quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O gestor brasileiro, refletido na opinião que temos dos técnicos de futebol

Costumamos fazer o papel de bonzinhos, e nos achamos o máximo da humanidade, e da compreensão dos problemas.

Acima de tudo achamo-nos tolerantes e cheios de ânimo, em esperar a recuperação das pessoas.

Curiosamente, não faltam ocasiões em que nos escandalizamos com absurdos que assistimos, seja na vida familiar, ou profissional, como se nunca tivéssemos cometido ato igual.

Na aparência da vida, vamos mantendo esta figura da pessoa boazinha, no decorrer do dia.

Ela pode existir sob um manto religioso de fé, ou de integridade moral, ou na forma de pessoas serenas e equilibradas.

Tudo muito bonito e bem representado até...o seu time de futebol começar a perder.

Aí "sobra pr'a todo mundo".

O técnico é execrado previamente, sem oportunidade de defesa.

"Ai do técnico, se eu fosse o presidente do time!".

Teria sido demitido imediamente, sem explicações.

Jogadores, igualmente, passariam por um pente fino: daqueles que vestem a camisa, e dos que não tem jeito, e devem ir embora, demitidos.

Olho o atual lider do Brasileirão, o Vasco da Gama.

Ele é preponderantemente composto por técnico e jogadores, grande parte deles refugo de outros times, recriminados por erros cometidos nos antigos clubes.

Curiosamente estão excelentes, e na ponta da classificação nacional.

Ricardo Gomes, demitido do São Paulo, obteve já um título, e está afastado por conta de um AVC, mas o substituto, sem nenhum laurel de grande figura, continua na mesma toada.

O grupo de jogadores mantém seu rítmo e motivação, embora o clube sofra com sua ausência.

Nada como o exemplo da dificuldade para apurar virtudes, pois este time veio da chamada segundona, eliminado da Primeira divisão.

O sofrimento e as derrotas tornaram a disposição do grupo inquebrantável na busca do sucesso, e não pararam até agora.

Buscam a chamada Tríplice Coroa, ganhar três títulos ao mesmo tempo

O torcedor brasileiro já teria fechado o clube, e expulso do país a sua diretoria.

Somos impacientes com as estratégias dos jogos que assistimos. queremos que dirigentes, técnicos e jogadores façam agora tudo o que desejamos.

Estes dias Tite, teve de pedir que um jogador do Corinthians fingisse de contundido, para trocá-lo por outro, durante um jogo do Brasileirão.

Acaso o jogador saísse andando, o técnico seria vaiado o restante do jogo todo.

Não damos o tempo necessário para que os esquemas montados mostrem os seus resultados.

Não temos paciência com a falta de resultados, que certamente virão, embora ainda não estejam acontecendo.

Nossa estratégia é a do "agora ou nunca", isto é, da ausência completa de planejamento, não considerando nossas forças e a dos adversários, e com base numa análise equilibrada, decidir como agir.

Imediatistas é o que somos, em nossa essência.

A motivação que possuímos é a da cobrança da perfeição, e da recriminação do erro, pondo uma rédea curta nos jogadores, que perdem a naturalidade e o prazer por jogar.

O controle é total, mecanizando a todos, e eliminando o que ainda sobra da criatividade brasileira.

Ontem faleceu Steve Jobs.

Sua criatividade derivou da liberdade de ver o trabalho como algo livre e interessante, algo prazeiroso, adaptado ao seu ser, seu jeito de ser.

Não é assim conosco.

Seguindo o modelo do dominador, repetimos sua mesma expressão, sem liberta-nos dos esquemas que nos atormentaram durante a vida.

A verdadeira libertação começa interiormente primeiro, em conhecer-se em profundidade.

Não há como mudar de atitudes, se não me conheço suficientemente, para decidir-me por outra direção.

A grande parte das pessoas não obteve uma honestidade interior, consigo mesmo, em reconheer-se falível aqui e ali, para corrigir-se, e permanece com uma expressão de perfeito que exige perfeição.

Caso não cheguemos aí, estaremos estacionados na vida, com uma presença relativamente evoluída, mas ainda cheio de primitivismos.

A verdade para ser encontrada, necessita de uma presença ausente no mundo, agindo como se não estivéssemos, suficiente para não nos perdermos nas paixões imediatistas, e suportarmos as pressões, enquanto nos dirigimos para o horizonte que estabelecemos.

Somos muito críticos para com os argentinos, e incapazes de enxergar aspectos positivos deles.

Os torceores argentinos apoiam seus times o tempo todo, mesmo perdendo.

Não pedem nada de estraordinário, apenas que suem suas camisas; eles farão a sua parte.

No Brasil não! Nós apoiamos se eles forem bem; se não, então passamos a vaiar.

Reproduzimos o que fizeram com nossas vidas desde criança, numa eterna cobrança, como se isto fosse o correto.

Vamos romper estas atitudes do Brasil antigo, e adentrar neste novo tempo, onde o bom está acontecendo, e não queremos ver, com uma boa gestão, com base na criatividade, na participação, na vida em equipe.

Época em que já não cabe mais a centralização, mas o compartilhamento.

Esperemos um Novo Brasil, diferente daquele refletido nas formas de opinião que temos, como torcedores.