quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

ADEUS PERMANENTE





O tempo avançou 

e fiquei...


Vou percebendo 

estar perdendo 

a corrida 

das descobertas, 

desconhecendo 

novas canções

autores

livros 

tecnologias 

de toda ordem 

formas de ver

agir,

tudo!


Ainda procuro 

utilizar da experiência 

como compensação 

por tantas perdas; 

em certo sentido 

obtenho êxito. 


O mundo, 

entretanto, 

vai em frente, 

cria novas 

experiências,

dispensa 

as antigas. 


Vou caminhando 

na lucidez 

do atraso, 

convívio 

de imensas 

diferenças

que ultrapassam. 


Prisioneiro 

de um passado 

que se torna 

presente, 

sucumbo 

no mundo.


Um adeus 

continua, 

defasado.


Já não ando 

tanto

não saio 

tanto,


Horizonte longínquo 

poente que chama...

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Heterônimo

 Minha consciência 

é sempre um outro

olha-me 

como se estivesse 

de fora,

subdividido em mim.


Pensar substitui 

o estar

certo dormir

certo despertar.


Dos caminhos

me esqueço

das palavras

despeço.


Talvez  um grito,

lampejo,

permaneça

circunspecto/

um beijo

desejo!


Mas não!


Caminho imemorial

jogando sombras

no passado

somatizando em ética.

.








CORREÇÃO

 CORREÇÃO

Entreguei
ao tempo
a superação
dos problemas,
diluí-los
no ínterim
da realidade.
Outros permanecem,
martelam...
destruição
do ego
compreensão
do nós.
Desfiando a vida,
caminho
acreditando
nas ações.
Convivo
um conserto
no trajeto,
atitude
no decorrer.
Sou presença.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

ESCONDIDO EM AGENDA

 

Os manuscritos
não publicados,
permanecem
sob censura,
aguardando
outra redação.
Sofrem
de dúvidas
pessoais,
indigestas,
aporia aberta,
inconclusa
Não querem ficar
sob observação
do mundo,
escondem-se
de comentários.
Localizam-se
na zona
intermediária,
da inspiração
e a transcrição.
Tornam-se indesejáveis,
sequer recebem nomes
irreconhecíveis
esquecidos em agendas
guardadas em gavetas.
Ficam ali
buscando soluções
desejam nunca
serem descobertos.
Reconhecimento
de que os poetas
também tem
seus dias de fadiga.




quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

VELHO CORAÇÃO

 Tenho um coração 

que não se contém, 

sai fora de si, 

insatisfeito. 


Bate por dentro, 

quer sair, 

ir embora. 


Reclama muito 

de tudo 

desde este mundo mau, 

até os grandes limites do amor.


Olha como sou comportado,

 ri e chora,

 porque sabe 

o quanto perco 

de tudo. 


Quer ser livre, 

indisciplinado, 

revoltado, 

rebelde, 

justo, 

escalar montanhas, 

cantar.


Não se contém, 

pobre coração.


Vem o dia 

em que ele 

irá parar 

de bater.

quando estarão 

perdidas 

aquelas velhas

badaladas 

neste odiado 

mundo, 

ele que tanto 

me pediu 

para romper 

o lacre 

da ordem 

e gritar...


quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

EM EXTINÇÃO

 


Meu tempo 

é decrescente, 

meu espaço 

diminuto.


Minhas palavras 

escutam, 

os ouvidos 

falam.


Minha altura 

se reduz, 

a largura amplia. 


Minha presença 

se ausenta, 

minhas ausências 

se apresentam. 


Minhas opiniões 

rareiam 

sintéticas,  

comentam 

os outros.


Em tudo concordo, 

em nada discordo.


Não tenho 

dias e noites, 

mas um continuum.


Antevendo o fim, 

eternizo cada momento.


Despeço-me 

de mim

acolho-me 

nos outros.


Canso por nada

Finjo estar saudável. 


Descubro-me só 

perco-me na multidão.

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Eixo

Sou um vulcão 

extinto

sem data 

para eclodir.


Um sonâmbulo 

desenterrando 

tesouros

do passado.


A espuma

que se desfaz

das ondas

nos pés

nuvem ligeira

sem rastros,

vagaroso iceberg

desorientado


Sou a noite 

os lençóis nos varais,

ventos

latidos distantes

janelas abertas,

espera.

.

Sou  eixo

diário

rotação de  mim,

rondo sistemas

estelares,

traspasso

ventres

de esperanças.

fantasia noturna

se desfaz ao amanhecer.










quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

SOLIDÃO SOCIAL

 


Minha solidão é intratável.

Pesca no ar

olhares

meias palavras

interesses.


Solidão 

de gente

verdade,

transparência 


Solidão que

sofre discriminação 


Padece 

de fingir-se

natural

em um mundo

naturalmente

fingido.


Inconsolável solidão .


Aguarda a libertação 

de um sorriso

um amigo.


Ressoa nas paredes

inexistentes

silencia...


Não há 

Sol, 

Lua, 

chuva, 

ventos.


Nada a atinge,

retira do retiro

de si mesma.


Solidão 

desmascarada

repõe

desvenda.


Como pesa

manter

a solidão

prévia

do diálogo. 


Resta a cama

o quarto

nada mais.


Solidão

que não 

se despede,

solidão companheira.


11/05/2023

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

PALAVRAS VOLÁTEIS

 


Pensamentos


passam


perdem-se...


Esvoaçam


inseguros,


pousam


em bocas,


escondem-se


em ouvidos,


giram


giram.


Dormem


sonham,


ao final


desaparecem.


Palavras


apalpam


o ar


seguem


voláteis


de raízes


esquecidas


altitudes


inalcançáveis.

 


Vou dizer


que...


Ah..


já se foi.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

RELAXAR

 

Hoje é dia
de descansar.
Não tem
uma data
definida
muito menos
uma idade.
Há sim
um excesso
de cobranças
permanente,
ocupações múltiplas
invadem a natureza
da vida,
subvertendo-a
com todo tipo
de pressões.
Tempo de extrair
o último suor,
exigir posturas,
visões,
criatividade,
competitividade,
organização,
liderança,
decisão.
Até a personalidade
passa pela régua
da análise,
adaptando-a
à melhor
produtividade.
Hoje é dia
de relaxar,
espreguiçar,
deitar,
distrair,
deleitar,
reencontrar
aquele eu
apagado
no emaranhado
da sobrevivência.
Ah...como é bom
descansar de tudo,
buscar fundo,
sem querer,
descobrir
o perdido.

domingo, 26 de novembro de 2023

AGUARDANDO

 


Estou aguardando 

uma palavra. 


Está na ante sala 

do grande aposento.


Está por ser dita.


Espera 

disponibilidade, 

atenção. 


Está em maturação, 

para provocar 

o efeito desejado 

de refletir.


Depois, quem sabe?


Voa ao infinito?


Abraça árvores?


Bebe 

das fontes 

límpidas  

onde  ninfas,  

faunos, 

pequenos duendes

se refestelam?


Palavras aguardam...


Quando poderão repousar ?

GESTANDO

 

Ainda não nasci.


Continuo 

no ventre 

de minha mãe. 


Ela morreu... 

há muito tempo... 

mas continuo 

ainda lá

em seu ventre. 


Ainda não dei 

meu grito fetal, 

está suspenso  

pernas fechadas

gozos comedidos.


Ainda 

não rompi 

o lacre 

o cordão 

umbilical 

intrauterino.


Ainda 

não cheguei 

ao mundo,

não chutei

dei sinal

de sair! 


Permaneço 

num repouso 

eterno 

sem saber 

o que é viver 

em mim.


Ainda não terminei 

de ser fecundado 

nas noites, 

cobertas 

escondidas. 


Ainda 

não tomei café

experimentei 

amargo.


Ainda não me 

escolheram 

um nome.


Ainda não sou eu.

CELEBRAR A VIDA

 


O mundo 

pode ser 

melhor.


Não se trata 

de combater 

os que dominam, 

mas fazer o bem.


Uma questão 

complexa 

com solução 

simples.


Inicia-se

imersão crítica, 

revolução interior, 

compreensão, 

transformação 

ao redor.


Não é suficiente 

descobrir...

é preciso 

descobrir junto.


Não se coadunam 

grandes pensamentos, 

ausência de atitudes...


Mundo 

de compreensão, 

tolerância,  

solidariedade, 

e ação, 

muita ação. 


Um segredo místico 

permeia a existência.


Concorre 

para os ajustes 

assentarem-se 

em boa medida, 

convida a reflexão. 


Um dia 

depois do outro 

pesca palavras 

pessoas, 

nem sempre fáceis 

de se achar, 

despertando-as,  

desalojando-as 

das insuficiências. 


Não precisamos 

dos maus, 

repousam 

em suas maldades,

raramente refletem,

estão presos 

ao ódio.


O partido da vida 

é o coração,

busca integral




AGUARDANDO

 


Estou aguardando 

uma palavra. 


Ela está 

na ante sala 

do grande aposento.


Está por ser dita.


Espera 

disponibilidade, 

atenção. 


Está em maturação, 

para provocar 

o efeito desejado 

de refletir.


Depois, quem sabe?


Voa ao infinito?


Abraça árvores?


Bebe 

das fontes 

límpidas  

onde  ninfas,  

faunos, 

pequenos duendes

se refestelam?


Palavras aguardam...


Quando poderão repousar ?

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

TRANSITÓRIO

 


A lágrima 

a solidão 

o silêncio. 


O medo 

confunde -se 

com as horas,

aguarda...


O tempo 

se extingue,

Inexorável. 


O quarto

a escuridão 

o pensamento


Diante do futuro

antevê 

o fim.


Um calafrio

perpassa

a epiderme 

semi desperta.


Fugaz 

condição humana,

onde beijos 

despedem-se 

de bocas, 

alojam-se 

na memória. 


Todos dormem...

Só o coração 

mantém-se 

desperto,

apreensivo.


O interior 

o pensamento,

a márgem

do grande rio.


Haverá tempo

para preparar 

festas?


A dor

a pedra

a despedida.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

DOBRAS DA NOITE

 


Venho 

de sonhos 

noturnos 

não realizados, 

assaltando 

o presente.


Levanto...


Busco 

o oratório...


Uma multidão 

de dores 

aguarda 

esquecida 

oração.


Nomes e povos 

desfilam 

sofrimentos


Seguro o terço 

nas mãos

balbucio 

as contas...

 

Um mantra 

dirige-me 

para encontros 

impossíveis.


Povoam

todos 

os lados


Uma primeira 

camada 

de pensamentos,

ordeira,

reza, 

intercede, 

atua. 


Outra camada 

sobrepõe-se:

passeia 

vagueia 

trata Deus

como amigo 

num diálogo  

fraterno 

entremeado 

de longínquas 

lembranças, 

desaparecidas.


Uma terceira 

vem do alto, 

desperta 

a epiderme,

multivariada,

conforme 

o assunto. 


Traz convites 

prontos 

a todos

os atores , 

comando geral 

a determinar 

caminhos 

identificados 

nas entrelinhas, 

às apalpadelas. 


Fornece 

a devida sabedoria 

no tempo certo.

 

Assim aproximo

o sentido da vida 

à  realidade.


Amanhece.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

CONVITE



Todo acontecimento 
traz um convite 
escondido, 
retrato 
do momento. 

São 
núpcias 
festas
grandes encontros
viagens...

São  dores
aflições
males
chagas 
feridas aguçadas,
abandono.

Não existem  
justificativas 
não se buscar
este convite 
perdido. 

A vida o traz 
nas profundezas
humanas .

Não se sabe 
como encontrar. 

Está lá,
na prateleira 
das atitudes,
disponivel...

domingo, 12 de novembro de 2023

AGONIA DA MORTE

 AGONIA DA MORTE


Entre o último suspiro

e o primeiro choro 

ao nascer, 

há uma vida 

a ser descoberta.

Não a vida 

como se mostra, 

mas a outra, 

a completa.


Grande é a distância entre elas.


Igualmente grande 

é o segredo 

que as perpassa.


São mundos diferentes, 

muitas vezes excludentes.


Interagem entre si  

possuem canais de ligação. 


Fácil é viver o mundo.

Difícil encontrar a nova terra.


Existe uma vida 

para se descobrir 

este mistério. 


Alguns sequer 

se perguntam 

tem noção disto.


Outros seguem 

não perseguem.


Outros ainda 

são diuturnos 

nesta experiência 

alcançam de maneiras 

variadas, 

múltiplas.


O último suspiro virá.  

Fará a transformação definitiva 

de um mundo velho e antigo, 

para um mundo novo 

nova humanidade.


Muito do que se procura 

está já  dentro de nós. 

Precisa de nosso 

discernimento interior.



sexta-feira, 10 de novembro de 2023

FERIDO

 


Tenho com uma ferida 

aberta .


Não cicatriza, 

não  cura,

fica purgando...


Por vezes

Inflama,

incha,

dói.


Mantém 

boa relação 

comigo.


Está sempre 

a lembrar 

a transitoriedade,

rebaixa o orgulho

exalta a humildade.


Hoje  

ocupa 

grande parte 

de mim,

está por todo

 corpo.


Desdenha 

a incapacidade 

de corrigir-me, 

diverte-se.


Passeia  

onde vou, 

dá pontadas 

quando desvio 

o olhar, 

finjo  não ver 

outras dores expostas 

males cometidos 

debaixo do Sol. 


Já não ando mais, 

arrasto-me.


Força-me a amar 

ser solidário 

dizer apenas

a verdade 

defender 

a justiça, 

eu que não sei 

viver sem esta

ferida.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

FERIDO

Tenho com uma ferida 

aberta no corpo.


Não cicatriza, 

não  cura,

fica purgando...


Por vezes

Inflama,

incha,

e dói 

como dói.


Paradoxalmente

mantém 

boa relação 

comigo.


Está sempre 

a lembrar 

a transitoriedade,

rebaixa o orgulho

exalta a humildade.


Hoje 

esta ferida 

ocupa 

grande parte 

de mim.


Já não pode 

mais chamar-se 

ferida, 

inverte-se

torna-se corpo; 


Desdenha 

a incapacidade 

de corrigir-me 

deste aguilhão, 

diverte-se.


Passeia por lugares 

onde vou, 

dá pontadas 

quando desvio 

o olhar, 

finjo  não ver 

as dores expostas 

erros cometidos 

debaixo do Sol. 


Já não ando mais, 

arrasto-me.


Força-me a amar 

ser solidário 

dizer apenas

a verdade 

defender 

a justica, 

eu que não sei 

viver sem esta

ferida.

REFLETINDO O TEMPO



Hoje o dia se foi.

Ficou no passado.


Guardo uma lembrança 

ainda fresca.


Surpreende, no entanto, 

o grau de esquecimento 

que temos, 

como descartamos 

muito do que fazemos.


A "memória é curta" 

diante de um amplo presente.


Não abarca o todo, 

não detém poderes, 

forma uma constante 

enzima 

interferindo no modo 

como agimos 

no presente.


O futuro não  existe...

é um sonho 

a se conferir, 

realizável ou não. 


O futuro não  se sustenta,  coloca permanentemente 

este sonho, 

na dura realidade.


De fato, já, 

só presente. 


Idealmente, 

o passado nos segura, 

com seus valores, 

e o futuro os destrói, 

no afã de conquistas.


Tentarei administrar 

um hoje respeitoso 

revendo a memória,

aplacando ânsias 

intempestivas.

sábado, 4 de novembro de 2023

FONTES SECAS

 


Deixo consignado 

o silêncio. 


Ele 

opõe-se 

ao volume 

de informações 

inúteis.


Chama a nada

e nada é chama.


Pratica 

a compreensão 

do olhar,

guarda da palavra;

deixando-a submersa,

sintonia gráfica 

das grandes torrentes, 

irrefreável.


Quando o céu abrir-se

olhos absortos,

quem sabe 

as palavras fujam 

de seus  esconderijos recônditos 

explodam gratuitas

desfazendo as lógicas 

da grande ordem.


Assim a vida mostrará 

sua graça novamente

entrelaçando  letras 

viajando 

livres conhecimentos

amorosas declarações 

palavras novas...


Uma torrente aguarda

as fontes secas,

sedenta...

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

FINADOS

 


Breve tempo 

breve caminhar 

agir


Tardias descobertas

próximos pesares.


Infinitas esperas

impossíveis  desejos.


Um mistério 

permanece, 

vai e vem 

de interrogações,   

 

Rápidas juventudes

longas velhices.


Maria se foi


Antônio partiu.


José, por onde anda?


A surpresa da morte

limite da razão.


Apostei no tempo,

o tempo não apostou 

em mim.


Corre um rio

sob o barco

da vida,

flui.


Nada pergunta

deixa o rastro

de um trajeto

errante 

nada nítido...


Tudo é breve

para o tanto 

que não se faz

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

PARTES DE MIM

 Partes de mim 

vão ficando 

no caminho. 


Não é proposital, 

nem casual. 


São espaços 

abertos 

de convívio, 

compreensões 

furtivas 

nada tomando 

nada perdendo, 

completando. 


Não há acordos, 

simplesmente 

socializa-se, 

deixa de ser seu. 


O caminho 

é um ir 

deixando 

as partes, 

assumindo 

outras 

em nós. 


Somos 

uma complexa 

humanidade 

                                                                em construção.

DENSAS NUVENS

 


O Sol 

escondeu-se 

nas densas 

nuvens.


Amanhã,

quem sabe?


O frescor 

das manhãs 

dissolve tormentas. 


A verdade 

escondeu-se 

das duras 

realidades.


Irá aflorar?


Observar 

desvela 

labirintos 


O amor 

ocultou-se 

da Vida.


Sairá da penumbra?


Porque chora 

em silêncio, 

não se realiza? 


O tempo ocultou-se

Das transformações.


Teima em acalmar-se?


Permanece estático?


Muito se esconde, 

não se mostra.


Densas nuvens...

FINAL DE DOMINGO

 


Odeio 

o final 

de domingo...


Vem à mente 

papai, 

mamãe, 

meus irmãos, 

meu querido filho 

que partiu 

tão cedo.


Não tive 

tempo 

de despedir-me 

direito 

deles.


Foram-se

e fiquei...


Tenho 

uma despedida 

entalada 

na garganta 

ainda hoje.


Se existe

um momento 

em que o passado 

assalta 

completamente 

o presente, 

é no domingo 

à noite.


Derramo 

lágrimas 

silenciosas, 

porque 

ninguém 

percebe 

minha dor.


Porquê 

externá-la?


Termino 

caído 

nas horas 

finais 

quando 

também 

termina

a semana,

ou começa?


Está 

no intervalo 

do tempo.


Parece 

a hora 

da morte!


Se existe 

um momento 

de experiência 

de dor 

interior, 

este 

é o momento.


Onde estão vocês, 

que me deixaram 

aqui só, 

sem poder 

falar, 

ouvi-los...

apenas 

uma infinita 

solidão 

inconsolável.


Quisera 

dar exemplo 

de alegria 

esperança...


Perdoem 

a fraqueza, 

é mais forte 

a saudade 

 que invade 

este peito.


Papai!


Mamãe!


Filho!


Onde estão vocês?


Só lágrimas

dor

saudade.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

OLHANDO A VIDA



A consciência
é um brinquedo
da idade,
amadurece
com o tempo.

Mama sem escrúpulos,
a todos encanta
por novas descobertas.

Descobre-se livre.

Alcança maturidade precoce,
sofre de autonomia.

Percorre labirintos
de conhecimento,
embebeda-se
em suas insuficiências.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

MEDITAÇÃO NOTURNA

 


Fecho os olhos. 


Pensamentos 

povoam 

a mente.


Percorro 

os confins 

das experiências 

reunindo 

as distâncias 

do tempo 

no bojo.


Saboreio 

passagens 

míticas, 

guardadas 

a sete chaves, 

para não ser 

considerado louco.


Escavo 

lembranças 

sólidas, 

rastros 

de retidão.


Outras,

são  caminhos 

errantes, 

resvalam 

em erros,

lições  

secretas .


Aguardo marés...


Lembro e esqueço 

nomes, 

conforme 

o laboratório 

da idade, 

dando conta 

de histórias 

particulares, 

a serem 

partilhadas,

descartadas,

às  vezes 

fluem 

outras vezes

esvaem...


Assim vou 

apalpando 

o caminho  

até migrar 

em sonhos, 

terreno fértil 

sob a censura 

da memória. 


Adormeço...

AS BOMBAS DE GAZA

 


As bombas 

de Gaza 

visitam 

inesperadas.


Desconhecem...


Crianças brincam,  

mães amamentam, 

velhos recolhem 

sabedorias 

guardadas 

nas camas.


Sonhos 

explodem  

pesadelos.


Bombas milenares

sem direção

coração

perdidas.


Onde está 

a alegria 

da mãe,

o hospital 

que cura

a praça 

que descansa 

a escola 

que ensina?


Javé plantou 

estes lírios?  


Pesam e caem

sorteio

da morte.


Vidas e escombros 

se confundem

fundem 

cimento e sangue


A mãe 

já não 

acalenta 

o filho.


A criança 

já não 

brinca.


O velho 

não tem 

quem o ouça. 


As bombas de Gaza 

não escolhem, 

caem como chuva.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

NOTÍVAGO



Dias atravessam 

noites. 

Noites perduram 

dias.


Questiono 

os travesseiros 

dos jornais, 

sonâmbulo 

de notícias. 


Bombas 

explodem 

lágrimas, 

viagens 

vasculares,

cardíacas. 


Há dias 

não anoitece, 

tecem 

teias 

de relações, 

aguardam 

desavisadas 

presas.


Não amanhece, 

imploram

escuridão,  

implodem 

amálgamas 

diversos, 

redes 

sonolentas, 

avessas 

ao despertar, 

preguiçosas.


Perdi 

a noção 

do tempo 

que sempre

continua,

independe. 


Estrelas 

são sois 

distantes, 

apenas isso.


Não durmo,

despenco

do dia.

CONTRADIÇÃO DAS CONTRADIÇÕES

 


Há o rico e

Há o pobre.


Mas,

Há um rico

que é pobre,

e um pobre

que é rico


Mas

Também,

Há um rico

Que é rico

E um pobre

Que é pobre


Os que

Não são

Nem ricos

Nem pobres

Oscilam

Fingindo

serem ricos

Sendo pobres,

E de serem pobres

sendo ricos.


Muitos são

Os pobres

Poucos são

Os ricos


Há Poucos Ricos

Que são ricos,

E muitos Pobres

Que são pobres


De maneira geral

Muitos ricos

São pobres

E vice-versa

Poucos pobres

São ricos


Deu para entender?

VAZIO

 


Conheço o vazio

 que carrego.


O peso 

deste vazio.


Um dia 

após o outro 

não são 

suficientes 

para preenchê-lo.


Vaza...


Não está 

na vida 

em si, 

mas na 

ausência 

de vida. 


Não está 

na consciência 

das pessoas, 

sentem,  

não percebem.


Não tem volume,  

crescimento, 

paradoxalmente, 

esvaziamento.


Está localizado 

no espaço 

da consciência 

que não se põe 

em ação. 


No espaço 

da fé 

sem obras.


No amor 

que não 

se expressa.


Na desistência 

da verdade...


Não toma tudo 

de uma vez...

vem ao poucos, 

disfarçado 

de verdade, 

por dentro , 

até assumir 

cativeiro 

que não ocupa, 

não percebemos.


Realidade 

inconteste, 

assola 

todo aquele 

que busca 

um mundo 

melhor.


Está aí, 

no silêncio  

diante 

das injustiças, 

nas bocas  

famintas , 

na falta 

de um lar, 

doentes 

esquecidos, 

drogados 

sem apoio,

em toda sorte 

de explorados, 

abandonados, 

desprezados.


Um vazio 

que purga 

nada 

permanente.


Vazio de morte.

EM REFORMA

 


Descobri 

as palavras 

que escrevi, 

quando li.


Mas então, 

escrevi 

e não sabia? 


Vou-me 

escavando 

sem saber, 

tesouro 

perdido

encontro

de mim,  

nascente 

que flui 

desconhecida.


Surpreendo-me

com que 

descubro.

 

Pergunto, 

como pude?


Disfarces  

divertem -se 

em passear 

comigo.


Calo-me 

impedindo-lhes 

a saída, 

descubro 

um silêncio 

nobre 

de vigília 

interior, 

descartando 

uns e outros 

personagens. 


Palavras 

com poder 

de criar , 

fonte 

oculta, 

vida 

que atravessa 

a vida.

DESCOBERTA AMBÍGUA



Não espero 

unanimidade, 

mas contraponto, 

véspera da verdade.


Não espero 

compreensão, 

mas cizânia, 

anteporta 

de amizades.


Não espero 

grandes conquistas, 

mas derrotas pungentes, 

chegam à consciência.

 

Não espero 

sonhos, 

mas pesadelos; 

deixam os sentidos 

despertos.


Não espero 

alegria, 

mas tristeza, 

mais realista.


Não espero 

ser útil 

nisto ou naquilo,  

mas ser 

imprestável; 

terei a verdadeira ideia 

do que pensam 

de mim.


Não espero 

a esperança; 

ela espera 

de mim.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

ORDEM & DESORDEM

 ORDEM & DESORDEM


Caminho 

no estreito 

leito  

definido 

pela ordem.


Faço 

declarações 

confinadas 

pela ordem.


Sigo 

meus trajetos, 

como todos, 

em ordem


Encontro 

ocupações 

pela ordem.


Luto 

em ordem.


Sou ordem!


O beijo 

rompe 

a ordem.


O abraço 

fragiliza 

a ordem.


As palavras 

questionam 

a ordem.


A criação 

reconstrói 

a ordem.


A política 

repensa 

a ordem.


O amor 

desdenha   

a ordem


Sou desordem!

PERGUNTAS INSÓLITAS

 


É  preciso deixar o campo sem flores para defender a paz?


Se constrói alegria sem regar desertos?


É possivel suportar  pesadas estruturas, e  construir leveza?


O impossível está enamorado do  limite? 


Os alma se deixa conhecer pela razão ?


O amor é amigo das estruturas?


As praças queixam-se das ausências ?


As despedidas medem o tamanho do encontro?


As flores tem consciência  da beleza? 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

DEIXE SER...

 Deixe ser...


Muitas regras 

matam!


Deixe 

as pessoas 

seus varais 

de roupas, 

estrelas preferidas 

piscando sonhos.


Porquê 

perfumes 

não decidem(?)

jardins vazios, 

sem vida?


Ah os sorrisos 

gratuitos, 

os passeios 

matinais 

onde o amor 

cruza 

a todo instante.


Deixe 

o calor e o frio, 

a saúde e a doença, 

a pedra e a água, 

porque 

nada e tudo 

fazem parte  

da descoberta.


Deixe ser...

PARTES DE MIM

 


Uma parte 

de mim 

vai ficando 

no trajeto. 


Não é  proposital 

nem casual.


São espaços 

abertos 

de convívio 

compreensões 

furtivas 

nada tomando 

nada perdendo, 

completando.


Não há  

acordos, 

simplesmente 

socializa-se, 

deixa de ser seu.


O caminho 

é um ir 

deixando 

nossas partes  

assumindo 

outras 

em nós. 


Somos 

um imenso 

corpo 

em construção.

domingo, 17 de setembro de 2023

perdido na linguagem

 


Estou com a comunicação truncada. As pessoas dizem algo e entendo diferente. 

De duas uma: ou estou perdendo contato com o mundo, ou vice-versa. Posso estar entrando em uma auto linguagem, ou meta linguagem, sei lá. Solidão de mim, com muito diálogo interior, mais os interesses, as preocupações,  atividades, congestionamentos eternos me tornar inoperantes...

Não entendo mais tudo e nada. 

Nem consigo explicar isso que não sei. 

De um fato tenho consciência.  

A vida é simples e deve-se mantê-la simples.

Aí o amor floresce com sinceridade natural, as amizades tornam-se mais afáveis, o trabalho fica menos complicado, os bares e restaurantes soltam conversas gratuitas, tudo vai bem.

Mas tem uma comunicação atravessada avassaladora, que não consigo entender.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

EM SUSPENSÃO

  


Meu oratório 

anda relegado 

em minhas distrações.


A preguiça de Deus 

na vela acesa 

substitui 

a ausência 

vigília  

de mim 

de reza 

permanente.


Velo

as misérias 

comprometidas

com o mundo

caçoando

um deus 

atemporal

ahistórico.


Oro 

ao final 

no cansaço 

cobrança 

de Deus.


Aí experimento 

a graça 

que não alcanço 

a frieza 

que não almejo,

deboche de mim

resposta 

às permanentes

distâncias. 


Deus se diverte

das limitações.

Educa...educa.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

PERGUNTAS INSANAS

 

Será que a velhice espanta os fantasmas?
Ou eles permanecem voando por aí?
Será que Terra fará as pazes com o céu ?
Ou continuará girando louca no espaço infinito?
O Ser Humano, entenderá como se forma a nascente?
Andará seco pelos desertos?
O amor, será despejado pela incompreensão?
Restará escondido nos quartos?
As pedras, enfim, respirarão aliviadas?
Esconderão micro civilizações milenares?
A vida confundir-se-á com as flores?
Manterá os espinhos?
As nuvens tornar-se-ão algodão doce?
Namorarão, parcimoniosas, os ventos?
O Sol enxugará as lágrimas?
Restará escondendo-se às noites?
Os prados serão áreas de passeios?
Produzirão tesouros cardíacos?
A cama convidará o cavalo branco alado para sonhos?
Será um porto para nada?
As portas terão lembranças?
Simplesmente se fecham? Despedem?
Permanecerei sem respostas?
Descansarei em dúvidas?
Aceitarei a insanidade das perguntas?
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FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...