domingo, 20 de fevereiro de 2011

O morador de rua que escandalizava os normais

De vez em quando nos encontramos com um morador de rua que faz questão de nos escandalizar.

As razões para isto são diversas, exclusão, descaso, perseguição, são provavelmente algumas das causas.

Escandalizar é uma forma de nos fazer "pagar', só por vermos o que ele faz.

Esta semana, levando de carro minha esposa para o trabalho, eis que nos deparamos com um morador de rua trajado por farrapos, e andando com apenas um pé, sendo que tinha a ambas.

De repente, ele se agachou, dobrou o corpo para canaleta que fica entre  calçada e a rua, e simplesmente pôs-se a beber daquela água empossada e suja que ali estava.

Fiquei chocado com tanta falta de cuidado consigo mesmo, daquele cidadão, ou não cidadão, uma vez que está totalmente fora de qualquer contexto social.

E aí penso: será que este morador de rua será contemplado pelo programa de erradicação da pobreza e miséria?

Resgatar a dignidade de uma pessoa tão destruída assim exigirá um sobre esforço que transcende Dilma e seu governo.

Exigirá isto sim, de nós um envolvimento além daquele que fazemos, para abrir a oportunidade para pessoas como esta.

Não é fácil, mas é necessário.

O Brasil que sonhamos é um Brasil solidário, de ajuda mútua, e de congraçamento.
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O escândalo maior, não é o desta pessoa que bebe esgoto, mas de termos tornado nossa sociedade fechada, e individualista, adequada a um sistema de acumulação, onde cada "um é para si, e Deus para todos", ditado mais infeliz que conheci.

Reveter será difícil, mas não impossível.

É preciso sair da pré história política e adentrar na nova humanidade, sonhada por crentes e ateus.