domingo, 27 de fevereiro de 2011

Chove chove chove em Sampa

Começo com um poema de Fernando Passoa.




Chove? Nenhuma chuva cai...

Então onde é que eu sinto um dia
Em que o ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia?

Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde é que é triste, ó claro céu?
eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te de meu...

E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...

E eis que ante o sol e o azul do dia,
Como se a hora me estorvasse,
Eu sofro... E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.

Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuto, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim...

Fernando Pessoa falava de uma chuva interior, perceptível para os que se observam por dentro.

Há o pessimismo de quem não tem experiência no Espírito, entende-se, embora ela já fosse possível em seu tempo.

Mas ele viajava no ocultismo de Helena Blavatski, a quem traduziu se não me engano "A voz do Silêncio" do russo para o inglês, quando vivia na África do Sul.

Sua subjetividade era panteísta, identificando Deus às árvores e rios e sol, etc... até abdicar o nome Deus, substituíndo-o pelos próprios nomes citados

 Para se compreender sua espiritualidade deve-se ressaltar uma irreverência anti-cristã, mas ao mesmo tempo uma recriação cristã, crítica ao cristianismo de sua época.

Mas quero falar de uma chuva exterior, no dia de hoje, que não pára. Perdão pela superficialidade, mas está acontecendo sem parar

A chuva está constante.

Grande é o número de alagamentos na cidade.

As marginais estão fechadas, tanto a Tietê como a Pinheiros, com inundações, e pessoas sendo resgatadas de ônibus e carros.

Até uma senhora em trabalho de parto foi resgatada na marginal, de helicóptero.

Como sempre as autoridades estaduais e municipais não estão presentes, e se estivessem diriam que este é um problema crônico que vem de várias administrações, isentando-se da culpa.

Depois vão dizer que eu estou pegando no pé dos tucanos e dos demos

A TV já deu um piripac aqui em casa, e quem sabe a luz....bizzzzz, espero que não.

A chuva não é fortíssima, mas constante e parece que não irá parar.

Até o jogo São Paulo X Palmeiras estava para ser transferido de data, mas devido a falta de datas alternativas, resolveram jogar assim mesmo.

Perigoso porque há trovão a toda hora.

Os torcedores estão realmente torcidos.

Dirão os ambientalistas, que isso é consequência da destruição do meio ambiente.

Aliás este é o mote para a Campanha da Fraternidade da Igreja, a questão ambiental, que destrói a qualidade de vida do povo brasileiro.

Ainda bem que estou em casa, lendo a O Mito daCaverna, de Sócrates, escrito por Platão.



Estarei dentro ou fora da caverna?

 Penso que faço parte dos que desejam voltar à caverna para libertar os que estão prisioneiros lá dentro.

Ou não ?