quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Organizadores de rolezinho propõem acordo aos shoppings

30 DE JANEIRO DE 2014 - 9H37 

Os organizadores de rolezinhos na capital paulista propuseram um acordo prévio com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) para que os eventos sejam realizados em parceria com os shoppings centers. Na quarta-feira (29), os jovens se reuniram com os estabelecimentos comerciais. O secretário da Igualdade Racial do município de São Paulo, Netinho de Paula (PCdoB-SP), foi quem articulou e intermediou o diálogo.





Entre os pontos da proposta, o grupo que desde o final de 2013 vem promovendo encontros em shoppings na Grande São Paulo propôs limitar o número de pessoas e a informar antecipadamente aos centros de comércio data e horário das manifestações.

A Abrasce disse que já se colocou à disposição para intermediar as conversas entre os donos de shopping centers e os jovens no intuito de evitar a judicialização do movimento. Um primeiro encontro neste sentido está marcado para a sexta-feira (31), quando deve ser definido como se dará o próximo rolezinho na cidade, marcado para o Shopping Itaquera, na Zona Leste.

"O prefeito Fernando Haddad solicitou que, de alguma forma, a Prefeitura tentasse ouvir a juventude organizadora dos rolezinhos e, em 15 dias de conversa, percebemos que eles estavam interessados em ter uma relação mais tranquila com os shoppings e que tinham também muitas críticas em relação aos espaços públicos da prefeitura", afirmou o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula. Durante o encontro, a Prefeitura definiu que colocará praças, parques e equipamentos públicos à disposição dos rolezinhos.

O secretário Netinho de Paula relatou que a migração dos jovens para os centros de compras da cidade se deu de forma natural, uma vez que buscavam locais seguros para que pudessem se reunir. Algo que, segundo eles, não encontravam em logradouros públicos. "Os jovens reclamavam que a Polícia chegava com muita truculência quando eles organizavam coisas nos parques e ruas. E nos shoppings, eles entendiam que não seriam agredidos", disse.

Segundo Netinho, os organizadores dos rolezinhos serão responsáveis por apresentar à Prefeitura projetos de eventos que desejam promover. "Esses eventos terão o formato que eles querem, com os artistas que eles querem e nós vamos entrar com as praças, equipamentos e com a contratação dos artistas", afirmou o secretário, destacando que o Ministério Público Estadual intermediará junto ao Estado para provir segurança a esses encontros. 



Dinâmica semelhante se dará junto aos shoppings. "A gente vai conversar, e vamos ver qual é a necessidade deles e o que a gente consegue oferecer", disse Sonia Lim, gerente de marketing do Shopping Itaquera. "O que ficou combinado é de que não haverá mais rolezinhos sem a anuência do shoppings", afirmou ela. 

"A gente quer se divertir. Queremos parques e música no fim de semana. A gente não quer fazer bagunça no shopping. Nós estamos querendo fazer uma coisa organizada, sem baderna. Quem estiver no nosso meio, nós vamos tirar", disse Duda Mel, um dos organizadores de rolezinhos na zona norte, referindo-se aos jovens que se juntam aos encontros para fazer baderna ou saquear lojas. "Queremos também mostrar o nosso trabalho. Sou cantor de funk e quero levar a minha música para outras regiões", disse MC Chaverinho, um dos principais organizadores dos rolezinhos na Zona Leste.

Chaverinho adiantou que o próximo rolezinho deve acontecer em um parque, ainda sem data e local definidos. O evento será aproveitado para a arrecadação de brinquedos e alimentos para o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc). "Se a gente tiver os shoppings, a segurança pública, o poder público com a gente, vamos fazer isso com mais qualidade. Um dia buscamos brinquedos, amanhã podemos buscar sangue (para doação)", afirmou o músico.

O secretário Netinho de Paula afirmou que a Prefeitura pretende aproveitar o poder de mobilização desses jovens para divulgar campanhas da administração pública, tal como as de vacinação, por exemplo. 

Governo federal
Os rolezinhos mobilizaram também o governo federal que, atendendo a uma solicitação da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), recebeu na manhã de quarta-feira representantes dos shoppings centers e abriu um processo de interlocução sobre os rolezinhos. Participaram o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e as ministras Luiza Bairros (Igualdade Racial) e Marta Suplicy (Cultura), além da secretária nacional de Juventude, Severine Macedo.

Em nota oficial da Secretaria-Geral da Presidência da República, o governo disse que participará, no dia 25 de fevereiro, em São Paulo, de uma reunião nacional da Alshop com os diretores operacionais dos shoppings de todo o país, para debater “o estabelecimento de parâmetros de atuação das seguranças internas desses estabelecimentos visando preservar suas atividades comerciais e, ao mesmo tempo, assegurar os direitos de acesso e circulação em seus espaços e coibir a ocorrência de ilegalidades como depredações, furtos ou ameaças”.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de S. Paulo e Rede Brasil Atual