sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Entroncamento entre cristianismo e islamismo na Nigéria leva a confrontos crescentes

Vitória de candidato cristão leva grupos islâmicos fundamentalistas a radicalizarem suas ações.

Prédio da ONU é explodido por grupo radical que pretende impor a Sharia ao país.

A Sharia é uma espécie de fascismo religioso que procura impor costumes religiosos a todo o povo através de leis governamentais.
Estes estados em verde são os que aplicam a Sharia na Nigéria. O Norte é mais islâmico e pobre e o sul é mais cristão e rico

O país tem uma longa convivência entre cristãos e islamitas, que parece estar entrando em crise. Havia uma rotatividade de presidentes para apaziguar os ânimos, mas parece que isto está acabando

Com a ONU permitindo bombardeios sobre a Líbia, sob alegação de proteção a civis,  chama a atenção dos diversos grupos terroristas que se acham com os mesmos direitos do uso destes recursos.

Veja matéria recolhida do IG


Confrontos pós-eleições deixam 48 mil refugiados na Nigéria, diz ONG



Violência que começou após votação ganha contornos religiosos por causa de rixa entre muçulmanos e cristãos

BBC Brasil
20/04/2011 16:46


A violência pós-eleitoral na Nigéria já forçou o deslocamento de cerca de 48 mil pessoas no país, informou nesta quarta-feira à BBC a Cruz Vermelha nigeriana.

O presidente Goodluck Jonathan, cristão oriundo do sul do país, foi declarado vencedor no segundo turno eleitoral, disputado no último sábado. Ele derrotou o general muçulmano Muhammadu Buhari, que representava o norte do país, de maioria islâmica.

Ambos os candidatos pediram calma aos manifestantes, mas Buhari declarou à BBC nesta quarta-feira que vai contestar os resultados do pleito por, segundo ele, haver indícios de irregularidades.

Feridos em confrontos pós-eleições esperam por atendimento em hospital de Kaduna, na Nigéria

Observadores internacionais afirmaram que as eleições foram razoavelmente livres e justas. Os distúrbios começaram a eclodir após o anúncio da vitória de Jonathan, com 57% dos votos, e grupos de direitos humanos dizem que mais de 200 pessoas já morreram em confrontos e outras centenas ficaram feridas.

O correspondente da BBC no país, Abdullahi Kaura Abubakar, diz que a violência tem origem político-eleitoral, mas agora ganha contornos religiosos por conta das rixas entre o norte majoritariamente muçulmano e o sul de maioria cristã.

Umar Marigar, representante da Cruz Vermelha nigeriana, diz que a crise política está se convertendo em "étnico-religiosa", elevando os riscos de que ataques perpetrados sejam seguidos de retaliações, em um ciclo de violência. "É disso que temos medo."


Em Kaduna, localizada no centro do país e palco de episódios violência nos dois últimos dias, o correspondente Abubakar relatou que a situação era de relativa calma na tarde desta quarta-feira. No entanto, corpos eram vistos pelas ruas, como resultado de confrontos e de incêndios.

Muitas pessoas estavam nas ruas comprando comida e sacando dinheiro antes que entrasse em vigor um toque de recolher, marcado para as 17h (horário local). A cidade está sendo patrulhada por soldados do Exército.

A maioria dos manifestantes é de homens desempregados, sem estudos e oportunidades, relata Muhammad Jameel Yushau, do serviço em hauçá (idioma local) da BBC. "Em geral, esses homens só são lembrados pelos políticos em época de eleições, quando muitos são pagos para votar. Eles podem fazer com que o atual conflito saia do controle, já que o momento lhes oferece uma oportunidade de saquear e atacar pessoas que eles consideram inimigas."

Divisões

Goodluck Jonathan, cristão da região petrolífera do delta do Níger, foi indicado à Presidência no ano passado, por conta do adoecimento e da morte do então presidente Umaru Yar'Adua, muçulmano do norte. Até então, em geral, a Presidência vinha sendo rotativa entre as duas partes do país, em uma tentativa de manter a paz.

Mas correspondentes explicam que, independentemente dos partidos políticos que estejam no poder, os 12 anos de governo civil no país trouxeram poucas mudanças às vidas dos nigerianos. Um fator complicador é que o norte islâmico é menos desenvolvido que o sul em termos de educação, desenvolvimento e oportunidades econômicas.

Explosão é registrada na sede da ONU na Nigéria


Ataque a bomba no prédio da entidade em Abuja deixa ao menos 18 mortos; grupo radical muçulmano Boko Haram assume atentado


iG São Paulo
26/08/2011 08:05 - Atualizada às 13:55


Um ataque a bomba à sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Abuja, capital da Nigéria, destruiu grande parte do prédio e deixou ao menos 18 mortos, segundo a polícia. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o atentado "contra quem entrega sua vida para ajudar os demais". O grupo extremista islâmico nigeriano Boko Haram assumiu a autoria do ataque em um telefonema ao escritório da rede BBC na Nigéria.

Boko Haram (figurativamente, "a educação ocidental ou não-islâmica é um pecado"

A explosão aconteceu às 11h do horário local (7h de Brasília). Segundo testemunhas, um carro-bomba explodiu em local próximo ao prédio de quatro andares que abriga os escritórios de 26 agências humanitárias da ONU. O primeiro andar foi gravemente danificado pela explosão.

Não há informações sobre quantas pessoas estavam no edifício no momento da explosão, mas cerca de 400 funcionários trabalham no local. O prédio da ONU está localizado no mesmo distrito onde ficam a Embaixada dos EUA em Abuja, além de outras representações diplomáticas.

Em comunicado, o governo brasileiro condenou o atentado e expressou "profundo pesar e solidariedade ao Secretariado da ONU, aos funcionários da Organização na Nigéria e seus familiares". O Brasil também reiterou "seu repúdio a todas as formas de violência, praticadas sob qualquer pretexto".

A Nigéria, que é rica em petróleo, enfrenta uma crescente ameaça terrorista. O país tem uma população de 150 milhões e está dividido em um sul majoritariamente cristão e um norte muçulmano.

Um funcionário da ONU havia dito à BBC, sob condição de anonimato, que a entidade recebeu informações no mês passado de que poderia ser alvo do grupo islâmico Boko Haram, um grupo radical muçulmano que quer implementar no país a sharia, código de leis do islamismo.

A ONU, então, reforçou a segurança em todas as suas instalações no més após receber as informações.

No ano passado o Boko Haram explodiu carros-bomba na capital durante a comemoração dos 50 anos da independência do país, deixando 12 mortos. Em junho, o Boko Haram detonou um carro-bomba no quartel-general da polícia em Abuja. No início de agosto, o comandante americano de operações militares na África, Carter Ham, disse que o Boko Horam poderia estar se aliando a grupos ligados à Al-Qaeda para coordenar ataques na Nigéria.

Ban afirmou que enviados da ONU à Nigéria terão uma reunião com o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, para analisar o caso e definir questões sobre a investigação.