quinta-feira, 7 de junho de 2012

Chove em tudo

Chove em tudo, com tantas denúncias, muito.

Nem meus pensamentos escapam.

Estão todos molhados, encardidos, embolorados.

Queria um pouco de sol que secasse a tristeza de ver estas mazelas da vida brasileira.

Mas não, a cachoeira é grande, e carrega a quase todos.

Os crimes molharam, e agora são amplos, gerais e irrestritos.

Procuro uma luz, e vejo a névoa dos que escondem  negócios escusos. Mas é possível ver.

Sementes de esperanças germinam, paradoxalmente, mas logo incham por excesso d'água, e morrem, nos partidos que primavam por algo que não fizeram, nos negócios que poderiam crescer, na esperança sempre renovada, que se cansa.

Ninguém se atreve a sair às ruas para denunciar.

O tempo não deixa, é torrencial.

Sair, significa ser envolvido nas águas , e caminhar para o afogamento.

Chove como nunca.

Os ônibus param, o trabalho para, a igreja suspende o culto, os amantes não se vêem, a família agradece.

O Brasil sofre, o povo, atônito, reflete.

Novos caminhos são pensados, novos e velhos paradigmas são estabelecidos.

Enquanto isto se espera o novo, a verdade, a justiça.

Enquanto isto se seca para ver se é possível seguir assim mesmo.

Queria os bolinhos de chuva de minha mãe, mas ela não está mais comigo.

Então escrevo para distrair-me e fingir que sou puro.