sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Somos todos indigentes em algo

É horrível ter de admitir isto, de que somos indigentes em algo.

Nós que nos apresentamos todos autossuficientes, em não precisarmos de ninguém para resolver os nossos problemas. Mesmo porque não gostaríamos de estar resolvendo os problemas dos outros.

Já bastam os meus! Não   é assim?

Nossa sociedade pós-contemporânea se pauta pelo individualismo extremo, pela inversão de valores, pela antirreligiosidade, a aversão à política e aos políticos, pelo domínio do medo.

Mas o homem pós-contemporâneo chora, lá no fundo, a perda de sua identidade, o ter de ser como uma fotografia, uma imagem, um mirante para lugar nenhum. Época de grandes falsidades, grandes golpes, grandes mentiras.

O homem chora esta indigência do seu übermann, o super-homem, que não tem erros e substitui a Deus.

Ninguém escapa a esta indigência, de precisar de uma ajuda e ter vergonha de pedir.

De descer de seu pedestal altíssimo, regado a amizades circunstanciais, restaurantes sofisticados, para admitir que basta um simples sorriso, um abraço sincero.

Mas não, preferem o espólio das riquezas materiais à alegria gratúita, estar rodeado de bajuladores, que a solidariedade verdadeira.

Esta é a pior indigência.

O miserável da rua está caído no mais fundo abandono, e sabe bem o que é isto. Vive nos becos e nas calçadas, com o o que resta no lixo, os bagulhos os de todo tipo.

Mas o cidadão de nos época pós-contemporênea, ah..., este é o indigente de se ter a maior dó, porque  perdeu a coragem de confidenciar seu sofrimento, seu sentimento, seus pensamentos.

Vive uma postura, uma impostura pessoal e social. 

E acha normal.