O dia mal clareia e ponho-me de pé. O sol, o frescor da manhã, e os pássaros cantando são um alento para o que vem pela frente. Respiro fundo, dou uma boa olhada em tudo, busco no mais profundo céu uma possibilidade de ver a Deus, e parto. As pessoas parecem zumbis, não se cumprimentam, se saúdam, se reconhecem. Não, estão distantes de si mesmas, e em consequência dos demais. Ganho as ruas,o calor seca a esperança, e acorda a realidade da cidade egoísta. Como autômatos seguem trajetos repetidos todos os dias. Como autômatos consolidam um mesmo pensamento, personalidade, visão de mundo, grupo de relações, uma mesma atividade de sobrevivência, mesma esposa e filhos sociais. Ouço os passos, frenesi do nada, conversas afiadas e cegas. Só não ouço corações. Parecem não bater. Busco uma Igreja. Um sacerdote, do altar celebra Cristo para si mesmo. "Com Cristo, em Cristo, e por Cristo" torna-se sem sentido diante de um santuário ...