sábado, 31 de agosto de 2024

QUERO ACORDAR ENTRE PÁSSAROS...


 

AGUARDAR ANCESTRAL

 


Estou aguardando 

o teu sorriso, 

a vida é bela, 

não pode ser ignorada.


Estou aguardando 

a tua indignação, 

doi ver 

como sublimamos 

as injustiças, 

não as enfrentamos.


Aguardo 

tuas palavras, 

elas trazem 

oportunidades únicas 

para um encontro... 


Até teu silêncio aguardo, 

porque há ocasiões de calar,  

silêncio falante,

tudo no seu devido tempo....


Estou ansioso 

em aguardar 

tua iniciativa, 

tua fé,  

olhar para frente, 

realizar. 


Tua compreensão 

estou aguardando,

erramos tanto 

e pagamos 

o sofrimento 

das ausências...


A consciência, 

acima de tudo 

aguardo, 

principalmente 

junto aos 

que desconhecem  

as causas 

de sua própria 

exploração...


Teu acolhimento 

tem extremo valor, 

mas está guardado, 

vive de declarações...


Passo dias e dias 

buscando 

comigo mesmo 

as razões 

deste aguardar 

humano, 

que vem 

de  ausências 

primordiais, 

segue tempo 

afora. 


Passo pela multidão 

absorta em nada,

surpreso 

pela quantidade 

de deveres 

e obrigações 

que nos separam 

da vida...


Por isso 

aguardo 

e aguardo 

e aguardo...

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

MAR AGITADO, CORAÇÃO MANSO

 


Mar  agitado, 

coração manso, 

estrada tortuosa, 

pés seguros,

céu tempestuoso, 

olhar sereno.


Navegar firme no leme 

ultrapassa limites, 

a vida cerca a vida, 

desafia


Divirto-me na caminhada, 

esquecido dos perigos, 

amizades acendem ânimos,

amor suporta surpresas.


Olho o Sol 

como quem desperta 

diariamente da morte.


Olho a Lua, 

como um amante 

espera a amada.


Tempo 

que vai moldando 

a compreensão.


Tudo se ajeita 

neste ajuntamento 

disforme.

AFAGO

Queria um afago...

contemplar o acordo 

dos azuis 

do céu 

do mar, 

deitar-me junto 

a brisa que passeia 

distraída de obstáculos. 


Fechar os olhos 

por instantes, 

aspirar 

o aroma salgado 

das brumas 

das ondas 

absorvidas 

na areia.


Fazer com que 

a existência 

flutue 

em jardins esquecidos,  

perfumes leves, 

flores novas...


A paz 

é fundamental, 

rege 

o entendimento, 

o diálogo, 

pressupõe 

a existência 

do amor.


A paz 

precisa de espaço, 

subsiste 

nos congestionamentos, 

metrôs lotados, 

aperto do tempo, 

no trabalho 

que não existe

e no trabalho 

que existe.


A paz não luta, 

dialoga, 

mas sofre de solidão, 

porque querem impor 

um domínio 

que a sufoca. 


Por isso o afago 

se faz necessário.


É preciso dar 

uma oportunidade 

a mim, 

a você 

enquanto é possível.


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

domingo, 25 de agosto de 2024

DANDO UM GIRO...

 


Enquanto estou por aqui,  

tudo adquire atenção. 


Meus passos 

dão tempo 

para observação, 

não tenho olhos fixos.


Enquanto presente, 

prendo acontecimentos 

no coração, 

e sofro a confronto 

das paisagens 

e a realidade.


Estar aqui 

emprega pés e olhar 

no caminho imprevisto, 

surpreende.


Tudo destrói 

se deixo ser, 

resisto com o que tenho, 

o tempo que sobra.


Não sonho mais, 

há um deserto seco 

a ser irrigado. 


A vida range, ainda move

sábado, 24 de agosto de 2024

QUANDO OLHO

 


Quando olho, 

um de mim 

me acusa, 

vulnerável,

outro 

desvenda tudo, 

outro ainda 

desconhece, 

permanece 

natural.


Quando olho, 

meu olhar 

adianta-se a mim 

e vai julgando antes

metido e sem graça...


Meus olhos 

escondem mil eus...

olham com muito cuidado, 

quase baixam a vista, 

de tanto que veem,

desviam


Olho e fecho os olhos, 

porque cegam-me.


Olho e não olho, 

quem ficou aonde, 

quem fingiu ser 

quem foi?


Não sei e ainda sou eu

desvendando e escondendo

QUEIMADA POÉTICA

 


Socorro, 

meus versos 

estão pegando fogo, 

logo tornar-se-ão cinzas...

 

Meu regato 

de palavras 

secou. 


Alta castanheira 

de versos

vistosos 

consumidos 

pelas chamas, 

fuligem 

de folhas letras.


As flores 

clamavam 

por socorro, 

ardiam...


Meus versos 

viraram, 

letras soltas 

espalhadas por aí.


Como deixar poemas?


Não tem mais onça 

nem tatu, 

nem jiboia,  

nem paca...

Não tem mais nada.


Tem uma fumaça besta 

se espalhando por aí ..


A....V.....s.....O....h. ..


Não tem mais 

como recolher ...e escrever...

ELO SIDERAL

Os dedos 

riscam o céu 

convite inédito 

espaço profundo

decifrando elos 

de órbitas 

e pequenos 

trajetos.


Tudo é 

uma grande 

unidade

que se expande

se contrai.


Tudo são 

descobertas novas

à espera do caminhar.


Giramos em nós

circundamos outros

perdemo-nos em nós 

encontramo-nos nós outros


As vezes meteoritos

outras vezes observatórios 

outras ainda estrela perdida 

em nebulosas.


Nossas gravidades 

atraem-se

geram órbitas 

de visitas siderais,

afagam-se

utópicas. 


Dependemo-nos 

enquanto 

nos expandimos.

espaço à fora...


Desconhecido ser...


Qual substância 

subsistirá 

deste encontro 

impossível ?

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

MEU IRMÃO DOENTE...(DEGUSTAÇÃO SOLENE)

 

Eu o levei a uma confeitaria...
Ele já não tinha mais tanto tempo.
Sentamos em uma mesa do lado de fora,
de forma que ele podia apreciar tudo
o que estava acontecendo.

Veio café para nós.
Ele não dizia uma palavra,
apenas observava.

Chegou o Strudel,
como sempre quis.

Quantas viagens não deve ter feito
ao saborear o primeiro pedaço,
talvez mais do que todas
que saboreou durante a vida.

Momento solene
de degustação da vida,
enquanto ainda podia.

Eu apreciava
com Margarida
um mil folhas,
poeta que sou..

Mal trocamos palavras ali,
valia observar e despedir.

Meu irmão se foi.
Quem sabe este foi
seu último momento
de realização.

E foi apenas um café
em uma confeitaria...


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quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Revista do Livro: João Paulo Naves Fernandes - Autor de: POMAR DE LE...

Revista do Livro: João Paulo Naves Fernandes - Autor de: POMAR DE LE...: João Paulo Naves Fernandes Nasceu em José Bonifácio (SP) em 1949, filho de Sólon Fernandes, juiz de direito, e Sebastiana S. Naves, professo...

DESFALECENDO

 Estou desfalecendo a contragosto. A longa caminhada carrega um ranço que nunca acaba.

O frescor da manhã traz esperança, o dia padece de realidade, a tarde sucumbe.

Um roda gira gira gira...desfaleço

Um dia verei o que há por trás deste moto perpétuo, se algo se altera, se permanece, se há devendares inesperados, despertar contínuo. 

Até meus sonhos passam tateando tudo, também desfalecem. 

BANIDOS E PROFANOS

 


INTRUSA

A fé passeia 

pela razão 

como intrusa, 

trepadeira a sugar 

seiva do tronco.


A lógica é instrumento; 

deslocada da realidade, 

mal responde 

por seus atos, 

encaminha. 


O que move vem 

de cavernas escuras 

onde  enzimas 

do decorrer da vida 

formam rios.


Não se organiza o somatório, 

quantidades difusas 

de experiências 

boas e ruins

induzem.


Por isso, 

às vezes 

a razão 

repousa na fé, 

fatigada de impor 

tanta ordem.



terça-feira, 20 de agosto de 2024

ENTRE NÓS


 

AINDA HÁ TEMPO?



Me pergunto 


se não está tarde,


se ainda é tempo,


somos tão volúveis,


 predatórios...


Me questiono todo dia...


Há algo 


para cada um 


e para todos,


porque os sonhos 


nascem em alto mar, 


hibernam nas montanhas.


Porque a presença 


sempre desejada, 


sempre adiada, 


caminha aqui, 


acolá. 


Porque a espera 


faz parte, 


reparte 


a ação 


de seu todo


Fico sempre 


a perguntar 


se já se esvai 


o meu tempo; 


assim realizo 


tudo 


apressadamente, 


porque não sei 


quando 


nem onde, 


nem como


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

FINGIDOR (em homenagem a Fernando Pessoa)


 

UMA E OUTRA

 A realidade é fria

o amor é quente.

O encontro descobre,

a solidão isola.

A margem é limite,

o céu se perde.

A verdade é nua,

a mentira encoberta.

O paladar é sabor,

o comer saciar.

A pedra é dura,

a terra esfarela.

O jardim amansa,

a floresta desafia.

A caminhada avança, 

As estações refletem.

O trabalho edifica,

a ociosidade destrói.


Uma e outra,

caminham 

isoladas 

e simultâneas 

no decorrer da vida.

MEDITANDO

 Costumo deixar as letras correrem, mas não é sempre. 

Às vezes estancam e relutam em sair. 

Não tem a ver com elas, mas comigo, de como trato meu dia a dia. 

Não que haja uma relação direta, não há, mas reflete, de alguma forma como marco minha presença na vida. 

As palavras não visitam a falsidade, pelo próprio hábito da verdade. 

Muito menos se dão com rotinas, tendem a explodir 

Vê-se quando não aceitam mentiras.

Vê-se quando se realizam.

Conclusão: preocupar-se primeiro com a vida, depois com o que vai escrever.

domingo, 18 de agosto de 2024

NAO MORRO AINDA

Por você não morro hoje

Tua presença 

é brisa do mar, 

rede de paz, 

descoberta 

de um mundo novo.


Não morro ainda 

porque da dor 

brota humanidade, 

eu tão seco dos anos

retalho e costura.


Seguro a vida 

desde cedo, 

surpreendido, 

jogado para fora, 

no mundo.


Não entendi o tempo 

até consumir-me, 

em aniversários;

cadenciam a caminhada 

desconhecida.


Não, 

não morro agora, 

o Sol retira pesadelos, 

e sonhos também,

depois chove muito,

anoitece...


Vivo porque vivo, 

sigo o mistério 

destes passos inúteis, 

acalentando direitos, 

regrando o amor...

insuficientes.


Tudo por se fazer, 

tudo por terminar. 


Então componho 

um possível, 

compreensível...


Então vivo

O embalar do tempo,

vento que refresca 

a cerviz dura,

canto indecifrável 

dos pássaros.  


Não morro agora, 

porquê, não sei 

deixo acontecer...



sábado, 17 de agosto de 2024

COMPOSTO

Guardo José no meu peito,

guardo Sebastiana, 

guardo Mirian, 

guardo Pedro, 

Guardo Margarida, 

guardo João.


Não há mais lugar 

para guardar, 

e são tantos...


Há sempre alguém 

fazendo parte de mim, 

pedindo para morar 

no meu peito, 

acolho.


Sinto não ser 

eu quem guarda, 

mas ser guardado 

por muitos, 

porque, 

ao final, 

sou composto,

eles me tem,

eu os tenho.



sexta-feira, 16 de agosto de 2024

PENSANDO A VIDA



Não me dou por vencido,  

caminho olhos abertos 

compondo vida.


Quando falo 

emerge verdade, 

quando ouço 

descubro 

compreensão 

paciência.


Enquanto gritam 

sob a lógica do ódio. 

reanimo o coração 

em declarações,

porque há espaço 

e cantos e cores,

mares e corais, 

gente nas praças, 

criancas brincando 

em meio a tarde.


Neste mundo hostil

a coragem é o motor.

afoga mares, 

emerge ninfas


Neste mundo de objetos

é no valor das pessoas 

que me apego

alço topos e encostas, 

distante de negócios, 

e poderes.


Caminho reto

desde jovem

O tempo 

não destruiu.


Hoje, 

quando deixo 

escorrer a História 

entre os dedos, 

cultivo belas 

lembranças junto 

a pomares, 

retirando pragas,  

não geram frutos 


Ainda colho versos.


UMA ESCADA NO PASSADO

Se eu pudesse trazer-me

naquela escada...

aquele galho pendido 

da velha goiabeira,

teria matado 

a fome da infância.


Porquê fiquei a olhar 

e não subi

Porquê não arrisquei 

pular o muro do vizinho 

quando a goiabeira 

dava muitos frutos.


Era apenas uma escada.


Quem propôs 

a ordem 

que não transgredi 

quem definiu

o certo é o errado?


 E escada ainda está lá 

esperando que eu suba,

a goiaba apodreceu no pé 

esperando quem a colhesse.


Fiquei eu parado 

ao pé da escada, 

sem saber o que fazer, 

e era apenas 

uma goiaba madura

esperando, 

num galho 

que invadia a casa. 








quinta-feira, 15 de agosto de 2024

PERIFÉRICO


As pegadas 

nas encostas 

expulsas 

avulsas, 

distantes.


A igreja 

amansa 

arrefece 

desfalece.


A panela esvazia 

revela apatia

envergonha,

revolta.


O canto 

recanto

espreme

parentes, 

abrigos

ressoam

gemidos.


Espaços

desalojados

confinados

finados

enterrados. 


O pouco 

que come

sufoco

diário 

ronca

fome.


O trem 

contém

desdém,

aperta

desperta. 


A roda

volta 

Revolta


quarta-feira, 14 de agosto de 2024

EU SOU

Eu sou pedra,

eu sou água, 

sou vento.


Sou manhã, 

sou noite,

Sol, e Lua.


Sou o universo,

sou meu quarto.


Portas e cercas.


Estratégias e momentos.


Sou pureza e pecado.


Sou a mesa,

sou a cama.


Tecido fino e retalhos.


Sou caminhos,

sou beiradas.


Sonhos e pesadelos.


Sou encontro

sou perdido.


Palavra e silêncio 


O que me forma sou.

O que me deforma também sou.


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

ESTAR JUNTO

 Estar junto 

são montanhas 

acessíveis, 

barcos resistentes. 


Despreza o tempo 

porque apenas 

a presença 

já irriga jardins, 

e silêncios ressoam 

muito depois 

das despedidas.  


Assim pude 

descobrir a capacidade 

de extrair água nos desertos, 

passear em tempestades, 

sorrir e chorar, 

sem medo 

de expor o cansaço  

e observar o entorno.

domingo, 11 de agosto de 2024

SÍNDROME DO DOMINGO

O domingo se vai, 

onde é que 

não sei 

que termino, 

que não sei 

que saio.


Torpor 

do tempo, 

embriagado 

de seus excessos 

semanais.


Tempo 

que não se refaz 

de seu descanso 

obrigatório.


Estático 

dedica 

o regaço, 

ao cansaço 

antecipado 

do que não ocorreu.


Há uma despedida 

e um início 

de uma continuidade 

indefinida.


Sigo 

em perplexo silêncio 

desconhecido 

de tudo e de todos.


Melhor sossegar 

e deixar o dia passar. 


sábado, 10 de agosto de 2024

VASTO MUNDO

 

Admiro a liberdade das nuvens,

caminham paradas,

visitam novas paisagens,

revestem-se de formas novas,

depois dispersam,

misturam-se aos elementos,

integradas.

 

À beira dos grandes rios,

entretém-me as águas caudalosas

passam em mansidão constante,

nem sei como se formam,  

crescem em volume,

onde se dispersam,

se no mar,

grandes lagos...

 

Detenho-me diante

de elevadas montanhas,

despertam desafios,

olhares superiores,

convidam a escalar

encostas perigosas,

reentrâncias novas

reconhecer a pequenez.

 

Diante do mar vasto

perco a vista,

distante da realidade,

próxima do sonho,

convida mergulhar

o desconhecido

desafiar.

 

Atraem-me as grandes multidões,

suas múltiplas direções,  

não sabem o que fazem

porque fazem,

sobrevivem

em trajetos 

preestabelecidos.

 

 

Sou nuvens,

sou rios,

elevadas montanhas,

mar vasto,

espalho-me a sonhar,

costurado em grandes multidões.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

TEIA DA VIDA

 TEIAS DA VIDA

Nos encontros 

das paredes 

elas armam 

suas teias 

e esperam...


Fingem 

não estar lá.


Aguardam 

os ávidos 

por visitar 

ambientes,  

os distraídos, 

os afobados. 


A espera 

é tão grande 

a fome tanta, 

que envelopam 

os enredados 

e provisionam. 


Costumo chamá-las 

de Nininha, 

porque são membros 

da casa. 


Respeito-as 

em sua ferocidade 

e surpresa, 

eu, 

tão distraído 

e preso.

RELÓGIO DE CORDA

Bate tuas horas 

relógio de corda, 

nem os galos acordaram. 

Bate sonolento 

este tempo infinito, 

que me dou corda 

só para te entender.


Quem precisa te ouvir? 

Todos correm!


Estás sim, 

fora do tempo, 

relógio de corda, 

paradoxalmente 

atrasado 

e no horário. 


Nós que modificamos 

o tempo, 

e o colocamos no museu 

do esquecimento, 

de quando 

andávamos juntos  

tempo e afazeres. 


Não te vejo 

mais na parede, 

do final da escada, 

orientando 

quem sobe,

quem desce.


Há escassez de tempo....


Quem sabe 

um relojoeiro 

possa ajustar...


Bate relógio  

porque ainda 

há tempo 

de nos atrasarmos 

para ajustar a vida.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

NÃO DESPERTES

Acolha 

minhas fraquezas, 

meu amor,

assaltam o coração  

na escuridão 

da noite...


Não controlo 

o passar

do tempo, 

sou-lhe submisso.

 

Até quando 

estarei 

deitado 

junto a ti? 


Observo

teu corpo 

como um fim,  

e sofro 

desde agora.


Não saberia 

despedir-me, 

ausência

que mata.


Os fantasmas  

beijam 

a escuridão , 

esfriam 

a alma.


Tenho medo 

do futuro, 

no presente,

tenho medo 

de mim,

de ti

de nós.


Temo por tudo, 

somos tão frágeis.


Tantas vezes

ignoramos 

os poderosos.


Dorme amor,

distraída

do fim,

pulando corda 

brincando 

com teus pés.


Não despertes, 

convida-me 

a teus sonhos,

porque sofro muito.





O FRIO CHEGOU

 São Paulo parece não estar no inverno. Dias quentes de Sol forte e céu aberto. À noite esfria um pouco. O paulistano está acostumado a mudanças bruscas, porque no mesmo dia faz Sol quente e chuva fria.  São Paulo é a cidade do individualismo. Por aqui, ninguém quer saber do outro que mora ao seu lado. Cada um cuide de si. Há solidariedade? Sim, nos pequenos grupos, nas igrejas.

 Ao dormir nesta época, uma coberta é necessária, mas pode ocorrer de ficar muito quente, obrigando quem dorme, sir e voltar para a coberta durante a noite.

Isto tem impacto na personalidade do paulistano?

Certamente que sim.

Por aqui todas as tribos são influenciadas pela constante variação do tempo, da personalidade. 

Gostamos da mudança de tempo, de negócios.

Surpreendemos muitas vezes.


quarta-feira, 7 de agosto de 2024

DESPERDÍCIO



Vivo desperdiçando palavras


com muita facilidade.


Não trazem 


novidade


e cansam.


Porque José  não fez isso...


Porque Maria fez aquilo...


Ah, como gostaria 


de uma descoberta, 


uma ideia, 


uma novidade...


De repente, 


uma rejeição ontológica 


instiga para profundidades 


indecifráveis 


entremeadas 


na mansa escuridão.


Delas ninguém dá conta,


desconhecem, sequer indagam...


Concluo sobre 


a tediosa ambiguidade


de cuidar de roupas,  


ou deixar-me levar 


pelo inacessível.


Sou das vestimentas 


por obrigação, 


e pelo desafio 


do livre voar, 


por vocação. 


Reconheço 


a incapacidade cotidiana, 


rotineira,


enquanto aguardo


a irupção 


do profundo infinito.


Sou das visões inusitadas, 


dos beijos do tempo, 


encontro dos desencontros.


Sou do silêncio, 


tímido e escondido, 


de poucas palavras 


substanciosas.


Marco presença 


com ausência,  


enquanto pesco, 


admirando 


o trajeto humano.


terça-feira, 6 de agosto de 2024

PAUSA

 A sequência 

sempre traz 

alguma consequência.

Muito por fazer

sem tempo a perder.

Fustiga, 

desafia, 

vai mundo afora

um constante perseguir.

Olhar em volta, 

notar 

o andar, 

o olhar, 

a palavra, 

exige suspender 

para compreender.


Andamos e paramos,

paramos e compreendemos,

compreendemos e continuamos.


segunda-feira, 5 de agosto de 2024

VULGARIDADE

 


Preciso de alguém falando uma bobagem para me encher a cabeça. 

Alguém inflado de si mesmo, mas medíocre, muito medíocre.

Estão em todos os níveis e áreas.  

Querem aparecer  e parecer serem os melhores, e acreditam...são tantos incapazes sequiosos por projeção...

Alguns vejo, de outros fujo. Tenho asco a falsidades.

Não aguento mergulhar em mim mesmo. 

Preciso que apareçam com assuntos interessantes mas inócuos, para não perder uma vulgaridade que preciso, para fugir de algo que não sei. Vou dormir com essa...uma oração...que sabe uma oração

domingo, 4 de agosto de 2024

INSEPULTO



Esqueci tudo.

Perdi a capacidade 
de guardar.

O suor debaixo do Sol 
e a majestosa Lua cheia 
foram insuficientes. 

Viver é presença, 
aproveitar
o aprendizado 
da experiência, 
e sonhar 

No mais, valem 
os perfumes que inebriam, 
os sorrisos nas ruínas, 
o abraço do perdão,
os beijos roubados,
a paz dos jardins.

Não há 
como afagar 
a dureza
das pedras

Há um esquecer 
do passado,  
por mais 
que escapem aromas 

É memória, 
apenas lembranças insepultas.

Domingo de reflexão

 Domingo é um dia de paz e reflexão. O mundo vive um momento conturbado com o aguçamento progressivo de conflitos armados e sanções econômicas do chamado "Ocidente" principalmente à Rússia, Cuba, Irã, e agora também a Venezuela, e em certos casos os países que com estes mantém boas relações econômicas.

Mas é domingo.

|Ontem estive num sarau de poemas e músicas, de um grupo de idosos. Muito bom. Encontrei alguns amigos, e vi a luta que a população que frequenta o Parque do Jóquey contra a construção de uma estação do metrô dentro do parque. Querem destruir a pista de skate e simplesmente construir a estação lá dentro.

Indignação geral. Muita reclamação.

Depois voltei para casa.

Hoje acordei com a mão direita meio dura, sinal que o reumatismo está presente ainda, mesmo depois da crise que tive.

Assim é a vida.

Vamos em frente

sábado, 3 de agosto de 2024

TEUS PÉS

 


Não preciso da dor, 

com ela convivo.

Preciso muito do amor, 

ele tão raro (suspiro).


Entre o campo e o mar,

entre o leite 

e o céu noturno, 

transparente e mudo,

deitei meus despertares...


As ondas humanas 

são mais fortes 

que o Sol, 

e teu beijo, 

amada, 

é o luar 

que beija o mar.


Meu seco pensar 

dificilmente se vê,  

esconderijo nas montanhas 

difícil de escalar.


Entre cabras e feras passeias 

e te admiram lentas estrelas.


Sou feito pedras 

aguardando teus pés 

..

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

PEQUENO DISCURSO

Tramam 

do outro lado 

do nada.


Escondem

o sangue  

das grandes 

estruturas.


Riem das sobras

torcem palavras

convencem.


Os dias passam,

anos passam,

passa a vida...


Não passa 

a dor,

esta fica,

pesa,

inconsciente.


Ficam

Palavras, 

trazem 

riquezas 

escondidas,

reencontros,

despertares,

caminhos 

esquecidos.


Permitem

aprender

ser livre

sair de dentro.

transformar.




PEITO ABERTO

Meu peito está aberto!


Arranquei o lacre 

que o impedia 

de clamar alto.


Meu peito é meu!


Nele está alojada 

a verdade.


É minha boca 

escondida no corpo.


Quando canto  

afugento mentiras

 e me alegro.


Viver 

é ajustar a vida 

à verdade.


Assim livre estarei.


Existem marés...

vem e vão

tempestades 

e céu aberto.


Assim seguimos

adernando,

velas abertas, 


Importa seguir 

de peito aberto, 

coerente com a vida.




quinta-feira, 1 de agosto de 2024

TRISTEZA AMIGA

Tenho 

uma tristeza 

íntima, 

que teima 

em ficar. 


Está 

em mim 

e além mar.


Perde-se 

no emaranhado 

em que somos 

enredados, 

luta 

por escapar 

das redes, 

como peixes, 

sufocados 

pelo excesso de ar.


Constrói 

moradia 

permanente, 

odeia 

quem mente 

não tem alegria.


Sabe de si, 

circunspecta 

diante do mundo, 

tem consciência 

das perdas 

de vida, 

desperdício 

de vidas.


Segue,  

muitas vezes 

silenciosa, 

outras tanto, 

criteriosa 

com o que vê 

e diz, 

porque invadem 

até sua seara 

interior,

onde se justifica.


Não pode chorar, 

contém-se, 

não aceitam 

fraquezas,

escapa 

por pequenas 

lágrimas 

logo secam. 


Guarda 

um interior 

inexpugnável, 

do mau, 

meio como 

por ele criada,

discerne.

AMOR APRENDIZ

Tenho um amor 

guardado, 

ainda por dar.


Sente a todo instante, 

dosa 

conforme 

as circunstâncias.  


Não é proprietário 

de si mesmo,  

vai quando vai, 

fica quando fica.


Observa muito 

os passarinhos 

em seu afazeres, 

diverte-se 

com as nuvens brancas 

formando figuras,

analisa as tempestades.


Amor 

de criança 

que cresceu, 

não se esqueceu 

da infância,

inerente ao ser, 

como comer 

e beber.


De vez em quando, 

ofertam lógicas de guerra, 

prazeres sem medida, 

e esconde-se entristecido.


Amor 

que inunda 

os olhos, 

brota 

novas palavras, 

torna tudo 

como é 

verdadeiramente.


Deseja sempre sair, 

mas preserva-se 

de ambientes inóspitos. 


Não passeia 

à toda hora, 

respeita as regras, 

quando o contém. 


Está sempre 

aguardando 

a oportunidade 

de encontrar-se 

com alguém 

e desfrutar 

bons momentos 

juntos.


Tem consciência 

de como se expressar...

aprendeu com o tempo

FINAL DE NOITE

  Como temos sobrevivido meu amor... um  mundo que não nos entende, nos leva em mar tempestuoso, jogando o barco de um lado ao outro. Queria...