quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ipea mostra que desemprego entre pobres é 37 vezes maior que entre ricos


Estou reproduzindo um artigo que fala o óbvio, de que os pobres estão muito mal, precisando de políticas realmente efetivas de distribuição de renda, como o aumento do mínimo, e o aumento do mercado de trabalho.

Hoje enquanto esperava minha esposa voltar do cartório, onde foi reconhecer firma de uns documentos, fui abordado por dois cearenses que procuravam um endereço, de emprego.

Orientei-lhes que era no quarteirão seguinte, e eles foram adiante.

Dali a pouco eles voltaram cabisbaixos, porque, sem saber ler nem escrever, ninguém do lugar se prontificou em preencher-lhes o formulário de ficha de solicitação de emprego.

Revoltado disse-lhes que não faria por eles naquele instante porque estava esperando minha esposa, mas se quisessem aguardar um pouco iríamos todos lá e eu os ajudaria, o que acabou ocorrendo.

Os pequenos que não sabem sequer ler e escrever só podem trabalhar de faxineiros e olha lá.

Tive muita pena e os ajudei com muita alegria.

O candidato tinha trabalhado num mercadinho e na roça.

Era um cara puro de tudo, sem malícia, e ali, abandonado em plena São Paulo.

Mas, vejam abaixo o artigo, que é muito interessante e poderá subsidiar na formação de uma visão mais apurada da nossa realidade de hoje.
10/02/2011

Embora o número de desempregados no Brasil tenha caído 31,4% entre 2005 e 2010, cresceu a diferença na participação de ricos e pobres no mercado de trabalho. Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o desemprego entre os trabalhadores de menor renda é 37 vezes maior que entre os de maior renda. Em 2005, a diferença era de 11 vezes.

“Não obstante a queda significativa na taxa total de desemprego entre 2005 e 2010 nas seis regiões metropolitanas do Brasil, houve situações inversas entre os mais pobres”, disse o Ipea no comunicado.

Na conclusão do estudo, o instituto aposta que o aumento do desemprego entre os mais pobres “pode ser visto como a contraface dos ganhos reais nos rendimentos dos ocupados”.

“Uma vez que as pessoas que têm atividade remunerada (seja emprego assalariado ou trabalho por conta própria) melhoram seus rendimentos, a pobreza passa cada vez mais a estar relacionada com o desemprego, e não com o trabalho mal remunerado”, diz o Ipea.

Segundo o levantamento, entre 2005 e 2010, os trabalhadores que respondiam por 10% dos menores rendimentos das regiões pesquisadas tiveram alta de 44,2% no nível de desemprego.

Para os 10% com maior rendimento, a taxa de desemprego caiu 2,6% na mesma base de comparação.

Tempo desempregado

O tempo de procura por trabalho também passou por mudanças significativas nos últimos cinco anos.

Enquanto, em 2005, os desempregados com menor renda passavam mais tempo procurando trabalho, em 2010, o tempo médio de procura ficou maior entre os trabalhadores com maior renda.

No ano passado, o desemprego com menor rendimento teve tempo de procura médio de 248,3 dias, enquanto, em 2005, era de 341,4 dias. “Ou seja, uma queda de 27,3% no tempo de procura por uma ocupação”, diz o Ipea.

Para os trabalhadores com renda mais elevada, por sua vez, o indicador subiu 15,7%, de 277 dias em 2005 para 320,6 dias em 2010.

Segundo o Ipea, a análise dos números é ambigua.

“O aumento do tempo de procura entre os desempregados de maior rendimento familiar per capita sugere que estes podem estar sendo mais seletivos em relação à aceitação de novos empregos”, diz. (isto é uma inferência do IPEA, sem nenuma base científica)

“Por outro lado, a diminuição do tempo de procura entre os mais pobres também é indicativo de que estes acessam principalmente trabalhos precários e de curta duração, retornando rapidamente à condição de desemprego”, completa o Ipea. (aqui sim, a palavra indicativo, sugere possibilidade e não realidade, então, tudo bem.)

Com informações do IG