quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Surge um novo Partido: O PPL (Partido Pátria Livre), o antigo MR8



A democracia brasileira é sui generis.

As nações que se consideram democráticas, praticam a antidemocracia, fechando partidos, e reduzindo a vida política a dois, se tanto, ou algum mais.

Em nossas plagas a história é diferente. É uma contribuição da liberdade democrática brasileira ao mundo, que vive de falsidades da democracia de Wall Street

Por aqui acaba de se registrar o PSD, de Kassab, cheio que guerras de ações na justiça, pelos Demos, seu antigo ninho, e campanha da mídia contra sua formação, pois trouxe defecção e esfarelamento na oposição.

Correndo por fora de tudo, da imprensa, dos corredores palacianos, na surdina, surge ao mesmo tempo uma nova agremiação, nacionalista de esquerda, oriunda do antigo MR-8.

Chama-se Partido Pátria Livre

O MR-8 viveu na clandestinidade durante a ditadura militar, e com a democracia entrou no antigo MDB, e depois no PMDB com Quércia.

Com o tempo este convívio foi se tornando incômodo, devida as constantes adesões do PMDB a interesses neo liberais.

Na política partidária o máximo de liberdade possível é, dentro de certas regras estabelecidas, permitir a formação de partidos que expressem as diveras correntes de opinião que não se acham representadas na estrutura de poder.

O tempo fará estas agremiações vingarem, e crescerem, ou entrarem em decadência até o seu desaparecimento.

Entretanto, vira e mexe, entra um novo fascista de plantão, e se põe contra os partidos políticos, e propõe regras novas que dificultam a sobrevivência partidária.

Como é permanente a campanha da mídia contra o Congresso Nacional, e aos partidos políticos, não é difícil fazer a opinião pública se "escandalizar" com mais um partido.

Vejo como positivo mais um partido. A História dirá sobre o PPL, e sua contribuição maior ou menor na vida política nacional.

Veja artigo do Valor Econômico e Agência O Globo



Nesta terça-feira (4), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deferiram, por unanimidade, o registro da legenda, que utilizará o número 54. Por se tornar o 29º partido com registro na Justiça Eleitoral, o presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski fez um comentário crítico sobre o sistema político-partidário brasileiro. "Estamos indo além do pluripartidarismo, estamos ingressando no hiperpartidarismo. É uma novidade que criamos no Brasil", disse Lewandowski.


Como o partido cumpriu as exigências legais para obtenção do registro e não houve nenhum pedido de impugnação, a relatora Cármen Lúcia Antunes Rocha foi favorável à criação da nova sigla. Segundo a relatora, o PPL coletou 492.811 assinaturas certificadas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de 11 Estados.


O pedido do PPL foi deferido a três dias do fim do prazo para criação de siglas que queiram disputar a sucessão municipal no próximo ano. O prazo termina sexta-feira (7), a um ano do pleito.


Garantia democrática


A defesa feita por um dos dirigentes do novo partido explicita a importância da garantia de espaços e instituições cada vez mais democráticas no país, para que a diversidade de opiniões presentes na sociedade possam ser representadas: "pelo que a gente conhece do Brasil, nosso país sempre conseguiu se desenvolver quando se abriram crises internacionais. Foi nessas fases que o projeto de nação possibilitou que o país se desenvolvesse. Hoje, com a profunda crise internacional do capitalismo, nós sentimos que é o momento de se abrir uma possibilidade de se desenvolver. Achamos que era necessário criar um partido que fosse mais definido nessa questão", afirmou o presidente regional do partido no Rio de Janeiro, Irapuan Santos, que entrou no MR-8 em 1977.


Quanto à crítica do Ministro Lewandowski, Irapuan responde que o fato de o PPL ter colhido um milhão e 200 mil assinaturas - das quais 492.811 foram certificadas por TREs - significa que o país quer um novo partido. Ele ressalta que a lei permite novos partido e que, por mais que existam tantos, somente alguns vão se firmar e continuar existindo no futuro.


"O número de assinatura para nós desmistifica duas questões: a de que existem partidos demais e a de que as pessoas não querem saber da política. Se essas coisas fossem verdade, não teríamos colhido tantas assinaturas", opina.


Identidade histórica


O MR-8 vinha funcionando como um núcleo informal do PMDB desde a década de 1970. Irapuan, junto com outros integrantes do grupo político, saiu do partido há dois anos, quando começou a trabalhar na criação do PPL. Ele explica que, embora a maioria das pessoas filiadas ao partido venha do movimento, muitos tinham outras filiações, como o PSB, ou nunca tinham participado da política partidária de forma orgânica.


O nome "Pátria Livre" vem da intenção do grupo de "libertar a nação dos interesses do capital financeiro internacional", que consideram ser o principal entrave para acabar com a miséria no Brasil. Para o PPL, a libertação começou com Tiradentes, morto por participar da Inconfidência Mineira em 1789, como diz o seu programa.


Além de Ernesto Che Guevara - que morreu no dia 8 de outubro de 1967, na Bolívia, dando nome ao grupo brasileiro -, principal referência do MR-8 na década de 1960, hoje, figuras como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart também são valorizadas pela sigla, devido à contribuição que deram ao desenvolvimento do país. "O Pátria Livre é um partido de linha nacionalista, inspirado principalmente na experiência de Getúlio Vargas", explica Irapuan.


Prioridades


No último congresso nacional do PPL, foram firmadas cinco prioridades nesse sentido: ampliar o mercado interno, criando mais emprego e aumentando o salário; reduzir os juros; incentivar empresas "genuinamente nacionais", tanto privadas quanto públicas, com recursos do Estado; desenvolver os setores de tecnologia de ponta; e lutar por educação e saúde gratuitas e de qualidade para todos.


O partido critica principalmente a concentração de recursos públicos para o pagamento da dívida externa. No seu site oficial, a seguinte frase vem ao lado do nome do partido: "Os bancos receberam da União, em oito anos, R$ 1.858.679.200.827,38 (1 trilhão, 858 bilhões, 679 milhões, 200 mil, 827 reais e 38 centavos), sem incluir o refinanciamento da dívida (“rolagem”)".


Segundo Irapuan, o PPL ainda não tem candidatos certos para as eleições municipais de 2012. Contudo, se o partido ainda engatinha nas suas decisões políticas, a Juventude Pátria Livre (JPL) está a mil. Conforme explica Irapuan, a JPL já surge com dois dirigentes na União Nacional dos Estudantes (UNE), além de já estar na disputa pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ, junto com outros partidos.


Da redação, Luana Bonone, com informações do Valor Econômico e Agência O Globo