sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Reflexões sobre o poente. (Em Homenagem a Nelson Mandela)



Tenho o cansaço do tempo.

Os olhos ainda são jovens, mas o corpo não acompanha.

Quisera poder trilhar os caminhos com a mesma sagacidade, e não posso.

Reconheço que muitos projetos são hoje inconcebíveis.

Curiosamente não me vem tristeza por isto, uma vez que existem inúmeros outros caminhos.

É necessário, neste momento, ver com economia, as possibilidades.

É necessário também olhar-me bem no espelho, e reconhecer-me nele, porque olhamo-nos com olhos de esperança, de desafios, de objetivos, e esquecemo-nos do dia a dia, em deixar as situações amadurecerem por elas mesmas.

Não sei mais, se falo ou se penso, muito.

Escuto, com certeza bem mais.

Fui sendo um João Batista para os meus, esvaziando-me para que crescessem.

Certamente Jesus Cristo entende bem disto, e  está tornando-se cada vez mais íntimo de mim, nestes diálogos internos, semi-loucos, semi lúcidos, não sei.

Sei que Ele está ali.

No mundo das aparências disfarço como um mágico, um palhaço.

Quem me vê, não me vê assim, vê normal.

Guardo silêncio sobre o tempo, curtindo-o como um confidente.

Há uma educação superior que ainda é preciso ser lapidada.

Ninguém entende esta necessidade, e persigo-a sem eco, sem a compreensão de alguém, só.

Busco respeitar as vulgaridades do tempo presente, para não passar por idiota, saudosista, mas confesso que sinto um vazio com o que vejo sendo difundido.

Reconheço que a vida se perde gratuitamente em tantas ações, participações infindáveis, sem que se tenha claro o que é principal, e faça alguma coisa a respeito.

O pior é permanecer nas letras, ficar nas palavras, e não ter tentado realizar.

Paciência o dia está se pondo.

Agora vale a cabeça, o que se pensa.

O que tinha de ser feito foi.

Agora são novas formas, novas conquistas, mais apuradas, aguardadas, protegidas.

Vêm com a doçura da temperança, com a leveza do perdão, com a paz de quem aceita tudo.

Façamos o grande jogo da vida, enquanto o sopro nos faz respirar.




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DISPERSO

  Meus versos estão feridos  não se expandem,  sangram Perguntam dos corações vazios a calmaria dos varais,  as marés eternas... Buscam luga...