terça-feira, 11 de março de 2014

Se perguntarem por mim, viajei.



Estou seco de palavras.

Façam o que quiserem,
não me importo.

Nem de escrever
tenho vontade,
por saber
que não adianta
nada.

Tudo continuará a ser como é.

Hoje quero deitar-me na cama
e esquecer que existo. 

Porque vejo 
sempre o mesmo:
mesmas opiniões
mesmas discussões
mesma marcação
de posição..
mesmos beijos
mesmas ladainhas.


Chega!

Nada muda.

Então 
 poupem-me
de tanta
inutilidade.

Vou fingir
que viajei,
 estou no estrangeiro,
 e vocês,
 finjam
que estou fora!

Deixem-me
conscientizar-me
de que o mundo
é vulgar
e superficial
mesmo,
ir bem fundo
nesta visão,,
que em algum
instante
 voltarei
a ocupar-me 
do trivial
e respirarei
o ar
da sequência
dos acontecimentos.

Mas por hoje
não!

Por favor
nem leiam,
para não se 
contaminarem
com esta 
depressão 
existencial.

Quando vem
esta dor
na mente
no coração,
nem o amor
nem a esperança
ou a fé
são capazes
de levantar-me.

Nestes dias
nem Deus
vem ao meu
encontro;
mas dá-me tempo
para separar
o nada
que inunda
o tudo,
e veja
que apenas 
Ele sobra.

Como sou um tolo
permaneço deitado.
acreditando
num mundo diferente,
límpido
franco
sem voltas
contornos
barreiras
dominações.

Ao final
 percebo-me
pior do que
do que tudo
que se revela
à minha frente,
e num  raio
de lucidez
com estupidez,
retorno
ao mundo,
como se não 
tivesse
acontecido
nada.

Se ficou algo
disto tudo?

Talvez a perda
de um sorriso
e uma visão
distante
da vida.