quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O cristianismo intimista e o primitivismo, na pós contemporaneidade.





Não tratarei das crenças evangélicas e de outras religiões, que são por demais conhecidas, neste pequeno artigo, mas do cristianismo católico.

Como é fácil o cristianismo retroceder aos primórdios da civilização, em plena era da tecnologia de ponta e das conquistas científicas.

Ambiguidade que coexiste com a clara intenção de tornar a religiosidade separada da consciência humana, de seu papel no mundo.

Importa ler e interpretar os textos bíblicos segundo seus significados locais específicos, e jamais vinculá-los à realidade abrangente, como se Deus fosse um infinito ausente de tudo e de todos, apenas privilegiando os puros que ficam restritos às adorações separadas.

Esta tendência recebe às vezes o nome de fundamentalismo, muitas vezes referindo-se a grupos evangélicos, mas sem olhar para o próprio rabo, como diz o ditado do macaco.

Assim, a esfera política, jurídica e executiva acabam passando despercebidas destes grupos religiosos, sendo lembradas apenas quando algum interesse ético-moral á atingido, como no caso do aborto e dos direitos das minorias, caso dos homossexuais, das mulheres e negros, religiosidades de cunho afro, e outras.

Criam-se fiéis alienados, dependentes de seus sacerdotes.

Jesus Cristo é enfático, ao final do Evangelho de Mateus:

"Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos"(Mt 28, 18b)

Ora, todos sabemos até onde Jesus formou os seus discípulos: até a liberdade de escolha ampla, pela ação do Espírito Santo.

Mas hoje muitos dizem:

"Ide, portanto, mas tratem apenas de suas relações pessoais e familiares, desconsiderando todo o resto".

É o cristianismo intimista em ação, impedindo que se formem discípulos livres, mas agregados dependentes permanentes de suas igrejas.

Assim, coabitam a ciência de ponta e o primitivismo fundamentalista.

O diabo fica livre para agir no controle dos governantes e das estruturas.

E a Igreja, como o judaísmo na época de Jesus, que aceitara sua subordinação a Roma, também continua submissa aos poderosos de hoje, e os corteja.

É preciso propor com todo o ar dos pulmões a Civilização do Amor, reconhecendo e apoiando onde este amor estiver se realizando, sem omitir-se, e denunciando onde estiver ausente, propondo alternativas.

O amor deve princípio de nossa ação presente em todos os lugares, sem temor, com destemor, sem ser intimista, achando que já resolveu o sua equação de vida com Deus, e o mundo que exploda.

O cristianismo é uma fonte inesgotável, e se renova a todo instante.

Grupos fundamentalistas, que se fecham nas Igrejas sem agir no mundo, se multiplicam pela Igreja católica. Acham-se os verdadeiros cristãos, mas estão errados.

O Espírito Santo, que sopra onde quer, não se contenta com uma visão falsa de Deus, e  sopra como quiser, apesar dos manipuladores da liberdade humana.

Graças a Deus.