domingo, 30 de janeiro de 2011

É possível existir a homossexualfobia?

Tanto quanto a homofobia, creio que seja possível existir sim, e penso que seja possível também localizar onde esta homossexualfobia se realiza.

É importante, antes de mais nada afirmar que reconheço o direito à homosexualidade das pessoas.

Não concordo mas reconheço, tendo amigos tanto homossexuais quanto lésbicas, com os quais mantive e mantenho relações de amizade naturais, como as que tenho com heterossexuais.

As relações não devem ser necessariamente medidas pela questão sexual, mas pela integridade completa da pessoa humana, que ultrapassa esta questão.

O Catecismo da Igreja Católica ensina aos seus fiéis que, em relação aos homossexuais, estes "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta", embora considerando ser a hossexualidade "uma inclinação desordenada, contrária à lei natural".

Mas o mundo de hoje tem mudado muito, e todos devem ter seu espaço e seu direito.

Isto não significa que devo concordar com aquele modo de vida, mas defendendo o claro reconhecimento deste direito, como democrata.

Como o movimento dos homossexuais de maneira geral tem crescido e atingido um nível de influência bastante significativo, onde alguns direitos já começam a ser reconhecidos, este reconhecimento tem acontecido, aparentemente, em cima de uma certa "resistência" dos heterossexuais, o que é uma meia verdade.

Porque muitos heterossexuais são à favor da organização e da conquista de direitos dos homossexuais, embora não sendo.

São os chamados "simpatizantes".

Às vezes, entretanto, quando se busca atingir direitos, acaba-se por recriminar os outros pelos direitos não conquistados, e daí vem a  discriminação que se, inicialmente existia contra os homossexuais, agora se volta por provocar o seu contrário, dos homossexuais sobre os héteros.

Tenho visto novelas, ainda que confessando não ser noveleiro, onde o heterossexual é visto como alguém desequilibrado, adúltero, assassino, dominador, imoral, enquanto o homossexual é aquele que tem a paz, a tranquilidade, a inteligência e o equilíbrio.

Neste momento começa a inversão dos papéis, perigosa, que reflete preferências de quem está na direção, ou no papel de autor da novela.

E neste instante o hétero passa a ser discriminado também, e injustamente.

A sociedade democrática brasileira ao começar dar direitos aos homossexuais por uma vida livre, não deve, ao mesmo tempo restringir os direitos dos heterossexuais, que representam a maioria.

O heterossexual deve ter o direito também, como o homossexual, de expressar as suas discordâncias das outras opções sexuais, como qualquer cidadão em uma sociedade democrática,  e fazer as suas justas críticas às discriminações que porventura venham a ocorrer com eles também.

Senão ficaremos com a imagem de que os héteros são os causadores de todos os problemas, o que não é verdade.

Vivemos sim uma sociedade patriarcal, cada vez menor, mas patriarcal ainda, resultado de aspectos culturais e étnicos que se miscigenaram nas várias raças que compõem o povo brasileiro.

Particularmente vejo a família como célula da sociedade, ainda que muitos não acreditem nela, e a família tem o seu maior fundamento na heterossexualidade, até a ciência provar o contrário.

Na sociedade brasileira, a família está cada vez menos patriarcal e mais igualitária, com as mulheres conquistando direitos, mas não nos iludamos, o patriarcalismo permanece, e é milenar se não for ontológico.

Para encerrar, quero deixar a opinião de que há espaço para todos na democracia.

O que não se pode é deixar de ser discriminado para tornar-se um discriminador.

O heterossexual tem o direito de se recusar a manter relações homossexuais, e ser respeitado pela sua posição.

Fico por aqui neste vespeiro.