETIVIDADE

 


Vejo meus tropeços repetirem-se 

nas gerações mais novas. 


Invade-me a melancolia do desavisar, 

tão vulgar, 

e tão necessário alertar, 

incapaz que sou.


As virtudes, 

que são poucas,  

não as vejo reconhecidas...

há um orgulho humano oculto, 

em esconder 

o que admiramos, 

pouco admitido, 

confronto de egos,

bem real.


O que se dá 

de ser sempre bem aceito, 

está em apresentar-nos medianos, 

nem altares, 

nem sarjetas.


Assim, 

não se sobressai, 

nem se contrai, 

permanece na média...


Fico na média persistência...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PERCORRER

 


Rotinas persistem na demora...

é preciso saber 

a hora de ir embora... 

dar importância ao viver


Servir ou viver?

servir ou viver?


Pêndulo estatico,

enigmático...


Quando tudo é igual, 

quando tudo perde o sal, 

é  preciso romper, 

ser desigual


Não bastam mais sonhos,

não são suficientes

leitos mansos, 

sem recuos, 

avanços...


Romper dói, 

romper é inseguro, 

caminho que se constrói, 

contra a vontade dos muros.


Urge

desaparecer para ser, 

urge 

fazer valer o viver.


Opiniões não faltam, 

todos acabam por dar, 

os dias passam rápido, 

não há mais como aguardar...


Vem tempo, e já chegou, 

o mal não mais se cura 

com unguento, 

o tempo já passou.


Levanta, abra porta e saia! 


A vida 

deve ter 

valor que valha 

corte de navalha, 

estrada percorrida!

CONFLUÊNCIA

  


Travo a batalha  

da letra e o coração, 

descompasso de linguagens, 

de difícil tradução 


A palavra viaja 

através da razão.


O coração 

alaga e seca, 

vê e sente;

dimensões que se filtram, 

convivem separadamente


A letra pergunta, 

se o traduz bem.


O coração sorri...

quem sabe 

um canto, 

um pranto, 

ou mesmo um silêncio 

soe melhor...


Enquanto a frase 

argumenta 

ter tudo

seu devido lugar, 

o coração adormece, 

nada diz...

manancial 

represado.


Vou em equilibrio consciente 

limites abrangentes, 

em sentenças indigentes, 

ao sair da boca, 

tentar

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O QUE ESTÁ FALTANDO...

 


O que está faltando 

são aquelas palavras 

que tem sido guardadas 

há um bom tempo, 

enquanto as dificuldades aumentam


O que está faltando 

são aqueles passos 

dados da porta p'ra fora, 

sem esconder-se em casa, 

ao encontro dos amigos, 

compartilhando sofrimentos.8


O que está faltando 

é aquele olhar agudo, 

transparente, 

onde a realidade desnuda-se

sem a dissimulação 

que não engana mais.


O que está faltando 

são aquelas mãos dadas 

diante das dificuldades, 

em bloco, 

nas ruas

em vez de lamentos solitários.


O que está faltando 

é aquela coragem 

de se por em prontidão, 

e organizar-se

em vez de esconder-se

na covardia do silêncio. 


O que está faltando 

é você inteiro despertar-se 

desta alienação de si

e por-se a campo 

na luta por seus direitos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O JARDIM...

 


Todas as manhãs 

saio ao jardim, 

para ver se encontro 

a flor de meus sonhos.


A natureza reserva surpresas...


Nao importa tanto o tempo, 

faça chuva ou faça Sol, 

abro a porta e saio... 

quem sabe ela esteja 

hoje  ali,   

em meu jardim...


Passo meus dias 

saindo de casa 

em uma busca constante 

de uma flor

desabrochada em sonho. 


Rego as plantas, 

arranco as ervas, 

rastelo as folhas secas caídas,  

quem sabe em uma manhã alegre 

ela surja diante de mim, 

me surpreenda...


Conheço o talo que a sustenta, 

as cores que escaparam 

do pincel de Deus 

em suas pétalas 

o perfume inebriante 

que me aprisiona, 

vegetal medusa invertida, 

onde minhas pedras 

adquirem vida.


Não sei onde dormes, 

bela flor, 

se ainda és botão 

nesta noite escura, 

ou te transformaste em mulher, 

e deitas à noite ao meu lado, 

satisfeita e em paz...


Apenas essa forte sensação, 

que estás aí no jardim, 

quando saio...

domingo, 18 de janeiro de 2026

INDIVISÍVEL

  


Ai, que meus olhos se dividem, 

entre olhar e desviar.


Ai que meus pensamentos 

debatem caminhos, 

entre o furor da imaginação, 

e a apreciação fria 

da realidade 


Ai que minhas mãos 

mal tocam, 

sabem o grau 

da leveza, 

da aridez.


Ai que meus pés 

sofrem com os passos, 

sejam absortos desregrados, 

sejam retilineos compassos...


Ai que tudo termina 

em timbre único de voz  

por onde esconde-se o corpo.


Ai este despertar noturno, 

adormecer diário, 

contrário dos contrários, 

num mesmo eu 

em desatado exílio...


Ai esta desventura organizada, 

mal decifra os mortos, 

mal sente prazer nos vivos...


Lagrimas guardadas, 

escondidos sorrisos, 

síntese anômala 

de percurso dividido.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

VAZIO SISTÊMICO

 


O vazio é um scio 

de permanente ignorância.


Nunca faz perguntas...


Satisfaz-se com o que há.


Não sabe onde está... 

não sabe porque está...


Tem na existência 

uma distração de si,

crescimento vegetativo...


Morte antecipada de quem não viveu.


Um vazio permeia a sociedade 

pelos tempos afora, 

como se ela fosse 

sempre embora 

de si mesma.


Eu mesmo sofro 

surtos do vazio, 

invadem meus senões 

nas contínuas ausências 

de respostas, 

ocultas nos sistemas


Eu mesmo sofro 

a placidez 

da ignorancia...

domingo, 11 de janeiro de 2026

PONDERACOES NOTURNAS

 


A humildade esconde-se

sabendo de tudo. 


A sala vazia aguarda 

importantes visitas, 

nunca vem...


Na porta 

um silêncio de esperanca...

não se abre.


Tão difíceis passos 

que não se dão. 


Tempestades ao fundo

clamam por revoluções, 

muitas...


A paz distrai 

a consciência, 

que não dorme, 

os jardins 

a mantém desperta, 

com fortes argumentos.


Os dias passam...

a vida passa...

as dores nunca passam

servem de ervas, 

não fluem

desafiam, 

impregnadas 

ao coração 


Do silêncio 

afloram intervalos, 

abrem compreensões. 


Quem chama, 

de tão longe, 

mal escuto, 

tão profundo 

escuro de mim?


Aceito-me

JUVENTUDE PERENE

 


Não perca a juventude,

tão furtiva, 

deixe-a percorrer as ruas, 

enamorar-se pelo caminho.


Ela explode 

em cada canto 

seu encanto 

incontido.


Deixe-a sorrir 

gratuita, 

inconsciente, 

é bela!


Deixe-a perdurar

o quanto possa, 

livremente.


Faça dela 

um corolário 

para a vida, 

a ser seguida 

por todo 

o percurso 


O segredo 

dos perfumes 

é a permanência 

da fragrância.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

NADA

 


Eu desci de um nada, 

quando a noite ia alta.


Foi como se 

me descobrisse 

em mim, 

postumamente, 

sentisse um corte 

afiado de uma faca...


Depois de tudo assentar-se, 

foi possivel perceber 

o vazio dos discursos, 

as decorações distraídas,  

e  os lamentos 

que se seguiam às dores.


Foi como se a Lua 

prendesse a esperança 

ereta e profunda 

dos casais, 

passeasse opaca.


Traguei a fumaça da paz, 

baforando nos córregos 

do prazer, 

rindo da ordem 

estabelecida.


Na noite em que a mata 

gemia nos lagos 

a saudade do coito, 

o nada fez reverência 

e partiu

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O QUE DER E VIER

 O QUE DER E VIER


Vou onde der, 

para o que der e vier.


Descobrindo espaços 

compartilhando tempos 

com os amigos.


A realidade é cruel, 

só os amigos confortam 

de esperança 

em meio a lágrimas. 


As ideologias 

circunscrevem 

ilhas de solidão.


Sigo medindo palavras, 

esculpindo ouvidos rochosos, 

para ver se atinjo 

o discernimento, 

nos encontremos.


Vivemos em ilhas restritas, 

fáceis de circundar, 

as oportunidades são contingentes


O perigo dorme ao lado, 

não tem hora de despertar,

está à espreita 

de uma oportunidade 

distraída. 


É preciso seguir adiante, 

radiante, 

fortalecido 

de compreensão e luta.


Porque o mar 

não está para peixe, 

e o vento sopra onde quer...

VELAS SOLTAS

 


Deixei o porto 

ainda muito jovem, 

com a morte de meu pai.


Mal sabia navegar...


Aprendi cedo 

enfrentar tempestades, 

sacodem muito.


Soube ver o tempo, 

olhar o céu, 

entender o calor forte...

a chuva que o acompanha,

o tempo vira...


Vi o mar calmo...


Fui moldando a vida 

conforme olhava, 

aprendia.


Numa das paragens, 

conheci uma companheira 

ensinou-me a ponderar decisões, 

e a sorrir...


Entreguei-me 

e amei.


Percebi que o barco 

em alto mar 

é  só um barco, 

em alto mar, 

quando se está só


Deixei filhos 

por onde passei, 

seguiram seus caminhos, 

mais alguns conselhos...

não se diz tudo, 

nem se aprende tudo, 

rica natureza


Enterrei um, 

experimentei o sabor 

do naufrágio.


Em meio a noite, 

boiando entre vagas, 

vi um pequeno barco, 

e seu pescador,

segurando uma lamparina, 

dizendo:


- Lança-te! 


Experimentei Deus no mar...


Sobrevivi em ilhas, 

não completam...


Hoje, 

porto seguro, 

passo o tempo 

carregando e descarregando 

mercadorias. 


Nada é maior ou menor 

no que se faz


É preciso provimento, 

para alcançar 

um novo mundo, 

uma vela aberta 

e sonhos. 


Que um dia 

possa também 

velejar nas nuvens, 

atingir o céu profundo, 

visitar estrelas, 

mais que um ponto a nortear 

este velho pescador

domingo, 4 de janeiro de 2026

EM ALGUM CANTO...

 


Tenho um coração  

escondido 

em um vilarejo,

no mais profundo 

interior do meu país.


Este coração 

se esconde 

das cidades...

não tem mais idade 

para ocupações inúteis.


Canta uma modinha 

escondidinha, 

um versinho, 

guardado, 

sem recitar, 

de vergonha,

observando 

alguma moça, 

passeando solta,

.


Meu coração 

chora muito 

quando na estrada, 

vê um vilarejo, 

perto da roça, 

se vê aí escondido


Comporta  

uma vida simples, 

escondidinha, 

longe...

das grandes cidades, 

quer amor, 

cana 

e farinha.

QUANDO MORRE UMA POETA

  (em memória de Thereza Rocque da Motta ) Quando um poeta morre,  um encantamento  nas palavras  desaparece,  e uma realidade dura  vem à t...