segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A vida e a morte...ou a morte e a Vida?



É chegada a hora.

Estar diante da morte.

Os familiares em volta da cama com aquela paciência e compreensão nunca antes encontrada.

Procuram explicações para eles mesmos, diante do inevitável.

Procuram palavras de conforto e não encontram.

Neste instante a vida política perde importância, os projetos pessoais e profissionais perdem importância, a conta bancária deficitária ou altamente rentável, também perde importância.

Tudo perde importância: a família, os bens, o futuro que daqui a pouco findará.

Resta uma vida diante do nada, se for um ateu ou um agnóstico, que não teve a curiosidade para indagar as questões básicas da humanidade, e não tem explicações para o que vem em breve.

Resta uma vida angustiada pela ausência de explicações neste pouco que lhe resta.

Porque não se aprende de uma hora para outra

Poderiam ter sido feitas as perguntas básicas, proclamadas desde Sócrates, quando leu no Oráculo de Delfos a frase "Conhece-te a ti mesmo", que transformou toda a sua trajetória de vida. 

Porque estou aqui? 

A vida tem uma razão de ser? 

Qual a finalidade da existência?

Se o nada estiver diante de mim, nada do passado teve sentido, pois nada será o fim.

Ter o nada diante traz em si o convite a negligenciar os valores de vida

Quem sabe algum chamado em sua mente distraída, confundido ao seu próprio pensamento mergulhado em racionalismo, não aceite discernimentos provindos da subjetividade do intelecto, a testar sua lógica com o absurdo da transcendência.

Talvez o questionamento possa lançar uma luz que esclareça tantas realidades experimentadas, vitoriosas e sofridas,  e ao mesmo tempo introduza uma forma nova de ver o mundo, nas pessoas, nos animais, plantas, mar, o céu.

Talvez o questionamento reforce o seu nada, a falta de perspectiva, o fim no fim da vida.

Porque afinal a liberdade do homem comporta aceitar até onde ele possa ir, se quiser ir, e até se recusar a ir.

Porque se entende também a surdez, a ausência de percepção interior, circunscrevendo a tudo na inteligência e na razão, e aceitando sentimentos como o amor e a paz, como pertencentes à racionalidade.

Se, entretanto, você aquiescer em seu coração o inusitado, o absurdo, o impossível, e penetrar nas loucuras incompreensíveis para este mundo, onde um Deus inimaginável e ao mesmo tempo presente na simplicidade da vida, venha trazer um convite para um acompanhamento de longo prazo, estranhamente tudo começa a encontrar sentido.

Então a chegada da hora terá um importância muito maior.

Será o limiar de um tempo, o corolário de uma existência preciosa em suas ações dissonantes, contraditória com os desejos dos projetos individuais, egoístas, personalistas.

Um tempo onde os segredos foram desvendados sem provas, e a trilha continua com a mesma incerteza e busca.

Prefiro esta escolha.

A parte que me questiona constantemente, sem lógica e razão.

Por certo deixa mais vulnerável, mas ao mesmo tempo aquieta o coração e abre a compreensão para a vida.

Não busco convencer ninguém. Nem a mim mesmo.

Cada um faça o seu questionamento.

Se for a fundo, por certo muitos conceitos cairão por terra, no chão batido e seco. Não se erguerão mais.

Outros conceitos se sustentarão, se estiverem consoantes com a verdade e a vida.

É um bom teste para ser feito agora, antes que seja tarde demais.