segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Movimento social na Síria: não olhar só o que a mídia diz

A irmandade muçulmana é um grupo fundamentalista que possui maioria na cidade de Hama, onde a mídia noticiou que houve 140 mortes de pessoas pelo exército sírio.

Ocorre que Hama tem uma luta contra o governo há décadas, e possui grande intolerância política.

O Governo Sírio expressa uma característica nasserista de governo forte,  centralizado, e de cunho totalitário. As pressões sociais atuais estão fazendo o governo rever o processo de abertura política, dadas as proporções que a luta está tomando.

Entretanto a cada tentativa de abertura, a irmandade muçulmana faz mais pressão, obrigando o governo a retroceder no processo, até que se respeite as partes.

Guardando-se as devidas proporções, o processo é semelhante ao da Líbia, onde o império tem interesse em derrubar o governo Kadafi. Querem transformar a Síria em, uma nova Líbia, e entrar com as tropas da Otan lá também. 

O império americano e os europeus tem interesse em derrubar o atual governo, nem que para isso outros grupos mais belicosos assumam o poder. O atual Governo Síro é um aliado do Irã, e na geopolítica da região uma desestabilização ali é interessante para o ocidente

Uma posição equilibrada hoje é defender a redemocratização da Síria, e ao mesmo tempo combater o apoio do ocidente ao fundamentalismo que quer se implantar por lá.

Veja matéria obtida da Xinhua



1 de Agosto de 2011 - 19h28

TV da Síria mostra imagens de ataque de sabotadores em Hama

A emissora do governo da Síria levou ao ar nesta segunda-feira (1/8) um vídeo amador que mostra homens armados, na cidade de Hama, disparando contra forças de segurança e, em seguida, lançando os corpos dos assassinados no ataque nas águas do rio Orontes.

O vídeo mostrou homens armados com rifles, alguns deles mascarados e vestidos com túnicas, disparando contra policiais em Hama. Em seguida, os homens são vistos lançando o corpo dos policiais ao rio, ao mesmo tempo em que gritavam "Deus é grande".

A agência de notícias local, SANA, afirmou nesta segunda-feira que uma autoridade do país, não revelada, disse que grupos armados "deram início a um ataque intensivo", com uso de munição pesada e bombas do tipo Molotov contra alguns quarteis e delegacias de polícia da cidade de Hama.

A fonte disse que os atacantes levavam armas e percorriam a cidade montados em motocicletas, agregando que as unidades do exército que estão na cidade ainda estavam desmontando as barricadas e barreiras montadas pelos 'sabotadores' no último fim de semana.

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, visitou nesta segunda vários oficiais do exército e policiais no hospital militar Tishrin, em Damasco, o qual teria sido invadido e dominado dias antes por gangues armadas.

O governo sírio afirmou que centenas de policiais e oficiais de segurança foram mortos e muitos outros feridos por grupos armados que estão espalhando o terror no país há quatro meses.

Hoje cedo, o general Riyad Hadad, chefe do departamento político do Exército Sírio, afirmou que o país está diante do "capítulo final" da conspiração.

Em uma entrevista publicada pelo jornal do partido no poder, o al-Baath, Hadad disse que o exército está pronto para fazer o sacrifício necessário para salvaguardar a segurança do país.

Desde o início dos protestos, em meados de março, Hama foi palco das manifestações mais sangrentas, com milhares de pessoas protestando toda semana a favor da derrubada da liderança síria.

A cidade tem uma história de rebelião contra a liderança síria e foi um bastião importante do grupo fundamentalista sírio Irmandade Muçulmana, que patrocinou uma rebelião sangrenta em 1982 na região.

Fonte: Xinhua

Segundo o Wikipédia, para conhecimento dos leitores passo alguns dados sobre a Irmandade Muçulmana:
 
A Irmandade Muçulmana, (em árabe جمعية الأخوان المسلمون, Jamiat al-Ikhwan al-Muslimun, literalmente "Sociedade de Irmãos Muçulmanos", conhecida popularmente apenas como الإخوان, Al-Ikhwān, "A Irmandade") é uma organização islâmica fundamentalista. A Irmandade Muçulmana opõe-se radicalmente às tendências seculares de algumas nações islâmicas (ex: Turquia, Líbano, Egito, Marrocos) e pretende "retomar" os ensinamentos do Corão, rejeitando qualquer tipo de influência ocidental. A Irmandade Muçulmana também rejeita as influências Sufi e o chamado "islamismo moderado". O lema da organização é: "Deus é o único objetivo. Maomé o único líder. O Corão a única Lei. A jihad é o único caminho. Morrer pela jihad de Deus é a nossa única esperança".

[editar] Estrutura A irmandade tem representantes em 70 países. Eles afirmam ter tido ação relevante na maioria dos conflitos pró-islâmicos, desde as guerras árabes-israelitas e a guerra da independência argelina até os recentes conflitos no Afeganistão e na Caxemira. Atualmente a Irmandade Muçulmana egípcia é um grupo clandestino.

Agora temos as informações mais completas, e não apenas aquelas dadas pela mídia.