sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A quantas anda a consciência política do povo brasileiro?

Difícil responder a esta pergunta.

Passando o olhar pela América Latina, vejo outros povos com mais consciência, que o nosso.

Mas primeiro, vamos conceituar consciência política.

Gosto dos clássicos quando dizem haver dois tipos de consciência: a consciência em si, logicamente de uma classe social, ou grandes grupos sociais, é a consciência das necessidades básicas daquele grupo.

Já a consciência para si significa a consciência desta classe, de seu papel político transformador da sociedade.

Localizo a consciência política das classes exploradas pelo capital, pois não me empolgo com a consciência das elites, senão para destroná-las.

Ocorre que a consciência para si não se dá de maneira uniforme nem constante, podendo avançar ou recuar.

Isto posto, mantém-se a pergunta: a quantas anda a consciência política do povo brasileiro?

Bem, o operariado avançou em termos de organização e está estruturado em sindicatos e centrais sindicais.

Isto é positivo, mas não garante a educação política das amplas massas para o seu papel para si, que é central.

Há muito ainda de sindicalismo de resultados, que se circunscreve na classe em si, de forma que um sindicalismo classista e de luta ainda está em seu embrião, ainda que hajam centrais que reivindiquem este papel transformador.

E estas centrais classistas têm que levar em conta a adesão de sindicatos acostumados a lutas específicas, para daí em diante implementar a visão transformadora, o que é algo de média para longa duração.

Com a ampliação do emprego formal, há uma consciência de uma frente democrática que é favorável aos operários e trabalhadores em geral, em alguns momentos favorável, e desfavorável em outros.

O movimento rural está com uma Contag que não amplia, não parte decididamente para a luta, mas está estruturada nacionalmente e, conquistou e garante alguns direitos.

Os movimentos dos sem terra, de vários matizes hoje, vão à luta e oferecem um horizonte transformador dentro da sociedade democrática.

Objetivamente o campo hoje no Brasil está mais organizado do que no passado, da ditadura, e é onde ocorrem os maiores conflitos.

De quem seria então a responsabilidade para implementar esta consciência política nas amplas massas brasileiras?

A resposta é simples: somente um partido político de feições socialistas e transformadoras será capaz de realizar esta missão, e hoje, objetivamente poucas são as organizações que podem desempenhar amplamente este papel.

O PT abandonou este papel há muito tempo, mas não larga a carniça, e dramatiza sua presença como se fosse revolucionária, sabendo que não irá muito mais adiante, pois hoje está bom.

O PC do B pode desempenhar este papel, mas a aliança nacional, impõe uma consciência de frente política, e ao mesmo tempo uma consciência de classe para si, o que significa que a estrada fica um pouco estreita.

Os demais partidos políticos de esquerda não exercem uma influência mais ampla que possa garantir atingir este objetivo.

Por outro lado, o Brasil está num período de crescimento econômico, assim como a América Latia em geral. Não é um Oriente Médio com sua exclusão de décadas e de totalitarismos de direita e de "esquerda".

Assim, há uma experiência política num período que podemos chamar de paz.

Neste contexto, importa acumular forças, mais em termos organizacionais, buscando preservar as origens, e não se desviar de sua identidade, porque as pessoas envelhecem e podem se acomodar.

João Amazonas foi um que envelheceu sem se acomodar, estou certo ou errado?

Fica o exemplo.

Pode haver o inesperado, das massas, de repente irromperem em movimentos espontâneos? Creio que sim.

Por isto é premente lutar dentro do governo, para fazer avançar as conquistas, enquanto se acumula forças, para não ser surpreendido como os países do Oriente médio, tão sem consciência política, o que é triste, pois escapa pelos dedos o poder popular, na desorganização da luta.

Fico por aqui.

O livre pensar é só pensar.