terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

É possivel emergir Estados democráticos laicos no Oriente Médio?

Pode parecer uma pergunta absurda, mas não é.

O movimento social no Oriente Médio reflete, em geral, um tipo de Estado  que mantém distanciamento com seus povos.

No Brasil, assim como na Bolívia, Venezuela, Equador, Uruguai, Argentina, Chile, Nicarágua, El Salvador, etc há um Estado mais permeável às demandas sociais, e a elas de uma forma ou de outra atende suas expectativas.

Neste aspecto as democracias na América Latina mostram um aperfeiçoamento maior,  onde camadas antes excluídas da população, começam a usufruir dos benefícios que antes eram apenas e tão somente das elites conservadoras.

Pode-se perguntar se isto não irá retardar algum sentimento revolucionário nestes povos.

Para quem pensa assim, acredito que estes são opiniões masoquistas, de desejar o pior, como única solução para os problemas, sem observar o esgotamento de alternativas que as populações vêem.

O modo de produção capitalista mostra este esgotamento, mas ainda tem muita lenha para queimar, e o modo de produção socialista, visto pelo prisma do antigo socialismo soviético, também mostrou limites, que a experiência chinesa e vietnamita tentam superar.

Um fato é que os partidos socialistas da América Latina deram dois passos à frente sim, e hoje mostram capacidade de gestão pública voltada para o mais pobre, incentivando o desenvolvimento nacional, procurando distribuir renda, e atritando mais ou menos, aqui e ali, com setores burgueses que se sentem atingidos por esta onda de mudanças. Em alguns países estes atritos são mais fortes, em outros há uma combinação de conjunturas que permitem projetos comuns.

O oriente médio, submerso no fundamentalismo religioso, não educou politicamente suas massas para o poder, redundando em tiranias "de esquerda" e de direita, durante décadas, desde 1950 aproximadamente.

Uma burocracia estatal, misturada a reinos e fanáticos religiosos, tornou as mudanças sociais, típicas vitrines de mudanças, mas deixando no essencial tudo igual.

Apenas as mudanças de costumes, proibições de tipos de roupas, hábitos ocidentais, etc, foram sendo coibidos, como se isso fosse o suficiente para resolver problemas estruturais.

Agora, novamente as massas se levantam, e vêm à tona a questão do poder do estado nas mãos do povo, com experiências frustradas do passado, onde estas mesmas massas ajudaram a colocar os governantes que querem derrubar hoje.

É preciso emergir desta irupção, verdadeiros partidos socialistas no Oriente Médio, sem discriminação religiosa, mas também sem submissão ao domínio de líderanças religiosas.

É preciso emergir um Estado Laico no Oriente médio, com liberdade religiosa mais ampla e menos fanática, e de cunho socializante, em vez dos Estados Teocráticos, que fazem muito barulho de mudanças, mas acentuam o modo de produção capitalista, enquanto suas massas ficam dopadas de uma espiritualidade submissa, e inconscientemente empobrecidas.